Metade da população está diabética e pré-diabética

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Por: Robert Glatter, MD 

Um sinal de alerta nacional para intensificar os esforços para controlar a crise de obesidade, com maior foco na dieta, monitorar o açúcar no sangue, insulina e exercícios de resistência de alta intensidade.

De acordo com um estudo publicado on-line no JAMA hoje, quase 50% dos adultos que vivem nos EUA têm diabetes ou pré-diabetes, uma condição em que uma pessoa produz elevados níveis de insulina e açúcar no sangue e está em risco de desenvolver diabetes.

A diabetes, uma condição onde o açúcar no sangue está elevado constantemente devido a resistência à insulina, é o resultado da obesidade e da má alimentação que conduz à síndrome metabólica .

A diabetes é uma doença dispendiosa nos EUA, acumulando um número estimado de 245 bilhões de dólares gastos em 2012, relacionados com o consumo e utilização dos recursos de cuidados de saúde, bem como perda de produtividade e absenteísmo, de acordo com os pesquisadores do estudo. Diabetes pode danificar os vasos sanguíneos, os olhos e os rins, também resultando em má cicatrização de feridas e infecções devastadoras dos tecidos. Cerca de 71 mil pessoas morrem anualmente devido a complicações associadas com diabetes, com base em estatísticas recentes da American Diabetes Association.

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Os investigadores do estudo definiram diabetes não diagnosticada como pessoas que possuem glicose no sangue em jejum acima de 126 mg / dl ou uma hemoglobina A1C acima de 6,5%, uma medida de controle de glicose a longo prazo. Pré-diabetes foi definida como tendo um açúcar no sangue em jejum de 100-125 mg/dl, ou uma hemoglobina A1C de 5,7- 6,4%. Os pesquisadores avaliaram 5.000 pacientes que fizeram parte de uma pesquisa nacional projetada para avaliar a prevalência de diabetes e explorar as tendências em diferentes subgrupos e etnias.

Os resultados do estudo indicam que, em 2012, entre 12% e 14% dos adultos tinham diabetes, os dados mais recentes disponíveis. A maioria destes são diabéticos tipo 2, resultado de má alimentação e obesidade. Os pesquisadores também descobriram que as taxas de diabetes entre os americanos-asiáticos que antes eram uma população não estudada foram tão elevadas como as taxas observadas entre outras minorias. Até 20% dos asiáticos americanos tinham diabetes, com quase 50% deles sem mesmo estarem cientes de sua condição.

Dados adicionais estudo também revelaram que até 22% dos afro-americanos tinham diabetes, em comparação com 11% entre os brancos. Quase 23% dos hispânicos e 20% dos asiáticos foram observados como portadores da diabetes.

Importante notar, a proporção de diabetes não diagnosticadas foi muito alta em hispânicos e asiáticos-americanos 50%, ao mesmo tempo que foi apenas cerca de 33% de branco e negros.

Os pesquisadores também observaram um aumento acentuado na diabetes entre 1990-2008, com a incidência permanecendo estável depois de 2008.

De acordo com os pesquisadores, “a prevalência de diabetes aumentou significativamente ao longo do tempo em todas as faixas etárias, em ambos os sexos, em todos os grupos raciais e étnicos, por todos os níveis de ensino e em todos os grupos de renda.”

Os pesquisadores também estratificaram os participantes do estudo por IMC, ou índice de massa corporal, um indicador de obesidade derivado da divisão do peso (em kg) pela altura em metros quadrados.  “Quando classificados pelo IMC, diabetes só aumentou entre as pessoas com um IMC alto”, escreveram os pesquisadores. Um IMC > 30 indica que uma pessoa tem obesidade. A única exceção foi observado entre asiático-americanos onde IMC médio de 25, classificando-os com excesso de peso, mas não como obesos.

Um estudo do CDC publicado em 2014 observou que 29 milhões de pessoas nos EUA tinham diabetes, com 86 milhões classificados como tendo pré-diabetes, quase um terço da população adulta dos Estados Unidos.

Monitoramento da insulina e do açúcar no sangue como prevenção da diabetes

 A pergunta natural é: como podemos proteger e monitorar pessoas antes que elas desenvolvam diabetes. Enquanto Hb A1C é certamente uma maneira precisa para alcançar este objetivo, o uso de sensores e novas tecnologias, como a fluorescência utilizada por pesquisadores da Universidade de Leeds, em Londres, para acompanhar de forma não invasiva e monitorar esses parâmetros e Hb A1C e de açúcar no sangue podem ser a próxima fronteira.

Os números surpreendentes sobre desordens metabólicas, como diabetes e síndrome metabólica em nosso país e em toda as nações industrializadas é uma chamada à ação”, disse Richard Able, Fundador, X2 Biosystems e Partner, Stratos Grupo Seattle.”

Profissionais acreditam que a detecção e monitoramento precoce é a chave para ajudar os pacientes a evitar a chegada dos pacientes no estado pré-diabético, mantendo uma estreita vigilância sobre os níveis de insulina açúcar no sangue.

Os médicos e os pacientes devem estar se auto monitorando para acompanhar  a regressão ou progressão da doença”, explicou.

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Por que placebos estão fazendo mais efeito em pesquisas?

BBC

Especialistas ficaram intrigados ao descobrir que, nos últimos 25 anos, diferença na eficácia de medicamentos reais e inertes em testes clínicos diminuiu mais nos EUA do que em outros países

Antes de novos medicamentos serem colocados à venda, testes clínicos avaliam seu desempenho na comparação com o de remédios inertes conhecidos como placebos.

Mas pesquisas mostram que, nos últimos 25 anos, a diferença de eficácia entre medicamentos reais e falsos diminuiu – mais nos Estados Unidos do que em outros países. Os americanos são mais suscetíveis ao efeito placebo, ou há outra explicação para isso?

O fenômeno em que pacientes se sentem melhor simplesmente porque acreditam que um tratamento os ajudará é conhecido como efeito placebo.

Para testar o efeito placebo, são realizados testes clínicos em que alguns participantes recebem a droga real e outros recebem placebo – normalmente, os participantes não sabem qual remédio estão tomando.

A eficácia do medicamento é determinada pela diferença entre o efeito placebo – o quanto pacientes neste grupo se sentem melhor – do efeito do medicamento. Para que um remédio seja colocado à venda nos EUA, ele precisa superar a performance do placebo por uma margem significativa. 

Mas parece que isso está ocorrendo cada vez menos, porque o efeito placebo está aumentando gradualmente. Testes mostram que alguns conhecidos medicamentos para depressão e ansiedade teriam dificuldades em passar em seus testes clínicos se fossem testados novamente em 2015.

Essa tendência virou uma grande dor de cabeça para a indústria farmacêutica. Muitas drogas fracassaram nos testes clínicos finais – medicamentos que, a essa altura, já tinham consumido mais de US$ 1 bilhão em pesquisa e desenvolvimento.

Ninguém sabe por que o efeito placebo está aumentando, mas um novo estudo da revista científica Pain (“Dor”) pode ajudar a descobrir respostas.

Ao analisar dados de 80 testes de medicamentos para dor neuropática, os pesquisadores, coordenados por Jeffrey Mogil, da Universidade McGill, em Montreal (Canadá), descobriram que a tendência estava sendo puxada por estudos conduzidos nos EUA – onde se verificou que os participantes pareciam sentir melhoras pelo simples fato de estarem participando desses testes, independentemente de terem tomado o remédio ou o placebo.

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Foto: BBC


Mas o que faz com que americanos sejam mais suscetíveis ao efeito placebo?

No topo da lista das possíveis explicações está o fato de que, ao contrários de alguns outros países, a propaganda de medicamentos dirigida diretamente ao consumidor é permitida nos EUA.

O efeito placebo está ligado à expectativa dos pacientes, e os anúncios podem estar tendo efeitos nas mentes de pacientes tomando remédios, mesmo como parte de um teste clínico.

A hipótese preferida de Mogil, entretanto, não tem relação com propaganda mas com o fato de os testes americanos terem se tornado maiores e durarem mais tempo que os feitos fora dos EUA.

Para ele, as farmacêuticas provavelmente esperavam que testes maiores e mais ambiciosos fossem mais eficientes para demonstrar os efeitos reais das drogas, mas pode ter acontecido o contrário.

Um teste ambicioso que envolve altos gastos pode gerar toda um série de pequenos fatores que, juntos, acabam dando espaço à crença dos pacientes de que estão participando de um processo benéfico. O mero fato de criar um logotipo para um teste, por exemplo, pode fazer a pessoa se sentir mais otimista.

Placebo tem efeito de remédio para enxaqueca, mostra estudo

Você conhece o “efeito nocebo”?

Mogil acredita que empresas americanas costumam contratar mais organizações de pesquisas para realizar o teste. Pode ser que os funcionários que trabalham para essas empresas sejam mais simpáticos que os ocupados pesquisadores que conduzem testes acadêmicos. Só isso já é outro fator que pode fazer as pessoas se sentirem melhor.

“Houve uma pressão para reunir dados, para não ter dados faltando”, diz John Farrar, um neurologista e epidemiologista da Universidade da Pensilvânia.

“Então presta-se muito mais atenção aos pacientes, há muito mais contato com pacientes para se certificar que preencham os formulários corretamente, e houve um aumento no que é dito sobre a atividade da droga – eles falam mais sobre a ciência por trás dela, como pode funcionar, etc. E tudo isso leva, potencialmente, a grandes expectativas em pacientes.”

Mas Farrar acrescenta que os fins lucrativos das empresas de pesquisa podem estar fazendo com que recrutem pessoas que não deveriam estar fazendo testes em princípio. Um médico procurando participantes pode encorajá-los a classificar seus sintomas como mais graves do que eles realmente são para que possam participar do teste.

“Também houve um aumento do que chamamos de ‘pacientes profissionais’ – pacientes que se candidatam a testes clínicos porque descobrem que podem fazer dinheiro com isso”, diz Farrar.

Em ambos os cenários, após serem aceitos para os testes, os pacientes podem começar a dar relatos mais precisos sobre seus sintomas, que podem ser considerados como respostas positivas a placebos.

Farrar defende mudanças no formato dos testes para reduzir o efeito placebo, como mais controle ao recrutar pacientes, ser mais específico sobre critérios de seleção e acrescentar um terceiro grupo aos testes, que tomaria um medicamento já aprovado – se este grupo e o grupo que recebe o novo medicamento não superarem o placebo, os pesquisadores saberiam que o teste é falho.

Também há um tentativa de diminuir, por meio de conversas com pacientes, suas expectativas sobre fazer parte de um teste. Qual a melhor forma de fazer isso? “Diremos a verdade a eles”, diz Nathaniel Katz, presidente da Analgesic Solutions, uma consultoria que ajuda farmacêuticas a evitar fracassos em testes.

Sua empresa também treina funcionários que participam de testes para evitar “linguagem corporal otimista inapropriada”, como colocar o braço ao redor do paciente, apertar sua mão ou olhá-los nos olhos. “Isso aumenta as expectativas”, diz Katz.

Mas ele acrescenta que, se você diminuir muito as expectativas dos pacientes você certamente irá minimizar o efeito placebo, mas você também pode diminuir o efeito do medicamento sendo testado.

Isso foi demonstrado em uma experiência no ano passado feita por Ted Kaptchuk na Escola de Medicina de Harvard. Ele deu a pacientes com enxaqueca o remédio Maxalt ou placebo. Mas eles foram divididos em três subgrupos. Os grupos receberam seu envelope com um dos três selos: “Maxalt”, “Placebo” ou “Maxalt ou placebo”.

“Quando dávamos a eles placebo e o envelope dizia Maxalt, a resposta positiva foi muito boa”, disse Kaptchuk à BBC. “Quando demos Maxalt e dissemos que era placebo, a resposta foi a mesma, o que significa que, só por mudar as palavras no envelope, podemos fazer o placebo tão eficaz quanto o medicamento.”

O desafio, na visão de Kaptchuk, é achar uma forma de traduzir o extraordinário poder do placebo na prática diária do dia a dia. Enquanto pesquisadores tentam diminuir as expectativas dos pacientes, médicos fora dos laboratórios deveriam poder tirar proveito dessa fabulosa força da imaginação para ajudar seus pacientes.

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Homens devem enxugar o pênis após urinar

Ensinadas desde cedo a limpar a região íntima, as meninas crescem sabendo quais cuidados ter ao terminar de urinar, após uma relação sexual e também ao tomar banho. O reflexo disso está nas prateleiras do mercado: existem inúmeros sabonetes específicos para essa parte do corpo feminino e até mulheres que usam esses sabonetes desnecessariamente, buscando muitas vezes uma assepsia extrema, chegando a tirar os odores naturais dessa região. Por outro lado, vemos que os cuidados masculinos com o órgão sexual não têm o mesmo nível — e em alguns casos são até inexistentes. Será que há uma justificativa médica para diferença no cuidado?

Veja também: Higiene íntima masculina requer cuidados que muitos não têm

Segundo o doutor Sidney Glina, urologista do Hospital Israelita Albert Einstein, não. “É uma questão de higiene e saúde. Há uma educação maior quando se trata do sexo feminino em relação à região íntima, mas tanto homens quanto mulheres devem olhar com atenção especial para os cuidados com essa parte do corpo.” Homens que têm o prepúcio longo (pele que recobre a glande), por exemplo, devem secar o pênis após urinar, assim como as mulheres sempre fazem com a vagina. Mesmo os homens circuncidados que não terminem a micção completamente também devem ter esse cuidado. “O que geralmente ocorre é que, com a pressa em terminar de urinar, um pouco da urina fica ainda na uretra, extravasa e deixa o pênis e a roupa úmidos”, alerta o doutor Newton Soares de Sá Filho do São Camilo, urologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. O líquido em contato constante com a pele pode ser uma fonte de inflamações e até infecções.

A higiene não para por aí: durante o banho, a limpeza correta deve ser feita trazendo o prepúcio para trás e lavando todo o pênis com a água e o sabão do próprio banho. Depois, o órgão deve ser seco. Novamente, o prepúcio deve ser “puxado”, seco e só depois pode ser levado de volta à posição original. Após as relações sexuais, o procedimento deve ser o mesmo.

É importante ressaltar que caso a região íntima não seja corretamente limpa, as consequências podem ser severas. “O problema mais comum é a balanite, que consiste na inflamação da pele que recobre a glande. O mais grave é o câncer de pênis. Ambos são associados à inadequada higiene peniana”, alerta Soares de Sá Filho. E engana-se quem pensa que o câncer de pênis é incomum. De acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer), em 2009 surgiram 4637 novos casos de tumor peniano. “No Maranhão, por exemplo, há mais casos de câncer de pênis do que de próstata”, avisa Glina. Lá, um caso surge a cada 16 dias, e muitos chegam à amputação.

“O homem deve ter o hábito de observar o próprio corpo e ir ao médico ao menor sinal de alteração. Qualquer lesão é importante, porque uma ferida pequena pode evoluir para algo maior e mais difícil de tratar”, diz Glina. Nada melhor, portanto, que ensinar desde cedo os meninos a cuidarem de si mesmos, não é? Se é de pequeno que se torce o pepino, que de pequeno se lave o pepino também.

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Novo remédio para diabetes reduz 38% do risco de morte por doenças do coração

Elioenai Paes

Estudo de eficácia e segurança mostrou que além dos efeitos sobre a glicose, o medicamento protege o sistema cardiovascular de pacientes em alto risco

O diabetes é uma doença endocrinológica grave que, se não controlada adequadamente, pode danificar muitos órgãos do corpo e levar à morte. De oito a dez milhões de brasileiros sofrem com a doença e uma das maiores causas de morte em decorrência dela são as complicações cardiovasculares.

Um remédio lançado este ano com o objetivo principal de eliminar a glicose do sangue de diabéticos tipo 2 também se mostrou eficaz ao reduzir em 38% o risco de problemas cardíacos como infarto, AVC e insuficiência cardíaca, diz uma pesquisa publicada no periódico científico New England Journal of Medicine.

Glicose alta afeta os vasos sanguíneos, pode alterar os lipídios e favorecer o depósito de gorduras nas artérias, aumentando o risco cardiovascular

Glicose alta afeta os vasos sanguíneos, pode alterar os lipídios e favorecer o depósito de gorduras nas artérias, aumentando o risco cardiovascular

Foto: Thinkstock/Getty Images

O organismo sofre uma série de alterações metabólicas com o diabetes, explica o coordenador do estudo no Brasil e doutor em cardiologia pelo Instituto do Coração da USP (Incor), Francisco Kerr Saraiva.

“Essas alterações estão associadas à inflamação no organismo e a outros problemas relacionados a alterações de lipídios. A própria glicose alta causa reações agressivas nos vasos e aumenta a chance da pessoa vir a desenvolver aterosclerose (depósito gorduroso nas artérias)”, diz ele.

Além de doenças coronarianas o diabetes pode danificar o rim e provocar o AVC. “Durante décadas a comunidade científica vem buscando algo que pudesse proteger a população diabética contra o infarto, além de controlar a glicose”, conta o médico. “Alguns remédios para diabetes inclusive aumentavam os problemas cardiovasculares.”

O objetivo dos cientistas aparentemente foi encontrado: segundo o estudo, o medicamento (empagliflozina) conseguiu reduzir em 38% as mortes por doenças cardiovasculares em pacientes de alto risco e que já haviam sofrido alguma intercorrência cardíaca. “É uma redução gigantesca, um grande avanço e um grande marco. Pela primeira vez conseguimos mostrar esse efeito.”

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A empagliflozina atua de forma diferente da maioria dos outros medicamentos contra o diabetes tipo dois. “Há várias classes de medicamentos que aumentam a secreção de insulina pelo pâncreas, outros que aumentam a sensibilidade da insulina pelo organismo, outros que fazem a reposição desse hormônio”, conta o médico.

Esse medicamento, no entanto, atua inibindo a reabsorção de glicose pelos rins. O corpo entende que a glicose é energia e não quer perdê-la, mas o remédio consegue fazer com que essa glicose seja eliminada na urina, diminuindo a circulação dela no sangue. Com isso, reduz o diabetes.

A descoberta que a empagliflozina poderia reduzir 38% das mortes por problemas cardiovasculares em pacientes diabéticos veio por acaso.

“Esse estudo foi exigido pelo Food and Drug Administration (FDA) porque já houve casos de remédios para diabetes que aumentavam o risco cardiovascular. Agora todo medicamento tem que passar por esse teste, para ver se não traz malefícios ou ao menos não munda em nada”, conta o médico. “Nesse estudo de segurança e eficácia, aconteceu essa surpresa”, conta Saraiva.

Esse medicamento, portanto, pode beneficiar a população diabética de alto risco, que já tiveram algum problema cardiovascular em decorrência da doença. Somente um médico, no entanto, é quem avalia e pode indicar esse medicamento.

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Vamos nos permitir

Culpa. Quem nunca sentiu culpa por ter comido demais? E não, essa culpa não tem nada a ver com a nossa herança judaíco-cristã ou com o pecado capital da gula. E, infelizmente, nem sempre tem a ver com a sensação de estar forçando demais o corpo e a saúde. Essa culpa que a gente sente diante de uma comida que a gente gosta, e que não é uma “folha de alface”, vem do patrulhamento da magreza, do policiamento do corpo e do “politicamente saudável”. O nosso prazer de comer vai ficando cerceado pela culpa.

Diante de um bolo de chocolate, com aquela calda deliciosa caindo pelas bordas, somos todos culpados! Sim, nós nos rendemos, e como já fracassamos por ter comido o primeiro pedaço, por que não comer mais um, e mais um? E agora que o bolo de chocolate já foi, por que não atacar aquele sorvete que estava na clausura congelante do freezer? E agora que já está tudo perdido mesmo, por que não comer pizza no jantar? E como já é quinta-feira, por que não se entregar à insaciante loucura bipolar de comer tudo o que der vontade, intercalada com momentos de profundo sentimento de fracasso e culpa, até segunda-feira quando prometemos voltar ao auto-flagela com a folha de alface e as abdominais?

“A “folha de alface” é a metáfora do castigo
e o caminho para a redenção depois que metemos o pé na jaca”

E assim é a relação que vamos vivendo com a comida. Tentação, entrega, negação, culpa, auto-flagelo, redenção. Parece que estamos sempre tentando nos redimir por ter comido o que não devíamos. Por ter caído em tentação, vem o castigo da “folha de alface”: Ah, agora é uma semana comendo só folha de alface!

Aí vem um efeito emocional terrível: aquilo que é saboroso, mas que às vezes precisa ser redescoberto pelo nosso paladar, ganha o estigma da “comida saudável”, “comida da dieta”, de “castigo”… e parece que fica chato e perde todo o sex appeal gustativo.

Quando estamos na mood “dieta”, a “folha de alface” é o demônio, é aquilo que nós odiamos e que nos afasta do que desejamos. Mas quando estamos com o pé mergulhado na jaca, a mesma “folha de alface” de repente se torna a nossa redenção. Tão maluco isso, não é?! Gente, é só comida! Não precisamos sofrer tanto! Podemos e devemos relaxar, sentir prazer com o ato de comer, quebrar tabus, deixar o maniqueísmo alimentar de lado. Precisamos nos reconciliar com a comida, com o nosso corpo.

Não há nada melhor do que sentir que estamos no controle da situação. Ter consciência do que comemos é a melhor forma de nos livrarmos da culpa. Saber que estamos comendo algo que está nutrindo corpo e alma é reconfortante e muito prazeroso.

Vamos deixar a culpa de lado? Vamos nos permitir? Vamos nos libertar? Vamos libertar a coitada da “folha de alface” desse estigma? Sem ansiedade, sem arrependimento. Você pode sim comer o seu desejado bolo de chocolate. Mas esse bolo de chocolate vai ter um sabor muito mais especial se você souber que ele foi feito da melhor forma que pode ser feito, com tudo de bom que o seu corpo merece.

Coma devagar, coma com prazer, coma com um sorriso no rosto, coma com leveza, coma com equilíbrio, coma de modo consciente, nutra o seu corpo e a sua alma com aquilo que come. Sentir isso é um prazer sem culpa. E tudo é uma questão de escolha.

Vamos nos permitir?!

Beijos,
Carol :*

PS.: Ah, e para você não passar vontade, toma aqui essa receita de… mousse de chocolate rsss. Mas a receita de bolo de chocolate fica prometida 😉

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