Cuidado paliativo pode antecipar a morte de uma pessoa?

Gabriela Brito

Presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos diz o que mudou desde o reconhecimento da prática pelo Conselho Federal de Medicina

Objetivo do cuidado paliativo é melhorar a qualidade de vida do paciente diante de uma doença que ameace a vida

Objetivo do cuidado paliativo é melhorar a qualidade de vida do paciente diante de uma doença que ameace a vida

Foto: Shuttersock

“Na fase terminal de enfermidades graves e incuráveis é permitido ao médico limitar ou suspender procedimentos e tratamentos que prolonguem a vida do doente, garantindo-lhe os cuidados necessários para aliviar os sintomas que levam ao sofrimento, na perspectiva de uma assistência integral, respeitada a vontade do paciente ou de seu representante legal.”

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A resolução acima foi publicada há exatos dez anos pelo Conselho Federal De Medicina. Na época, o texto gerou polêmica por reconhecer a prática dos cuidados paliativos, que ainda hoje é visto por algumas pessoas como algo que pode antecipar a morte.

“Existe ainda muita má informação. Tem gente que pensa que o cuidado paliativo só é usado nas últimas horas de vida, que vai abreviar a vida, que a gente vai somente sedar o doente; e isso é acreditado mesmo entre os profissionais de saúde e em alguns hospitais”, afirmou a presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos, Dra. Maria Goretti Maciel.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a prática consiste “na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida”. Frequentemente relacionado ao câncer, esse tipo de cuidado também pode ser usado em casos de doenças crônicas, como as cardíacas ou o diabetes, que acabam deteriorando a saúde do paciente após um longo período.

Mesmo com os problemas que ainda encontra no dia a dia do trabalho, Dra. Goretti acredita que os últimos dez anos foram revolucionários em relação à prática. “Ainda estamos longe do que queremos alcançar, que é ter o cuidado paliativo em todos os hospitais, qualificado, mas nunca se falou tanto em cuidado paliativo.”

Dificuldade em lidar com a morte

Apenas uma coisa é certa ao nascermos: um dia, todos nós vamos morrer. Ainda assim, o tema ainda é um tabu na sociedade e causa medo em muitas pessoas. Em relação aos profissionais de saúde, por exemplo, existe também o medo de uma possível frustração com o paciente.

“Existe um receio em lidar com a pessoa que vai morrer, um sentimento de impotência muito grande e uma sensação de que não vai dar conta daquilo. Por outro lado, também vemos uma banalização e coisas terríveis, como profissionais que acreditam que não há mais nada para se fazer com a pessoa, mas os cuidados paliativos vêm como uma resposta. Há muito o que se fazer.”

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Muitas pessoas acreditam que a médica só vê sofrimento em seu trabalho, mas Dra. Goretti e sua equipe conseguem, na maioria das vezes, proporcionar um conforto físico e emocional para o paciente e também à família. O cuidado paliativo envolve diversos profissionais, como médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas e até mesmo líderes espirituais em alguns casos.

O objetivo principal não é prolongar a vida do paciente, já que ele já está no fim da vida, mas alguns estudos mostram que este cuidado diferenciado acaba até mesmo dando um maior tempo de vida, e com qualidade, à pessoa. “Eu continuo com a missão de proteger da morte e da doença.”

A diferença é que os profissionais palitivistas procuram usar a menor quantidade de medicação possível e até mesmo evitam alguns exames, fazendo uma análise mais clínica do paciente para não expor a pessoa. No caso da morfina, analgésico do grupo dos opioides e muito usado, a utilização é feita com muito cuidado e com doses muito baixas, para não causar prejuízos.

Sistemas de saúde

A capacitação dos profissionais ainda é um problema, mas já existem cursos de aperfeiçoamento e especialização em São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza, Salvador e Recife, segundo Dra. Goretti. Por conta disso e a questão do preconceito que ainda existe, o trabalho paliativo nos sistema de saúde público e privado ainda estão muito no começo Brasil na visão da especialista.

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Ela lembra que no Índice de Qualidade de Morte de 2015, levantamento feito pela consultoria britânica Economist Intelligence Unit, dos 80 países avaliados, o Brasil ficou apenas na 42ª posição. Considerando só a América, o País fica atrás dos Estados Unidos, Canadá, Chile, Costa Rica, Panamá, Argentina, Cuba, Uruguai e Equador.

Quando avaliada a capacidade de oferecer o cuidado paliativo, apenas 0,3% dos pacientes que morreram no último tiveram acesso ao serviço. É o mesmo índice do Iraque e de Gana e pior que países como Malaui, Uganda e Quênia.

Saúde: bem-estar, dicas de alimentação, dieta e exercícios – iG

Ator faz experimento chocante comendo açúcar

Por: EMMA REYNOLDS

sugar_stacks_18Já se foi 10 anos desde que o cara chamado Morgan Spurlock viveu comendo apenas McDonald por um mês no filme inovador, Super Size Me.

Agora nossas cinturas enfrentam uma nova ameaça, e outra cobaia sofreu uma grande auto-experimentação arriscada para tentar dar sentido a esta “nova” ameaça da alimentação moderna.

O ator de TV australiana e cineasta Damon Gameau estrelou no filme que foi ao ar nos cinemas australianos no início de 2015, no qual ele vive comendo apenas alimentos de baixo teor de gordura que são considerados pela indústria de alimentos processados como “saudáveis” com um elevado teor de açúcar por 60 dias.

Os resultados são mais chocante do que qualquer um poderia ter esperado.

Dentro de três semanas, o autor Damon previamente saudável estava se sentindo terrível o tempo todo, letárgico e com a saúde péssima.

Uma visita ao médico confirmou o pior – ele tinha o começo de doença hepática gordurosa.

Damon Gameau features in That Sugar Film.

Damon Gameau é estrela do filme chamando“o açúcar”

“Eu não tomei refrigerantes, não comi chocolate, sorvete ou confeitaria”, disse Damon recentemente “Todos os açúcares que eu estava comendo foram encontrados em alimentos supostamente percebidos como saudáveis, como iogurtes de baixo teor de gordura, barras de cereais e sucos de frutas, bebidas esportivas … esse tipo de coisas que muitas vezes os pais dão aos seus filhos apensando que eles estão fazendo a coisa certa.”

Em vez disso, o ator revela que esses açúcares escondidos tiveram um efeito extremamente prejudicial à sua saúde física e mental.

Damon consumed 40 teaspoons a day, just slightly more than the average teenager.

Damon consumiu 40 colheres de chá por dia (dos próprios alimentos), apenas um pouco mais do que o adolescente ordinário nos EUA.

Ganhou 10 cm de gordura visceral em torno de sua cintura, e foi informado de que ele estava no caminho rápido para a obesidade. Ele também foi informado que seu funcionamento mental estava “instável”.

Damon tinha aumentado sua ingestão para 40 colheres de chá de açúcar por dia, apenas um pouco mais do que o do adolescente médio em todo o mundo. A ingestão diária recomendada é de um máximo de nove colheres de chá por dia, ou seis para mulheres.

Ele agora acredita que a rotulagem é deliberadamente ambígua, e que precisamos estar conscientes de que  cada quatro gramas de açúcar consiste em equivale a uma colher de chá de açúcar.

Apesar de manter suas calorias iguais, Damon disse que nunca parecia se sentir saciado.

Within three weeks, he had developed early signs of fatty liver disease.

Ele desenvolveu sinais de doença hepática após 3 semanas.

Para o lanche, ele comia iogurte de baixo teor de gordura, cereais e suco de maçã. Que continham 20 colheres de chá de açúcar.

“Nós não estamos sendo dogmáticos, mas apenas dizendo que as pessoas tem que estar cientes de que precisam parar de comer açúcar”, disse ele. “O açúcar está agora em 80 por cento dos alimentos processados que ​​estamos comendo. Se conseguirmos remover isso, esse é o primeiro passo para fazer uma mudança. ” O rei das receitas e ativista de alimentos Jamie Oliver chamou o filme de “essencial para todos assistirem”. Será que ele convenceu as pessoas a mudarem os seus hábitos?

 

Existem hoje cerca de seis milhões de australianos com doença hepática gordurosa, e apenas 6000 foi ​​pelo álcool. A diabetes tipo 2 está matando alguém a cada seis segundos no mundo, e Damon acredita que chegamos a um ponto em que precisamos fazer alguma coisa.

Os criadores do filme “O açúcar” garantiram um financiamento para criar um programa educacional em torno do filme.

Seu site oferece dicas, receitas e um guia de estudo para crianças, e mais tarde irá se transformar em algo maior, onde as pessoas podem participar em desafios como cortar o açúcar por 10 dias.

The filmmaker said he felt lethargic and bad-tempered on the diet.

O cineasta disse que se sentiu letárgico e mal-humorado na dieta.

Última refeição de Damon foi um total de 40 colheres de chá de açúcar que poderiam ser encontrados em lancheiras escolares de crianças comuns.

“Infelizmente, foi muito fácil e prático de preparar este lanche que encaixou confortavelmente no pequeno recipiente de plástico”, escreveu ele em seu blog documentando seu experimento.

“A última refeição foi para todas as pessoas, especialmente pais, que são levados a acreditar que eles estão fazendo a coisa certa e saudável para seus filhos. Eles estão fazendo um esforço, mas infelizmente eles ainda são terrivelmente prejudicados pela falta de integridade das estratégias de marketing de embalagens”.

 

A última refeição:

 

Um suco de maçã e groselha Orgânica (6 colheres de chá)

Duas minúsculas ‘barras de frutas’ (8 colheres de chá)

Uma caixa de Macro Sultanas Orgânica (5 colheres de chá)

Uma barra de cereal Kelloggs (4 colheres de chá)

Um pacote de salada de frutas secas (como pedaços de damasco, mas frutas misturadas, revestidas em açúcar. (5 colheres de chá)

Uma embalagem de de suco de maça (5 colheres de chá)

Um sanduíche de geleia (4 colheres de chá)

Uns dos principais ofensores:

 

Tâmaras (4 colheres de chá)

Bebida populares 250ml de líquido de pequeno-almoço (4 colheres de chá)

Garrafa de 250ml de suco de multi-vitamínico (6 colheres de chá)

Chá gelado (8 colheres de chá)

Gatorade (8 colheres de chá de açúcar)

Suco de maçã 400ml (10 colheres de chá)

Iogurte desnatado (11 colheres de chá)

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TRIBO FORTE #038 – GENÉTICA “RUIM”, TIREÓIDE, MUSCULOS E NÓS COMO RATOS DE LABORATÓRIO

Bem vindo(a) hoje a mais um episódio do podcast oficial da Tribo Forte!

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No Episódio De Hoje:

Este episódio está recheado de informações. Os principais temas que serão tratados são:

  • Revisão de alguns pontos sobre o maior experimento alimentar (falho) conduzido na história (e todos nós como cobaias durante mais de 40 anos)
  • Perda de massa muscular com alimentação forte? ou não?
  • Alimentação lowcarb e melhoras na tireóide (Hashimoto’s). Primeiro estudo que evidencia isso.
  • Estudo quentinho saindo do forno com ótimas notícias para quem acha que tem genética “ruim”
  • O que comemos na última refeição e um papo sobre a qualidade de alimentos nos mercados.

Lembrando: Você é MEMBRO VIP da Tribo Forte ou ainda está de fora? Tenha acesso a receitas simples e deliciosas diariamente, artigos internacionais traduzidos diariamente, fórum de discussão, documentários legendados e MUITO mais! Não fique de fora e se junte a este movimento agora mesmo, clicando AQUI!

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Quer Emagrecer De Vez? Conheça o programa Código Emagrecer De Vez

Logo-Banner-quadrado1Abaixo eu coloco alguns dos resultados enviados pra mim por pessoas que estão seguindo as fases do Código Emagrecer De Vez, o novo programa de emagrecimento de 3 fases que é o mais poderoso da atualidade para se emagrecer de vez e montar um estilo de vida alimentar sensacional para a vida inteira.

Este programa é 100% baseado na melhor ciência nutricional disponível hoje no mundo.

Se quer colocar um sorriso novamente no seu rosto com um corpo e saúde que te dê orgulho, CLIQUE AQUI.

Alguns dos resultados REAIS de membros que estão finalizando os primeiros 30 dias do programa Código Emagrecer De Vez.

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Quer seguir o Código Emagrecer De Vez você também? Clique AQUI e comece HOJE!

Referências do Episódio

Rodrigo Polesso Dia Dia Da Band com pizza de massa de couve-flor

Rodrigo Polesso no programa Dia Dia da BAND fazendo a pizza de couve-flor

Rodrigo Polesso TV Record alimentação saudável

Rodrigo Polesso na TV Record falando sobre alimentação saudável

Ótimo artigo da VICE sobre o experimento alimentar falho dos últimos 40 anos.

Artigo sobre dieta lowcarb e melhora na tireóide (condição de Hashimoto’s)

Novo estudo sobre lifestyle e carga genética

Abaixo, fotos do banquete lowcarb que a Polyana preparou pro Dr. Souto:

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Transcrição do Episódio

Por causa do evento ao vivo da Tribo Forte, estamos atrasados em relação as transcrições. No entanto, ela será publicada em breve aqui.

Emagrecer de Vez

Wi-fi ajuda a reverter paralisia em macacos

BBC

Tecnologia permitiu que eles conseguissem enviar comandos do cérebro até os nervos de uma perna, mas método para humanos deve ser mais avançado

Macacos utilizados na pesquisa tinham apenas uma perna paralisada e conseguiram retomar o movimento e caminhar

Macacos utilizados na pesquisa tinham apenas uma perna paralisada e conseguiram retomar o movimento e caminhar

Foto: EPFL

Pesquisadores conseguiram fazer com que macacos que sofriam de paralisia devido a lesões na espinha pudessem retomar o movimento em uma das pernas com o uso de um dispositivo wireless implantado no cérebro. Foi a primeira vez que a técnica foi utilizada com sucesso.

A pesquisa, que utilizou macacos rhesus, foi conduzida pelo Instituto Federal de Tecnologia da Suíça e publicada pela revista científica Nature. A tecnologia permitiu que os primatas conseguissem enviar comandos do cérebro até os nervos de uma das suas pernas, o que antes não era possível devido a uma lesão na coluna. (veja representação na imagem abaixo).

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De acordo com os especialistas, a tecnologia pode ser testada em humanos em uma década. A paralisia normalmente é causada por lesões na medula espinhal, que impedem que os sinais nervosos enviados pelo cérebro cheguem até os membros. É um ferimento que raramente se cura.

Tecnologia wireless permite

Tecnologia wireless permite “pular” lesão e reconectar nervos da perna ao comando de cérebro

Foto: BBC/ Nature


No estudo, os macacos tiveram chips implantados nas partes do cérebro que controlam o movimento. Os dispositivos detectam os impulsos elétricos com as instruções para mexer a perna e enviam os dados para um computador.

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O computador decifra as mensagens e envia as instruções para um outro implante, adaptado à coluna, que estimula os nervos correspondentes através de sinais elétricos. O processo se dá em tempo real. Os macacos utilizados na pesquisa retomaram algum controle sobre a perna paralisada. Em seis dias após o implante, eles já conseguiam caminhar em linha reta sobre uma esteira.

“Essa é a primeira vez que um primata retomou sua capacidade de se locomover através da neurotecnologia”, afirmou Gregoire Courtine, um dos responsáveis pelo estudo. “O movimento para uma caminhada básica ficou perto do normal, mas ainda não conseguimos testar a habilidade de mudar de direção”, disse.

A tecnologia utilizada é a mesma já adotada em terapias para tratar o mal de Parkinson. Portanto, um avanço tecnológico para testar a técnica em pacientes humanos não seria necessário. O fator complicador, segundo Courtine, são as diferenças biológicas entre seres humanos e primatas. “Nós somos bípedes e isso exige formas mais sofisticadas para estimular os músculos”, explicou.

O chip é implantado no cérebro do macaco para enviar sinais à medula espinhal e possibilitar movimentos

O chip é implantado no cérebro do macaco para enviar sinais à medula espinhal e possibilitar movimentos

Foto: EPFL


Inovação

Para Jocelyne Bloch, neurocirurgiã do hospital da Universidade de Lausanne, na Suíça, a técnica realmente inovadora é a conexão entre a decodificação dos sinais emitidos pelo cérebro e o estímulo da medula espinhal.

“Pela primeira vez consigo imaginar um paciente completamente paralisado sendo capaz de mover suas pernas através dessa interface cérebro-espinha.”

O uso da tecnologia na recuperação de pacientes que sofrem com paralisia é um campo que vem se desenvolvendo rapidamente.

“Pacientes com paralisia querem ser capazes de retomar o controle real sobre seus movimentos, eles querem poder caminhar”, disse Mark Bacon, diretor de pesquisa da ONG Spinal Research. Ele comemora o uso de dispositivos implantados e afirma que as evoluções nesse campo “claramente demonstram progresso”.

Andrew Jackson, pesquisador da Universidade de Newcastle, também vê as evoluções com otimismo: “É bem possível que possamos ter as primeiras demonstrações clínicas de interfaces conectando a medula espinhal ao cérebro até o fim desta década.”

No entanto, Jackson faz a ressalva de que os macacos tinham apenas uma perna paralisada e não são bípedes como nós. Recuperar o movimento em duas pernas seria um desafio muito maior, lembrou ele.

“Locomoção útil também requer controle sobre equilíbrio, a capacidade de mudar de direção e evitar obstáculos. E nenhum desses fatores foi trabalhado pela pesquisa”, salienta.

Saúde: bem-estar, dicas de alimentação, dieta e exercícios – iG

Como a tecnologia pode ajudar a empoderar  pessoas com diabetes

Gabriela Brito

Não só os aparelhos de medição da glicose ou bombas de insulina ajudam a dar maior autonomia aos diabéticos: a internet também pode ser essencial para as pessoas conseguirem aceitar a doença e encontrar outros pacientes

Diogo e seu cachorro Luke – o nome é uma homenagem ao personagem Luke Skywalker da franquia Star Wars

Diogo e seu cachorro Luke – o nome é uma homenagem ao personagem Luke Skywalker da franquia Star Wars

Foto: Arquivo pessoal

Foram quase duas semanas fazendo muito xixi e sofrendo muita sede. Os pais de Diogo, com apenas quatro anos na época, estranharam e acharam melhor fazer um teste para avaliar o nível de glicemia do filho. Estava tão alta que nem mesmo aparecia no aparelho. Resultado: o menino tinha um diabetes ainda desconhecido.

Logo depois da descoberta, Diogo iniciou tratamento do diabetes com insulina. Como ele ainda era pequeno, ficava difícil ajustar a dose certa na caneta de aplicação, o que aumentava o risco de hipoglicemia. Por isso, começou a usar a bomba de insulina.

Normalmente, o aparelho é usado por pessoas que precisam de múltiplas injeções ao longo do dia. A técnica é mais precisa, já que considera o nível de glicose no sangue e a quantidade de carboidratos que a pessoa comeu. Desse modo, o dispositivo funciona mais ou menos como o pâncreas, que precisa liberar mais insulina quando a pessoa se alimenta, por exemplo.

O hormônio da insulina é responsável por pegar o açúcar que está no sangue e colocá-lo dentro das células, para gerar energia.

Diogo, hoje com oito anos, gosta de jogar vídeogame, de brincar com seu cachorro Luke e entende que precisa comer e tomar água direitinho. “Diabetes é só uma condição. Quando meus amigos (também diabéticos) ficam com medo da bomba, eu explico que não precisa ter medo de colocar o cateter, porque por ele só vai entrar insulina. Às vezes, dá uma queimadinha, mas é da insulina, faz parte.”

Além de o aparelho dar mais autonomia para o menino poder brincar, comer o que tem vontade e ficar mais tranquilo em relação ao risco de hipoglicemia, a sinceridade dos pais em relação à doença também foi de extrema importância. A mãe dele, a jornalista Viviane Bianconi, de 35 anos, explica que ela e o marido sempre conversaram muito com o filho sobre sua condição.

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Após passar pelo susto inicial com a criança, ela decidiu criar, junto com o menino, a página no Facebook “Di de Diabetes”. Pelo canal, a jornalista conseguiu ter contato com outros pais que também estavam se descobrindo inseridos neste universo das doenças crônicas. “Algumas mães acabam até me ligando. O que eu tenho a falar é que é preciso ter muito amor, paciência e coragem. É, realmente, fazer o papel de mãe a fundo. Vai ter dias ruins sim, mas outros muito bons”, afirma Viviane.

Pela página, Diogo também consegue gravar vídeos incentivando seus amigos a praticar exercícios, ter uma alimentação equilibrada e a não ter medo da doença e do tratamento.

Internet pode ser um ótimo meio para que as pessoas se informem sobre o diabetes, mas é preciso tomar cuidado

Internet pode ser um ótimo meio para que as pessoas se informem sobre o diabetes, mas é preciso tomar cuidado

Foto: Pexels


Empoderamento

De acordo com Dr. Mauro Scharf, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, é preciso dar empoderamento ao paciente para que ele consiga viver sem a barreira da doença.

Os especialistas envolvidos no tratamento devem oferecer a educação em diabetes, o conhecimento nutricional, as informações sobre atividades físicas, motivando o paciente, já que a doença acaba gerando ciclos de negação e afirmação da condição. Para tanto, a internet pode auxiliar a pessoa a conhecer melhor o problema. Assim como em relação a outros temas, é preciso estar atento à fonte da informação, já que há muitos boatos online como “a cura do diabetes”.

LEIA MAIS: Diabéticos conhecem bem a doença, mas aderem pouco ao tratamento

Maior conhecimento e motivação pode ajudar a acabar com o fato de que mais de 80% dos pacientes não controlam sua glicose da forma correta. Aqui no Brasil, já existem aplicativos como o “StarBem Mais”, que servem como um canal de comunicação entre paciente e médico. Por ele, é possível acompanhar os cuidados que as pessoas têm no dia a dia e ainda receber informações sobre o diabetes.

“Há também os grupos de diabéticos no Facebook. Eles são ótimos, mas também temíveis – por causa da circulação de informações erradas. Mas, ajudam no acolhimento de novos pacientes e fazem com que eles possam entender melhor a doença”, afirmou o especialista.

Eric descobriu o diabetes aos 12 e, hoje, tem um blog sobre o assunto, uma página no Facebook e já pensa no YouTube

Eric descobriu o diabetes aos 12 e, hoje, tem um blog sobre o assunto, uma página no Facebook e já pensa no YouTube

Foto: Reprodução/ YouTube


Diabético intergalático

Foi o próprio Facebook que incentivou o jornalista Eric Luiz Porto, de 23 anos, a escrever para um público que, muitas vezes, tem dificuldade em aceitar o diabetes: os jovens.

A plataforma oferece um canal de fácil alcance, e Eric pode ajudar pessoas que estão tendo problemas para controlar a doença, assim como ocorreu com ele.

O diagnóstico foi dado quando tinha 12 anos, após passar mal ao fazer um exame de sangue. O nível de glicemia estava acima dos 500. Foi tudo muito rápido: internação, aprender a aplicar a insulina, ter noção de que se sofria de uma enfermidade sem cura. Para família também foi um choque, ainda mais porque não há histórico familiar.

O jornalista acredita que é muito importante ter contato com outras pessoas com a mesma condição neste momento, ter alguém para tirar dúvidas, conversar, especialmente aquelas com a mesma idade.  A família também deve se colocar presente e entender que o diabetes requer uma vida regrada.

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Diferente de Diogo, Eric aplica sua insulina com canetas. São ao menos quatro aplicações por dia, dividindo as doses entre a de ação rápida e a lenta. Após sofrer, até mesmo com dificuldades para dormir, com medo de “não acordar mais” após uma hipoglicemia, o jornalista passou a entender que o trabalho do diabético é “full time”, sem interrupções.

“Não minta para você mesmo (em relação aos níveis de glicose e cuidados com o diabetes). Aceite a doença. Nada é melhor que o acompanhamento médico e nutricional”, conclui. 

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TRIBO FORTE #034 – HDL, GORD. SATURADAS E CÂNCER E EXISTE UMA DIETA IDEAL A TODOS?

Bem vindo(a) hoje a mais um episódio do podcast oficial da Tribo Forte!

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No Episódio De Hoje:

No episódio de hoje falaremos de 3 temas centrais e mais:

  • Primeiro: Colesterol HDL. Como aumentá-lo?
  • Será que existe uma dieta universalmente saudável e igual para todo mundo?
  • Existe conexão entre gordura saturada e câncer de próstata?
  • Fatos curiosos sobre bacon e azeite de oliva.
  • O que comemos na última refeição.

Lembrando: Você é MEMBRO VIP da Tribo Forte ou ainda está de fora? Tenha acesso a receitas simples e deliciosas diariamente, artigos internacionais traduzidos diariamente, fórum de discussão, documentários legendados e MUITO mais! Não fique de fora e se junte a este movimento agora mesmo, clicando AQUI!

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Quer Emagrecer De Vez? Conheça o programa Código Emagrecer De Vez

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Este programa é 100% baseado na melhor ciência nutricional disponível hoje no mundo.

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Alguns dos resultados REAIS de membros que estão finalizando os primeiros 30 dias do programa Código Emagrecer De Vez.

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Referências do Episódio

 

Estudo onde refeições igual geram respostas diferentes em diferentes pessoas.

Estudo simplista relacionando gorduras saturadas e câncer de próstata.

Grande revisão de estudos mostrando que NÃO existe associação entre gorduras saturadas e câncer de próstata.

Transcrição do Episódio

Rodrigo Polesso: Bom dia, boa tarde e boa noite para você que está ouvindo esse episódio de número 34 do podcast oficial da Tribo Forte. Você está ouvindo o podcast oficial da Tribo Forte, com o Rodrigo Polesso e o Dr. José Carlos Souto. Assuntos como emagrecimento, saúde, alimentação e estilo de vida são tratados de forma imparcial doa a quem doer. Para se tornar um membro da Tribo Forte, entre em TriboForte.com.br. Olá, pessoal, você está ouvindo o podcast número 34 da Tribo Forte. É o podcast número 1 do Brasil em saúde. É um prazer estar com você novamente para mais um bate-papo comigo e com o Dr. Souto. Os highlights de hoje são o seguinte: vamos enfatizar que não existe uma dieta alimentar que funcione para todo mundo – temos prova disso. Também temos um fato curioso sobre o azeite de oliva e o bacon, que eu acho que a galera vai gostar de saber. Além disso, falaremos mais um exemplo de um estudo mal interpretado e perigoso, quando divulgado de forma errada. Ele é sobre gordura saturada e câncer de próstata. É um estudo bastante novo que foi recém publicado. Desde o começo do podcast, vemos falando sobre a qualidade da ciência. Nós viemos desbancando estudos de má qualidade para enfatizar a importância de estudos de boa qualidade. Dr. Souto, tudo bem? Boa tarde.

Dr. Souto: Tudo bom, Rodrigo. Boa tarde e boa tarde aos ouvintes.

Rodrigo Polesso: Ótimo. Como de costume, vamos fazer a primeira pergunta da comunidade. É sobre um tema que muita gente tem curiosidade, tenho certeza. A pergunta vem da Bianca, do Distrito Federal: “Fala Rodrigo e Dr. Souto. Sobre o colesterol total e HDL. A divisão deste por aquele deve ser saudável. Qual seria a média saudável? Estou preocupada porque meu HDL não sobe de jeito nenhum. Eu tenho algumas restrições para exercícios físicos, e sei que o exercício aeróbico ajuda a elevar o HDL. Meu colesterol total é 225 e o HDL 45. Não está bom, não é? Faço somente pilates e não consigo fazer hidroginástica.” Então, a primeira pergunta é sobre os parâmetros da conta do total, e a segunda é sobre como aumentar o HDL.

Dr. Souto: Embora no laboratório tenha um valor de referência para o colesterol total, que vai até 200, a maioria dos cardiologistas concorda que o colesterol total como ferramenta de previsão risco cardiovascular é muito ruim. Na verdade, ele quase não diferencia pessoas que terão e não terão eventos cardiovasculares. Isso se descobri há várias décadas quando se descobriu as frações. LDL e HDL são frações. Haviam descoberto que as frações têm um poder preditivo maior. Na realidade, o HDL, quanto mais alto, tende a estar relacionado a um risco menor de doença cardiovascular – por isso, se criou um índice no qual se divide o colesterol total pelo HDL. Quanto menor for esse índice, melhor. Se o HDL é uma coisa que diminui o risco e o HDL é o denominador, quanto maior o HDL, menor o índice e menor o risco. A comparação que eu costumo fazer é: uma pessoa de 70 quilos é gorda ou magra? Obviamente, depende da altura. Se for uma mulher de 1 metro e 50, ela estará com sobrepeso. Se for um homem de 1 metro e 80 com 70 quilos, ele é muito magro. Então, o colesterol 225 da nossa leitora, é alto ou baixo? Não adianta olhar para o valor de referência do laboratório. Depende. Como é o HDL? Como são os triglicerídeos? Como é a glicose? Como é o resto? Mas, falando só sobre esse índice, como é o HDL?

Rodrigo Polesso: Ela falou que o HDL dela é 45.

Dr. Souto: Para quem nos ouve, saibam que não ensaiamos essas perguntas. O Rodrigo sempre pega de surpresa. Estou abrindo a calculadora no telefone. Vamos fazer 225 dividido por 45. Deu 5. O ideal é um índice menor do que 4,5. Abaixo de 5 não é péssimo. Vou fazer uma comparação. Vou pegar os 225 de colesterol total dela e ver quanto daria se o HDL fosse 52. Daria 4,3, menos do que 4,5. Então, ela tem razão. Aumentar o HDL é um objetivo mais interessante do que diminuir o colesterol total. Normalmente, uma dieta low carb tende a produzir um aumento de HDL. A atividade física também tende a produzir um aumento de HDL. Mas, talvez o maior determinante dos níveis de HDL seja a genética. Eu não sei quanto era o HDL dela antes dela começar a se preocupar com a saúde. Eu tenho pacientes que tinham HDL de 30 ou menos, que, após adotar um estilo de vida com atividade física, cuidado do excesso de carboidratos, o HDL subiu para 40 ou 45. Isso poderia ser melhor, mas 45 é muito melhor do que 30 ou 28. Então, o que podemos sugerir é que ela siga nessa linha de atividade física e cuidando da alimentação. Mas ela precisa saber que às vezes existem limites que a genética impõe nos níveis de HDL. O principal é que os fatores de risco devem ser vistos como um todo. Se a pessoa perdeu peso, ela diminui o risco. Se ela perdeu centímetros da cintura, diminuiu ainda mais o risco do que em todas as outras coisas que falamos até agora. Se ela faz atividades físicas, ela diminuiu o risco em comparação com uma pessoa sedentária. Se ela está fazendo tudo certo e o HDL não passar de 45, deixe-o em 45 e vamos focar naquilo que ainda pode ser melhorado.

Rodrigo Polesso: Perfeito. O LDL é a outra parte da soma. Mesmo sabendo o valor dele, sabemos que é algo muito mais complicado do que isso. Aqui na América do Norte está ficando mais popular a medição das partículas de LDL para ver quais você tem e quais você não tem. Tem o tipo perigoso, o VLDL. Até esse detalhe importa. Mas eu acho que o importante é saber que o consumo de açúcar refinado vai levar a um aumento de colesterol no sangue. Não é o consumo do colesterol que vai aumentar o colesterol no sangue. Sabemos que o consumo desses refinados impacta nisso. Isso é algo que está totalmente sobre o controle dela. Mesmo sem o acesso a essa tecnologia de diversificação do LDL, ela consegue controlar a comida e com isso aumentar as chances de ter um perfil legal.

Dr. Souto: Isso aí. A variação do número de particular, do tamanho das partículas… são coisas que não temos disponível no nossos meio ainda. Mas existe outro índice que é triglicerídeos divididos pelo HDL. Esse índice, quando dá um valor baixo, de preferência inferior a 2, é altamente sugestivo de que as partículas de LDL da pessoa sejam as grandes e pouco densas – ou seja, aquelas menos associadas com o risco cardiovascular. Por isso que eu disse que os fatores de risco não devem ser associados isoladamente.

Rodrigo Polesso: O erro da medicina moderna é justamente esse de tentar entender o corpo humano como uma mecânica de motor. A medicina holística é algo em falta. Respondemos essa questão do HDL. Espero que tenha sido útil para o pessoal. Agora vamos falar de um estudo publicado no ano passado no jornal Cell. O nome do estudo é Personalized Nutrition by Prediction of Glycemic Responses. Ou seja, uma nutrição personalizada como resultado de uma predição da resposta glicêmica dos alimentos. Que confusão é essa? O que isso quer dizer é que não existe uma intervenção alimentar que funcione para todo mundo. Essa é a conclusão. Vou ler dois parágrafos rapidamente, vai ser bem interessante. O estudo fala assim: Esse estudo monitorou continuamente a glicose no sangue de 800 pessoas. Eles mediram os dados de 46 mil refeições e acharam uma grande variação na resposta glicêmica mesmo em refeições idênticas. Isso sugere que uma orientação universal de dieta não será muito abrangente. Essa resposta glicêmica varia muito de pessoa para pessoa. Isso depende muito de características químicas da pessoa e fatores relacionados à microbiota (folha intestinal). Apesar disso, várias mudanças constantes foram identificadas ao se alterar a dieta alimentar. Ou seja, as pessoas se diferem de mil e uma maneiras – inclusive pela flora intestinal – mas quando as pessoas arrumam a alimentação, algumas mudanças constantes nessa microbiota intestinal acontecem em todas as pessoas. O mesmo alimento tem respostas diferentes em diferentes pessoas. O índice glicêmico de um pão não será igual em todas as pessoas. Isso depende de várias coisas, inclusive da flora intestinal, que é um assunto quente e que a ciência conhece muito pouco. Isso reforça a ideia de que não existe uma recomendação que funcione para todo mundo. Você tem que testar, ser flexível, na tentativa e erro. Você tem que achar o estilo de vida alimentar que funciona para você para atingir os seus objetivos particulares.

Dr. Souto: Esse artigo é muito interessante e muito bem feito. Ele gerou bastante mídia na época, mas ele precede nossos podcasts. É interessante retomar esse assunto. As pessoas às vezes comentam: “Vi em um determinado site que o índice glicêmico da maçã era tanto. No outro site o índice glicêmico da maçã é outro. Qual está certo?” O que esse estudo está mostrando é que não existe certo. Varia de uma pessoa para outra. Como é feito esses estudos de índice glicêmico? Se pega alguns voluntários sadios, se dá uma quantidade padronizada de um alimento e medem a glicemia, a curva glicêmica e depois fazer a área sobre a curva para calcular o índice glicêmico. Então, se eu pego 10 pessoas sadias, eu vou ter uma média, que será o índice glicêmico do meu estudo. Mas outra pessoa, em outra universidade, pode pegar outro grupo de 10 pessoas e obter uma média diferente. Às vezes as pessoas acham que as coisas são muito precisas: “O índice glicêmico do pão é 72. Mas outro site diz que é 68. Qual deles está certo?” O certo talvez seria 72 mais ou menos 7. Então, depende. Depende não somente porque dois pães não são iguais, mas também porque as respostas das pessoas são individualizadas – e esse estudo é fascinante nesse sentido. Esse estudo afetou minha prática clínica. Hoje, quando eu atendo um paciente diabético no consultório, se ele diz que não faz uso do glicosímetro, eu mando comprar. Mas se ele já usa, eu digo que ele já sabe que alguns alimentos não vão afetar a glicose dele. Queijo, salmão… não vão afetar a glicose. Outros alimentos esse paciente já sabe que afetarão muito a glicose, como suco de uva e pão. Mas também existem alimentos que são intermediários. Com esses, eu sugiro que o paciente meça o efeito nele. Comecei a fazer isso depois desse estudo. Talvez a castanha de caju eleve a glicemia em um paciente diabético e não ter esse efeito em outro. A flora intestinal deles é diferente, e isso interfere na velocidade com a qual eles vão digerir e absorver esses carboidratos. Então, é um artigo muito interessante.

Rodrigo Polesso: É muito fascinante. Ele é de Israel. As pessoas não precisam saber se o índice glicêmico do pão de 72 ou 68. Elas só precisam saber que o pão vai estimular mais a glicose do que o salmão. Com isso, você faz suas escolhas.

Dr. Souto: Exatamente. As vezes as pessoas começam uma discussão bizantina sobre qual tabela está mais correta, porque um site fala que o índice do morango é um e no outro site fala diferente. Mas a noção básica é o que interessa. Morango tem pouco carboidrato e pão tem muito. Não precisa ficar se detendo em números. Mas para as pessoas diabéticas ou para aquelas que gostam de fazer autoexperimentação, pode ser interessante saber o efeito de uma fatia de mamão se medirem o efeito da glicose em jejum, comer a fatia de mamão e medir uma hora depois. Se subiu pouco, talvez a fatia de mamão possa entrar bem numa dieta low carb. Talvez, na pessoa que sai de 90 e vai para 140 com uma fatia de mamão, obviamente não será a melhor alternativa.

Rodrigo Polesso: Varia de pessoa para pessoa. Nada funciona para todo mundo. Tenho dois fatos curiosos sobre dois alimentos aqui. O primeiro deles é o azeite de oliva. O segundo é o nosso querido bacon. Se você pegar 100 gramas de bacon e de azeite de oliva, a quantidade de gordura saturada em ambos é idêntica: 14 gramas de gordura saturada no azeite de oliva e no bacon. O azeite de oliva também tem 11 gramas de poliinsaturada e a grande maioria é de monoinsaturada com 73 gramas. O bacon tem 14 gramas de saturadas, 4,5 de poliinsaturadas e só 19 de mono insaturada. Ou seja, o bacon tem bastante gordura monoinsaturada, que é a mesma do azeite de oliva. E todo mundo defende as monoinsaturadas. Elas são aceitas como saudáveis por todos. De 100 gramas de bacon, 19% é de gordura monoinsaturada e 14% de gorduras saturadas. Você gosta desses dois alimentos, Dr. Souto?

Dr. Souto: Einstein tem várias frases atribuídas a ele, mas parece que essa é verdade: “As coisas devem ser tornadas o mais simples possível. Mas não mais simples. Tão simples quanto o possível, mas não mais simples do que o possível.” Algumas pessoas falam para não comermos bacon porque é gordura saturada, ou para comer azeite de oliva porque é gordura monoinsaturada. O pior é que em alguns estudos, o pessoal olha para um hambúrguer e dizem assim: isso é gordura saturada. Vamos combinar que o que mais tem no hambúrguer é amido! Não existe nenhum alimento na face da Terra que tenha algum tipo de gordura. Todos os alimentos têm uma combinação dos três tipos: saturada, monoinsaturada e poliinsaturada. Quando as pessoas falam essas coisas, normalmente elas querem dizer que há um predomínio daquele tipo de gordura naquele alimento – mesmo assim, em geral elas estão erradas. Por exemplo, ovo é uma gordura saturada? Não. O que predomina no ovo é a gordura insaturada. E a pele do frango? Ela é cerca de 70% insaturada. E o bacon? O bacon tem mais gordura insaturada do que saturada. Talvez as pessoas queiram dizer que em número de gramas tenha muita gordura saturada em um alimento. Mas aí vem o que você falou: o bacon e o azeite de oliva têm a mesma quantidade de gordura saturada.

Rodrigo Polesso: O óleo de como também. A maioria dele é gordura saturada e o pessoal defende com a alma.

Dr. Souto: Eu posso estar errado e talvez alguém nos corrija nos comentários. Mas só conheço duas classes de alimentos que têm mais gordura saturada do que insaturada. Uma são os lacticínios e o coco. Praticamente qualquer comida que vocês pensarem… carne gorda… terá mais gordura insaturada do que saturada. Então, a ideia de que qualquer quantidade de gordura saturada faz mal… de que toda gordura animal é saturada e toda gordura vegetal é insaturada… está tudo errado. A coisa que mais tem gordura saturada na natureza é o coco, que é um vegetal. Todos os alimentos animais que não são laticínios têm mais insaturadas do que saturadas. O Michael Pollan e as novas diretrizes do Ministério da Saúde falam que está na hora de falam menos em componentes da comida e mais em alimentos. Não quero saber se gordura saturada ou insaturada é o ideal para mim. Quero saber se coco é uma coisa boa para mim, ou não. Não quero saber se gordura poliinsaturada é boa para mim ou não… Se essa poliinsaturada for óleo de milho, não é boa, já que existe ensaio clínico randomizado mostrando que a mortalidade cardiovascular é maior com óleo de milho. Se é para comer poliinsaturada, eu prefiro comer peixe. Então, ao invés de falar de gordura poliinsaturada, vamos falar de peixe. É melhor falar de comidas e não de componentes, e também se essas comidas são in natura ou processadas. Nisso, eu acho que as diretrizes nutricionais do Brasil fizeram um gol. Acertaram na mosca. É muito mais importante que as pessoas saibam a diferença entre alimentos não processados, alimentos processados e alimentos ultra processados. Ultra processados devem ser um mínimo, de preferência não comer. Processados… se forem minimamente processados como iogurte, está ok. Esse tipo de diferenciação é muito mais importante do que saber quantos gramas de cada tipo químico de gordura as coisas têm. A gente não come as gorduras de forma isolada. A gente come comida. Um pedaço de peixe é muito mais do que X gramas de gordura insaturada e Omega 3 de cadeia longa.

Rodrigo Polesso: Exato. Não vamos no mercado comprar gordura insaturada. Não colocamos um pedaço de gordura insaturada no prato, nem um pedaço de macronutrientes. Colocamos alimentos. Esse chute acertado das diretrizes brasileiras é algo reconhecido internacionalmente. O pessoal olha com bons olhos para essa decisão do Brasil. Já que estamos falando em comida, vamos falar o que comemos na última refeição. Depois, vamos partir para um estudo mal interpretado e também falaremos sobre câncer de próstata.

Dr. Souto: Ontem eu comi um bife de frango feito com banha. A banha dá um gosto especial. O peito de frango não tem gosto. É só fazer ele na manteiga ou com banha que ele se transforma numa iguaria. Comi também um ovo frito, salada e um pedaço de moranga. No Brasil, cada lugar se fala diferente. Moranga é aquele meio verde por fora laranja por dentro. Alguém pode dizer que ela tem carboidrato demais. Primeiro que eu estou numa fase de manutenção, então não preciso ficar restringindo tanto meus carboidratos. Segundo que 100 gramas de moranga tem mais ou menos 7 gramas de carboidrato (descontando a fibra). Não é muito não.

Rodrigo Polesso: As pessoas não precisam ter tanto medo do carboidrato. Para as pessoas normais, ele não faz mal a saúde – tanto é a que a natureza criou a batata, moranga, abobrinha… são todos carboidratos. Tem populações no mundo todo que ingerem a maioria das suas calorias vindas de carboidratos. O carboidrato não é inimigo de uma pessoa normal, o problema é o carboidrato refinado. Sabemos disso e repetimos isso sempre. Muitas pessoas que começam o low carb começam a ficar “carbofóbicos”. Mas esse medo não é embasado em ciência. Mas tem pessoas que reagem muito mais rapidamente ao carboidrato. Essas pessoas aprendem a tomar mais cuidado com a alimentação. Mas se for comer um carboidrato, coma um de qualidade… uma moranga talvez. Assim você ingere os nutrientes ao invés de só aquele amido refinado como na farinha ou como outras coisas cancerígenas como o glúten.

Dr. Souto: E a moranga foi feita para se juntar com camarão.

Rodrigo Polesso: Perfeitamente. É uma dança perfeita. Veja que interessante: comi um peixe frito na gordura de pato. O caçador acabou virando gordura para fritar a presa. A gordura de pato está relacionada à prevenção de câncer de próstata. Achei para vender aqui e resolvi experimentar. Não tem muito gosto. Mas é legal. É saudável.

Dr. Souto: Acho que isso é propaganda de quem vende a gordura do pato.

Rodrigo Polesso: Pode ser, vai saber! “Associado” não significa nada. Enfim, comi peixe com aspargos e kimchi – que é um repolho fermentado pelos coreanos. É muito bom. Agora falaremos sobre esse estudo publicado ontem. Você encontra todos esses links no EmagrecerDeVez.com no artigo do podcast. Todas esses referências que citamos aqui estarão lá, inclusive a transcrição. As gorduras saturadas vindas através da alimentação estão ligadas a câncer agressivo de próstata – esse é o título. Eles continuam assim: “Nossos achados sugerem que limitar a ingestão de gordura saturada é claramente importante para a prevenção de doenças cardiovasculares, mas também pode ter um papel na prevenção do câncer de próstata agressivo.” Quem falou isso foi a Dra. Emma Ellot, que foi uma das pessoas que liderou o estudo. O primeiro erro foi falar da prevenção de doenças cardiovasculares com a limitação de gorduras saturadas. Mas eles pediram opinião de outra pessoa, que é um Professor da Duke University. Ele falou o seguinte: “Concordo com o papel da gordura saturada em relação à progressão do câncer de próstata.” Porém, a única coisa inteligente que ele falou foi a seguinte: “Entretanto, esse estudo ainda é observacional. Isso não prova nenhuma conclusão definitiva.” Foi a única coisa inteligente que eu vi nesse artigo, Dr. Souto.

Dr. Souto: Às vezes tenho medo de ser repetitivo, mas acho importante. Assim nós vamos fomentando o pensamento crítico das pessoas. Algumas pessoas já me falaram: “De tanto ouvir vocês falarem isso, eu sempre verifico se um artigo é sobre um estudo observacional ou sobre um ensaio clínico randomizado.” Esse estudo usa um desenho de estudo mais fracos que existem. Já sabemos que o estudo mais forte é o ensaio clínico randomizado. Para que esse estudo fosse um ensaio clínico randomizado, eu teria que ter milhares de homens que são sorteados entre dois grupos. Um grupo restringe a gordura saturada na dieta e o outro grupo não. Após uma observação de vários anos, eu vejo se isso afeta a incidência de câncer de próstata. Esse seria um estudo poderoso. Nesse caso seria interessante pensar sobre esse nutriente e a incidência do câncer de próstata. Existe outro tipo de estudo, que é observacional, que é o estudo de coorte. Nos estudos de coorte, os cientistas pegam um grupo grande de pessoas e as observam em diferentes momentos no tempo. A palavra-chave aqui é “observar”. Os cientistas pegam 20 mil pessoas, aplicam questionários, 5 anos depois eles reaplicam questionários… eles vão aplicando questionários, analisando os hábitos… obviamente, não dá para se estabelecer causa e efeito, já que o número de variáveis são infinitas – mas pelo menos dá para se levantar hipóteses. Esse estudo aqui não é desse tipo. Ele não é nem um ensaio clínico randomizado, nem um estudo de coorte. Ele é um estudo de caso-controle. No estudo de caso controle, os cientistas podem pegar 100 pessoas com câncer de próstata, por exemplo. Aí, eles perguntam para essas pessoas o que elas comeram durante a vida. Aí eles pegam outras 100 pessoas, tentando selecionar pessoas da mesma idade, mesma etnia, mas sem câncer de próstata. Aí, eles aplicam o mesmo questionário. Esse é um desenho muito fraco. Os cientistas nem se quer comparam pessoas da mesma coorte, já que eles comparam um grupo com outro grupo aleatório que não tem câncer de próstata. Esse é um estudo fraco que só serviria para levantar uma curiosidade. Vou fazer um breve atalho e falar de câncer de mama. O câncer de mama passou por isso. Existiram estudos observacionais que sugeriam que a gordura total e gordura saturada eram fatores de risco para câncer de mama. No entanto, quando foi feito o ensaio clínico randomizado, o Women’s Health Iniciative, o que se mostrou foi que não havia nenhuma relação entre o consumo de gordura (saturada ou total) e câncer de mama. Esse foi um ensaio clínico randomizado com quase 50 mil mulheres. Nele, um grupo foi sorteado para restringir a gordura na dieta, enquanto o outro grupo só foi observado. Isso mostra que, mesmo que vários estudos de coorte sugerissem que a gordura tinha relação com o câncer de mama, quando isso foi testado no ensaio clínico randomizado, isso não existia. Por que isso pode acontecer? São as famosas variáveis de confusão. Num mundo onde 100% das pessoas acreditam que gordura faz mal, quem é que come mais gordura? É quem fuma mais, é quem bebe mais, é quem pratica menos exercícios… são pessoas menos informadas e, portanto, com menos renda… portanto com menos escolaridade… São coisas que, de forma independente, são fatores de risco para doenças. Então, num estudo observacional, não é possível isolar uma variável. Essa variável pode ir de mãos dadas com outras variáveis de confusão. No caso da próstata, nós não temos esse ensaio clínico randomizado, mas nós temos estudos de coorte. E os estudos de coorte foram analisados em metanálise. A metanálise é pegar o resultado de vários estudos e combiná-los. Quando o Rodrigo me falou sobre esses estudo, eu disse que já tínhamos uma metanálise sobre esse assunto.

Rodrigo Polesso: Deixe-me ler duas linhas sobre esse assunto.

Dr. Souto: Foi uma análise publicada pelo PLOS1 em 2015.

Rodrigo Polesso: Acabamos de falar desse estudo de controle muito mal elaborado. Daí essa metanálise diz o seguinte: “Nós identificamos 14 estudos coorte que incluíram 37349 casos.”

Dr. Souto: Quantos estudos, Rodrigo?

Rodrigo Polesso: Catorze.

Dr. Souto: Quantos pacientes?

Rodrigo Polesso: 751030 participantes. A conclusão foi a seguinte: “Nós não achamos nenhuma evidência de uma associação entre o consumo de gorduras e o risco de câncer de próstata.

Dr. Souto: Então, a interpretação correta não é dizer: “Desisto! Um dia dizem uma coisa e outro dia dizem outra.” Não façam isso! Existe uma hierarquia do nível de evidência. Essa é uma metanálise de estudos de coorte. São estudos observacionais… Mas estudos de coorte são muito superiores no sentido de delineamento metodológico do que 1 estudo de caso-controle. Aqui são 14 estudos de coorte com um total de 751030 participantes. E o estudo não mostrou nenhuma associação com nenhum tipo de gordura; total, saturada, poliinsaturada. Alguém pode dizer que sempre falamos que estudos observacionais não são importantes. Mas damos valor para esse pelo seguinte… Vamos supor que a gordura saturada efetivamente causasse câncer de próstata. Então, uma metanálise com 700 mil pacientes deveria detectar isso. Nem tudo que aparece num estudo observacional é real – pode ser devido a fatores de confusão. Mas se algo é real, essa coisa tem que aparecer no estudo observacional. Quando eu tenho um estudo observacional com 700 mil pacientes que mostra não haver relação entre o consumo de gordura (saturada ou não) e câncer de próstata, isso torna muito improvável que a gordura saturada seja uma das causas do câncer de próstata. Se ela é uma causa, como poderia não estar associada?

Rodrigo Polesso: Você viu se essa metanálise teve uma divulgação na mídia na época?

Dr. Souto: Na época teve, mas foi muito menos do que essa aqui. Vivemos numa época em que a mídia busca cliques. A maior parte da mídia é ele eletrônica. O que mais chama atenção?

Rodrigo Polesso: O medo chama atenção.

Dr. Souto: “Aquele filé que você come pode te dar câncer na próstata.” Você vai querer clicar nisso. Agora, uma notícia que diz “A gordura saturada da dieta em um estudo observacional não está relacionada com o câncer de próstata.” Coisas negativas não atraem tanta atenção. “O seu filé vai te matar” atrai muito mais cliques.

Rodrigo Polesso: Com certeza!

Dr. Souto: Quando vemos uma notícia, temos que ver se o estudo é um ensaio clínico randomizado ou se é observacional. Se é um ensaio clínico randomizado, é bom ler o artigo original para ler com calma. Se não for, vale a pena ver o delineamento. Se for um estudo de coorte grande, ele pelo menos pode levantar hipóteses. Aí é importante ver se essas hipóteses não contradizem ensaios clínicos randomizados… é importante ver o que as metanálise dizem… Mas esse que fez manchete é um único estudo e de caso-controle. Os autores colocam todos os seus vieses, falando que “já é sabido que a gordura saturada faz mal para o coração, e agora está ficando claro que também faz mal para próstata.” Mas já é sabido por quem, cara pálida?

Rodrigo Polesso: Ela disse que é “claramente sabido”.

Dr. Souto: Existe um grande número de metanálises mostrando que não parece haver nenhuma relação. No podcast passado comentamos o editorial do Dr. David Ludwig no JAMA (Revista da Associação Médica Americana). Nesse editorial ele comenta justamente que não há evidência nesse sentido. A pessoa já começa a entrevista dizendo que já sabia que a gordura saturada e total estão envolvidas com doenças cardiovasculares… O que as pessoas estão fazendo com esses estudos é simplesmente encontrar vieses nas cabeças dos entrevistados.

Rodrigo Polesso: Exatamente, falou muito bem.

Dr. Souto: Se eu tenho 1000 pacientes e 990 deles estão convencidos de que gordura faz mal… Eu vou encontrar “evidências” de que ela faz mal se eu entrevistar essas 1000 pessoas. É uma profecia autorrealizada. Por isso que os estudos observacionais são mais fracos do que os estudos experimentais. Quando eu sorteio as pessoas, eu vou ter o mesmo número de pessoas que acreditam e não acreditam num grupo e no outro. Assim, eu tiro as variáveis de confusão.

Rodrigo Polesso: Nós, não profissionais de saúde, Estamos andando em um campo minado de informações sobre saúde. Por isso que as pessoas dizem que cada hora uma coisa faz mal ou bem. É um campo minado. A primeira coisa é aumentar o senso crítico. Se você nos acompanha, já está careca de saber disso. Se um artigo fala uma mensagem forte, do tipo “carne dá câncer”, a primeira coisa é pesquisar quem está dizendo isso. Você basearia a decisão de não comer carne sua vida inteira baseando-se em um profissional?

Dr. Souto: Dá câncer em qual espécie?

Rodrigo Polesso: Primeiramente, avalie a fonte. Existem artigos por aí que não falam nem a fonte. Eles simplesmente colocam a informação. Você pode descartar isso ou pesquisar em outro lugar para se aprofundar. Também analise se a base do artigo é um estudo observacional ou um ensaio clínico randomizado. Esse ceticismo te ajudará a se proteger, como um escudo. É um escudo para sua saúde. Temos que ter uma pula atrás da orelha com a maioria dos artigos por aí. Temos que entender qual é a fonte do que está sendo dito. Isso é muito importante, já que estamos falando da nossa saúde. Isso embasa decisões que tomamos no dia a dia sobre o que pomos no nosso prato. E se você descobrir que o correto é o contrário e que por muito tempo vem causando danos à sua saúde? Então, tenha senso crítico.

Dr. Souto: É isso aí.

Rodrigo Polesso: Dr. Souto, vamos fechar o podcast de hoje. Quem ainda não é assinante da Tribo Forte pode ir em TriboForte.com.br. Faça parte desse grupo. Assine para ter acesso a um mar de informação, documentários legendados, artigos diários, receitas praticamente diárias… Tem muita coisa boa lá dentro. Também tem o fórum, onde todo mundo interage. Esses são benefícios especiais que os membros da Tribo Forte tem. Depois do evento ao vivo teremos uma surpresa somente para os membros dentro do portal. Essa é uma ótima hora para você entrar lá. Esse é o seu “seguro saúde”. Compartilhamos as melhores informações com você no portal da Tribo Forte. É só entrar agora no TriboForte.com.br e fazer parte desse grupo. Continue nos seguindo aqui também. Nos falamos no próximo episódio. Um grande abraço. Obrigado, Dr. Souto. Até o próximo.

Dr. Souto: Até o próximo. Um grande abraço.

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