‘Apostar no aprendizado do autista aumenta chance de evolução’, diz especialista

Marina Teodoro

Apoio familiar é fundamental para desenvolvimento da pessoa com autismo; acolher e encorajar os parentes na hora do diagnóstico também é importante

Quando recebeu o diagnóstico de Lucas, Paula sabia pouco sobre a doença; mesmo assim ela não desistiu

Quando recebeu o diagnóstico de Lucas, Paula sabia pouco sobre a doença; mesmo assim ela não desistiu

Foto: Arquivo pessoal

Quem vê o paulista Lucas Ohara sozinho no mercado perto de casa fazendo compras, pode deixar passar um detalhe importante sobre o jovem de 21 anos. É preciso um olhar mais atento para conseguir constatar que, além dos produtos adquiridos na loja, ele carrega consigo uma particularidade às vezes imperceptível: o autismo.

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Apesar de depender dos pais para algumas atividades – ele ainda tem medo de fazer a barba e cozinhar – o garoto consegue realizar diversas tarefas sozinho e possui uma independência considerável para um paciente com autismo. Hoje ele é capaz de andar nas ruas de sua vizinhança sem ninguém, colaborar com a limpeza da casa e até ajudar a avó todas as noites quando ela vai se deitar.

 Mas nem sempre foi assim. Antes de receber o diagnóstico, a família já imaginava que Lucas tinha um comportamento diferente, porém, ainda não entendia o que era. “Sempre gostei de fazer livrinhos para os meus outros dois filhos quando eram crianças. Com o Lucas, que é o caçula, percebi que ele não se interessava por aquilo. Então decidi fazer histórias mais simples e interativas para despertar o interesse dele. Funcionou”, contou a mãe, Paula de Oliveira Guimarães, 50 anos.

O que Paula não sabia é que ela dava os primeiros passos para contribuir com o progresso do filho. “Ao insistir em ajudar o Lucas ela agiu de maneira fundamental para a evolução do paciente. Mesmo sem saber, ela entendeu que ele também poderia se desenvolver, só precisava de um caminho diferente das outras crianças”, avaliou a neuropsicóloga e mestre em psicologia do desenvolvimento infantil Deborah Moss.

A especialista ressalta que, embora não tenha como mensurar, a participação ativa dos pais e responsáveis pela pessoa com Transtornos do Espectro Autista (TEA) influencia consideravelmente para sua evolução. “É preciso apostar. Por mais que o paciente apresente suas limitações, não se deve desistir ”, incentivou Deborah.

Recebendo o diagnóstico

Porém, para garantir que a família esteja engajada e disposta a colaborar com o tratamento terapêutico é preciso que o momento do diagnóstico seja claro e encorajador. A maneira como será conduzida a primeira conversa após a constatação médica e o acolhimento familiar são responsabilidades que o profissional da saúde deve se atentar. “Só falar o nome da condição não ajuda em nada. É preciso dar suporte e, além do diagnóstico, informar também o prognóstico, como se deve agir dali para frente”, apontou a neuropsicóloga.

Comparado há algumas décadas, hoje é possível dizer que o acesso ao sistema de saúde e educação está mais fácil, o que colabora para a identificação de síndromes e transtornos ainda na fase da infância. Além de incluir os familiares no trabalho de desenvolvimento do paciente, detectar essas condições precocemente pode influenciar significativamente na qualidade de vida do indivíduo.

Tratamento

De acordo com a Associação de Amigos do Autista (AMA), o tratamento da condição requer “intervenções psicoeducacionais, orientação familiar, desenvolvimento da linguagem e comunicação”. A instituição também recomenda que uma equipe multidisciplinar participe do processo para atender às necessidades particulares de cada um. Entre as especialidades mais indicadas para compor esse grupo é possível citar as áreas de psiquiatria, psicologia fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia e até mesmo educação física.

Mesmo com todo esse apoio, Deborah destaca que é preciso deixar claro que cada paciente terá uma resposta particular à terapia. Para a neuropsicóloga “a criança não é um diagnóstico”, o que significa que é impossível delimitar quais serão os avanços e limitações de cada pessoa ao longo do tratamento.

Por esse mesmo motivo, é difícil descrever um perfil do autista. Comparações não são bem-vindas. “Já ouvi de muitos pais que gostariam que o filho deles fossem como o Lucas. Mães já me disseram que só queriam ouvir um ‘obrigado’. Isso é muito doloroso para a família”, conta Paula.

Por sua experiência, em suas conversas com os pais de autistas, ela tenta tranquiliza-los sobre o futuro, mas também é franca em relação à capacidade do filho. “Lucas tem autismo leve, e é por isso que ele tem uma evolução mais perceptível”, admite.

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Invista no aprendizado

Hoje, Paula, que é artesã, ainda prepara os mesmos livros, que ela chama de história social, sobre assuntos do cotidiano de Lucas, para ensiná-lo sobre como se comportar em sociedade ou fazer algumas tarefas. Por meio de imagens e informações que poderiam parecer “obvias” para quem não nasceu com a condição, a necessidade de pessoas com TEA é atendida.

Ao desenvolver material especial para ensinar seu filho, Paula compartilha e contribui com outras crianças autistas

Ao desenvolver material especial para ensinar seu filho, Paula compartilha e contribui com outras crianças autistas

Foto: Reprodução/Facebook

O neurologista do Hospital das Clinicas de São Paulo Fábio Porto afirma que, com o estímulo externo, é possível que o autista aprenda e avance bastante, já que a condição não está associada, necessariamente, à deficiência intelectual. “Entre as características de uma pessoa com autismo, além de dificuldade com a comunicação, isolamento e falta de interação social, há também a prática de alguns comportamentos que socialmente não são bem vistos”, comentou.

“É comum que, em alguns níveis, o indivíduo autista apresente repetição de movimentos estereotipados – como aquele de se mover para frente e para trás – não compreensão de metáforas, ambiguidade, e falta de humor”, completou ele.

Formado em Comunicação Institucional e mestre em Design Gráfico e Produção em Publicidade, Marcos Petri é autista e ativista da causa que tem um canal no YouTube chamado “Diário de um autista”.

Em um vídeo com mais de 350 mil visualizações ele explica de forma bastante clara como ele interpreta algumas informações. “Autistas são visuais, então, precisamos que seja mostrado o que querem que façamos, principalmente, no que diz respeito à localização. ‘Direita’ e ‘esquerda’ são informações muito abstratas para nós. Precisamos de referências mais concretas como ‘perto do prédio azul’ ou ‘ao lado da igreja’”, conta ele em um de seus vídeos.

O material desenvolvido por Paula é focado nessas dificuldades e, além de servir para o filho, também é distribuído na AMA que eles frequentam, no Cambuci, em São Paulo. Para ampliar o acesso e ajudar ainda mais pessoas, as experiências do Lucas também são divulgadas em uma página do Facebook, criada por ela.

Autismo

De acordo com o psiquiatra infantil Leo Kanner, o autismo pode ser definido por aspectos que indicam déficits na comunicação e na interação social, além de comportamentos repetitivos e áreas restritas de interesse. Todas essas peculiaridades podem ser observadas antes dos 3 anos de idade, e é mais quatro vezes mais comum em meninos do que meninas.

A noção de espectro do autismo foi definida por Lorna Wing em 1988, e aponta uma variação no desenvolvimento cognitivo de cada indivíduo, que pode ser medido de acordo com os níveis do transtorno.

Apesar de muitas pesquisas sobre o autismo, há muitas dúvidas que pairam ao redor dessa condição. O autismo não tem cura e, apesar de alguns tratamentos voltados para abordagens menos invasivas e efetivas terem sido desenvolvidas, ainda é preciso de mais avanços que comprovem a eficácia de cada método.

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Saúde: bem-estar, dicas de alimentação, dieta e exercícios – iG

Depois de Harvey, criatura estranha é encontrada em praia no Texas

iG São Paulo

Após ter viralizado nas resdes sociais, animal marinho é identificado por um biólogo; você saberia identificar que ser vivo é esse? confira a resposta

Animal foi encontrado em praia depois do desastre provocado pelo furacão Harvey%2C no Texas%2C nos EUA

Animal foi encontrado em praia depois do desastre provocado pelo furacão Harvey%2C no Texas%2C nos EUA

Foto: Reprodução/Twitter

No mês passado, ao passar pelo Texas, o furacão Harvey fez mais de 30 vítimas fatais, além de ter devastado as casas de aproximadamente 30 mil pessoas. Com os estragos deixados na cidade de Houston, além das ruas alagadas, imóveis destruídos e pessoas sem lar, o fenômeno também trouxe à tona um “monstro” marinho.

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Ao passar por uma praia do Texas quando o Harvey já havia perdido força, uma mulher encontrou uma criatura estranha que não soube identificar. Para tentar descobrir do que se tratava, Preeti Desai, gerente de mídia social da National Audubon Society publicou a foto do ser esquisito em seu Twitter.

“Ok, biólogos do Twitter, o que diabos é isso?? Ele foi encontrado numa praia no Texas”, escreveu ela em sua conta da rede social. Segundo Preeti, ela viu a criatura em uma praia a cerca de 15 milhas de Galveston.

Ela viajou para o Texas com outros conservacionistas para avaliar o dano causado pela tempestade. Mas a foto do animal ficou popular na internet e logo vieram inúmeras respostas de seus seguidores, até se transformar em um viral.

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A moça contou à BBC News que alguém lhe disse para entrar em contato com Kenneth Tighe, especialista em museu que trabalha na Divisão de Anfíbios e Répteis no Museu Nacional de História Natural Smithsonian.

​Tighe acredita que se trata de uma “enguia-serpente com dentes” ou Aplatophis chauliodus, um termo latino traduzido aproximadamente como “cobra terrível”. O biólogo acrescentou que a identificação do animal ainda não foi 100% confirmada, já que ele também pode pertencer a outras duas espécies de enguias.

Segundo o The Guardian, Aplatophis chauliodus tem menos de um metro de comprimento e habita geralmente em tocas de 30 a 90 metros. O que deve ter acontecido é que, com a força da tempestade, a criatura foi retirada de seu habitat sendo jogada na praia do Texas.

 Mesmo chocada, depois de tirar as fotos, Preeti disse à BBC News que o animal sozinho para permitir que a natureza seguisse seu curso. Ela ainda fez uma outra publicação na internet em resposta aos que estavam chamando o ser de “monstro” e “diabo”, afirmando que não era assustador e horrível, mas apenas uma criatura do mar tentando viver sua vida.

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Califórnia lança bebida à base de maconha para uso medicinal

iG São Paulo

Pacientes que possuem prescrição médica liberando o uso da erva poderão contar com a nova forma da droga para tratamento médico; confira

Refrigerante de maconha será comercializado por U$  7

Refrigerante de maconha será comercializado por U$ 7

Foto: Reprodução/Sprig

A indústria da maconha como alternativa medicinal está crescendo. A novidade agora são as bebidas infundidas com cannabis. O produto está disponível para usuários da droga na Califórnia, e foi desenvolvido como uma opção para quem não gosta da fumaça que o cigarro com a erva produz, ou não quer consumir as calorias que acompanham os alimentos à base da substância.

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Os drinks podem ser tomados em forma de refrigerante ou água gaseificada que são fabricados com o THC (tetra-hidrocarbinol), a principal propriedade psicoativa da maconha. Mas apenas pessoas que possuem prescrição da erva medicinal na Califórnia poderão ter acesso ao produto.

A empresa responsável pela sua produção já informou que há previsão de lançamento em outros estados para 2018. Além disso, mais variações de coquetéis também devem chegar, incluindo versões com café e chá. Cada lata de refrigerante inclui 45 miligramas de THC e são vendidas por US $ 7.

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Benefícios para saúde

Para pacientes que foram estão sendo submetidos a tratamentos mais agressivos beber a substância é supostamente mais fácil do que fumar ou comer. Para Michael Lewis, CEO da Sprig, empresa que fabrica a bebida, afirmou que os produtos de sua companhia ajudaram os pacientes com câncer que usam maconha a combater os efeitos colaterais da quimioterapia.

Ele disse que funciona para essas pessoas porque o consumo é mais fácil. “Eles gostam do produto porque é um líquido”, afirmou, explicando que pode ser difícil para eles consumir alimentos sólidos. Lewis acrescentou que o produto também ajudou as pessoas a dormir.

Atualmente, nos Estados Unidos, a legalização da droga é liberada em 30 estados além da capital, Washington.

A substância contém duas propriedades principais que estimulam os endereços nervosos denominados endocannabinoides: THC e CBD. De uma forma simples, a CBD relaxa os músculos enquanto o THC induz uma resposta psicótica, a famosa “brisa”.

Entre as doenças que há comprovação da eficácia da maconha em seus tratamentos, e que os pacientes californianos com prescrição médica poderão consumir a bebida estão o glaucoma, Aids, dores crônicas, náuseas provocadas pela quimioterapia, inflamações como úlceras, esclerose múltipla e epilepsia.

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Muitas pessoas respondem menos aos exercícios

Por: Kevin Loria

exercise suferring

Todos nós respondemos ao exercício de forma diferente – se você pegar dez pessoas e colocá-las na mesma rotina de treino por três semanas, algumas melhorarão dramaticamente, mas outras talvez não pareçam ter mudado fisiologicamente. Em alguns casos, algumas pessoas podem até parecer menos aptas.

Anteriormente, isso levou os pesquisadores a pensar que algumas pessoas são “não respondentes”, o que significa que o exercício simplesmente não funciona para elas.

Mas cada vez mais pesquisas estão começando a indicar que toda a ideia de “não respondedores”  terem muito mais dificuldade de perder peso, ou desenvolver certa capacidade física é verdadeira, no entanto, é algo contornável. Ou seja, há como encontrar a modalidades mais ideais para cada um destes indivíduos, ou como aumentar a intensidade dos treinos para alcançar os resultados desejados… Não é tão fácil para estes “não respondentes” mas é bem possível fisiologicamente.

Um estudo recente descobriu que as pessoas que não ficam mais fortes ou mais aptas em um tipo de treinamento responderam a outros tipos de exercícios – algumas pessoas respondem melhor aos exercícios de resistência, outros a sprints – mas, todos responderam a algo, principalmente a exercícios de força.

Agora, um novo estudo acrescenta ainda mais à imagem, embora este venha com alguns conselhos difíceis.

Todos respondem ao treinamento, de acordo com pesquisas recentemente publicadas no Journal of Physiology. Algumas pessoas só precisam trabalhar muito mais para ver os resultados.

Este estudo particular levou 78 adultos saudáveis ​​e os dividiu em cinco grupos, cada um passando por um, dois, três, quatro ou cinco exercícios de 60 minutos a cada semana durante seis semanas. A maioria das pessoas que fizeram apenas um treino a cada semana não se tornou mais apta por causa do treinamento, mas também apareceram “não respondentes” nos grupos que trabalharam duas a três vezes por semana.

Então, os pesquisadores levaram todos esses “não respondedores” e os colocaram em outro programa de seis semanas que envolveu dois exercícios adicionais a cada semana. Então, as pessoas que inicialmente estavam fazendo um treino de 60 minutos a cada semana passaram para três exercícios de 60 minutos (ou três horas de total de exercícios) a cada semana, e as pessoas que estavam fazendo três horas de exercício a cada semana foram levadas a fazer cinco. A potência máxima de todos e a aptidão cardiovascular melhoraram.

Isso indicou, os pesquisadores escreveram, que o exercício é “dependente da dose”, o que significa que, se seu corpo não está respondendo ao treinamento, você provavelmente precisará fazer mais.

Por mais difícil que isso possa parecer, estas são conclusões encorajadoras, de acordo com o Dr. Michael Joyner, um médico e pesquisador da Mayo Clinic, que é um dos melhores especialistas mundiais em fitness e performance humana, que escreveu um comentário para acompanhar o estudo no Journal of Physiology. Isso ocorre porque mesmo os níveis modestos de fitness proporcionam “proteção impressionante” para a saúde e a mortalidade, ele conta.

Ainda assim, em seu comentário, Joyner ressalta que muitas pessoas já têm dificuldade em atingir a quantidade recomendada de exercício, que é pelo menos 150 minutos de atividade por semana. Mesmo que as pessoas saibam que mais 2 dias na semana malhando pode fazer uma grande diferença, isso pode não ser suficiente para encorajá-los a fazê-lo.

Mas o fato de que estamos aprendendo mais sobre isso é útil. Em alguns casos, isso pode encorajar as pessoas a desenvolverem mais atividades em seus trajetos (como andar de bicicleta ou caminhar para trabalhar em vez de dirigir). “Eu acho que precisamos construir toda a atividade física na rotina possível”, diz Joyner.

Em outros casos, as pessoas podem apenas querer colocar o tempo extra na academia. E, é claro, como outras pesquisas mostraram, o melhor truque de fitness para superar a falta de resposta, é treinar exercícios de força mais frequentemente.

Essa é uma das razões pelas quais a maioria dos treinadores dizem que não há uma rotina de exercícios para todos – em vez disso, encontre algo que funcione para você e que você goste de continuar fazendo. Quando você olha os muitos benefícios do exercício, desde a saúde cardiovascular melhorada até a redução do estresse e efeitos impulsionadores do humor, vale a pena.

“Eu acho que a maioria das pessoas precisa fazer uma coleção mista de várias atividades com exercícios de força e de alta intensidade, se possível e o ideal é simplesmente fazer algo quase todos os dias”, diz Joyner.

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