Lista de livros sobre a dieta low-carb

Por: Caio Fleury

 

Muita gente me pergunta sobre livros bons em português sobre dieta. Gostaria de recomendar dezenas ou centenas de livros, mas infelizmente o Brasil ainda é um país extremamente carente em livros e informações de qualidade sobre dieta e antienvelhecimento. Por este motivo, escrevi meus livros e continuo escrevendo para diminuir este gap.

Também irei compartilhar à você esta lista de livros ótimos em português para que você, além de ser um queimador de gordura, vire uma pessoa mais informada e inteligente sobre o assunto.

Então, vamos as dicas de leitura! Mas antes de tudo, se o seu problema é a dificuldade de colocar em prática a dieta e não uma dificuldade de entender os conceitos, então sugiro que faça um acompanhamento profissional antes, portanto, sugiro o coaching de emagrecimento:

1. Dieta e coaching de emagrecimento

Em primeiro lugar, para você dar um salto em direção a sua meta de melhora de saúde e emagrecimento você tem a opção de fazer o coaching de emagrecimento

Você faz centenas de pequenas decisões todos os dias, mas se elas não estão alinhadas com suas metas de perda de peso você terá pouco sucesso e poderá ficar desanimado por muito tempo sem tentar novamente.

Como disse Albert Einstein uma vez:

“Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”

Portanto, fica claro que temos que fazer algo diferente em nossos hábitos diários, mas para fazer algo diferente temos que saber exatamente o que fazer para em seguida colocar em prática.

 

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2. Livros

Em segundo lugar, junto com um coach profissional para te auxiliar no emagrecimento, sugiro leituras constantes (mesmo que seja apenas leitura vez ao dia).

Criei com carinho esta lista de livros ótimos em português:

Você pode encontrá-los no link da amazon ou em qualquer livraria:

 

  1. Dieta Low-Carb – Caio Fleury
  1. A Dieta dos Nossos Ancestrais – Caio Fleury
  2. A dieta da Mente – Perlmutter
  3. Medicina da imortalidade
  4. Cura sem esforço – Dr. Joseph Mercola
  5. Combustível para saúde – Dr. Joseph Mercola
  6. Por que engordamos – Gary Taubes
  7. Açúcar: Culpado ou inocente – Gary Taubes
  8. Barriga de trigo – Dr Willian Davis
  9. O que seu médico não sabe sobre medicina nutricional pode estar te matando – Dr. Ray Strand

1. Dieta low-carb – Caio Fleury

Dieta Low-Carb lança um olhar transformador sobre o paradigma atual de dieta saudável e eficiente para perda de peso, como é divulgado pelas principais mídias modernas. Este livro foi escrito para trazer informações preciosas, que você dificilmente encontrará em outras obras sobre o tema em língua portuguesa. Você vai compreender melhor o que é uma dieta prazerosa e saudável e terá uma ferramenta poderosa para auxiliá-lo na transformação do seu corpo e da sua mente

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2. A Dieta dos Nossos Ancestrais – Caio Fleury

“Caio Fleury leva o leitor a uma fascinante jornada ao longo da evolução do ser humano, comparando o estilo de vida, o tipo de alimentação e a incrível saúde de nossos ancestrais com a alimentação e o estilo de vida do ser humano moderno – marcado pelo sedentarismo, que, associado a uma alimentação rica em carboidratos de alto índice glicêmico, traz diversos danos à saúde. Pela primeira vez no Brasil, A Dieta dos Nossos Ancestrais oferece um programa comprovado cientificamente, que inclui o consumo de uma variedade de alimentos com todos os nutrientes essenciais de que precisamos para perder peso e alcançar uma saúde superior. Se esse é o seu objetivo, A Dieta dos Nossos Ancestrais é ideal para você.”

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3. A Dieta da Mente – David Perlmutter

Dr. David Perlmutter, um médico neurologista, foca nos efeitos deletérios dos carboidratos para o cérebro. Mostra como seu cérebro pode ser destruído pelos carboidratos, desenvolver resistência à insulina e acumular agregados de proteínas que levam ao mal de Alzheimer e demência.

4. Medicina da imortalidade

Dr. Ray Kurzweil e Terry Grossman desenvolveram um livro longo e fascinante com foco no antienvelhecimento e todas as práticas de biohacks, suplementos, alimentos e dieta para viver mais tempo e com mais saúde. O livro foca no estado atual da medicina antienvelhecimento e faz previsões sobre seu futuro.

5. Cura sem esforço – Dr. Joseph Mercola

Livro que foca na dieta cetogênica e todos os fatores ambientais necessários para viver com mais saúde e longevidade como a qualidade da água que consome, evitar a exposição a radiação, aterramento, suplementos e práticas ancestrais importantes como tomar sol e se movimentar ao longo do dia.

6. Combustível para saúde – Dr. Joseph Mercola

Parecido com seu outro livro, mas é um livro mais longo e mais aprofundado nestas e outras questões.

7. Por que engordamos – Gary Taubes

Gary Taubes é um dos principais proponente da low-carb nos Estados Unidos. Taubes discorre sobre as causas fundamentais do ganho de peso, tornando esta leitura fascinante.

Para saber mais sobre “Por que engordamos” clique aqui.

8. Açúcar: Culpado ou inocente – Gary Taubes

Outro livro excelente do Gary Taubes, mas focado no açúcar, que mata mais pessoas do que qualquer guerra e violência do mundo.

9. Barriga de trigo – Dr Willian Davis

Livro excelente sobre os problemas do trigo, o primeiro ou segundo ingrediente mais devastador para a saúde humana.

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10. O que seu médico não sabe sobre medicina nutricional pode estar te matando – Dr. Ray Strand

O título já diz tudo. Como a medicina atual é especializada em socorrer pessoas doentes e no limite de suas vidas e é carente na promoção de saúde e na prevenção. Como focar na prevenção de doenças cardíacas e câncer e ter uma maior expectativa de vida via suplementos e dieta.

Primal Brasil

Como desintoxicar seu corpo ao máximo

Por: Caio Fleury

 

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Hoje vamos nos aprofundar no tópico de desintoxicação. Quais alimentos, suplementos e práticas você pode utilizar para desintoxicar EFICIENTEMENTE, diferente de muitos métodos incompletos que você encontra por ai.

Então, vamos aos pontos mais importantes deste episódio:

– Adotar hábitos de vida que condizem com os principais pilares da longevidade é o passo mais importante.

– Resumindo: dieta cetogênica cíclica, jejum intermitente, seguir o relógio biológico, tomar sol diariamente, sauna, etc.

– Além disso, a adoção de dietas e protocolos cientificamente testados como por exemplo protocolo de autofagia e regeneração celular, que envolve dieta alta em gordura, baixa em carboidratos, com ciclos de proteínas mais treino intervalado.

– Inclui treino intervalado frequentemente, relacionamentos saudáveis, aterramento, terapia térmica (sauna e banhos gelados), exercícios e movimentos diários.

– Exemplos de protocolos extremamente eficazes são o “keto fast” “jejum cetogênico” do Dr. joseph Mercola, e o “Keto Reset Diet” do ilustre Mark Sisson.

-Todos incluem elementos de jejum diário de 14 a 18h (ou janela comprimida de alimentação), dieta cetogênica cíclica ou cetogênica normal mesmo.

-No protocolo do Dr. Mercola, jejuns de 24 horas ou mais uma ou duas vezes na semana, são essenciais.

– Particularmente, faço jejum de 20 horas 2 dias seguidos por semana ou 1 de 24h.

– É importante incluir alimentos e suplementos que ajudam o corpo a desintoxicar e, portanto, a não reabsorver nos orgãos e tecidos as toxinas liberadas na circulação do tecido adiposo.

– Alguns vegetais, principalmente crucíferos favorecem a desintoxicação no fígado.

– Há várias medidas mais especificas que você precisa tomar para desintoxicar com um jejum mais longo.

– Consumo de eletrólitos como magnésio (400 a 800 mg por dia), potássio, sódio e cálcio.

– Virar um queimador de gordura antes de começar a fazer jejum, pois se você for um queimador de carboidratos, vai ser mais difícil de desintoxicar e os benefícios do jejum não irão ser tão grandes quanto possíveis.

– A ativação da autofagia via jejum seguro e bem executado é a ferramenta mais importante para você alcançar os efeitos importantes da eliminação de toxinas.

– Todos os dias a maioria das pessoas são expostas a toxinas alimentares, metais pesados, produtos químicos, o que pode sobrecarregar os sistemas de desintoxicação do corpo.

– Sua genética é muito determinante na capacidade de seu corpo desintoxicar.

– Existem variações genéticas desfavoráveis dos genes responsáveis pela síntese de glutationa e outras e enzimas envolvidas nas vias de desintoxicação do fígado.

– Você pode descobrir sua genética via exames genéticos.

– Se você possui homozigose GSTM1, isso aumenta seu risco de várias patologias, incluindo certos tipos de câncer, associadas ao excesso de toxidade acumulada no seu corpo.

– Na população brasileira, um estudo identificou em amostras de centenas de pessoas do Rio de Janeiro e Brasília uma taxa de 46 e 49% respectivamente do fenótipo de alelo nulo da GSTM1

– Este polimorfismos genético, assim como o chamado NTHFR, afetam os níveis de glutationa responsável pela desintoxicação.

– Se você tem esses polimorfismos, provavelmente é mais importante que você seja mais cauteloso e preventivo, consumindo glutationa extra e seguindo melhor o protocolo.

– O laboratório disponível no Brasil e provavelmente o mais famoso no momento no mundo é o DNA fit.

– Muita gente possuí um sistema de desintoxicação sobrecarregado, seja por variações genéticas ou pelo excesso de toxina.

– Evite toxinas na forma de açúcar, anti-nutrientes dos grãos, químicos de produtos de limpeza domésticos, produtos de beleza com xenobióticos, disruptores hormonais, derivados de petróleo e pesticidas despejados nos grãos e certos alimentos.

– Alimentos e suplementos podem ajudar seu fígado, rins e trato gastrointestinal a desintoxicar

Chlorella

– Os quelantes da chlorella são ótimos para eliminar certas toxinas e metais pesados do corpo, principalmente arsênico e mercúrio pelas fezes.

L-methylfolato ou 5-methylfolato (5-MTHF)

– Esta é a forma biologicamente ativa do ácido fólico que garante a sua biodisponibilidade

– Esta é uma vitamina essencial para o organismo que auxilia suas células a eliminarem toxinas nocivas como produtos químicos e metais pesados e ajuda a preservar a funcionalidade das suas células.

– O ácido fólico auxilia o corpo a renovar as células, inclusive produzindo e preservando novas células, enquanto previne danos e alterações no DNA que levam ao envelhecimento e câncer.

Metilsulfonilmetano

– O MSM é um solvente orgânico de enxofre, sendo um componente importante de enzimas, colágeno, proteínas, queratina e hormônios.

– MSM é um suplemento importante na desintoxicação e está envolvido em centenas de processos biológicos da desintoxicação e do metabolismo, sendo difícil de ser obtido apenas pela dieta.

Ácido alfa lipóico

– O ácido alfa lipóico é um antioxidante poderoso no combate dos radicais livres, pois ele é capaz de equilibrar o redox status, processo essencial para a homeostase celular, que elimina espécies reativas de oxigênio (ERO) e nitrogênio, os chamados radicais livres.

– Ele interage com outros antioxidantes incluindo vitamina C, E e glutationa.

N-acetil cisteína (NAC)

– N-acetil cisteína confere diversos benefícios para a saúde, sendo importante na reposição do antioxidante mais poderoso do corpo, a glutationa.

Cardo de leite ou cardo Mariano (Milk Thistle)

– Fortalece as células hepáticas e elimina toxinas

Complexo B (vitaminas B):

– A maioria dos multivitamínicos de complexo B que são vendidos no Brasil possuem quantidades inferiores de algumas das mais importantes vitaminas.

– Mais de metade da população mundial possui uma ou mais mutações dos genes metilenotetrahidrofolato (MTHFR), o que reduz a capacidade do corpo de sintetizar a forma ativa de vitamina B12 e B9.

– Marcas boas são Dr. Mercola, Life extension eThorne (é mais fácil comprar pelo iherb)

Zinco e selênio

– Estes minerais essenciais são os mais importantes no processo de desintoxicação e ajudam na desintoxicação de diversos metais pesados como arsênico, cádmio e mercúrio.

– Eu tomo 25 a 40g por dia de zinco com 1g de cobre

– 2 ou 3 castanhas do Pará para selênio

Outros suplementos e práticas poderosas para desintoxicar

-Ácido málico você pode colocar no seu suco verde, assim com salsão ou aipo.

– Colágeno

– Sauna

– Suplemento de broto de brócolis (a semente do broto)

– Enema de café ou mesmo de água.

 

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Primal Brasil

Dor fantasma | Entrevista

Quando há uma amputação, o membro continua intacto no mapa cerebral, por isso muitos pacientes sentem dor fantasma.

 

A dor fantasma é uma dor muito real (não tem nada de imaginação) que acomete cerca de 90% dos indivíduos que passam pela amputação de alguma parte do corpo. Queimação, formigamento, pontadas e até cócegas são alguns dos desconfortos que os pacientes relatam sentir.

Entrevistamos o dr. André Sugawara, médico fisiatra da Rede Lucy Montoro, considerado um dos maiores especialistas do assunto no Brasil.

Veja também: Ouça o podcast Por Que Dói? sobre dor fantasma

 

A dor fantasma

 

Portal DV — Como alguém pode sentir dor em um membro que simplesmente não existe mais?

André Sugawara — Onde começa uma perna? Algumas pessoas vão apontar a coxa, a pelve, a bacia, mas não. Na verdade, a perna começa e termina no cérebro. Quando amputamos uma perna ou um braço, teremos uma parte que irá faltar, a parte física, mas teremos um restante que continuará intacto. Então você perde a parte que se mexe, mas a central de comando, digamos assim, continua existindo. 

 

Portal DV — Existe algum período em que o cérebro vai se dar conta de que a parte física do membro não está mais ali?

André Sugawara — Pense que você perdeu a perna física, mas ela continua lá no seu esquema cerebral. Após o trauma, o cérebro percebe imediatamente que há algo errado; por isso o paciente pode começar a sentir dor ou qualquer outro desconforto. Imagine um indivíduo que tem um câncer que está prejudicando sua perna, e ele vai precisar amputá-la. Então, o processo de perda começa antes da retirada efetiva da perna. O indivíduo vai se “preparando”, digamos assim. Não seria uma perda, mas uma solução.

Nesse caso, ele vai sentir bem menos dor que em situações em que não há essa preparação. É muito diferente de quando ocorre algo traumático, como um acidente de moto. Nesse último caso, como é algo abrupto, existe uma chance menor de o cérebro reconhecer a perda. Portanto, esse processo de “se dar conta” vai depender de como o membro foi perdido. 

 

Portal DV — Li que esse fenômeno ainda é bem recente como objeto de estudo da Medicina. É verdade que vocês aprenderam sobre esse conceito a partir da I e II Guerras Mundiais? 

André Sugawara — Exatamente. Mas também começou com um escritor e neurologista chamado Silas Weir Mitchell, que durante a Guerra Civil Americana observava que “milhares de membros fantasmas estavam perseguindo e atormentando muitos bons soldados”. A amputação, em si, existe desde que o homem é homem, mas foi ele quem deu essa definição de dor fantasma. 

 

Portal DV — E vocês conseguem entender a causa dessas dores?

André Sugawara — Sempre se tentou achar a causa a partir da parte que foi embora, ou próximo da parte que foi embora. Mas desde mais ou menos 2014 nós já temos evidência de que esse processo não ocorre ali, mas no cérebro.

O paciente consegue, inclusive, utilizar outras representações do corpo para ativar a área daquela perna que foi amputada.

 

Como é a dor fantasma

 

Portal DV — A dor surge logo após a operação?

André Sugawara — Logo depois da cirurgia de amputação eles já sentem a dor. Ela consiste em qualquer sensação desagradável que a pessoa sinta na parte faltante. Pode ser coceira, choque, formigamento, queimação, frio, sensação de inchaço, de que a perna que foi amputada está se mexendo sozinha, câimbra. É muito difícil os pacientes encontrarem palavras para relatarem o que estão sentindo.

 

Portal DV — E qual a intensidade das dores? 

André Sugawara — Ela não é uma coisa só, é um conjunto de dores. Por exemplo, um paciente relata uma coceira que, de 0 a 10, incomoda em um nível 5. Mas ele também sente choque, que não aparece todos os dias, mas quando aparece, é mais que 10, é simplesmente insuportável. Então, podemos ver que dentro da dor fantasma é possível ter infinitas sensações com diferentes graus de intensidade, e que aparecem de diversas maneiras. Pode ser contínua, surgir uma vez por mês, quando a pessoa dá risada, quando está dormindo. Há vários gatilhos.

Tudo isso que eu citei é bem diferente da sensação fantasma. A sensação nada mais é do que sentir a presença da parte que foi amputada. A sensação de que você tem um membro e que consegue até controlá-lo, mas não é uma sensação desagradável. O paciente não sente os desconfortos, somente a sensação de que ainda tem algo.  

 

Portal DV — Por isso é importante esclarecer que a dor não tem nada de psicológica.

André Sugawara — Nada. Ela é bem anatômica, bem física. O processo se inicia e termina no cérebro. Ninguém vai comemorar e celebrar a perda de um membro. O indivíduo vai sofrer, entrar em luto e até deprimir. Há questões emocionais, sim, mas elas não geram a dor fantasma. É o contrário: é a dor fantasma que amplifica e perpetua as questões emocionais.

 

Portal DV — Sabendo disso, antes de uma cirurgia vocês costumam preparar o paciente para essa perda e uma possível dor fantasma? 

André Sugawara — Sempre. Há um protocolo que seguimos de conversar, tirar toda e qualquer dúvida sobre o que vai acontecer, principalmente no pós-operatório. 

 

Tratamento da dor fantasma

 

Portal DV — Quais recomendações o paciente precisa seguir após uma amputação?

André Sugawara — A primeira coisa é o posicionamento da cama. O corpo não deve estar desalinhado, porque os músculos próximos ao membro amputado, principalmente na articulação do quadril e do joelho, tendem a se encurtar.

É importante sempre lembrar que a perna física foi embora, mas a perna que está no cérebro continua lá. A maioria dos acidentes no pós-operatório ocorre porque o paciente ainda sente que tem a perna, levanta, vai tentar andar e cai. Então, conversamos bastante para conduzir o processo de adaptação fazendo exercícios com o apoio de barras paralelas para aprender a andar com a prótese e ter equilíbrio. 

Depois que os pontos são tirados, começa o processo de enfaixamento elástico, que é feito desde a época dos egípcios e ajuda a reduzir as dores e o desconforto.

Veja também: Leia uma entrevista sobre reabilitação de amputados

 

Portal DV — Para os pacientes que relatam dor, o que pode ser feito para amenizá-la?

André Sugawara — A literatura mostra que não adianta o uso de medicamentos para eliminar a dor, infelizmente. De qualquer maneira, utilizamos alguns analgésicos e outros medicamentos para aliviar o desconforto. Mas reforçamos as medidas alternativas, como enfaixar o membro residual, fazer estimulação eletromagnética, usar algo para aquecer a região, massagens, acupuntura, usar prótese, fazer a terapia do espelho… 

 

Portal DV — O que é terapia do espelho?

André Sugawara — É o que a gente mais utiliza na prática clínica, e realmente funciona. Nela, o paciente que teve uma perna ou um braço amputado se posiciona em frente a espelhos, tendo a ilusão de que ele ainda possui os dois membros saudáveis. Assim, é pedido que ele tente mover as duas pernas ou os dois braços ao mesmo tempo e que imagine que a outra esteja se mexendo. A estratégia engana o cérebro e a sensação incômoda diminui em algumas pessoas. A dificuldade é o paciente aceitar fazer isso, porque muitas vezes ele não bota fé. Mas basta ele fazer uma vez e sentir o resultado para agregar a terapia ao dia a dia. Pode fazer em casa, em qualquer lugar que tenha um espelho.

 

Portal DV — O paciente pode deixar de sentir o desconforto ou a dor? 

André Sugawara — Depende. Há casos de pacientes que tem dor há mais de 40 anos. A intensidade e frequência das dores diminuem com o passar do tempo, mas, infelizmente, essa dor acompanha o paciente pelo resto da vida. 

 

A dificuldade para relatar o desconforto

 

Portal DV — Pacientes que sofrem amputação costumam falar que sentem dor fantasma? 

André Sugawara — Olha, eu costumo dizer que essa dor é um sofrimento invisível, porque os pacientes têm medo de falar que estão “sentindo” a perna e os outros, inclusive médicos, acharem que ele está ficando louco.

Como assim? Sentir dor em algo que não existe? A cabeça do paciente entra em parafuso. Ele sofre sozinho e não conta. Só conta quando encontra um local ou um ouvinte que esteja disposto a ouvir sem críticas, aí ele se abre. Ou, no máximo, o paciente vai dizer que está doendo a parte do membro que restou, chamado membro residual (antes falava-se “coto”, mas esse termo é pejorativo, portanto não é mais usado), e não a parte que falta. 

 

Portal DV — Fale um pouco mais sobre isso. 

André Sugawara — As pessoas realmente têm muito receio de falar. Dizem: “Ah, eu não vou falar sobre essa dor, porque vão achar que é coisa da minha cabeça, que faz parte do processo”. Então elas sofrem anos sem dizer nada.

Quando resolvem dizer, normalmente o primeiro médico que ouve não dá tanta importância, diz que é normal e que vai passar. Então os pacientes se retraem ainda mais. Por isso, precisamos melhorar as duas pontas, o médico e o paciente, que precisa se sentir seguro para conseguir se abrir. Ambos precisam saber que é uma queixa pertinente e que sim, é possível tratar. É possível atenuar a dor e dá para levar uma vida normal. 

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