Antibiótico pode diminuir a eficácia da pílula anticoncepcional?

cartela de pílulas e texto afirmando que antibiótico pode diminuir a eficácia da pilula.

Você já deve ter ouvido falar que antibiótico diminui a eficácia da pílula anticoncepcional. Essa mesma afirmação foi feita por uma matéria publicada no site do programa “Bem Estar”, da Rede Globo, e assustou quem evita a gravidez através desse método contraceptivo. Será que é verdade?

 

O que realmente diz a ciência? A DROPS checou.

 

 

QUEM DISSE? Bem Estar1

 

QUANDO DISSE? 30/01/2015

 

 O QUE DISSE? “Antibiótico pode diminuir a eficácia da pílula anticoncepcional.”

 

CHECAGEM: VERDADEIRO, MAS…

 

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Contexto

 

As pílulas anticoncepcionais estão mais modernas do que nunca, o que significa que sua concentração de hormônios é a mínima necessária para manter sua eficácia e evitar possíveis efeitos colaterais. Mas essa característica também faz com que qualquer redução na concentração dos componentes do medicamento possa levar a uma alteração da sua efetividade.

Uma matéria publicada no site do programa “Bem Estar”, da Rede Globo, repete o que muitas vezes lemos nas redes sociais ou ouvimos de amigos e familiares:  Antibióticos podem diminuir a eficácia da pílula anticoncepcional”.  Para entender melhor se isso é realmente verdadeiro, a DROPS investigou o assunto.

 

O que diz a ciência

 

Haveria duas possibilidades diante do uso concomitante de contraceptivos orais e antibióticos:

 

  • O uso de anticoncepcionais e determinados antibióticos poderia aumentar o metabolismo desses medicamentos, o que faria com que sua eliminação do organismo (ou depuração) fosse mais rápida e o anticoncepcional “não tivesse tempo” suficiente de cumprir o papel esperado.
  • O estrógeno da pílula seria metabolizado3, pelas enzimas das bactérias intestinais (flora ou microbiota intestinal) e então absorvido e utilizado pelo organismo. Quando um antibiótico reduz ou elimina essas bactérias, haveria menos estrógeno disponível e, uma vez que esse hormônio já estivesse presente em quantidades muito pequenas na pílula, poderia reduzir a eficácia da ação contraceptiva.

 

Apesar das explicações teóricas acima, até hoje o único tipo de antibiótico que comprovadamente diminuiu o efeito contraceptivo da pílula, segundo dados de estudos científicos, foi o utilizado para tratamento da tuberculose: a rifampicina.5  Durante os últimos anos, diversos trabalhos foram realizados com o objetivo de esclarecer a interação entre anticoncepcionais orais e antibióticos. Também duas revisões analisaram a totalidade desses artigos, uma do “Canadian Journal of Infectious Diseases”6 e outra da Universidade da Carolina do Sul7, e ambas confirmaram o dado de que apenas a rifampicina tem potencial de diminuir os efeitos da pílula.

Portanto, as evidências científicas não apontam para a redução de eficácia de uma forma geral. Com isso, classificamos que a afirmação Antibiótico pode diminuir a eficácia da pílula anticoncepcional” é VERDADEIRA, MAS necessita de uma contextualização que explique ao leitor que isso só foi comprovado com um tipo de antibiótico específico (a rifampicina).

 

Referências

 

(acesso em 07/11/2018):

1 http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2015/01/antibiotico-pode-diminuir-eficacia-da-pilula-anticoncepcional.html

2 https://www.ajog.org/article/S0002-9378(17)30845-1/fulltext

3 https://monographs.iarc.fr/wp-content/uploads/2018/06/mono100A-19.pdf

4 Hang & Dale Farmacologia (livro)

5 https://www.webmd.com/drugs/2/drug-1744/rifampin-oral/details

6 https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3250726/

7 https://www.jaad.org/article/S0190-9622(02)00037-3/fulltext

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Pesquisadores descobrem que remédio pode ajudar no controle da doença de Chagas

iG São Paulo

A administração do fármaco quinidina nos barbeiros, que transmitem a enfermidade, pode evitar que eles se tornem transmissores da doença

A nova pesquisa representa um avanço nos estudos sobre a doença de Chagas, que pode ser fatal

A nova pesquisa representa um avanço nos estudos sobre a doença de Chagas, que pode ser fatal

Foto: Thinkstock

Cientistas de três universidades do estado do Rio de Janeiro, junto da Fiocruz, descobriram que um medicamento pode ajudar no controle da doença de Chagas, enfermidade tropical grave que, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e transmitida pelo inseto barbeiro, pode levar à morte.

Leia também: É possível recuperar as lesões cardíacas da doença de Chagas, mostram estudos

A nova pesquisa, que durou mais de cinco anos e foi recentemente publicada na revista científica Neglected Tropical Diseases, identificou que a administração do fármaco quinidina nos insetos pode evitar que os barbeiros se tornem transmissores da doença de Chagas.

“O processo de digestão do sangue, dentro do tubo digestivo do barbeiro, produz compostos tóxicos”, explicou Marcos Oliveira, do laboratório de bioquímica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “E o que o inseto consegue fazer para eliminar a toxina é formar pequenos cristais chamados hemozoína.”

“O que esse estudo demonstra é que, quando alimentamos o inseto com a quinidina, que consegue bloquear a formação desse cristal, o animal não consegue mais se reproduzir e colocar ovos, e tampouco transmitir a doença”, disse em entrevista.

Por mais que a droga não seja recomendada para uso em humanos, o novo trabalho é considerado um grande avanço para que um dia se consiga controlar o protozoário.

Os pesquisadores ainda salientaram que, apesar de ser uma doença grave, que pode levar a pessoa à morte, ela está incluída no rol das chamadas doenças negligenciadas, ou seja, aquelas que não são assistidas pela indústria farmacêutica por atingirem principalmente a população mais pobre de países em desenvolvimento.

Surto de doença de Chagas no Pará

Doença de Chagas teve dois surtos confirmados na cidade de Acará, no estado do Pará, durante o mês de agosto

Doença de Chagas teve dois surtos confirmados na cidade de Acará, no estado do Pará, durante o mês de agosto

Foto: Creative Commons

Dois surtos de Chagas em fase aguda foram confirmados no município de Acará, no nordeste do estado do Pará. De acordo com o Instituto Evandro Chagas (IEC), ao menos um paciente idoso morreu e outros 20 casos foram identificados.

O primeiro surto da doença foi encaminhado para o instituto no dia 31 de julho, enquanto o segundo foi descoberto em agosto, quando uma paciente procurou o IEC. Segundo nota oficial, “as duas ondas de surtos são temporalmente próximas e podem estar relacionadas”, por mais que o vínculo não tenha sido confirmado.

Os dois casos foram causados pela ingestão de açaí contaminado com as fezes do barbeiro , hospedeiro intermediário do protozoário Trypanosoma cruzi , causador da doença. O IEC detalhou que a contaminação é resultado do “descuido nas condições higiênicas ideais de preparo” do alimento.

Chefe do setor de Atendimento Médico Unificado no Instituto, Ana Yecê das Neves ressaltou a importância do diagnóstico e tratamento precoces. “Algumas pessoas passaram em unidades de saúde e não puderam ter esse diagnóstico por falhas de suspeição”, disse.

Leia também: Um bilhão de pessoas sofrem de doenças tropicais esquecidas

“Ela é uma doença que a gente pode considerar como emergente entre nós. Fica realmente difícil [a suspeição] para um profissional que ainda não foi capacitado, apesar de já terem acontecido algumas capacitações”, completou sobre a doença de Chagas. 

*Com informações da Agência Brasil

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