Evidências a favor da manteiga crescem

Por: Chasy Purdy

Uma equipe de pesquisadores médicos tem algumas boas notícias para aqueles que cozinham com a tradicional manteiga, mas a consideram um prazer culpado: Ela pode realmente ser boa para você.

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade da Carolina do Norte (UNC) analisaram um estudo não publicado de 50 anos de Minnesota e encontraram razões para acreditarem que cozinhar com óleo de milho em vez de manteiga pode realmente ser bem pior para a saúde do coração. É um fato que contraria o dogma de nutrição convencional das últimas décadas.

No ano passado, um número crescente de vozes dentro da comunidade de nutrição têm se conformado com o fato de que alimentos de verdade ricos em gordura, como manteiga, ovos e abacate não são ruins para você como se pensava dentro do contexto de uma dieta saudável. É um argumento que tem aparecido em estudos de todo o mundo e também em artigos desafiando as decisões políticas nacionais ultrapassadas com base na ideia de que as gorduras devem ser evitada.

No caso da manteiga versus óleo vegetal processado, a equipe da Universidade da Carolina do Norte UNC analisou dados nutricionais inéditos coletados entre 1968 e 1973 em um estudo controlado que incluiu mais de 9.400 homens e mulheres em um lar de idosos e seis hospitais mentais estaduais em Minnesota.
Os sujeitos foram divididos em dois grupos. Um foi dado uma dieta em que o óleo de milho líquido foi usado no lugar das gorduras usuais do cozimento do hospital (incluindo a manteiga e os óleos hidrogenados) durante a preparação da refeição. O outro grupo recebeu refeições cozidas com margarinas comuns e óleos  industriais com milho. Aproximadamente 57% dos 517 indivíduos que morreram durante o curso do estudo foram submetidos a exames post-mortem de seus corações, aortas e cérebros. Mas nenhuma análise dos dados havia sido publicada até agora.

Após uma revisão dos dados disponíveis, os pesquisadores da UNC determinaram que, em geral, havia um risco 22% maior de morte para os participantes na dieta de óleo vegetal industrial.

Muitos poucos estudos utilizados como referência por aqueles que suportam o consumo de óleos industriais incluíram dados de ensaios controlados que realmente formam a base da ciência – a ciência da nutrição pode ser difícil de ser realizada muitas vezes por causa de considerações éticas de testes de dietas em seres humanos.

Em conjunto, as pesquisas que suportam o consumo de óleo de milho processado são incertas e incompletas. Isso nos leva a concluir que a publicação incompleta de dados importantes contribuiu para a superestimação de benefícios – e a subestimação de riscos potenciais – de trocar a gordura saturada por óleos vegetais processados ricos em ácido linoleico”, disse Daisy Zamora, uma das pesquisadoras da UNC.

Em estudos controlados, gorduras naturais de laticínios e alimentos de verdade estão com muita vantagem com relação as opções industriais ricas em gorduras poliinsaturadas quimicamente alteradas.

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Primal Brasil

Baixo teor de proteínas é melhor para longevidade?

Por: Mark Sisson

Hoje, no dia de perguntas desta semana, estou respondendo a uma pergunta sobre a dieta ideal para a longevidade. Um artigo enviado por um leitor afirma que um estudo recente em ratos identificou a dieta perfeita para todos, mas especialmente para as pessoas mais velhas: uma dieta alta em carboidrato, de baixa proteína. Eles até conseguiram falar coisas feias sobre a paleo dieta (não conseguiram resistir).

Olá,

Qual é a sua opinião sobre este novo estudo alegando que a melhor dieta para a longevidade é uma de alto teor de carboidratos e baixa em proteínas?

Estudo interessante… Mas veja como foi feito:

Os pesquisadores colocaram camundongos em um monte de dietas diferentes para ver como elas afetariam os níveis de FGF21 (fator de crescimento de fibroblastos 21). As 25 dietas variaram de 5-60% de proteína e 5-75% de gordura ou carboidrato. Eles tentaram praticamente todas as permutações e descobriram que a dieta baixa em proteínas em combinação com alto teor de carboidratos produziu o maior aumento no FGF21.

Por que FGF21?

 

FGF21 “desempenha um papel” na longevidade, saúde imunológica e metabólica, metabolismo energético e apetite. Implícito nos objetivos do estudo é que FGF21 mais alto é uma coisa boa. Ele nos ajuda a viver mais e mais saudável. Se tudo isso é verdade, é claro que gostaríamos de encontrar a proporção de macronutrientes que mais aumenta FGF21.

 

FGF21 é, finalmente, um marcador de estresse mitocondrial (relacionado a saúde das células). Fazer coisas que estimulam FGF21 – que inclui jejum, dietas de baixo teor calórico, dietas de baixo teor de carboidratos com alto teor de gordura e até mesmo exercícios regulares – estamos aplicando uma quantidade moderada de estresse às nossas mitocôndrias.

Esta é uma coisa boa, desde que o jejum não vire fome, as dietas não se tornarem dietas de privação crônica, e você permita a recuperação suficiente dos exercícios. Isso se chama hormesis: aplicar um estressor e se adaptar a este estresse de modo a dar a volta por cima mais forte e saudável do que antes.

E com certeza, FGF21 faz algumas coisas boas, como nos ajudar a transição para cetose e melhora o controle de glicose no sangue. Os pesquisadores estão mesmo explorando-o como tratamento para várias doenças metabólicas, obesidade e diabetes.

Com a maioria dos estressores hormonais, os benefícios se transformam em negativos se a exposição persistir ou se acumular. Há o risco de exagerar.

Há alguma evidência do excesso de FGF21 ser ruim para nós? 

 

• Entre os homens chineses, aqueles com os maiores níveis de FGF21 são mais propensos a ter um ataque cardíaco e ter outro dentro de 30 dias depois último.

Tanto os níveis mais alto como os menores de FGF21 estão associados a um risco aumentado de doença cardiovascular e morte por ataque cardíaco.

• Níveis mais elevados de FGF21 estão ligados ao fígado gorduroso, doenças cardiovasculares e outros distúrbios metabólicos.

• Independente de outros factores de risco, o FGF21 elevado no soro prediz a gravidade da aterosclerose. FGF21 pode não estar causando essas coisas necessariamente, mas sua presença elevada, pelo menos, é um marcador de algo ruim acontecendo.

O que tudo isso significa?

 

Temos provas humanas de que várias variantes genéticas do FGF21 podem ajudar a determinar o quão bem uma pessoa sai em dietas ricas em carboidratos e dietas de baixo teor de carboidratos. Aqueles com a variante C em alguns casos perderam mais peso, circunferência da cintura e gordura corporal em uma dieta alta em carboidratos e menos na dieta baixa em carboidratos, embora os níveis de saciedade não sejam equivalentes entre as duas dietas. Enquanto isso, aqueles com a variante T perderam mais peso, gordura corporal e circunferência da cintura na dieta baixa em carboidratos e ainda continuaram perdendo gordura corporal após dois anos.

Eu acho que o que eu estou dizendo o seguinte: vá com a dieta que funciona para você. Mas não passe fome (vejam os estudos com a low-carb apontando para uma maior saciedade com a mesma)

Está perdendo gordura corporal em uma dieta? Continue com o progresso.

Você se sente bem?

 

Continue comendo do jeito que você está comendo. Não coma constantemente – fique com fome as vezes entre as refeições.

Seja mais extremo se você pode lidar com isso (estudos mostram que abordagens mais rápidas funcionam melhor)

Faça exercícios regularmente, mas não ache que você pode comer mais por isso.

Todas estas coisas aumentarão o FGF21 na maneira que é provável de ser mais saudável sem entrar na elevação excessiva, crônica.

E quanto à afirmação do artigo original de que as pessoas mais velhas devem comer dietas altas em carboidratos e de baixa proteína para evitar a morte?

 

Absurdo.

Sabemos que em indivíduos mais velhos, uma maior ingestão de proteínas é mais saudável porque, à medida que envelhecemos, ficamos menos eficientes no processamento de proteínas. Precisamos de mais proteínas. A pesquisa mostra que mais proteína promove todas as coisas que precisamos para permanecer saudável e funcional enquanto os anos se acumulam.

Idosos que comem 200g de carne/ peixe ou frango por dia desfrutam melhor função física, ficam mais forte, e constroem mais massa muscular magra. Essa massa magra torna-se cada vez mais importante quanto mais velhos ficamos. É uma reserva para doenças, lesões e períodos de repouso. As proteínas mantém-nos vibrantes. Isso nos torna fortes; Forte o suficiente para cuidar de nós mesmos e realmente se envolver com o mundo exterior.

Quantidades moderadas de proteína também melhoram a função cognitiva em adultos mais velhos. Se você não pode usar seu cérebro, uma vida longa fica menos agradável.

Idosos precisam de ingestão de proteína mais elevada para manter a densidade óssea. Um quadril fraturado é terrível para a longevidade.

Falaremo mais sobre dieta e longevidade mais adiante. Por hora, não diga ao vovô para abandonar as proteínas e começar a bater carboidratos.

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Primal Brasil

TRIBO FORTE #048 – TOMAR OU NÃO CAFÉ DA MANHÃ?

Bem vindo(a) hoje a mais um episódio do podcast oficial da Tribo Forte!

Os podcasts são 100% gratuitos e episódios novos saem todas as terças-feiras.

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No Episódio De Hoje:

Neste episódio nós tocamos em 3 assuntos principais:

  • Afinal, comer ou não algo no café da manhã?
  • Qual a diferença entre uma dieta no estilo “paleo” e uma dieta padrão no tratamento de diabetes tipo 2?
  • Hipotiroidismo e exercícios, etc.

Espero que aproveite este episódio 🙂

Lembrando: Você é MEMBRO VIP da Tribo Forte ou ainda está de fora? Tenha acesso a receitas simples e deliciosas diariamente, artigos internacionais traduzidos diariamente, fórum de discussão, documentários legendados e MUITO mais! Não fique de fora e se junte a este movimento agora mesmo, clicando AQUI!

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Ouça o Episódio De Hoje:

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Quer Emagrecer De Vez? Conheça o programa Código Emagrecer De Vez

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Referências do Episódio

Artigo postado no Daily Mail sobre pular o café da manhã

Ótimo artido da Zoe Harbombe analisando o artigo acima

O estudo sobre o café da manhã (que na verdade é sobre regularidade alimentar)

Estudo comparando dieta paleo a dieta padrão para tratamento do diabetes tipo 2

Transcrição do Episódio

Rodrigo Polesso: Olá, olá! Bem-vindo ao episódio de número 48 do podcast oficial da Tribo Forte – o podcast número 1 do Brasil na categoria saúde. Dr. Souto teve um dia super cheio. Mas estamos aqui para gravar porque promessa é dívida. Todas as semanas temos que estar com um podcast novinho, inédito para você. Hoje falaremos sobre dois assuntos principalmente. O primeiro é recente: comer ou não comer o café da manhã. Saiu na mídia por aí. Será que pular o café da manhã é mesmo ruim para nossa saúde? Veremos um pouco por trás das manchetes da mídia e por trás do estudo que motivou isso aí. Também veremos uma comparação entre a dieta paleo e a dieta oficial da American Heart Association para o tratamento de pessoas com diabetes tipo 2. Fora isso, veremos a pergunta da comunidade também. Estou em Tampa, na Flórida, para uma conferência chamada Metabolic Therapeutics, que será quinta, sexta e sábado. Teremos pessoas legais falando, como o Eric Westman , Richard Feinman, Thomas Seyfried (que eu entrevistei sobre câncer). Tudo isso faz parte do meu trabalho. De uma forma ou de outra você ficará sabendo das atualizações. Sempre cobriremos tudo que sair de novo. Boa noite, Dr. Souto. Longo dia?

Dr. Souto: Boa noite. Um dia longo, mas como você disse, vamos manter a tradição.

Rodrigo Polesso: É isso mesmo. Custe o que custar. Vamos partir para a pergunta da comunidade, antes de partirmos para a questão do café manhã… Acho que temos que falar um pouco mais sobre isso para as pessoas se protegerem um pouco. É um assunto antigo, mas nunca paramos de nos surpreender com o que sai sobre esse assunto. A pergunta que tenho hoje vem da Natália: “Eu tenho problema na tireoide. Eu faço controle com remédio. Já fiz academia e dieta, mas mesmo assim é muito difícil perder peso. Mas se eu paro de me exercitar, engordo muito mais rapidamente. Será que essa filosofia alimentar funciona para mim?” Dr. Souto, vou passar a bola para você nesse caso.

Dr. Souto: Essa questão que ela falou sobre a atividade física e ganho de peso é um negócio interessante. Já comentamos várias vezes aqui que a atividade física não é o principal fator na perda de peso. Na perda de peso a dieta predomina. A atividade física com certeza não atrapalha, mas não promovo (isoladamente) a perda de peso. Ela tem que estar pelo menos associada com a dieta, e a dieta é o principal. No entanto, existem estudos bem feitos que sugerem que a atividade física ajuda a prevenir o ganho de peso. São coisas diferentes. Uma coisa é “exercício faz você perder peso isoladamente, sem dieta” – provavelmente não. Mas o exercício é útil sim em diminuir a chance da pessoa que perdeu peso ganhar o peso de novo. Então, essa observação dela eu acho que procede – quando ela para o exercício, ela tende a ganhar peso. Se isso é o exercício em si, ou se o exercício motiva a pessoa a cuidar da sua dieta, não está bem claro. Mas não interessa. O fato é que o exercício ajuda. Ela citou o hipotireoidismo. Eu acho (minha opinião), que o hipotireoidismo tratado… Normalmente trata-se do hipotireoidismo subclínico… Aquele que foi identificado porque o TSH estava alto… Aí a pessoa começa a repor o hormônio tiroideu até o TSH voltar ao normal. O hipotireoidismo normalmente não vai ser o responsável pela pessoa não conseguir perder peso, desde que esse hipotireoidismo esteja tratado. Se ela está usando a medicação… Se o TSH, o T4 livre, o T3 livre… Se está tudo ok, se ela está usando a dose adequada, não é isso que vai impedi-la de perder peso. Se essa dieta é a mais adequada para ela… Vamos colocar da seguinte forma. Pelas evidências, pelos estudos comparativos, pelos ensaios clínicos randomizados, uma dieta de baixo carboidrato costuma ser a alternativa mais eficaz para a perda de peso. Mas como em qualquer coisa que esteja sendo testada… Por exemplo, um estudo comparando uma dieta de baixa caloria tradicional com uma dieta de baixo carboidrato. Um estudo comparando essas duas. Em geral, vamos ter um sucesso maior no grupo da dieta de baixo carboidrato, mas haverá indivíduos em cara um dos grupos que vão ter respostar dispares. Ou seja, eu posso ter alguém que não perdeu peso algum no grupo de baixo carboidrato e posso ter alguém que perdeu bastante peso no grupo de baixa caloria. Nós somos diferentes. Podemos falar em termos de resposta média. Provavelmente, o que estamos propondo tem a maior chance de dar resultado. Então se estou partindo de uma situação de sobrepeso, vou escolher aquilo que tem a maior chance de dar resultado. Minha resposta para ela seria… Com certeza ela tem perspectiva de tempo ou resposta… O fato de ter hipotireoidismo não é um impeditivo, desde que esteja tratado. A atividade física não vai atrapalhar – provavelmente vai ajudar a não ganhar o peso de novo. Depois de feito o experimento, colocado em prática, ela vai saber quanto se beneficia dessa estratégia.

Rodrigo Polesso: Eu concordo plenamente. Acho que muita gente acaba utilizando a questão de ter problema com a tireoide meio como uma desculpa para se conformar… de que talvez para você seja muito mais difícil conseguir atingir seu objetivo de emagrecimento. Talvez eu proporia uma inversão de paradigma e usar isso como talvez uma motivação para você ficar mais saudável e quiçá ter sua tiroide funcionando perfeitamente ou pelo menos melhor do que agora. A questão do exercício é você manter ou talvez aumentar a sensibilidade à insulina nos músculos. É uma forma legal de prevenção de ganho de peso. Isso colabora na prevenção… Não como solução para emagrecimento… Existem estudos mostrando que exercícios como estratégia primordial como ganho de peso não vai dar sucesso. Isso é o que vemos por aí. Mas sim como uma forma de prevenção e manutenção de uma saúde bacana. Eu acho que não tem dúvidas sobre isso. Dr. Souto, vamos pular para esse tema do café da manhã, que é o tema quente de hoje. Vou fazer uma introdução sobre esse assunto e vou passar a bola para você. Saiu no jornal Daily Mail, no Reino Unido, uma manchete: “Não pule o café da manhã! – Uma sugestão oficial avisa que pular o café da manhã pode aumentar seu risco de obesidade, doença cardíaca e diabetes.” Esse é o título que acabou assustando muita gente no Daily Mail. Tem um artigo muito legal da Zoe Harcombe. Ela pegou o que tinha por trás desse artigo e desmiuçou o estudo que deu origem a esse artigo. Ela fez uma análise bastante sóbria. Vamos colocar todos os links aqui para você. Saiu no jornal Circulation dia 31 de janeiro (ontem, estamos gravando dia primeiro de fevereiro). Enquanto as manchetes dos jornais chamam atenção para a questão de pular o café da manhã, o estudo em si não focou nisso somente. Ele ficou em vários aspectos. Na conclusão do próprio sumário do estudo no jornal Circulation, ele diz o seguinte: “A nossa coleção de dados sugere que padrões irregulares de alimentação aparentam ser menos favoráveis para se atingir a melhor saúde cardiometabólica.” Não falaram nada do café da manhã e sim sobre padrões irregulares de alimentação. Continuando: “Se você comer prestando atenção no que está comendo e com uma frequência mais consistente, você pode potencialmente ter um estilo de vida mais saudável e uma melhor saúde cardiometabólica.” Essa foi a conclusão deles. Agora sobre o café da manhã no artigo oficial da American Heart Association, que é Americana do Coração, eles dizem o seguinte sobre o café da manhã, olhe que interessante: “Vários estudos já mostraram o benefício de você comer café da manhã toda manhã. Mas, esses estudos sobre o café da manhã também acabaram recebendo bastante opressão recentemente pela mídia porque grandes produtores da indústria (Kellogg’s e General Mills, as maiores produtoras de cereais matinais dos Estados Unidos) acabaram patrocinando esses estudos. Então, tem um pouco de conflito de interesse aí. Eles concluem assim: “Isso poderia ter influenciado nos resultados positivos sobre o benefício do café da manhã.” É basicamente isso que a American Heart Association diz oficialmente. Antes de partir para discussão, é importante ressaltar que os estudos em questão que foram base para essa questão de pular o café da manhã não são ensaios clínicos randomizados, são estudos prospectivos. Tem vários problemas. O primeiro deles é o estudo em si. O segundo é a postagem da American Heart Association. E depois o pessoal da mídia dar uma ordem dizendo “não pule o café da manhã”. A pessoa só vê essa ordem, mas não vê tudo o que vem antes disso. Então, conflito de interesse, má ciência, estudos prospectivos… Como que a gente se acha no meio de tudo isso?

Dr. Souto: É tanta coisa… A American Heart Association definitivamente não tem uma boa tradição de acertar nas suas recomendações nutricionais. Nós estamos na confusão em que estamos muito por causa deles. A American Heart Association adotou o mantra do low fat high carb (das dietas de baixa gordura, mas liberadas em carboidrato) antes mesmo do USDA adotar isso nas diretrizes oficiais dos Estados Unidos. Então, quando as diretrizes oficiais que deram origem à pirâmide alimentar surgiram, foi sim por muita influência da Associação Americana de Cardiologia. Tenho uma cópia de um panfleto de 1995 da Associação Americana de Cardiologia sugerindo literalmente que as pessoas fizessem lanches com açúcar de modo a comer menos gordura. Vou colocar no blog uma reprodução disso porque isso diz mais do que mil palavras quando eles dizem hoje em dia que eles nunca estimularam. Eles estimularam sim o consumo de açúcar. A Associação Americana de Cardiologia é a mesma que tem aquele selo com um coraçãozinho e colocam o selo na margarina e em cereais matinais cheios de açúcar – único critério é não ter colesterol, não ter gordura. Esta mesma Associação Americana de Cardiologia com todo seu histórico no mundo da nutrição que está agora dizendo que é perigoso não comer café da manhã. Obviamente, temos que olhar com uma certa desconfiança, porque eles têm uma tradição de décadas de realmente dar bola fora dentro da nutrição. Aqui não foi diferente. É um relatório de 20 e poucas páginas baseado em estudos observacionais. Lembre-se daquela promessa, Rodrigo: todos os podcasts temos que falar a expressão “ensaio clínico randomizado”. Foi algum ensaio clínico randomizado que mostrou que as pessoas têm risco maior de sofrer doença do coração se não tomarem café da manhã? Não! Como teria que ser esse ensaio clínico? Eu teria que pegar uma população grande, com milhares de pessoas e recomendar a um dos grupos que tomassem café da manhã todos os dias e dizer para o outro grupo evitar tomar café da manhã todos os dias. Eu acompanho esse grupo, e talvez em 10 anos eu tenha alguma incidência de doenças e eventos para poder fazer alguma comparação. Por que seria importante fazer dessa forma, com sorteio? Porque quando você deixa as pessoas escolherem se elas querem tomar café da manhã ou não, o que temos é o seguinte… Vou ler para vocês uma observação que a Zoe Harcombe tirou de um dos artigos observacionais. “As pessoas que evitam tomar café da manhã tem maior probabilidade de: ser fumantes, trabalhar tempo total em vez de tempo parcial, ser menos fisicamente ativos e beber mais álcool.” Aí ela diz assim: “Estou imaginando aqui na minha cabeça uma pessoa de natureza vespertina, que gosta de ficar acordada até tarde, trabalhando até tarde na sua mesa, comendo, bebendo e fumando até as horas iniciais da manhã… E na minha cabeça eu comparo com outra pessoa que gosta naturalmente de acordar cedo, sai da cama, vai passear com o cachorro e toma seu café da manhã.” Ela fez de uma forma engraçada. É o mesmo problema de sempre, pessoal. Estudos observacionais têm essas variáveis de confusão. No momento em que o café da manhã passa a ser o marcador de pessoas que fumam menos, trabalham menos horas, são mais fisicamente ativas, bebem menos álcool e dormem mais cedo… Será que o café da manhã é realmente o responsável pelos achados?

Rodrigo Polesso: Em defesa da American Heart Association… Só para não deixar tão feio para o lado deles… É claro que a mídia quer cliques, por isso focaram em café da manhã. Mas eles fizeram um estudo avaliando a diferença entre pessoas que têm hábitos alimentares irregulares e pessoas que têm hábitos alimentares regulares. E daí uma associação entre essas primeiras que têm hábitos irregulares com obesidade, diabetes tipo 2 e etc.. Imagine a pessoa que não reserva uma tempo para não comer um café da manhã, sai correndo, tropeçando no cachorro, fumando… É claro que esse tipo de pessoa estará mais associada com obesidade e diabetes tipo 2 – não por pular o café da manhã, mas pelos problemas que não conseguimos mensurar de forma correta com um estudo desse tipo.

Dr. Souto: O mais fantástico é que várias dessas coisas já foram testadas em ensaios clínicos randomizados. Vou admitir que não com morte, doenças vasculares e etc., mas com fatores de risco para doenças cardiovasculares ou com peso. Aliás, nós chegamos a discutir na semana anterior o ensaio clínico randomizado sobre as pessoas que normalmente não tomavam café da manhã e foram randomizadas para tomar café da manhã? Chegamos a falar sobre esse?

Rodrigo Polesso: Não sei se falamos sobre café da manhã no passado.

Dr. Souto: Então vamos falar rapidinho. É um estudo que foi publicado no dia 4 de janeiro de 2017. Quem ouve esse podcast está atualizado. Bem recente, tem um mês. Eles pegaram 49 mulheres que não tinham o hábito de tomar café da manhã e foram randomizadas para tomar café da manhã ou não tomar café da manhã. As pessoas que acreditam nessa lenda urbana… De que se você não tomar café da manhã estará morto de fome na hora do almoço, vai comer um boi inteiro e vai engordar… O que aconteceu foi o contrário. As pessoas que não estão acostumadas a consumir café da manhã e passam a consumir café da manhã consomem 266 calorias a mais por dia e ganharam, no período do estudo (que é relativamente curto), 1 quilo a mais em média. Então, comer café da manhã, se você não está acostumado a comer café da manhã, faz você engordar. Se a pessoa tirar o chapéu do senso comum e botar o chapéu do senso crítico (que é o chapéu que eu prefiro), a pessoa vai dizer que é evidente. Se a pessoa não comia uma refeição e agregou uma refeição a mais, o que vai acontecer? Ela vai engordar, não é óbvio?

Rodrigo Polesso: Mas aí pode falar que ela vai comer menos nas outras refeições.

Dr. Souto: Quando temos essa dúvida, fazemos ciência. Vamos um experimento e testamos. Esse não é o primeiro. Esse é mais um numa grande sequência de ensaios clínicos randomizados que mostram ou que não têm efeito algum, ou que acrescentar café da manhã é prejudicial. Basicamente, os estudos tendem a mostrar o seguinte: se a pessoa está acostumada a tomar café da manhã, não faz diferença comer ou não comer; mas se ela não está acostumada e começar a comer de propósito – porque viu na televisão que precisa – aí ela vai ganhar peso por estar acrescentando uma refeição com a qual não estava acostumada. Essa questão da compensação que você falou não é verdade para nenhum dos lados. Se você tomar café da manhã, a sua tendência é comer menos no almoço, mas não tão menos que compense o que você comeu no café da manhã. No jejum ocorre o contrário. Quando a pessoa faz um jejum de 24 horas, no dia seguinte ela tem mais fome e come mais do que ela comeria normalmente. Mas o que ela come mais não é tão mais a ponto de compensar o que ela comeu na véspera. Quem diz o contrário… Quero ver os ensaios clínicos randomizados. A palavra-chave é: ensaio clínico randomizado. É simples. Eu tenho uma dúvida, eu levanto uma hipótese. Eu texto a hipótese e ela será refutada ou confirmada. Estudos observacionais não estabelecem causa e efeito. O estudo observacional em tela – esse que a Associação Americana de Cardiologia cita – diz que as pessoas que não comem café da manhã tendem a ser mais obesas e mais diabéticas. Ok, estamos vendo um ensaio clínico randomizado em que pessoas que não comem café da manhã ficaram menos obesas. Então, se eu tenho um conflito entre um experimento e um estudo observacional, vale o experimento. Por que tem o conflito? Por que um diz uma coisa e o outro diz outra? Por causa das variáveis de confusão. O pessoal que não toma café da manhã ali não toma porque passa a noite bebendo e fumando… Acorda atrasado, vai para o trabalho. Essas coisas que determinam os desfechos e não o café da manhã. É simples assim, pessoal. O estudo observacional é só uma oportunidade da gente, mais uma vez, em mais uma semana, comentar como ter pensamento crítico, como não cair nessa velha armadilha. Ela se repete todas as semanas.

Rodrigo Polesso: Principalmente se quem tiver fundando os estudos for um grande produtor de cereais matinais, o que é até engraçado. Isso acontece e está nas entrelinhas. Quase ninguém lerá esse detalhe.

Dr. Souto: A quase totalidade desses estudos observacionais foram feitos com fundos da indústria alimentícia que fabrica cerais matinais. Eles vão achar que cereal é ruim? Vamos tirar o chapéu do senso comum e botar o do pensamento crítico.

Rodrigo Polesso: A Zoe Harcombe faz uma pergunta e vou ecoa-la aqui. Lembrando que esse artigo da American Heart Associação avaliou pessoas que tem hábitos irregulares de alimentação e comparou com pessoas que têm hábitos regulares, e viu a o que cada uma está associada. Ela perguntou assim: “Será que ter hábitos irregulares causa a diabetes tipo 2 ou obesidade ou será que os obesos ou diabéticos tipo 2 que tendem a se alimentar de forma irregular?” É a mesma coisa temos falado aqui agora. É uma inversão. É um marcador de tipo de pessoa. Esse tipo de pergunta é sempre boa para mantermos uma mente sóbria ao avaliar esse tipo de coisa. A minha conclusão pessoal é a mesma que a Zoe teve no artigo dela: se você se sente bem comendo café da manhã, ótimo! Se você não se sente, ótimo também – desde que você come (no café, à tarde ou à noite) sejam alimentos de verdade. De resto, eu acredito não ter tanto problema assim. Essa é a opinião pessoal minha. Qual é a sua?

Dr. Souto: É exatamente a mesma opinião. Eu não sou contra o café da manhã. Sou contra a má ciência. Fico irritado quando vejo estudos observacionais dando na manchete fazendo de conta que tem uma relação de causa e efeito que não existe. Eu não fico chateado que ninguém coma café da manhã. Eu às vezes consumo alimentos de manhã e às vezes não. Depende se eu vou ter que trabalhar muito cedo naquele dia. Mas às vezes não tenho fome às 6 da manhã, aí não tomo café da manhã. Agora, se é um dia no qual tenho uma agenda mais tranquila, com uma manhã livre, eu preparo um bolo de caneca com coco, ovo… Faço um café e leio jornal… Para mim é mais uma questão de tempo e horário. Eu conheço pessoas tanto na vida social quanto pacientes em consultório. Tem gente que não concebe sair para a rua sem comer alguma coisa – e essas pessoas devem comer alguma coisa. Como o Rodrigo disse, comam um negócio baseado em comida de verdade, de preferência low carb. E tem pessoas que odeiam comer de manhã e quase me dou um abraço quando eu digo que não precisa. “Quer dizer que não preciso? Que maravilha! Eu me forçava a comer!” É ridículo isso. É uma orientação ridícula baseada em estudos observacionais cheios de fatores de confusão, por uma entidade que tem uma tradição de fazer exatamente isso.

Rodrigo Polesso: Eu me converti… No passado eu costumava comer café da manhã. Eu comia ovos e bacon praticamente todos os dias no café da manhã. Mas há vários anos eu não como mais café da manhã e para mim hoje, é um esforço começar a comer. A minha opinião pessoal a respeito da frequência… Eu acho que no mínimo dar 12 horas de folga para o organismo tende a ser positivo para a maior parte das pessoas. Você pode fazer jejum intermitente ou não, mas dar no mínimo 12 horas de folga para seu organismo no comendo, incluindo as horas de sono, me parece algo sensato a se fazer. Já falamos demais sobre jejum intermitente aqui no podcast.

Dr. Souto: Mesmo que a pessoa queira ter um intervalo de 12 horas sem comer, ela pode jantar às 12 horas e tomar um café da manhã às 8, por exemplo.

Rodrigo Polesso: Sim, também é possível.

Dr. Souto: Tomar café da manhã ou não é uma opção. Não tem um estudo com base de evidência realmente forte que indique que ele seja necessário. E existem estudos com base de evidência forte mostrando que ele pode não apenas não ser necessário, mas que pode ser até interessante não comer se a pessoa já não come. É muito barulho por nada. É um negócio baseado em estudos observacionais no qual não chegamos à conclusão alguma. Quem gosta, coma café da manhã. Quem não gosta, não precisa comer.

Rodrigo Polesso: Batido o martelo. Esses são os fatos, pessoal. Espero que tenha sido útil para vocês. Ganhar uma clareza mental maior sobre esse assunto. O próximo assunto que quero cobrir de forma mais rápida é um estudo publicado no jornal europeu de nutrição clínica em 2015. Eles perguntaram qual seria o melhor tratamento dietético para diabéticos tipo 2 – seria a dieta paleo ou a dieta recomendada pela Associação Americana do Coração? Esse foi um ensaio clínico randomizado com 25 pacientes com diabetes tipo 2 de 50 a 69 anos – pessoas com uma idade mais avançada, obesos e com diabetes tipo 2. Ele não foi um estudo muito bom e vou contar o porquê. Mesmo assim, achei interessante trazer essas informações para vocês. Do que consistiu a dieta paleo segundo eles no estudo? Carne, peixe, frango, ovos, frutas, legumes, nozes, óleo de canola, maionese e mel. Essa a dieta paleo segundo eles. Isso não foi o pior de tudo. A composição dos macronutrientes foi 62% carboidratos (mais ou menos 400 gramas de carboidratos por dia), 15% gordura e 23% proteína. Essa proporção foi basicamente a mesma no outro grupo que fez a dieta recomendada pela Associação Americana de Cardiologia. Ou seja, a dieta paleo que eles usaram para fazer esse estudo está muito longe de ser uma dieta paleo otimizada (na minha opinião) que inclui óleo de canola, maionese e mel, além de ter 62% de carboidrato. Não é low carb nem de longe. A outra dieta que foi utilizada em comparação teve os carboidratos provindos de macarrão, pão, leguminosas, arroz, iogurtes sem gordura, grãos integrais. É aquela dieta “saudável” que os governos tendem a passar para a população. Os grupos fizeram três refeições principais por dia mais três lanches. Ou seja, fizeram 6 refeições – aquela questão de comer de 3 em 3 horas. Por isso que eu digo que é um ensaio clínico randomizado, mas não é de alta qualidade por causa dos defeitos no design dele na minha opinião. As conclusões dele foram as seguintes: “Até mesmo com o consumo de curto prazo de uma dieta do estilo paleolítica, isso mostrou aumentar o controle da glicose no sangue e o perfil lipídico em pessoas com diabetes tipo 2 comparando-se com uma dieta convencional moderada em sal, baixa em gordura e rica em grãos e leguminosas.” É basicamente isso que diz esse estudo. Ele mudou a qualidade da dieta em pessoas em estado crítico, com diabetes tipo 2, com idade mais avançada (de 50 a 69). Eles mudaram a qualidade e tentaram manter a quantidade calórica equivalente para as pessoas não perderem peso só por isso… Melhorarem de perfil lipídico e glicose. Então, tentaram manter a quantidade calórica idêntica. É mais um estudo que mostra que o ideal é modificar a qualidade do que você come, mesmo de forma bem aquém do que eu acharia ser a correta. Você vê que, mesmo em curto prazo, o seu corpo começa a se curar e você vê resultados positivos de controle de glicose e perfil lipídico – mesmo com uma dieta com 62% de carboidratos. É interessante, Dr. Souto, apesar dessa definição de dieta paleo meio bizarra.

Dr. Souto: O segredo de você mostrar que uma coisa funciona é escolher bem o grupo controle. Quando o grupo controle é a pior dieta possível, seja lá o que for que a gente compare ficará bom. Um exemplo clássico disso é um estudo muito mais bem feito, que é o Predimed. Foi um estudo publicado no New England há uns anos atrás. Foi um estudo com 7500 pacientes randomizados para dieta mediterrânea com mais gordura ou dieta de baixa gordura. A intervenção da dieta mediterrânea foi “fraca”. Não era low carb, era simplesmente as pessoas consumirem mais azeite de oliva, mais nozes e castanhas, tomar um vinho. Para ser pior que o grupo de controle low fat só se tivesse um grupo com plutônio na dieta. É um negócio cheio de pães, cheio de grãos, cheio de coisa low fat, margarinas e etc.. É evidente que esse grupo vai morrer mais. Eu não estou com o estudo na frente, o Rodrigo me pregou uma peça. Ele leu o estudo e não me mandou. Sacanagem. Veja como mesmo modificações pequenas podem ter impacto. Isso ajuda a referendar aquela coisa que sempre falamos aqui: o ótimo não pode ser inimigo do bom. O negócio deu um resultado mesmo com canola…

Rodrigo Polesso: Maionese, mel e 62% carboidrato.

Dr. Souto: Só de tirar pão, farináceos, açúcar, refrigerante… Já teve resultado. Com as mesmas calorias. As vezes o pessoal fica muito preocupado… “Não tem como fazer essa dieta, porque não consigo comprar um salmão que não seja do Alasca”. Mesmo com canola, mel, 62% de carboidrato e mantendo a calorias teve benefício. O que nós estamos propondo, que é muito superior a isso em termos de qualidade e potência da intervenção, tem tudo para dar certo – mesmo que o frango seja o normal do supermercado ou o peixe tenha vindo de piscicultura. Não podemos nos perder em todos os detalhes. As intervenções são benéficas mesmo quando não são perfeitas. Mesmo quando elas bastante imperfeitas, conforme esse estudo mostrou.

Rodrigo Polesso: É bom enfatizar isso o que você falou da questão do “eu não consigo comprar orgânicos”, “esse salmão selvagem é caríssimo no Brasil”. O menor passo que você der na direção certa faz diferença. Cada pequeno passo que você dá acaba tendo um efeito de bola de neve. O efeito no final é muito maior do que você pode imaginar. Parar de comer aquele biscoitinho que você come depois do almoço pode ajudar. Qualquer passo que você dá na direção certa pode ser positivo para você. Em vez de ficar chorando, o que você consegue melhorar com base no que você está fazendo agora? Qual é o menor passo que você consegue melhorar? Faça isso primeiro, depois passe para o próximo. O importante é a tendência, a direção em que você está indo e não pular para a última página do livro direto. Acho que essa é uma mensagem importante para passar para as pessoas também. Dr. Souto você lembra o que você comeu de almoço? Você deve estar com fome para jantar já…

Dr. Souto: É interessante. Agora são 9:15. A última coisa que eu comi foi 12:30. Eu confesso que lá pelas 8 eu estava com um pouco de fome. Agora, se eu não comece nada e fosse dormir… Talvez eu faça isso. Nesse momento é um jejum involuntário. Eu não estava fazendo jejum intermitente, é só porque trabalhei até mais tarde. Mas a fome costuma vir nos horários em que estamos acostumados a comer. Depois ela passa. Essa é a experiência de todo mundo que já fez um jejum intermitente. Enfim, hoje eu almocei fora. Almocei num restaurante de buffet, que tem aqui perto do meu consultório. Eu comi um monte salada, porque ali tem saladas muito boas e variadas. Eu comi um pedaço de peixe, um pedaço de frango e foi isso aí meu almoço. Frango, peixe e um monte de salada.

Rodrigo Polesso: Legal. Na semana passada eu falei sobre a questão de fome e gula – fome fisiológica e fome emocional. Uma das características da fome fisiológica… Normalmente vem nos horários nos quais você está acostumado. Outra coisa importante é que ela vem em ondas. É uma onda que vem lenta e depois passa se você não comer. Não é aquela coisa que te deixa de mal humor, radical, impactante como uma gula ou fome emocional, que surge do nada. A fome natural vem devagar, sinalizando que poderia ser um horário bom para comer e depois vai embora se você não comer. Talvez você nem perceba que não está mais com fome. É uma diferença interessante entre gula e fome fisiológica.

Dr. Souto: A fome desesperada é um negócio que faz muito tempo que não conheço. Eu comeria alguma coisa agora, mas se não tivesse comida em casa, eu diria, “amanhã eu vejo.” Estou mais cansado do que com fome. No passado, (pré low carb) jamais isso aconteceria. Isso muda. Não há dúvida. Para mim, é uma experiência muito interessante.

Rodrigo Polesso: Eu acho que as pessoas acabam se induzindo a se sentirem fracas e mal… “Estou sem comer desde o almoço”… Nem é seu corpo que está fraco, mas você tem esse pensamento de que precisa comer de 3 em 3 horas e acaba induzindo uma sensação de cansaço e fome.

Dr. Souto: É o efeito Nocebo. É o primo malvado do Placebo. Eu acredito que algo vai fazer mal e aí me sinto mal porque acredito. Uma vez que derrubamos o mito, entende e estuda, aí não nos sentimos mal se tivermos que fazer uma atividade física… Não vai ficar tonto. Já sabemos que isso é mito.

Rodrigo Polesso: Mais o mais importante a respeito de Nocebo e Placebo é o “sebo”, que é saudável. Eu também comi fora. Eu comi uma ripa de costelinha de porco. Ponto negativo e positivo ao mesmo tempo. Positivo psicologicamente e negativo para meu corpo. Tinha um molho barbecue que sabe Deus do que foi feito. Mas estava uma delícia, com brócolis.

Dr. Souto: Se o pessoal do ensaio clínico teve bons resultados comendo mel e 60% de carboidratos, acho que esse açúcar no seu molho barbecue está desculpado porque é só hoje.

Rodrigo Polesso: Exato. Não faz parte da minha janta diária. É isso aí, pessoal. Fechamos o podcast de hoje. Esperamos que tenha sido útil para você, como sempre. Quer se juntar à Tribo Forte? Entre em TriboForte.com.br e tenha acesso àquele mar de informação que tem lá dentro. É atualizado sempre. E também acesso ao fórum para fazer parte da nossa família da Tribo Forte. É isso aí. Dr. Souto, um grande abraço para você. A gente se vê na próxima semana.

Dr. Souto: Abraço. Abraço a todos.

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Emagrecer de Vez

Por que você deveria lavar toalhas de banho com mais frequência do que imagina

BBC

Cientistas afirmam que as toalhas que usamos diariamente para secar mãos, rosto ou todo o corpo são locais de cultivo de todo tipo de bactérias e fungos

Toalhas também podem acumular micróbios que estão presentes no próprio banheiro

Toalhas também podem acumular micróbios que estão presentes no próprio banheiro

Foto: Shutterstock

Não há dúvida que todo mundo adora sair do banho e se secar com uma toalha macia, felpuda e, principalmente, limpa. Mas, além do prazer de uma toalha perfumada, existe mais uma razão para se preocupar com a questão da limpeza: os fungos e bactérias.

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Cientistas afirmam que as toalhas que usamos diariamente para secar mãos, rosto ou todo o corpo são locais de cultivo de todo tipo de bactérias e fungos, além de acumularem células de pele morta e secreções salivares, anais e urinárias.

Para piorar, as toalhas também podem acumular ácaros e outros agentes prejudiciais à saúde. Esses pedaços de tecido são ambientes ideiais para a proliferação de tudo isso, pois têm muitas das condições indispensáveis para garantir a vida dos micróbios, entre elas água, temperatura alta e oxigênio.

Na toalha e no corpo

Nosso corpo também apresenta estas condições ideais para bactérias e fungos – nós estamos cobertos de microorganismos dos pés à cabeça. Desta forma, quando você se seca com a toalha, os micróbios e secreções de nosso próprio corpo ficam depositados no tecido.

Os resíduos celulares, junto ao oxigênio do ambiente, servem de alimento para os micróbios. E a umidade constante do banheiro favorece sua sobrevivência e reprodução. A maioria dos micróbios provavelmente não vai causar nenhum problema, já que eles estão saindo de nosso próprio corpo. Mas eles estão ali, na toalha, se multiplicando rapidamente…

E tudo muda se você compartilha toalhas: neste caso, o corpo fica exposto aos micróbios do outro. E o pior é que as toalhas também podem acumular micróbios que estão presentes no próprio banheiro.

Cama e mesa

Durante muito tempo, o conselho foi de trocas semanais como uma forma de evitar infecções

Durante muito tempo, o conselho foi de trocas semanais como uma forma de evitar infecções

Foto: Shutterstock

Estudos realizados em hospitais confirmam que as toalhas e os lençóis são veículos para a disseminação de vírus e bactérias. Apesar de, comparativamente, residências não serem ambientes de alto risco, é certo que as toalhas podem se transformar em um problema.

Uma pesquisa realizada pela revista Women’s Health em 2015 sugeriu que 44% das mulheres ouvidas trocavam os lençóis e toalhas uma vez por semana. Mas 47% faziam isso duas vezes por mês ou menos.

“Não há dados científicos para determinar com exatidão com qual frequência devemos trocar lençóis e toalhas”, disse à BBC a cientista Sally Bloomsfield, especialista em doenças infecciosas e consultora do Fórum Científico Internacional de Higiene do Lar.

Porém, acrescenyta a especialista, há provas de que existem riscos de infecção dentro de casa. São desde infecções na pele até uma variedade de doenças como as causadas por bactérias Escherichia coli ou Staphylococcus aureus.

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E aí surgem as dúvidas de como minimizar estes riscos. Em primeiro lugar Bloomsfield desaconselha o compartilhamento de toalhas, especialmente as toalhas de mão, assim como outros objetos relacionados à higiene pessoal. “Os tecidos úmidos são um refúgio especial para organismos prejudiciais”, alertou a pesquisadora.

Quanto ao intervalo para substituir as toalhas, durante muito tempo o conselho foi de trocas semanais como uma forma de evitar infecções. Mas agora os cientistas acreditam que até uma semana é tempo demais para usar uma toalha.

“Se você consegue secá-las completamente, não deve usá-las mais do que três vezes. Este é o máximo”, aconselha Philip Tierno, microbiólogo e patologista da Escola de Medicina da Universidade de Nova York em uma entrevista para oBusiness Insider.

Tudo seco

Especialistas recomendam secar as tolhas ao ar livre sem que preciso para evitar cultivo de fungos e bactérias

Especialistas recomendam secar as tolhas ao ar livre sem que preciso para evitar cultivo de fungos e bactérias

Foto: Shutterstock

A chave, segundo os especialistas, é que entre um uso e outro a pessoa consiga secar a toalha completamente. Algo que nem sempre acontece em espaços sem janelas ou com pouca ventilação – por exemplo, se a porta do banheiro onde a toalha fica pendurada fica fechada.

“Bactérias e mofo começam a se acumular, mas seu crescimento é freado à medida que a toalha seca”, explicou Kelly Reynolds, professor de saúde ambiental da Universidade do Arizona.

Bloomsfield, por sua vez, é mais radical: acredita que, em uma situação ideal, as pessoas deveriam lavar as toalhas depois de cada uso. Se isso não for possível, “é preciso enxaguá-las imediatamente depois do uso e secar muito bem a toalha”.

Para acabar com os microorganismo, é preciso enxaguar a toalha com água a 60 graus. Ou, caso a água esteja em uma temperatura mais baixa que esta, usar detergentes que incluam agentes branqueadores que tenham como base o oxigênio.

Também ajuda usar uma pequena dose de vinagre branco para evitar o cheiro de umidade e, em seguida, lavar a toalha com o sabão que geralmente é usado na casa. E, se possível, o melhor é secar as toalhas ao ao livre. Bloomsfield afirma que, na dúvida, é melhor lavar demais do que de menos.

Os especialistas também apontam para um sinal de alerta: o cheiro de umidade na toalha é sinal de que os micróbios estão se multiplicando no tecido – é preciso jogá-la na máquina de lavar roupas o mais rápido possível.

Saúde: bem-estar, dicas de alimentação, dieta e exercícios – iG

TRIBO FORTE #043 – AÇÚCAR AÇUCARADO COM AÇÚCAR (AMIGO OU INIMIGO?)

Bem vindo(a) hoje a mais um episódio do podcast oficial da Tribo Forte!

Os podcasts são 100% gratuitos e episódios novos saem todas as terças-feiras.

Certifique-se de colocar seu email aqui em cima do site para ser avisado das novidades e de futuros podcasts.

No Episódio De Hoje:

Parece que nós não conseguimos fechar esse tópico porque mais e mais coisas continuam acontecendo.

Está rolando uma batalha de foice nos bastidores na nutrição em relação a toda essa questão do açúcar.

Seria ele tão terrível e tóxico ao nosso corpo mesmo ou talvez não tão ruim assim?

Acho que você vai gostar deste episódio.

Além disso, outra novidade que falamos no episódio: pizza agora é um vegetal!

Escute o podcast e desvende esse mistério 🙂

Lembrando: Você é MEMBRO VIP da Tribo Forte ou ainda está de fora? Tenha acesso a receitas simples e deliciosas diariamente, artigos internacionais traduzidos diariamente, fórum de discussão, documentários legendados e MUITO mais! Não fique de fora e se junte a este movimento agora mesmo, clicando AQUI!

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Ouça o Episódio De Hoje:

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Para baixar este episódio, clique aqui com o botão direito e escolha “Salva Como…”

Quer Emagrecer De Vez? Conheça o programa Código Emagrecer De Vez

Logo-Banner-quadrado1Abaixo eu coloco alguns dos resultados enviados pra mim por pessoas que estão seguindo as fases do Código Emagrecer De Vez, o novo programa de emagrecimento de 3 fases que é o mais poderoso da atualidade para se emagrecer de vez e montar um estilo de vida alimentar sensacional para a vida inteira.

Este programa é 100% baseado na melhor ciência nutricional disponível hoje no mundo.

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Alguns dos resultados REAIS de membros que estão finalizando os primeiros 30 dias do programa Código Emagrecer De Vez.

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Quer seguir o Código Emagrecer De Vez você também? Clique AQUI e comece HOJE!

Referências do Episódio

 

Estudo do Robert Lustig com crianças fazendo substituição de açúcar por amido

Artigo do New York Times sobre a guerra do açúcar

A fatídica review atacando as diretrizes que sugerem a redução no consumo do açúcar

Pizza é um vegetal

Transcrição do Episódio

Rodrigo Polesso: Esse é um podcast especial, porque estou tomando uma coisa diferente. Estou tomando caldo de osso em pó. Tem um produto novo de uma empresa chamada Ancient Nutrition. Eles pegaram o caldo de osso e tentaram deixar de uma forma mais prática para as pessoas. É quase um Whey Protein, mas é a proteína do caldo de osso em pó. Você pode colocar na caneca e degustar. O meu é de sabor açafrão… Muito gostoso, bastante interessante. É uma coisa nova para esse podcast aí. Você está ouvindo o podcast oficial da Tribo Forte, com o Rodrigo Polesso e o Dr. José Carlos Souto. Assuntos como emagrecimento, saúde, alimentação e estilo de vida são tratados de forma imparcial doa a quem doer. Para se tornar um membro da Tribo Forte, entre em TriboForte.com.br. Bem-vindo! Você está ouvindo o podcast oficial da Tribo Forte, de número 43. Estamos no final do ano… Estamos gravando logo antes do Natal. Dr. Souto, bem-vindo ao podcast. Tudo bem?

Dr. Souto: Tudo bem, Rodrigo? Boa tarde. Boa tarde aos ouvintes.

Rodrigo Polesso: Ótimo. O pessoal está no ânimo natalino. O pessoal não quer nem ouvir falar em perder peso ou em comer pouco. Eu noto isso todos os anos, na verdade… O movimento do site, o movimento dos produtos, dos programas… Tudo fica baixo nessa época do ano. Mas adivinha o que acontece depois da virada? Obviamente aumenta bastante. O comportamento humano é dessa forma. Eu concordo… Durante a ceia de Natal não é o dia do ano para se pensar em emagrecer. Tem que aproveitar também essas situações. O assunto de hoje… Não conseguimos fugir desse assunto. Ele está o tempo todo nos perseguindo. Ele é muito importante: o açúcar. Vamos falar de novo sobre açúcar. Se não me engano, esse é o terceiro podcast em que falamos sobre açúcar. Tem coisa nova sobre açúcar nesse podcast. Acho que você precisa ouvir, afinal, o açúcar está se revelando como um dos maiores vilões da nutrição, um dos grandes inimigos da nossa saúde (da saúde pública também). Falaremos sobre dois assuntos novos sobre esse tópico. Teremos a pergunta da comunidade… É um assunto em que o pessoal vai ter interesse também, que um assunto diferente do açúcar. Antes de pular para esse assunto, vale o lembrete: todo o evento da Tribo Forte 2016 e todas as palestras editadas estão dentro do portal Tribo Forte. Lá também tem mais de 200 receitas… Mais receitas continuam sendo adicionadas diariamente, além de muitas outras coisas. Quem ainda não é membro, convido vocês a participar em TriboForte.com.br. Lá você pode se tornar membro, ser um assinante e fazer parte dessa família sensacional. Tenha acesso a esse universo de informação que te ajuda a implantar, implementar e manter o estilo de vida saudável para o resto da sua vida. Vamos para a pergunta da comunidade de hoje. A pergunta vem da Alessandra. Eu acho que muita gente quer saber essa resposta. Ela fala o seguinte: “Muito bom acompanhar esses podcasts! E o jejum intermitente para quem tem hipotireoidismo? Pode, não pode? Tem restrições?” Vou passar a bola para o Dr. Souto dar o pitaco dele.

Dr. Souto: Nós abordamos certa vez especificamente a restrição de carboidratos e a tireoide. O mesmo se aplica ao jejum. O raciocínio é o mesmo. A grande maioria das pessoas que tem hipotireoidismo, é por causa de tireoidite (doença de Hashimoto). É uma doença autoimune na qual existe um ataque ao sistema imunológico da pessoa à sua tireoide. Quando finalmente a pessoa chega a desenvolver hipotireoidismo é porque uma boa parte da tiroide já foi destruída. O tratamento para isso é a reposição de hormônio tiroideu, geralmente para o resto da vida (porque já houve um destruição da tiroide). Nós também tratamos em algum outro podcast sobre isso… Um estudo com cento e tantos pacientes em que uma dieta low carb (com restrição de uma série de coisas que os autores achavam que poderiam afetar a permeabilidade intestinal como laticínio, sementes e glúten) mostrou um melhora no que diz respeito à doença de Hashimoto – ou seja diminuiu o ataque autoimune à tiroide. Mas, a maioria das vezes… Uma pessoa que tem hipotireoidismo… O Hashimoto já destruiu boa parte da tiroide dessa pessoa… Ela já está usando reposição hormonal para sua tiroide. Se ela fizer jejum ou não… Se ela fizer low carb ou não… Não muda nada. Ela já está repondo o hormônio tiroideu. Ela já está usando na forma de um comprimido. A pergunta surge todo santo dia lá no blog… O motivo é que uma única blogueira paleo postulou a ideia de que low carb pode levar a uma disfunção da tireoide. O Jason Fung também comentou sobre essa mesma blogueira. Ele disse que as pessoas que falam sobre isso não usam referências bibliográficas de estudos científicos, mas sim ao blog dessa pessoa. Aparentemente, o que vemos na prática é que pessoas com restrição alimentar muito grande (que estão fazendo uma dieta cetogênica com uma diminuição significativa das calorias) é uma resposta adaptativa do organismo diminuir um pouco o metabolismo. A pessoa está comendo muito pouco. Parte disso significa que a tireoide dá um regulation… A tireoide funciona um pouco menos porque o corpo está desacelerando, já que a pessoa está numa dieta muito restrita. Uma pessoa que faça jejuns prolongados muito seguidos (e coma pouco entre esses jejuns), com uma dieta muito restritiva, pode ter uma redução da função da tireoide, assim como terá uma redução da temperatura corporal e uma redução da taxa metabólica basal. Isso é uma resposta adaptativa.

Rodrigo Polesso: Isso seria diagnosticado como hipotireoidismo pelo médico (essa baixa no metabolismo)?

Dr. Souto: Eu vejo que não. Eventualmente poderia ser diagnosticado por um médico que não tem experiência com isso… Um paciente chega lá e não coloca esse contexto para o médico. O médico pede os exames e vê que o TSH está elevado e o T3 está baixo. Mas isso é uma resposta adaptativa que muda no momento em que a pessoa volta a comer mais comida, mais calorias ou aumentar um pouco os carboidratos. Isso não é uma coisa definitiva. A pessoa não desenvolve Hashimoto, que é uma doença autoimune, porque fez jejum. A grande confusão que as pessoas fazem é: esta blogueira americana colocou medo nas pessoas de que elas vão criar uma disfunção permanente na sua tireoide por fazer low carb, cetogênica ou jejum. Aí, um monte de pessoas que têm disfunção na tireoide porque tem doença de Hashimoto… que não tem nenhuma ligação com essas coisas… é uma doença autoimune… São pessoas que já têm hipotireoidismo já tratado e corrigido pela reposição diária de hormônio tiroideu e ficam com medo de fazer jejum ou uma dieta de baixo carboidrato. Essa é a confusão. Para tentar resumir tudo isso que eu falei: a dieta não vai piorar o hipotireoidismo da grande maioria das pessoas, porque a grande maioria das pessoas têm hipotireoidismo por uma doença autoimune – isso não tem nada a ver com carboidrato na dieta, com cetogênica ou com jejum. Para aquelas pessoas que estão fazendo uma dieta muito restritiva, comendo poucas calorias, fazendo uma dieta muito severa, e por isso têm uma depressão da função da tiroide… Se elas além disso começarem a fazer jejuns prolongados, talvez deprima anda mais a função da tiroide. Mas essa, geralmente, é uma pessoa que já está a caminho de um transtorno alimentar.

Rodrigo Polesso: Já está fazendo a coisa errada.

Dr. Souto: Veja bem, nada disso é irreversível. Basta comer mais. Basta fazer uma dieta menos restritiva. Assim como todo o resto vai normalizar, a função da tiroide também vai. Não é uma disfunção tiroideia, é uma regulagem adaptativa da tiroide. Como na época em que os carros tinham carburador… As pessoas diziam “tem que regular a marcha lenta”. Quando a pessoa fazem uma dieta muito restritiva, o carro regula a marcha lenta para baixo. Mas isso é adaptativo, isso não é uma doença. O Hashimoto é uma doença autoimune.

Rodrigo Polesso: Acho que uma palavra-chave para adicionar nesse assunto é: autoimune. Quase toda doença autoimune pode ter a atenção voltada para o intestino… que é quando seu sistema imunológico está reagindo contra tecidos do seu corpo. Isso sempre volta para a questão do intestino, porque 70% ou 80% (ou até mais) do seus sistema imunológico está no seu intestino. Se ele não estiver bom, ele pode deixar passar coisas que vão reagir com o sistema imunológico. Isso vai piorando e acaba reagindo com tireoide e outras glândulas do corpo.

Dr. Souto: Naquela série de casos o tipo de dieta utilizada que estava associada à melhora da função tiroideia em pessoas com tireoidite Hashimoto era uma dieta bem low carb… Mostrando que, naquele estudo, a restrição de carboidratos não leva ao problema da tiroide. Por que a tiroide melhorou naquelas pessoas? Porque eles tiraram coisas que alterar a permeabilidade intestinal e podem piorar doenças autoimunes. Quando tiramos glúten, especialmente, existe a possibilidade de doenças autoimunes melhorarem. Se uma dieta low carb fosse realmente piorar a função da tiroide das pessoas, naquele estudo elas teriam piorado e não melhorado. Eles estavam fazendo uma dieta pobre em grãos, mas pobre em carboidratos também.

Rodrigo Polesso: Não faria sentido evolutivo se uma dieta baixa em carboidrato causasse problemas na tiroide. Tem várias coisas que apontam para o lado contrário, mas o mar de informação suporta o ado bom disso. Basta uma pessoa falar o contrário que toda a atenção cai nessa pessoa. Mas o blog não conta como evidência. Ótimo, fechamos esse assunto. Dr. Souto, vamos partir para o primeiro tópico. É um estudo que o Robert Lustig falou… O Robert Lusting fez aquele vídeo “Sugar, the Bitter Truth” que mais de 1 milhão de pessoas já viu no YouTube. Ele é um grande advogado contra o açúcar. Ele é a favor de regular o açúcar. Ele fez um estudo bastante interessante que abre a porta para o nosso segundo assunto, que também tem a ver com açúcar. Vou ler um resumo sobre esse estudo que ele fez. É um estudo publicado e outubro de 2015, então é novo. O estudo foi conduzido por ele, Robert Lustig. Ele analisou 27 crianças latinas e 16 afro-americanas. Todas elas tinham obesidade e síndrome metabólica. O objetivo do estudo era saber se a redução do consumo de açúcar poderia ter benefícios nos marcadores de saúde mesmo sem se reduzir as calorias da dieta. O que eles fizeram foi: reduzir o consumo de açúcar dessas crianças de 28% (que era o normal que elas estavam consumindo) para 10% na dieta, mantendo as calorias iguais.

Dr. Souto: Olha que coisa absurda: 28% das calorias dessas crianças eram oriundas de açúcar! Quase um terço das calorias totais consumidas em 24 horas por essas crianças eram açúcar.

Rodrigo Polesso: Não é um mistério porque elas eram obesas e com síndrome metabólica. Eles diminuíram de 28% para 10%, mantendo o mesmo número de calorias. Eles substituíram esse açúcar por amido… Não sugerimos isso, mas não era açúcar refinado, mas sim amido como batata. Essa intervenção durou 10 dias. Vamos ver alguns resultados. A glicose em jejum dessas crianças diminui 6%. Não é tanto assim, mas diminuiu um pouco – afinal, eles estavam comendo amido e outros carboidratos, então a glicose não vai baixar tanto. O LDL já diminuiu em 13% em 10 dias. A insulina em jejum diminuiu 53%. Os triglicerídeos caíram 46% em 10 dias. Esse estudo sugere que os efeitos danosos do açúcar e frutose (especificamente) são independentes dos seus valores calóricos ou efeitos que ele tem no peso. Ou seja, o açúcar é tóxico por si só. Quando falamos de açúcar, estamos falando de açúcar refinado (metade glicose e metade frutose). Apesar de simples, é um estudo que coloca a pulga atrás da orelha.

Dr. Souto: É um estudo fascinante por vários motivos. Um deles é que o primeiro (que eu conheço) que realmente testou a hipótese de se o problema era o açúcar, dos carboidratos ou das calorias. O Lustig fez questão de manter as calorias iguais. Ele também fez questão de manter a quantidade total de carboidratos. Então, esse não é um estudo de dieta low carb. Ele é um estudo de dieta high carb. Ele simplesmente substituiu o açúcar por amido. Não é o que a gente faria e nem é o que ele (Lustig) propõe. Isso é um estudo científico para isolar o efeito do açúcar. Ele há muito tempo propõe que o açúcar é especialmente tóxico… que o açúcar é mais tóxico do que o amido. O açúcar é sacarose – 50% glicose 50% frutose. Das 28% de calorias que essas crianças consumiam na forma de açúcar, metade é frutose pura. Quando comemos amido, mesmo que seja farinha de trigo, batata ou arroz, aquilo é 100% glicose. O amido é só glicose. A genialidade do estudo é isolar a questão açúcar versus amido. A única diferença entre o açúcar e o amido é a frutose. Será que a frutose em si é pior do que a glicose em geral? A resposta parece ser um inequívoco “sim”. Comer essa quantidade de carboidrato é ruim, mas quando essa quantidade de carboidrato é de açúcar, é muito pior. Então, simplesmente diminuir a quantidade de açúcar na dieta… mesmo que não seja uma dieta low carb, ou mesmo que esse açúcar seja substituído por amido… É evidente que se ele tivesse substituído os carboidratos por proteínas, gorduras e vegetais, o resultado teria sido infinitamente melhor. Mas até as pedras sabem disso em 2016. O Lustig não tem dúvida de que uma dieta low carb é a melhor solução. O objetivo desse estudo não era esse. O objetivo era mostrar que o açúcar é pior do que o simples carboidrato, do que o simples amido. O açúcar realmente é um negócio do demônio.

Rodrigo Polesso: É para mostrar que o açúcar, independente de todo o resto é uma toxina por si só. Independente do resto que você faz, se você tirar o açúcar da sua dieta você estará fazendo bem para seu corpo. Acho que essa é a mensagem mais forte desse estudo. Ele vem há muito tempo falando da frutose especificamente… do high fructose corn syrup (o xarope de milho). Ele é 55% frutose 45% glicose, então é pior ainda. Ele veio para mostrar que independente de todos os aspectos o açúcar em si é tóxico para o corpo. Isso é muito bom de se saber. Mas não é todo mundo que aceita uma mensagem dessas de braços abertos. É disso que vamos falar agora. O segundo assunto é um ótimo artigo postado no New York Times no dia 19 de dezembro. Está rolando uma guerra de faca entre o pessoal pró açúcar, o pessoal contra o açúcar e o pessoal que não quem nem falar em açúcar. Eu vou ler alguns pontos para sumarizar o que está acontecendo. Depois podemos discutir um pouco mais sobre isso. Um jornal proeminente, o Annals of Medicine publicou na segunda-feira um ataque às diretrizes mundiais de se consumir menos açúcar. Segundo uma revisão publicada nesse jornal, os avisos para se cortar o açúcar são baseados em evidências fracas e não são confiáveis. O New York Times fala: “Essa revisão foi paga pelo International Life Sciences Institute, um grupo científico baseado em Washington patrocinado por corporações multinacionais de alimentos e agrotóxicos incluindo a Coca-Cola, General Mills, Hershey’s, Kellog’s, Kraft e Monsanto. Um dos autores dessa revisão é membro do conselho científico da Tate & Lyle um dos maiores fornecedores de high fructose corn syrup do mundo”. “Um reporte de setembro passado mostrou que esses esforços da indústria em desbancar a boa ciência começou na década de 60, quando a indústria do açúcar pagou cientistas para criarem dúvidas sobre a ligação entre o açúcar e doenças cardíacas, promovendo a gordura saturada como culpada. Mais recentemente, o New York Times viu que a Coca-Cola tem patrocinado cientistas que também estão subestimando a conexão entre açúcar e obesidade. A The Associated Press reportou em junho desse ano que a indústria alimentícia pagou por estudos que diziam que crianças que comem doces pesam menos. No ano passado, a Organização Mundial da Saúde disse que adultos e crianças devem restringir o consumo de açúcar para 10% das suas calorias diárias. A Organização Mundial da Saúde disse que se apoiou nas mais novas evidências científicas que mostram que adultos e crianças que consomem bastante açúcar são mais propensos ao ganho de peso e a se tornarem obesos. O Perry Popkin, que é professor de nutrição na Universidade da Carolina do Norte, disse que ficou chocado com essa revisão contra essas diretrizes foi até publicada, já que seus autores ignoraram centenas de ensaios clínicos randomizados que documentam os perigos do açúcar. Ele diz que eles ignoraram dados reais, criaram falsas medidas e, de alguma forma, conseguiram passar pelo processo de revisão.” O coordenador da revisão diz que: “Essa revisão questiona as recomendações sobre o açúcar, mas não deve ser usada para justificar o aumento do consumo de açúcar e alimentos açucarados e bebidas adoçadas.” Para complementar, o Darius Mosafian, um cardiologista americano, diz o seguinte: “É injusto apontar somente o açúcar e não os carboidratos refinados. Eu gostaria de ver recomendações para se limitar tanto o açúcar quanto carboidratos refinados. Porém, ambos constituem metade das calorias nos alimentos de hoje.” Você acha que a indústria vai facilitar isso? Resumindo… Uma revisão nova postada num jornal conceituado vem dizer que essas novas recomendações que sugerem que as pessoas cortem o açúcar um pouco é infundada em evidência científica. É a indústria do açúcar tentando pressionar e criar dúvidas nas mentes das pessoas de que açúcar faz mal. Eles têm muito poder de mídia, poder de persuasão. O que você acha que está acontecendo… Quais são os pontos positivos e negativos dessa briga?

Dr. Souto: A indústria já faz esse tipo de coisa há décadas. Foi publicado esse estudo com cartas que foram descobertas mostrando que a indústria pagou em cash diretamente para pesquisadores da Escola de Saúde Pública de Harvard para publicar uma revisão dizendo que o açúcar não tinha problema e que o problema era a gordura saturada (nos anos 60). É preciso que as pessoas entendam que isso é uma coisa continuada. Estamos em 2016 e a mesma coisa está acontecendo. O positivo é que, pelo menos essa mídia mais diferenciada, como o New York Times, o Washington Post, a revista Time está abordando isso com um senso crítico que não existia há décadas atrás. Nos anos 60 era “Sugar Institute”… agora é o “International Life Sciences Institute” – é um nome completamente neutro. Quem é que dá fundo para eles? Coca-Cola, General Mills, Hershey’s, Kellog’s, Kraft, Monsanto… só peso pesado com todo interesse nesse tipo de coisa. Eles estão mais sutis, mudaram o nome, mas devem estar se arrependendo de terem feito isso dessa vez. Essa reportagem do New York Time botou como uma evidência negativa. Eles mostraram que é um absurdo que foi patrocinado, as conclusões e os ensaios clínicos randomizados vão contra. Eu imagine que há dez anos traz a notícia teriam saído assim: “Novo estudo mostra que o açúcar não está relacionado com a obesidade.” Agora eu acho que o tiro saiu pela culatra. Mas as coisas não são tão simples. Essa reportagem atual fala que mais recentemente o New York Times viu que a Coca-Cola estava dando fundos para cientistas. A Coca-Cola fez outro instituto chamado Global Energy Balance Network. “Energy Balance” significa balanço energético, ou seja, o balanço calórico. Eles fizeram uma organização global para dizer que tudo o que importa é o balanço calórico (quantas calorias entram e quantas saem). Se as pessoas acreditarem nisso, isso faz sentido: “Não interessa se é açúcar o que estou comendo, o que importa é o número de calorias. Desde que eu coma açúcar, mas faça exercícios, está tudo resolvido.” Veem como a indústria se sofisticou na sua mensagem? Esse mesmo Global Energy Balance Network conseguiu convencer a Michelle Obama a tentar parar de mudar a dieta das pessoas e se focar no exercício. Então, ela aparece em campanhas para que as crianças façam mais exercícios, para que hajam mais playgrounds para que as crianças possas se mover mais. Nada contra, acho um espetáculo as crianças se moverem mais. Mas isso não terá absolutamente nenhum efeito sobre a obesidade infantil. Todo mundo sabe disso… Tudo mundo que estuda sabe disso. Todo mundo que não acredita na Coca-Cola sabe disso. A criança gordinha faz tanto ou mais exercício do que as crianças que não são, porque ela está tentando emagrecer. Só que ela não consegue porque come 28% das suas calorias em açúcar. Mas é açúcar “saudável”, suco de fruta… Leite achocolatado com açúcar, mas desnatado e como não tem gordura é “saudável”. Nos Estados Unidos tem uma legislação que considera que pizza é um vegetal. Eles têm uma regulação que regula a merenda escolar. É a mesma legislação que impede leite integral (porque tem gordura) e permite leite achocolatado com açúcar (porque é desnatado). A mesma legislação diz que todas as refeições das crianças na escola precisam ter um vegetal, mas aceita pizza como um vegetal. Não é piada. Tem molho de tomate e tomate é um vegetal.

Rodrigo Polesso: Trigo é uma semente, é um vegetal…

Dr. Souto: Isso aí. A indústria faz o que pode… É importante as pessoas terem um senso crítico.

Rodrigo Polesso: Se formos falar mal do açúcar e dos carboidratos refinados, eles são metade das calorias dos alimentos de hoje. Quanto do supermercado constituem esses alimentos? Você acha que é fácil ser um cientista e enfrentar a fúria desses titãs da indústria? Não é.

Dr. Souto: Não é nem um pouco fácil. Eles não vão cair sem lutar.

Rodrigo Polesso: Não mesmo, mesmo que seja ridícula a luta deles como nesse caso. Só faltava a Time Magazine vir com um pirulito na capa falando: “É permitido”. Como fizeram com a manteiga e com os ovos no passado. Ainda bem que estão virando o jogo e ficando um pouco mais céticos. Eles ignoraram centenas de ensaios clínicos randomizados, que provam relação de causa e efeito dos danos do açúcar. Como uma revisão dessa diz que as diretrizes não são embasadas em evidências científicas? É por isso que a fúria está contra a revisão e contra o jornal por ter publicado isso.

Dr. Souto: Veja como nossos leitores estão adiantados na formação crítica. Nossos ouvintes e leitores já sabem muito bem o que é um ensaio clínico randomizado e o que é um estudo observacional. Como o pessoal da indústria alimentícia consegue fazer um estudo e publicar no Annals of Internal Medicine dizendo que o açúcar não é o problema? Porque eles usam estudos observacionais! Estudo observacional você encontra um para aquilo que quiser. Como a indústria conseguiu fazer um estudo mostrando que crianças que comem doces são mais magras? É simples: isso se chama causalidade reversa. Se eu tenho uma criança geneticamente magra… Provavelmente os pais dessa criança não vão se importar se ela comer chocolate ou doces por serem magras, fazem exercício e etc. Já uma criança gordinha, que vai no médico, que tem pressão alta… A família estará fazendo de tudo para a criança mudar os hábitos, não comer doce, fazer mais exercícios. Então, se eu pegar e ver quanto doce come a criança gordinha e quanto doce come a magrinha, a magrinha vai comer mais doce. Obviamente, isso não significa que doces não engordam ou que doces emagrecem! Estudos observacionais não estabelecem causa e efeito. Estamos mantendo a promessa de falar isso a cada podcast.

Rodrigo Polesso: Têm três tipos de mentira, Dr. Souto. A mentira, a mentira brava e estatística.

Dr. Souto: Perfeito.

Rodrigo Polesso: Com estudos observacionais, você monta o resultado que quiser de acordo com o design que você escolher. É isso que a indústria faz.

Dr. Souto: O que o artigo do New York Times fala é que existem um monte de ensaios clínicos randomizados – aqueles que podem estabelecer causa e efeito – que mostram que o açúcar é uma coisa ruim. Um deles nós acabamos de citar (o do Robert Lustig). É um ensaio clínico randomizado. Não há o que questionar. O que eles fazem é apostar na ignorância estatística tanto do público geral quanto dos médicos. Tem muito médico que não sabe estatística. O pessoal vê que saiu numa revista importante (no Annals of Internal Medicine)… “está falando que açúcar não é o problema, açúcar é gostoso.” É complicado.

Rodrigo Polesso: O pessoal só lê a conclusão. O médico está muito ocupado no dia a dia. Esse é um grande problema para os praticantes de medicina e você pode falar muito mais sobre isso. O médico está tão ocupado hoje que eu duvido que a maioria dos médicos abram os jornais e vão ler os artigos em detalhes. Eles provavelmente sejam mais focados em coisas específicas das áreas deles. Duvido que tenham essa visão mais holística e gastem tempo investigando esse tipo de coisa a fundo.

Dr. Souto: Com certeza. Como você estava incrédulo, Rodrigo, estou te mandando pelo WhatsApp a reportagem que diz: “Pizza is a vegetable? Congress says yes”. Não é novo, é de 2011. O congresso passou uma lei para dizer que batata frita e pizza são vegetais, portanto devem ser mantidas como alimentação saudável da Michelle Obama.

Rodrigo Polesso: Eles dão um jeito de incluir, mudando até mesmo a definição do grupo de alimentos. “Já que não dá para dizer que óleo vegetal é bom, vamos incluir batata frita e pizza como vegetal.”

Dr. Souto: Parece coisa de site de piada, mas não é. É da NBC News. É para as pessoas entenderem até que ponto chega o lobby da indústria no congresso. E o lobby da indústria influenciando os artigos científicos que são publicados. Por sorte, agora em 2016, a impressa começa a ter um pouco mais de crítica ao relatar isso. O artigo do New York Time está baixando o pau nesse estudo.

Rodrigo Polesso: É um total absurdo. Vou colocar todos os links, inclusive esse da pizza, no artigo desse podcast. Você encontra toda a transcrição e todos os links no EmagrecerDeVez.com. É só procurar pelo podcast lá. Dr. Souto, para fechar vamos falar sobre o que comemos na última refeição?

Dr. Souto: Vamos. Tenho que pensar. Sempre que eu tenho que dar uma pensada eu penso como é ridículo basear estudos observacionais em questionários. Estou tentando dizer o que comi há algumas horas atrás… Uma hora podemos pegar um exemplo de questionário para discutirmos no podcast. São questionários que perguntam assim: “Em média, nos últimos 6 meses, você consome, por semana quantas porções de:” Aí vem uma quantidade infinita de coisas. Alguém acha realmente que aquilo tem uma fidedignidade?

Rodrigo Polesso: Exato.

Dr. Souto: Hoje no almoço eu comi um hamburguês caseiro. O bife de hambúrguer, não o pão. Caseiro porque é feito com carne moída, tempero, um pouco de ovo para dar a liga. Faz aquele bife de hambúrguer na chapa. Comi aquilo com ovos. Mais uma vez meu paciente que me fornece ovos me trouxe uns 80 ovos. Então o ovo está sendo consumido em todas as refeições. Salada. E foi isso aí.

Rodrigo Polesso: Eu comi um baita filé de salmão selvagem. Ele é muito vermelho.

Dr. Souto: O salmão era tão selvagem que ele quase comeu você.

Rodrigo Polesso: Exatamente. Tem que comer com cuidado para não ser mordido. Se vocês acharem um salmão de verdade, tente reparar na diferença de cor dele. Não só na cor, mas no perfil lipídico, na qualidade das gorduras. Ele é muito mais concentrado em omega-3, que não estamos tão hábitos a consumir do que omega-6. E também uma salada com azeite de oliva e um abacate. Uma salada grande e um file de salmão de 300 gramas. O pessoal fala que como pouco… Não! Acredite, não como pouco. Esse é o último podcast antes do natal, espero que tenha sido útil para vocês. Não sei se vamos gravar na semana que vem ou não. Mas depois a gente volta com certeza, você vai ficar sabendo. Dr. Souto, obrigado pelo seu tempo aqui. Feliz Natal para todo mundo. Um incrível ano novo… 2017 mais saudável do que nunca e vamo que vamo porque tem muita coisa para ser feita.

Dr. Souto: Isso aí. Um abraço. Feliz natal. Vou deixar mais uma dica para o pessoal. Quem quiser, está engajado e quer continuar perdendo peso, pode fazer sua ceia de Natal e comer coisas que não sejam low carb, desde que isso não se prolongue pela semana inteira. Come naquela noite do dia 24 e depois faz low carb durante a semana. Depois come o que quiser na noite de ano novo e entra no ano novo fazendo low carb de novo. Dá para fazer e continuar. Atingindo seu objetivo.

Rodrigo Polesso: Com toda certeza. O que você faz o ano inteiro que importa, não o que você faz na ceia de natal.

Dr. Souto: Exatamente.

Rodrigo Polesso: Um grande abraço, então, pessoal. Até mais!

Dr. Souto: Abraço.

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Emagrecer de Vez

Quais gorduras você deveria comer mais?

Por: Michael Mosley

Gorduras boas à esquerda e ruins à direita.

 

Contrariando o conselho convencional, comer mais gordura pode ser bom para a nossa saúde, diz o famoso repórter Michael Mosley.

Realmente é o tipo de notícia que me fez querer chorar no meu cappuccino magro e, em seguida, despejá-lo na pia. Depois de anos sendo dito, e dizendo aos outros, que a gordura saturada entope as artérias e faz você ficar gordo, agora há muitas evidências crescentes de que comer gorduras saturadas pode realmente ajudar você a perder peso e ser bom para o coração.

No início deste ano, por exemplo, uma revisão sistemática, financiado pela Fundação Britânica do Coração e com o título bastante seco “Associação dietética entre os ácidos graxos dietéticos e circulantes com risco coronariano” causou um escândalo.

Cientistas de Oxford, Cambridge e Harvard, entre outros, examinaram as relações entre comer gordura saturada e doenças cardíacas. Apesar de olharem para os resultados de cerca de 80 estudos envolvendo mais de meio milhão de pessoas, eles foram incapazes de encontrar evidências convincentes de que a ingestão de gorduras saturadas leva a um maior risco de doença cardíaca. Na verdade o oposto aconteceu.

Na verdade, quando eles olharam para os resultados de sangue, eles descobriram que níveis mais elevados de algumas gorduras saturadas, em particular, um tipo de gordura saturada que você encontra em produtos lácteos chamado ácido margárico, foram associados a um menor risco de doença cardíaca.

Os cientistas descreveram isso como “uma peça impressionante detalhada e extensa de pesquisa, um estudo bem aprofundado”.

Alguns acadêmicos questionaram o jornal, outros temem que este tipo de pesquisa pode confundir as pessoas e a mensagem que iriam receber não seria “não há problema em comer mais de algumas formas de gordura”, mas que “não há problema em comer muito mais gordura saturada. Sabemos que os atuais níveis de obesidade têm sido alimentados por lanches como bolos, batatas fritas, todos ricos em gordura, açúcar e calorias em excesso.

Quando eu falei com um dos pesquisadores por trás deste trabalho, Prof Kay-Tee Khaw, do Departamento de Saúde Pública da Universidade de Cambridge, estava bastante claro que sua pesquisa não era uma licença para se encher de comida processada mas ela também aceitou que o nova pesquisa pode ter confundido algumas pessoas.

Como o animal foi criado, provavelmente, tem um grande impacto no seu perfil nutricional, disse Prof Kay-Tee Khaw, da Universidade de Cambridge

“É complicado no sentido de que alguns alimentos que são ricos em gorduras saturadas parecem consistentemente reduzir as doenças cardíacas.”

Khaw disse-me que há boas evidências de que comer um punhado de nozes oleosas algumas vezes por semana irá reduzir seu risco de doença cardíaca, apesar do fato deles conterem gorduras saturadas e insaturadas.

Ela disse que a evidência para os laticínios é menos forte, embora existente, mas ela está muito feliz de comer manteiga e comer queijo. Ela também tem o prazer de comer carne vermelha criada a pasto.

“É muito claro que os gados que são alimentados no pasto têm padrões de ácidos graxos diferentes dos gados que são alimentados com milho. Então eu acho que a forma como o animal foi criado, provavelmente, tem um grande impacto em seu perfil de nutrientes e, presumivelmente, em resultados de saúde.

Apesar do fato de que alguns tipos de gordura não serem prejudiciais quanto se pensava, com certeza a gordura é ruim para você, porque faz você engordar correto? Não necessariamente.

Um estudo recente, desta vez publicado no Journal Escandinavo de Cuidados Primários de Saúde, “a ingestão de gordura de laticínios está relacionado com uma menor obesidade central”

Neste estudo, os pesquisadores acompanharam 1.589 homens suecos de 12 anos. Eles descobriram que aqueles que seguem uma dieta com baixo teor de gordura (sem manteiga, leite com baixo teor de gordura e sem creme) foram mais propensos a desenvolver gordura ao redor do intestino (obesidade central) do que aquelas que comem manteiga, leite com alto teor de gordura e creme de leite.

Uma razão para isso pode ser que a gordura é extremamente saciante, então quando as pessoas cortam elas para fora de suas dietas, elas consciente ou inconscientemente substituem as calorias com outra coisa, carboidratos, muitas vezes refinados como pão branco ou macarrão. Isto pode ajudar a explicar o fracasso da Iniciativa de Saúde da Mulher, um estudo que foi executado pelo Instituto Nacional de Saúde dos EUA.

Neste estudo 48,835 mulheres no período pós-menopausa foram alocadas aleatoriamente para uma dieta de baixo teor de gordura ou um grupo de controle. Foi o maior estudo randomizado de longo prazo de uma intervenção dietética já realizado e ao longo de um período de oito anos as mulheres conseguiram reduzir seu consumo de gordura por mais de 8%. Infelizmente, isso fez quase nenhuma diferença no peso delas, quando comparado com o grupo controle, e nenhuma diferença para o risco de ataque cardíaco ou derrame.

Por outro lado, em outro estudo, publicado no ano passado no New England Journal of Medicine, onde 7.500 homens e mulheres foram alocados aleatoriamente para uma dieta de baixo teor de gordura ou uma dieta mediterrânea com teor de gordura muito mais elevado, o grupo de alto teor de gordura ficou claramente com a vitória. Na dieta Mediterrânea, juntamente com frutas, legumes, carne e peixe, os voluntários foram incentivados a comer castanhas oleosas, azeite de oliva e uma taça de vinho com sua refeição.

Não é de surpreender que a taxa de abandono foi muito menor para aqueles com a dieta mediterrânea do que aqueles na dieta de baixo teor de gordura (4,9% versus 11,3%) e também tiveram muito melhores resultados de saúde. Havia menos derrames e um risco 30% menor de ter um ataque cardíaco.
Esta não é uma licença para comer sorvete ou derramar Creme chantili na sua garganta, porque mesmo que a gordura não seja prejudicial para seu coração, não há dúvida de que comer muitas calorias a vontade seja ruim, principalmente com açúcar. Eu ainda acho que mais gordura saturada, de alimentos processados​​, não é saudável, mas eu voltei a comer manteiga, iogurte grego, bem como mais nozes, peixe e legumes.

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TRIBO FORTE #042 – “QUEBRA” DE JEJUM, AÇÚCAR E FALCATRUAS SOBRE ESTATINAS

Bem vindo(a) hoje a mais um episódio do podcast oficial da Tribo Forte!

Os podcasts são 100% gratuitos e episódios novos saem todas as terças-feiras.

Certifique-se de colocar seu email aqui em cima do site para ser avisado das novidades e de futuros podcasts.

No Episódio De Hoje:

Neste episódio recheado, vamos discutir estes principais pontos abaixo:

  • Chimarrão quebra jejum?“, e outros alimentos, bebidas? Como colocar isso em perspectiva de uma vez por todas.
  • Seria o açúcar um dos maiores vilões alimentares do mundo moderno? Estudos e um novo livro de Gary Taubes apontam nesta direção.
  • O consumo exagerado de estatinas para pessoas com risco de problemas cardíacos. Quando isso é bom e quando é ruim/danoso?
  • O que comemos na última refeição, etc 🙂

Lembrando: Você é MEMBRO VIP da Tribo Forte ou ainda está de fora? Tenha acesso a receitas simples e deliciosas diariamente, artigos internacionais traduzidos diariamente, fórum de discussão, documentários legendados e MUITO mais! Não fique de fora e se junte a este movimento agora mesmo, clicando AQUI!

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Quer Emagrecer De Vez? Conheça o programa Código Emagrecer De Vez

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Quer seguir o Código Emagrecer De Vez você também? Clique AQUI e comece HOJE!

Referências do Episódio

Artigo do Dr Aseem Malhotra no jornal Daily Mail sobre estatinas

Artigo sobre açúcar com Gary Taubes no The Economist

Transcrição do Episódio

A transcrição entrará aqui nos próximos dias…

Emagrecer de Vez