Nova droga para artrite reumatoide ajuda quem não responde a remédio tradicional

Marina Teodoro

Aprovado em toda Europa, medicamento ainda não tem previsão de chegada ao Brasil; entenda como a doença reumatologica afeta as articulações

Mais de 2 milhões de pessoas sofrem com artrite reumatoide no Brasil%2C de acordo com o Ministério da Saúde

Mais de 2 milhões de pessoas sofrem com artrite reumatoide no Brasil%2C de acordo com o Ministério da Saúde

Foto: Pixabay

Dores nas articulações, inchaço – principalmente nas mãos e pés -, nódulos, vermelhidão e deformidade nos membros afetados: essa é a vida dos mais de 2 milhões de brasileiros que convivem com artrite reumatoide (AR).

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Considerada uma das principais condições reumáticas ao lado da artrose, a artrite reumatoide também é lembrada no Dia Nacional da Luta Contra o Reumatismo, celebrado nesta segunda-feira (30), pelas novidades em seu tratamento que teve resultado positivo considerável para quem sofre com a doença.

No último mês, o 34º Congresso Brasileiro de Reumatologia, que aconteceu em Florianópolis, apresentou uma nova droga, o baricitinib, que demonstrou avanços significativos relacionados à melhora dos pacientes com a condição.

Trata-se de um medicamento de uso oral, o que já é considerado um ponto bastante positivo para facilitar o tratamento dos pacientes. Essa é a grande novidade na área da reumatologia, conforme declarou um dos principais especialistas de AR da atualidade, Josef Smolen, professor da Universidade Médica de Viena, na Áustria.

Josef Smolen%2C reumatologia

Josef Smolen%2C reumatologia

Foto: Divulgação

“Desde 2009 não temos novas drogas e novos tratamentos. Agora, neste ano, surgiram três novas drogas, entre elas o baricitinib, inibidor que age na estrutura da célula e serve para qualquer problema reumatológico”, analisa o professor.   

A substância está presente em um remédio chamado Olumiant, fabricado pelo laboratório farmacêutico Eli Lilly, que está disponível na Europa, mas ainda não tem data para chegada no Brasil.

O medicamento é indicado para o tratamento de AR ativa nos estágios moderado e grave em adultos que não tiveram resposta adequada aos tratamentos tradicionais da doença, os antirreumatismais modificadores da doença.

Smolen explica que as chances de respostas positivas dos pacientes aos remédios comuns são de 20% a 30%, usando qualquer droga. ”Quando esses tratamentos falham, a eficácia vai ser apenas de 10 a 15%. Por isso, qualquer nova medicação é uma oportunidade para tratar mais pessoas”, afirma.

Um estudo recente, e apresentado durante o congresso, apontou que com o uso de baricitinib a resposta positiva dos pacientes que participaram da pesquisa chegou até 60%. 

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‘Tratamento não pode esperar’

A novidade é bastante aguardada pela comunidade médica e de pacientes no Brasil. Apesar de não haver cura, medicamentos especializados e fisioterapia fazem toda a diferença para a qualidade de vida do paciente com a condição. Sem ajuda médica, 20 a 30% das pessoas acometidas pela enfermidade podem ficar permanentemente incapazes de realizar suas atividades após três anos do diagnóstico.

Até que a nova droga seja aprovada em território nacional, Lívia Gonçalves, gerente médica autoimune do laboratório farmacêutico Eli Lilly, garante que a cobertura de medicamentos no Brasil é ampla e atende às necessidades da população.

“Há uma série de medicações disponibilizadas tanto no SUS quanto no setor privado. O sistema público é abastecido por todos os remédios orais, conhecidos como modificadores da doença, que são drogas sintéticas usadas para evitar o edema nas articulações, dor, limitação do movimento e degeneração óssea associada à doença. Quando os pacientes perdem a resposta e esse tipo de medicamento, podem progredir para os biológicos, que também são disponibilizados”, ressaltou Lívia.

Artrite é uma doença sem cura, mas que pode ser controlada com o uso de medicamentos e melhorada com o diagnóstico precoce

Artrite é uma doença sem cura, mas que pode ser controlada com o uso de medicamentos e melhorada com o diagnóstico precoce

Foto: Getty Images

O diagnostico precoce é outro artifício que pode ajudar no controle da doença. “A artrite reumatoide pode começar em qualquer idade. Pode atingir um bebê de dois meses ou um senhor de 90 anos. Mas o importante é tratar a doença assim que diagnosticada, e não esperar pois essa é uma doença que se modifica”, alertou o professor Smolen.

Converse com seu médico 

Autoimune, inflamatória, sistêmica e crônica, a doença é mais presente entre as mulheres e a incidência aumenta com a idade. O maior pico é entre os 30 e 50 anos. A artrite reumatoide provoca uma inflamação nas articulações, afetando seus revestimentos e provocando dores desconfortáveis e até impedindo a movimentação.

Apesar de comum, ainda falta informação à população sobre a AR. Uma das principais dúvidas é como ela ocorre. “A doença provoca uma reação no sistema imunológico, fazendo com que ele ataque os próprios tecidos e articulações do organismo”, explicou Lívia Gonçalves.

O reumatologista da Universidade Médica de Viena, na Áustria chama a atenção para uma medida importante, que deve ser tomada por quem recebe o diagnostico de artrite reumatoide além de fazer o tratamento. “Converse com o seu médico. Esteja preparado para fazer perguntas e só saia do consultório quando as dúvidas estiverem sanadas”, alerta Smolen, que reconhece o diálogo entre médico e paciente fundamental.

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Dieta cetogênica na cura do câncer

Por: Dr. Andreas
imagem câncer cura

 

Uma dieta cetogênica pode ajudar pacientes com câncer cerebral como o senador John McCain dos Estados Unidos?  Pesquisas emergentes – e algumas histórias de pacientes dramáticos – sugerem que sim.

Quando a novidade começou em meados de julho, o senador John McCain tinha sido diagnosticado com uma forma agressiva de câncer de cérebro e a pesquisadora de neurocirurgia Dra. Adrienne C. Scheck, PhD, tentou enviar uma mensagem para a família McCain no Arizona, EUA. Ela postou na página do Facebook do grupo da filha dele com o link da pesquisa que ela realizou através de seu papel como professora associado de neurobiologia no Instituto Neurológico Barrow, em Phoenix Arizona, onde McCain mora.

A mensagem da Dra. Scheck para McCain: experimente a dieta cetogênica juntamente com a terapia padrão de cirurgia, radiação e quimioterapia.

Durante a última década, Dra. Scheck tem estudado o efeito de alterar o metabolismo das células cancerosas, especificamente com a dieta cetogênica, para melhorar a sobrevivência e minimizar os efeitos colaterais de pacientes com tumores cerebrais malignos. Em 14 de julho de 2017, McCain recebeu o diagnóstico de glioblastoma multiforme (GBM), um câncer notoriamente mortal que surge na glia, o tecido conjuntivo do cérebro.

O tumor cerebral GBM tem um grave prognóstico, com um tempo médio de sobrevivência de 18 meses após o diagnóstico. Para McCain, uma cirurgia de nove horas removeu um grande tumor acima do olho esquerdo no dia em que seu câncer foi diagnosticado. Então, na primeira semana de agosto, ele começou a radiação e quimioterapia, de acordo com relatos da mídia.

Dra. Scheck (foto) disse: “Com base em nossa pesquisa, definitivamente penso que alguém com um GBM deve seguir uma dieta cetogênica terapêutica o mais rápido possível, além da terapia padrão. Nossa pesquisa pré-clínica sugere que ela potencializa a radiação e a quimioterapia, e pode melhorar a resposta imune antitumoral. Mesmo os corpos cetônicos sozinhos podem ter esse efeito na cultura celular. Não há nada a perder tentando.”

Até agora, Dra. Scheck não ouviu falar da família McCain, provavelmente, ela sente muito, porque eles estão sendo inundados com todas as formas de conselhos e porque muitas pessoas, incluindo médicos, que não tem conhecimento científico que recriminam a dieta cetogênica como dietas de “moda”.

Mas Scheck enfatiza que a dieta cetogênica para o câncer não é moda. “Esta não é uma” dieta “no sentido típico da palavra. É uma terapia metabólica regimentada com um pouco de ciência revisada por pares “, diz ela. Na verdade, o Scheck não só realizou uma série de estudos promissores em modelos de ratos da doença, mas ela é a principal investigadora de um ensaio clínico atual com pacientes humanos com GBM, usando a dieta cetogênica mais radiação e quimioterapia.

O ensaio clínico teve dois objetivos: mostrar que os pacientes podem tolerar a dieta e manter baixa glicemia e altos níveis de corpos cetônicos no sangue (cetonas); e constatar se a sobrevivência dos pacientes é prolongada.

O estudo de Scheck é um dos 10 ensaios clínicos registrados em clinicaltrials.gov, atualmente estudando o papel da dieta cetogênica no tratamento do glioblastoma, oito dos quais ainda estão em andamento. Os estudos estão sendo liderados por equipes em outros três locais dos EUA, bem como na China, na Alemanha e no Reino Unido.

Levando em consideração outros tipos de câncer – incluindo pulmão, mama, pâncreas, próstata e melanoma – um total de 23 ensaios clínicos estão atualmente registrados no clinicaltrials.gov que investigam a dieta cetogênica como complemento da terapia padrão contra o câncer. Ao longo da última década, pesquisas sobre o papel da dieta cetogênica na pesquisa básica sobre câncer e nas terapias emergentes cresceram, com mais de 170 estudos ou artigos teóricos atualmente na literatura de pesquisa. O número está aumentando a cada mês.

Como os carboidratos podem alimentar o câncer

 

No coração do argumento para usar a dieta cetogênica para ajudar a combater o câncer é o fato de que as células cancerígenas precisam de glicose – uma grande quantidade dela – para alimentar seu rápido crescimento. Na verdade, isto é precisamente como um exame de PET é usada para diagnosticar câncer: uma injeção de açúcar radioativo ilumina as células cancerosas malignas porque eles usam glicose em uma taxa muito maior que as células normais. A glutamina, que é um aminoácido criado a partir da degradação das proteínas, também pode alimentar o crescimento do câncer, por isso também as proteínas são em certo grau restritas na dieta cetogênica.

As células cancerígenas famintas de glicose e da glutamina precisam crescer, e o uso de corpos cetônicos  como combustível para nossas células, ao invés de glicose e glutamina é a teoria conceitual por trás da dieta cetogênica como complemento do tratamento do câncer. “As células normais têm a flexibilidade metabólica para utilizar corpos cetônicos (cetonas) como energia, já as células cancerígenas não”, explica o Dr. Thomas Seyfried, PhD, professor de biologia no Boston College (foto).

Dr. Seyfried é o autor do influente livro de 2012 “Cancer como uma doença metabólica”. Nesse livro, bem como em trabalhos de pesquisa recentes, ele apresenta evidências de que o câncer é um distúrbio do metabolismo da energia celular, particularmente relacionado a anormalidades na estrutura e função das mitocôndrias.

Em um artigo de 2015, Dr. Seyfried e seus colegas promoveram especificamente o uso de terapia de câncer metabólico – isto é, a dieta cetogênica – como tratamento para o glioblastoma. “O objetivo é restringir as células GBM de glicose, seu principal substrato de energia”, diz Seyfried. Esta fome crônica do combustível que elas precisam para crescer (a glicose), estressa e enfraquece as células cancerosas, quando já não as mata diretamente. Isso as torna muito mais vulneráveis ​​a tratamentos como radiação, drogas de quimioterapia ou oxigênio hiperbárico. “É como um soco forte de uma só vez, enfraquecendo as células cancerígenas de uma só vez e depois outro soco forte enquanto elas estão fracas,  as matando de fome”, disse Seyfried.

Este conceito de dois socos – que Dr. Seyfried e seus colegas chamam de “matador”, foi recentemente detalhado em seu artigo de fevereiro de 2017. O quadro conceitual é estressar o câncer por falta de glicose e suprimir a sinalização de insulina (o primeiro soco), subsequentemente fazendo um ataque súbito com oxigênio hiperbárico, drogas de metabolismo ou doses mais leves de drogas quimioterapêuticas e radiação (o segundo soco).

Laboratório do Professor D’Agostino

 

Dr. Dominic D’Agostino, principal pesquisador da dieta cetogênica, ensina como entrar em cetose … e por que você pode querer isso.

“Privar as células cancerosas da glicose é como tirar o pé do pedal”, explica o co-autor de estudos Dr. Dominic D’Agostino, professor associado de farmacologia e fisiologia molecular da Universidade do Sul da Flórida e pesquisador do Instituto de cognição Humana e de Máquinas.

A extensa pesquisa de D’Agostino sobre a dieta cetogênica também foi exibida em vários vídeos disponíveis para o público. A investigação de Dr. D’Agostino de uma década tem sido focada na neurociência nutricional – como o cérebro muda em resposta a influências dietéticas. Ele começou estudar a capacidade da dieta cetogênica e da suplementação de corpos cetônicos de ajudar a prevenir convulsões associadas à toxicidade do oxigênio no sistema nervoso central, uma limitação dos mergulhadores da Marinha dos EUA.

Agora, seu laboratório, especificamente com a pesquisadora da Dra. Angela Poff, está investigando o papel da cetose nutricional como adjuvante na terapia do câncer. O vídeo da Dra. Poff sobre o metabolismo do câncer usando a cetose é um vídeo muito popular.

 

Dr. D’Agostino diz que a glicose, a insulina e a inflamação estão intimamente ligadas ao crescimento do câncer e ao tratamento e prevenção do câncer; eles estão fortemente associados à saúde metabólica das células. “Enquanto a atual teoria incompleta das origens do câncer é que ela surge através de mutações no DNA celular, a estabilidade do DNA está fortemente correlacionada ao funcionamento das mitocôndrias e do estresse oxidativo”, diz D ‘Agostino. “A cetose nutricional com jejum periódico suporta o funcionamento saudável da mitocôndria, a autofagia (reciclagem celular), a supressão do estresse oxidativo, a supressão da sinalização da insulina e a redução das vias pró-inflamatórias específicas”.

D’Agostino enfatiza que a pesquisa sobre a dieta cetogênica e câncer ainda é emergente. “Precisamos de mais dados clínicos sobre a melhor forma de aplicar esses conceitos aos pacientes com GBM”, adverte ele. “No entanto, é muito razoável para alguém com diagnóstico de GBM – com uma média de 12 a 18 meses de vida –  implementar uma dieta cetogênica (com um profissional competente) em conjunto com sua terapia padrão”.

Histórias de controle do câncer cerebral com a cetose

 

Pablo Kelly, 28, de Devon, Reino Unido (foto), não poderia concordar mais. Ele foi diagnosticado com GBM em 2014 e a dieta cetogênica salvou sua vida. “Meu GBM foi declarado inoperável devido à sua localização no meu cérebro, no lobo parietal, com um tendril entrando no meu córtex motor”, disse Kelly, que logo após o diagnóstico começou uma dieta cetogênica de calorias restritas.

Durante seus três anos de dieta cetogênica rigorosa, suplementando com cetonas exógenas, óleo MCT e suplementos anti-inflamatórios, houve encolhimento do tumor suficiente para que 90% dele pudesse ser removido por uma craniotomia no início deste ano.

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Uma análise de ressonância magnética em maio mostra que o câncer está sob controle, diz Kelly, que se conecta com as pessoas através da sua página aberta do Facebook, “Pablos Journey Through a Brain Tumor” e através de histórias de mídia, que foram compartilhadas por milhares de pessoas.  “Três anos atrás, foi difícil encontrar profissionais que estavam recomendando a cetogênica para GBM”, diz Kelly, que hoje em dia é regularmente contatado por pessoas de todo o mundo na esperança de obter mais informações sobre a dieta cetogênica para tratamento do tumor cerebral. “Eu quero inspirar o maior número possível de pessoas”.

O tratamento do tumor do canadense adolescente Adam Sorenson, com a dieta cetogênica é outra história anedótica inspiradora. Ele foi diagnosticado com GBM nível 5 em setembro de 2013, no dia seguinte do seu 13º aniversário. O tumor era do tamanho de uma bola de baseball e uniformemente fatal.

Brad and Adam Sorenson

Adolescente canadense Adam Sorenson (retratado junto com o pai Brad) 

Os médicos realizaram uma cirurgia para remover o máximo possível, mas seu pai, Brad, fez pesquisas extensas para tentar melhorar as chances de sobrevivência de seu filho. “As regras imperativas que estabeleci foram que o tratamento tinha que ser seguro, tinha que ter pelo menos alguns dados de ensaios clínicos publicados, e tinha que ser acessível”. Os pais também consultaram com o Dr. Jong Rho, especialista em dieta cetogênica para a epilepsia e um ex-mentor do Dr. Scheck no “Instituto Neurological Barrow” que havia sido recrutado para o hospital do instituto do cérebro Hotchkiss da Universidade de Calgary.

A família dele também consultou com os médicos e cientistas Dr. Seyfried, Dr. D’Agostino e Scheck.

Eles recomendaram um protocolo que incluiu uma dieta cetogênica consistindo em 80% de gordura, 15% de proteína e 5% de carboidratos combinados com tratamento de radiação, oxigênio hiperbárico e a droga metformina. Quatro meses após o início do tratamento, Adam teve uma ressonância magnética em fevereiro de 2014 que não apresentava tumor visível.

Treze ressonâncias magnéticas MRI subseqüentes até hoje mostraram que ele permanece livre de câncer até hoje. Adam permaneceu na dieta cetogênica e metformina desde então. “É basicamente uma dieta com quantidades muito baixas de carboidratos, com muita nata, ovos, bacon, nozes e sementes”, diz o pai.

Em um vídeo super interessante, Adam diz que a dieta nem sempre foi fácil como adolescente, especialmente quando estava com amigos. “Quando percebi que não conseguiria comer pizza e doces, fiquei um pouco triste. Mas pensei, vai me fazer viver! “.

O garoto Adam foi um orador principal em novembro passado no Simpósio Global de Terapias Cetogênicas, realizado em Banff Alberta e patrocinado pela Fundação Charlie para terapias cetogênicas. A fundação começou como uma organização focada na dieta cetogênica para o controle da epilepsia, mas agora se ramificou para o uso em câncer cerebral, autismo e outros distúrbios cognitivos.

“O protocolo cetogênico do garoto Adam convida muitas críticas de médicos preconceituosos que nunca estudaram o assunto”. Então, a família Sorenson simplesmente diz às pessoas o que fizeram para Adam, compartilha uma plataforma de slides com seu protocolo e sua lógica com referências científicas e encoraja as pessoas a encontrar um profissional qualificado.

“Eu acredito que a dieta ajuda muito a melhorar a potência e a eficácia de outros tratamentos contra o câncer”, diz Brad. “Estou muito consciente de que a história de Adam é anedótica. Mas estou totalmente confiante de que se tivéssemos seguido apenas o tratamento padrão, Adam não estaria vivo hoje “.

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‘Apostar no aprendizado do autista aumenta chance de evolução’, diz especialista

Marina Teodoro

Apoio familiar é fundamental para desenvolvimento da pessoa com autismo; acolher e encorajar os parentes na hora do diagnóstico também é importante

Quando recebeu o diagnóstico de Lucas, Paula sabia pouco sobre a doença; mesmo assim ela não desistiu

Quando recebeu o diagnóstico de Lucas, Paula sabia pouco sobre a doença; mesmo assim ela não desistiu

Foto: Arquivo pessoal

Quem vê o paulista Lucas Ohara sozinho no mercado perto de casa fazendo compras, pode deixar passar um detalhe importante sobre o jovem de 21 anos. É preciso um olhar mais atento para conseguir constatar que, além dos produtos adquiridos na loja, ele carrega consigo uma particularidade às vezes imperceptível: o autismo.

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Apesar de depender dos pais para algumas atividades – ele ainda tem medo de fazer a barba e cozinhar – o garoto consegue realizar diversas tarefas sozinho e possui uma independência considerável para um paciente com autismo. Hoje ele é capaz de andar nas ruas de sua vizinhança sem ninguém, colaborar com a limpeza da casa e até ajudar a avó todas as noites quando ela vai se deitar.

 Mas nem sempre foi assim. Antes de receber o diagnóstico, a família já imaginava que Lucas tinha um comportamento diferente, porém, ainda não entendia o que era. “Sempre gostei de fazer livrinhos para os meus outros dois filhos quando eram crianças. Com o Lucas, que é o caçula, percebi que ele não se interessava por aquilo. Então decidi fazer histórias mais simples e interativas para despertar o interesse dele. Funcionou”, contou a mãe, Paula de Oliveira Guimarães, 50 anos.

O que Paula não sabia é que ela dava os primeiros passos para contribuir com o progresso do filho. “Ao insistir em ajudar o Lucas ela agiu de maneira fundamental para a evolução do paciente. Mesmo sem saber, ela entendeu que ele também poderia se desenvolver, só precisava de um caminho diferente das outras crianças”, avaliou a neuropsicóloga e mestre em psicologia do desenvolvimento infantil Deborah Moss.

A especialista ressalta que, embora não tenha como mensurar, a participação ativa dos pais e responsáveis pela pessoa com Transtornos do Espectro Autista (TEA) influencia consideravelmente para sua evolução. “É preciso apostar. Por mais que o paciente apresente suas limitações, não se deve desistir ”, incentivou Deborah.

Recebendo o diagnóstico

Porém, para garantir que a família esteja engajada e disposta a colaborar com o tratamento terapêutico é preciso que o momento do diagnóstico seja claro e encorajador. A maneira como será conduzida a primeira conversa após a constatação médica e o acolhimento familiar são responsabilidades que o profissional da saúde deve se atentar. “Só falar o nome da condição não ajuda em nada. É preciso dar suporte e, além do diagnóstico, informar também o prognóstico, como se deve agir dali para frente”, apontou a neuropsicóloga.

Comparado há algumas décadas, hoje é possível dizer que o acesso ao sistema de saúde e educação está mais fácil, o que colabora para a identificação de síndromes e transtornos ainda na fase da infância. Além de incluir os familiares no trabalho de desenvolvimento do paciente, detectar essas condições precocemente pode influenciar significativamente na qualidade de vida do indivíduo.

Tratamento

De acordo com a Associação de Amigos do Autista (AMA), o tratamento da condição requer “intervenções psicoeducacionais, orientação familiar, desenvolvimento da linguagem e comunicação”. A instituição também recomenda que uma equipe multidisciplinar participe do processo para atender às necessidades particulares de cada um. Entre as especialidades mais indicadas para compor esse grupo é possível citar as áreas de psiquiatria, psicologia fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia e até mesmo educação física.

Mesmo com todo esse apoio, Deborah destaca que é preciso deixar claro que cada paciente terá uma resposta particular à terapia. Para a neuropsicóloga “a criança não é um diagnóstico”, o que significa que é impossível delimitar quais serão os avanços e limitações de cada pessoa ao longo do tratamento.

Por esse mesmo motivo, é difícil descrever um perfil do autista. Comparações não são bem-vindas. “Já ouvi de muitos pais que gostariam que o filho deles fossem como o Lucas. Mães já me disseram que só queriam ouvir um ‘obrigado’. Isso é muito doloroso para a família”, conta Paula.

Por sua experiência, em suas conversas com os pais de autistas, ela tenta tranquiliza-los sobre o futuro, mas também é franca em relação à capacidade do filho. “Lucas tem autismo leve, e é por isso que ele tem uma evolução mais perceptível”, admite.

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Invista no aprendizado

Hoje, Paula, que é artesã, ainda prepara os mesmos livros, que ela chama de história social, sobre assuntos do cotidiano de Lucas, para ensiná-lo sobre como se comportar em sociedade ou fazer algumas tarefas. Por meio de imagens e informações que poderiam parecer “obvias” para quem não nasceu com a condição, a necessidade de pessoas com TEA é atendida.

Ao desenvolver material especial para ensinar seu filho, Paula compartilha e contribui com outras crianças autistas

Ao desenvolver material especial para ensinar seu filho, Paula compartilha e contribui com outras crianças autistas

Foto: Reprodução/Facebook

O neurologista do Hospital das Clinicas de São Paulo Fábio Porto afirma que, com o estímulo externo, é possível que o autista aprenda e avance bastante, já que a condição não está associada, necessariamente, à deficiência intelectual. “Entre as características de uma pessoa com autismo, além de dificuldade com a comunicação, isolamento e falta de interação social, há também a prática de alguns comportamentos que socialmente não são bem vistos”, comentou.

“É comum que, em alguns níveis, o indivíduo autista apresente repetição de movimentos estereotipados – como aquele de se mover para frente e para trás – não compreensão de metáforas, ambiguidade, e falta de humor”, completou ele.

Formado em Comunicação Institucional e mestre em Design Gráfico e Produção em Publicidade, Marcos Petri é autista e ativista da causa que tem um canal no YouTube chamado “Diário de um autista”.

Em um vídeo com mais de 350 mil visualizações ele explica de forma bastante clara como ele interpreta algumas informações. “Autistas são visuais, então, precisamos que seja mostrado o que querem que façamos, principalmente, no que diz respeito à localização. ‘Direita’ e ‘esquerda’ são informações muito abstratas para nós. Precisamos de referências mais concretas como ‘perto do prédio azul’ ou ‘ao lado da igreja’”, conta ele em um de seus vídeos.

O material desenvolvido por Paula é focado nessas dificuldades e, além de servir para o filho, também é distribuído na AMA que eles frequentam, no Cambuci, em São Paulo. Para ampliar o acesso e ajudar ainda mais pessoas, as experiências do Lucas também são divulgadas em uma página do Facebook, criada por ela.

Autismo

De acordo com o psiquiatra infantil Leo Kanner, o autismo pode ser definido por aspectos que indicam déficits na comunicação e na interação social, além de comportamentos repetitivos e áreas restritas de interesse. Todas essas peculiaridades podem ser observadas antes dos 3 anos de idade, e é mais quatro vezes mais comum em meninos do que meninas.

A noção de espectro do autismo foi definida por Lorna Wing em 1988, e aponta uma variação no desenvolvimento cognitivo de cada indivíduo, que pode ser medido de acordo com os níveis do transtorno.

Apesar de muitas pesquisas sobre o autismo, há muitas dúvidas que pairam ao redor dessa condição. O autismo não tem cura e, apesar de alguns tratamentos voltados para abordagens menos invasivas e efetivas terem sido desenvolvidas, ainda é preciso de mais avanços que comprovem a eficácia de cada método.

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Depois de Harvey, criatura estranha é encontrada em praia no Texas

iG São Paulo

Após ter viralizado nas resdes sociais, animal marinho é identificado por um biólogo; você saberia identificar que ser vivo é esse? confira a resposta

Animal foi encontrado em praia depois do desastre provocado pelo furacão Harvey%2C no Texas%2C nos EUA

Animal foi encontrado em praia depois do desastre provocado pelo furacão Harvey%2C no Texas%2C nos EUA

Foto: Reprodução/Twitter

No mês passado, ao passar pelo Texas, o furacão Harvey fez mais de 30 vítimas fatais, além de ter devastado as casas de aproximadamente 30 mil pessoas. Com os estragos deixados na cidade de Houston, além das ruas alagadas, imóveis destruídos e pessoas sem lar, o fenômeno também trouxe à tona um “monstro” marinho.

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Ao passar por uma praia do Texas quando o Harvey já havia perdido força, uma mulher encontrou uma criatura estranha que não soube identificar. Para tentar descobrir do que se tratava, Preeti Desai, gerente de mídia social da National Audubon Society publicou a foto do ser esquisito em seu Twitter.

“Ok, biólogos do Twitter, o que diabos é isso?? Ele foi encontrado numa praia no Texas”, escreveu ela em sua conta da rede social. Segundo Preeti, ela viu a criatura em uma praia a cerca de 15 milhas de Galveston.

Ela viajou para o Texas com outros conservacionistas para avaliar o dano causado pela tempestade. Mas a foto do animal ficou popular na internet e logo vieram inúmeras respostas de seus seguidores, até se transformar em um viral.

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A moça contou à BBC News que alguém lhe disse para entrar em contato com Kenneth Tighe, especialista em museu que trabalha na Divisão de Anfíbios e Répteis no Museu Nacional de História Natural Smithsonian.

​Tighe acredita que se trata de uma “enguia-serpente com dentes” ou Aplatophis chauliodus, um termo latino traduzido aproximadamente como “cobra terrível”. O biólogo acrescentou que a identificação do animal ainda não foi 100% confirmada, já que ele também pode pertencer a outras duas espécies de enguias.

Segundo o The Guardian, Aplatophis chauliodus tem menos de um metro de comprimento e habita geralmente em tocas de 30 a 90 metros. O que deve ter acontecido é que, com a força da tempestade, a criatura foi retirada de seu habitat sendo jogada na praia do Texas.

 Mesmo chocada, depois de tirar as fotos, Preeti disse à BBC News que o animal sozinho para permitir que a natureza seguisse seu curso. Ela ainda fez uma outra publicação na internet em resposta aos que estavam chamando o ser de “monstro” e “diabo”, afirmando que não era assustador e horrível, mas apenas uma criatura do mar tentando viver sua vida.

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