Nova droga para artrite reumatoide ajuda quem não responde a remédio tradicional

Marina Teodoro

Aprovado em toda Europa, medicamento ainda não tem previsão de chegada ao Brasil; entenda como a doença reumatologica afeta as articulações

Mais de 2 milhões de pessoas sofrem com artrite reumatoide no Brasil%2C de acordo com o Ministério da Saúde

Mais de 2 milhões de pessoas sofrem com artrite reumatoide no Brasil%2C de acordo com o Ministério da Saúde

Foto: Pixabay

Dores nas articulações, inchaço – principalmente nas mãos e pés -, nódulos, vermelhidão e deformidade nos membros afetados: essa é a vida dos mais de 2 milhões de brasileiros que convivem com artrite reumatoide (AR).

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Considerada uma das principais condições reumáticas ao lado da artrose, a artrite reumatoide também é lembrada no Dia Nacional da Luta Contra o Reumatismo, celebrado nesta segunda-feira (30), pelas novidades em seu tratamento que teve resultado positivo considerável para quem sofre com a doença.

No último mês, o 34º Congresso Brasileiro de Reumatologia, que aconteceu em Florianópolis, apresentou uma nova droga, o baricitinib, que demonstrou avanços significativos relacionados à melhora dos pacientes com a condição.

Trata-se de um medicamento de uso oral, o que já é considerado um ponto bastante positivo para facilitar o tratamento dos pacientes. Essa é a grande novidade na área da reumatologia, conforme declarou um dos principais especialistas de AR da atualidade, Josef Smolen, professor da Universidade Médica de Viena, na Áustria.

Josef Smolen%2C reumatologia

Josef Smolen%2C reumatologia

Foto: Divulgação

“Desde 2009 não temos novas drogas e novos tratamentos. Agora, neste ano, surgiram três novas drogas, entre elas o baricitinib, inibidor que age na estrutura da célula e serve para qualquer problema reumatológico”, analisa o professor.   

A substância está presente em um remédio chamado Olumiant, fabricado pelo laboratório farmacêutico Eli Lilly, que está disponível na Europa, mas ainda não tem data para chegada no Brasil.

O medicamento é indicado para o tratamento de AR ativa nos estágios moderado e grave em adultos que não tiveram resposta adequada aos tratamentos tradicionais da doença, os antirreumatismais modificadores da doença.

Smolen explica que as chances de respostas positivas dos pacientes aos remédios comuns são de 20% a 30%, usando qualquer droga. ”Quando esses tratamentos falham, a eficácia vai ser apenas de 10 a 15%. Por isso, qualquer nova medicação é uma oportunidade para tratar mais pessoas”, afirma.

Um estudo recente, e apresentado durante o congresso, apontou que com o uso de baricitinib a resposta positiva dos pacientes que participaram da pesquisa chegou até 60%. 

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‘Tratamento não pode esperar’

A novidade é bastante aguardada pela comunidade médica e de pacientes no Brasil. Apesar de não haver cura, medicamentos especializados e fisioterapia fazem toda a diferença para a qualidade de vida do paciente com a condição. Sem ajuda médica, 20 a 30% das pessoas acometidas pela enfermidade podem ficar permanentemente incapazes de realizar suas atividades após três anos do diagnóstico.

Até que a nova droga seja aprovada em território nacional, Lívia Gonçalves, gerente médica autoimune do laboratório farmacêutico Eli Lilly, garante que a cobertura de medicamentos no Brasil é ampla e atende às necessidades da população.

“Há uma série de medicações disponibilizadas tanto no SUS quanto no setor privado. O sistema público é abastecido por todos os remédios orais, conhecidos como modificadores da doença, que são drogas sintéticas usadas para evitar o edema nas articulações, dor, limitação do movimento e degeneração óssea associada à doença. Quando os pacientes perdem a resposta e esse tipo de medicamento, podem progredir para os biológicos, que também são disponibilizados”, ressaltou Lívia.

Artrite é uma doença sem cura, mas que pode ser controlada com o uso de medicamentos e melhorada com o diagnóstico precoce

Artrite é uma doença sem cura, mas que pode ser controlada com o uso de medicamentos e melhorada com o diagnóstico precoce

Foto: Getty Images

O diagnostico precoce é outro artifício que pode ajudar no controle da doença. “A artrite reumatoide pode começar em qualquer idade. Pode atingir um bebê de dois meses ou um senhor de 90 anos. Mas o importante é tratar a doença assim que diagnosticada, e não esperar pois essa é uma doença que se modifica”, alertou o professor Smolen.

Converse com seu médico 

Autoimune, inflamatória, sistêmica e crônica, a doença é mais presente entre as mulheres e a incidência aumenta com a idade. O maior pico é entre os 30 e 50 anos. A artrite reumatoide provoca uma inflamação nas articulações, afetando seus revestimentos e provocando dores desconfortáveis e até impedindo a movimentação.

Apesar de comum, ainda falta informação à população sobre a AR. Uma das principais dúvidas é como ela ocorre. “A doença provoca uma reação no sistema imunológico, fazendo com que ele ataque os próprios tecidos e articulações do organismo”, explicou Lívia Gonçalves.

O reumatologista da Universidade Médica de Viena, na Áustria chama a atenção para uma medida importante, que deve ser tomada por quem recebe o diagnostico de artrite reumatoide além de fazer o tratamento. “Converse com o seu médico. Esteja preparado para fazer perguntas e só saia do consultório quando as dúvidas estiverem sanadas”, alerta Smolen, que reconhece o diálogo entre médico e paciente fundamental.

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Outubro Rosa: saiba o que é mito e verdade sobre câncer de mama

iG São Paulo

Homens também podem ter câncer de mama? Mulheres sem histórico familiar não precisam se preocupar com a doença? Tire suas dúvidas aqui

Outubro Rosa é o período criado para estimular a participação da população no controle do câncer de mama

Outubro Rosa é o período criado para estimular a participação da população no controle do câncer de mama

Foto: Pexels

Ao final do dia de hoje, 156 brasileiros terão recebido o diagnóstico de câncer de mama. Não, você não leu errado. São quase 60 mil novos casos por ano e a doença, apesar de ser majoritariamente feminina, ao contrário do que a maioria da população acredita, também pode acometer os homens.

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Esse, inclusive, é um dos grandes mitos que envolvem o câncer de mama. Mesmo sendo o tipo de tumor que mais mata mulheres em todo o mundo, a condição ainda é vista como um tabu pela sociedade e falta informação para que a prevenção e o diagnóstico precoce sejam feitos adequadamente.

Quanto mais o paciente souber sobre seu corpo e procurar ajuda, as chances de recuperação podem ser maiores. “A gente sabe que por ano entre 13 e 15 mil mulheres morrem de câncer de mama. O número assusta, mas sabemos também que quando uma mulher é recém-diagnosticada, apenas de 6 a 8% já recebem a notícia de câncer metastático [quando o estágio é mais avançado e atinge outros órgãos] logo de cara, e outras 8% que tiveram a doença precoce acabam desenvolvendo metástase”, explica Rafael Kaliks, oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein.

Pensando em conscientizar a população a respeito do tema, o mês de outubro é chamado de “Outubro Rosa”, onde ações são promovidas em prol da saúde da mulher. Para entender melhor sobre essa doença, que corresponde a 22% das notificações de câncer que são registradas no País a cada ano, conforme informa o Instituto Nacional de Câncer (Inca), confira a lista abaixo com mitos e verdades sobre o tema.

Só tem câncer de mama quem tem histórico familiar.

Mito – Ser filha, irmã ou mãe de mulheres que tiveram câncer de mama pode elevar o risco de desenvolver a doença em 80%. Porém, nenhuma mulher está imune à doença. Apenas pelo fato de ser mulher, a chance de desenvolver o tumor é de 12%, independente de ter casos na família. A estimativa é de que uma em cada oito brasileiras de até 70 anos terão a condição.

Quanto menos a mulher menstruar menor é a chance de ter o câncer de mama: ter filhos até os 35 anos e amamentar podem ajudar na prevenção.

Verdade – Quanto menos a mulher for exposta aos hormônios estrogênio e progesterona, menores são as chances de ter a doença. Esses hormônios estão relacionados ao ciclo menstrual, então, quando a mulher amamenta seu filho, os ciclos são interrompidos. Quanto maior o período de amamentação e o de número de filhos até 35 anos, maior é a prevenção.

Uma vez curado, o câncer de mama não volta.

Mito – Cerca de 30% das pacientes que tiveram câncer de mama apresentam a progressão da doença e metástases, mesmo quando a doença é detectada precocemente. O tumor atinge outros órgãos, como ossos, pulmão e fígado.

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Não há tratamento para câncer de mama metastático.

Mito – Atualmente, com o avanço da ciência, é possível encontrar tratamentos e medicamentos que possibilitam o controle da doença por vários anos. Os efeitos colaterais das drogas mais novas também são menores, o que aumenta a qualidade de vida de quem tem a condição.

Obesidade e sedentarismo podem aumentar as chances de ter a doença.

Verdade – O excesso de peso, principalmente após a menopausa, pode fazer com que o tecido gorduroso que se acumula no corpo produza estrogênio e aumente as chances da doença. A falta de uma vida saudável, sem prática de exercícios também pode dar brechas para o desenvolvimento do tumor. Consumir bebidas alcoólicas, mesmo que em pequenas quantidades também interfere nos níveis de estrogênio e pode agravar as chances de ter a condição.

Mamografia é o único exame para identificar o tumor.

Mito – A mamografia é o principal exame para detectar a doença. Porém, não é o único. Por isso é importante sempre seguir as recomendações médicas e realizar, anualmente, todos os exames exigidos pelo ginecologista, como ressonância magnética e ultrassom. O autoexame, que consiste em apalpar os seios na busca de caroços também deve ser feito periodicamente – mas ele não consegue encontrar vários tipos de tumores, o que não anula a consulta com o especialista.

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Dieta cetogênica na cura do câncer

Por: Dr. Andreas
imagem câncer cura

 

Uma dieta cetogênica pode ajudar pacientes com câncer cerebral como o senador John McCain dos Estados Unidos?  Pesquisas emergentes – e algumas histórias de pacientes dramáticos – sugerem que sim.

Quando a novidade começou em meados de julho, o senador John McCain tinha sido diagnosticado com uma forma agressiva de câncer de cérebro e a pesquisadora de neurocirurgia Dra. Adrienne C. Scheck, PhD, tentou enviar uma mensagem para a família McCain no Arizona, EUA. Ela postou na página do Facebook do grupo da filha dele com o link da pesquisa que ela realizou através de seu papel como professora associado de neurobiologia no Instituto Neurológico Barrow, em Phoenix Arizona, onde McCain mora.

A mensagem da Dra. Scheck para McCain: experimente a dieta cetogênica juntamente com a terapia padrão de cirurgia, radiação e quimioterapia.

Durante a última década, Dra. Scheck tem estudado o efeito de alterar o metabolismo das células cancerosas, especificamente com a dieta cetogênica, para melhorar a sobrevivência e minimizar os efeitos colaterais de pacientes com tumores cerebrais malignos. Em 14 de julho de 2017, McCain recebeu o diagnóstico de glioblastoma multiforme (GBM), um câncer notoriamente mortal que surge na glia, o tecido conjuntivo do cérebro.

O tumor cerebral GBM tem um grave prognóstico, com um tempo médio de sobrevivência de 18 meses após o diagnóstico. Para McCain, uma cirurgia de nove horas removeu um grande tumor acima do olho esquerdo no dia em que seu câncer foi diagnosticado. Então, na primeira semana de agosto, ele começou a radiação e quimioterapia, de acordo com relatos da mídia.

Dra. Scheck (foto) disse: “Com base em nossa pesquisa, definitivamente penso que alguém com um GBM deve seguir uma dieta cetogênica terapêutica o mais rápido possível, além da terapia padrão. Nossa pesquisa pré-clínica sugere que ela potencializa a radiação e a quimioterapia, e pode melhorar a resposta imune antitumoral. Mesmo os corpos cetônicos sozinhos podem ter esse efeito na cultura celular. Não há nada a perder tentando.”

Até agora, Dra. Scheck não ouviu falar da família McCain, provavelmente, ela sente muito, porque eles estão sendo inundados com todas as formas de conselhos e porque muitas pessoas, incluindo médicos, que não tem conhecimento científico que recriminam a dieta cetogênica como dietas de “moda”.

Mas Scheck enfatiza que a dieta cetogênica para o câncer não é moda. “Esta não é uma” dieta “no sentido típico da palavra. É uma terapia metabólica regimentada com um pouco de ciência revisada por pares “, diz ela. Na verdade, o Scheck não só realizou uma série de estudos promissores em modelos de ratos da doença, mas ela é a principal investigadora de um ensaio clínico atual com pacientes humanos com GBM, usando a dieta cetogênica mais radiação e quimioterapia.

O ensaio clínico teve dois objetivos: mostrar que os pacientes podem tolerar a dieta e manter baixa glicemia e altos níveis de corpos cetônicos no sangue (cetonas); e constatar se a sobrevivência dos pacientes é prolongada.

O estudo de Scheck é um dos 10 ensaios clínicos registrados em clinicaltrials.gov, atualmente estudando o papel da dieta cetogênica no tratamento do glioblastoma, oito dos quais ainda estão em andamento. Os estudos estão sendo liderados por equipes em outros três locais dos EUA, bem como na China, na Alemanha e no Reino Unido.

Levando em consideração outros tipos de câncer – incluindo pulmão, mama, pâncreas, próstata e melanoma – um total de 23 ensaios clínicos estão atualmente registrados no clinicaltrials.gov que investigam a dieta cetogênica como complemento da terapia padrão contra o câncer. Ao longo da última década, pesquisas sobre o papel da dieta cetogênica na pesquisa básica sobre câncer e nas terapias emergentes cresceram, com mais de 170 estudos ou artigos teóricos atualmente na literatura de pesquisa. O número está aumentando a cada mês.

Como os carboidratos podem alimentar o câncer

 

No coração do argumento para usar a dieta cetogênica para ajudar a combater o câncer é o fato de que as células cancerígenas precisam de glicose – uma grande quantidade dela – para alimentar seu rápido crescimento. Na verdade, isto é precisamente como um exame de PET é usada para diagnosticar câncer: uma injeção de açúcar radioativo ilumina as células cancerosas malignas porque eles usam glicose em uma taxa muito maior que as células normais. A glutamina, que é um aminoácido criado a partir da degradação das proteínas, também pode alimentar o crescimento do câncer, por isso também as proteínas são em certo grau restritas na dieta cetogênica.

As células cancerígenas famintas de glicose e da glutamina precisam crescer, e o uso de corpos cetônicos  como combustível para nossas células, ao invés de glicose e glutamina é a teoria conceitual por trás da dieta cetogênica como complemento do tratamento do câncer. “As células normais têm a flexibilidade metabólica para utilizar corpos cetônicos (cetonas) como energia, já as células cancerígenas não”, explica o Dr. Thomas Seyfried, PhD, professor de biologia no Boston College (foto).

Dr. Seyfried é o autor do influente livro de 2012 “Cancer como uma doença metabólica”. Nesse livro, bem como em trabalhos de pesquisa recentes, ele apresenta evidências de que o câncer é um distúrbio do metabolismo da energia celular, particularmente relacionado a anormalidades na estrutura e função das mitocôndrias.

Em um artigo de 2015, Dr. Seyfried e seus colegas promoveram especificamente o uso de terapia de câncer metabólico – isto é, a dieta cetogênica – como tratamento para o glioblastoma. “O objetivo é restringir as células GBM de glicose, seu principal substrato de energia”, diz Seyfried. Esta fome crônica do combustível que elas precisam para crescer (a glicose), estressa e enfraquece as células cancerosas, quando já não as mata diretamente. Isso as torna muito mais vulneráveis ​​a tratamentos como radiação, drogas de quimioterapia ou oxigênio hiperbárico. “É como um soco forte de uma só vez, enfraquecendo as células cancerígenas de uma só vez e depois outro soco forte enquanto elas estão fracas,  as matando de fome”, disse Seyfried.

Este conceito de dois socos – que Dr. Seyfried e seus colegas chamam de “matador”, foi recentemente detalhado em seu artigo de fevereiro de 2017. O quadro conceitual é estressar o câncer por falta de glicose e suprimir a sinalização de insulina (o primeiro soco), subsequentemente fazendo um ataque súbito com oxigênio hiperbárico, drogas de metabolismo ou doses mais leves de drogas quimioterapêuticas e radiação (o segundo soco).

Laboratório do Professor D’Agostino

 

Dr. Dominic D’Agostino, principal pesquisador da dieta cetogênica, ensina como entrar em cetose … e por que você pode querer isso.

“Privar as células cancerosas da glicose é como tirar o pé do pedal”, explica o co-autor de estudos Dr. Dominic D’Agostino, professor associado de farmacologia e fisiologia molecular da Universidade do Sul da Flórida e pesquisador do Instituto de cognição Humana e de Máquinas.

A extensa pesquisa de D’Agostino sobre a dieta cetogênica também foi exibida em vários vídeos disponíveis para o público. A investigação de Dr. D’Agostino de uma década tem sido focada na neurociência nutricional – como o cérebro muda em resposta a influências dietéticas. Ele começou estudar a capacidade da dieta cetogênica e da suplementação de corpos cetônicos de ajudar a prevenir convulsões associadas à toxicidade do oxigênio no sistema nervoso central, uma limitação dos mergulhadores da Marinha dos EUA.

Agora, seu laboratório, especificamente com a pesquisadora da Dra. Angela Poff, está investigando o papel da cetose nutricional como adjuvante na terapia do câncer. O vídeo da Dra. Poff sobre o metabolismo do câncer usando a cetose é um vídeo muito popular.

 

Dr. D’Agostino diz que a glicose, a insulina e a inflamação estão intimamente ligadas ao crescimento do câncer e ao tratamento e prevenção do câncer; eles estão fortemente associados à saúde metabólica das células. “Enquanto a atual teoria incompleta das origens do câncer é que ela surge através de mutações no DNA celular, a estabilidade do DNA está fortemente correlacionada ao funcionamento das mitocôndrias e do estresse oxidativo”, diz D ‘Agostino. “A cetose nutricional com jejum periódico suporta o funcionamento saudável da mitocôndria, a autofagia (reciclagem celular), a supressão do estresse oxidativo, a supressão da sinalização da insulina e a redução das vias pró-inflamatórias específicas”.

D’Agostino enfatiza que a pesquisa sobre a dieta cetogênica e câncer ainda é emergente. “Precisamos de mais dados clínicos sobre a melhor forma de aplicar esses conceitos aos pacientes com GBM”, adverte ele. “No entanto, é muito razoável para alguém com diagnóstico de GBM – com uma média de 12 a 18 meses de vida –  implementar uma dieta cetogênica (com um profissional competente) em conjunto com sua terapia padrão”.

Histórias de controle do câncer cerebral com a cetose

 

Pablo Kelly, 28, de Devon, Reino Unido (foto), não poderia concordar mais. Ele foi diagnosticado com GBM em 2014 e a dieta cetogênica salvou sua vida. “Meu GBM foi declarado inoperável devido à sua localização no meu cérebro, no lobo parietal, com um tendril entrando no meu córtex motor”, disse Kelly, que logo após o diagnóstico começou uma dieta cetogênica de calorias restritas.

Durante seus três anos de dieta cetogênica rigorosa, suplementando com cetonas exógenas, óleo MCT e suplementos anti-inflamatórios, houve encolhimento do tumor suficiente para que 90% dele pudesse ser removido por uma craniotomia no início deste ano.

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Uma análise de ressonância magnética em maio mostra que o câncer está sob controle, diz Kelly, que se conecta com as pessoas através da sua página aberta do Facebook, “Pablos Journey Through a Brain Tumor” e através de histórias de mídia, que foram compartilhadas por milhares de pessoas.  “Três anos atrás, foi difícil encontrar profissionais que estavam recomendando a cetogênica para GBM”, diz Kelly, que hoje em dia é regularmente contatado por pessoas de todo o mundo na esperança de obter mais informações sobre a dieta cetogênica para tratamento do tumor cerebral. “Eu quero inspirar o maior número possível de pessoas”.

O tratamento do tumor do canadense adolescente Adam Sorenson, com a dieta cetogênica é outra história anedótica inspiradora. Ele foi diagnosticado com GBM nível 5 em setembro de 2013, no dia seguinte do seu 13º aniversário. O tumor era do tamanho de uma bola de baseball e uniformemente fatal.

Brad and Adam Sorenson

Adolescente canadense Adam Sorenson (retratado junto com o pai Brad) 

Os médicos realizaram uma cirurgia para remover o máximo possível, mas seu pai, Brad, fez pesquisas extensas para tentar melhorar as chances de sobrevivência de seu filho. “As regras imperativas que estabeleci foram que o tratamento tinha que ser seguro, tinha que ter pelo menos alguns dados de ensaios clínicos publicados, e tinha que ser acessível”. Os pais também consultaram com o Dr. Jong Rho, especialista em dieta cetogênica para a epilepsia e um ex-mentor do Dr. Scheck no “Instituto Neurological Barrow” que havia sido recrutado para o hospital do instituto do cérebro Hotchkiss da Universidade de Calgary.

A família dele também consultou com os médicos e cientistas Dr. Seyfried, Dr. D’Agostino e Scheck.

Eles recomendaram um protocolo que incluiu uma dieta cetogênica consistindo em 80% de gordura, 15% de proteína e 5% de carboidratos combinados com tratamento de radiação, oxigênio hiperbárico e a droga metformina. Quatro meses após o início do tratamento, Adam teve uma ressonância magnética em fevereiro de 2014 que não apresentava tumor visível.

Treze ressonâncias magnéticas MRI subseqüentes até hoje mostraram que ele permanece livre de câncer até hoje. Adam permaneceu na dieta cetogênica e metformina desde então. “É basicamente uma dieta com quantidades muito baixas de carboidratos, com muita nata, ovos, bacon, nozes e sementes”, diz o pai.

Em um vídeo super interessante, Adam diz que a dieta nem sempre foi fácil como adolescente, especialmente quando estava com amigos. “Quando percebi que não conseguiria comer pizza e doces, fiquei um pouco triste. Mas pensei, vai me fazer viver! “.

O garoto Adam foi um orador principal em novembro passado no Simpósio Global de Terapias Cetogênicas, realizado em Banff Alberta e patrocinado pela Fundação Charlie para terapias cetogênicas. A fundação começou como uma organização focada na dieta cetogênica para o controle da epilepsia, mas agora se ramificou para o uso em câncer cerebral, autismo e outros distúrbios cognitivos.

“O protocolo cetogênico do garoto Adam convida muitas críticas de médicos preconceituosos que nunca estudaram o assunto”. Então, a família Sorenson simplesmente diz às pessoas o que fizeram para Adam, compartilha uma plataforma de slides com seu protocolo e sua lógica com referências científicas e encoraja as pessoas a encontrar um profissional qualificado.

“Eu acredito que a dieta ajuda muito a melhorar a potência e a eficácia de outros tratamentos contra o câncer”, diz Brad. “Estou muito consciente de que a história de Adam é anedótica. Mas estou totalmente confiante de que se tivéssemos seguido apenas o tratamento padrão, Adam não estaria vivo hoje “.

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Ministério da Saúde divulga novo remédio para tratamento de pacientes com HIV

iG São Paulo

Em congresso, ministro da Saúde fala sobre a droga, que é bastante potente e provoca menos efeitos colaterais que os outros medicamentos tradicionais

Ricardo Barros%2C Ministro da Saúde, falou sobre o novo tratamento para HIV durante congresso, em Curitiba

Ricardo Barros%2C Ministro da Saúde, falou sobre o novo tratamento para HIV durante congresso, em Curitiba

Foto: Valter Campanato/ABr

O Ministério da Saúde anunciou nesta sexta-feira (29) que vai ampliar a oferta do antirretroviral Dolutegravir no tratamento de todos os pacientes com HIV no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). A expansão foi declarada pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, durante o 11º Congresso de HIV/Aids e 4º Congresso de Hepatites Virais, em Curitiba.

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De acordo com a pasta, hoje o Dolutegravir é utilizado por 100 mil pessoas, mas até o final de 2018 mais de 300 mil indivíduos que vivem com HIV terão acesso ao medicamento. Para quem utiliza o Efavirenz, a troca de terapia será gradual.

Segundo informou o ministério, o antirretroviral é considerado um dos melhores tratamentos para a Aids no mundo. Ele apresenta alta potência e um nível muito baixo de efeitos colaterais, aspecto considerado bastante importante para a adesão e o sucesso do tratamento contra o vírus da imunodeficiência humana. O custo para a implementação da droga é de R$ 1,1 bilhão, porém, não deverá alterar o orçamento atual do governo.

Desde o começo da epidemia, em 1980, o Brasil já registrou 842.710 casos de Aids, considerando até junho de 2016. O País tem registrado, anualmente, uma média de 41,1 mil casos da doença nos últimos cinco anos.

Em relação à mortalidade, de 1980 até dezembro de 2014 foram identificados 303.353 óbitos cuja causa básica foi a Aids. Houve uma redução de 5% nos últimos anos, passando de 5,9 óbitos por ano por 100 mil habitantes em 2006 para 5,6 óbitos em 2015.

Transmissão vertical

Durante o evento, o ministro Ricardo Barros recebeu o processo de solicitação da Certificação da Eliminação da Transmissão Vertical (TV) do HIV do município de Curitiba. A capital do Paraná é um dos primeiros municípios a aderir à certificação de eliminação desse tipo de transmissão do vírus, quando é feita de mãe para filho, durante a gestação ou o parto.

A iniciativa foi lançada em novembro do ano passado, numa tentativa de incentivar o engajamento de municípios na eliminação da transmissão vertical. A certificação será emitida por um Comitê Nacional, em parceria com estados, que fará a verificação local dos parâmetros.

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O documento será concedido a municípios com mais de 100 mil habitantes que atendam a dois critérios. O primeiro é registrar taxas de detecção iguais ou inferiores a 0,3 para cada mil crianças nascidas vivas. O segundo é ter proporção menor ou igual a 2% de crianças com até 18 meses expostas ao vírus que foram identificadas como infectadas e estão em acompanhamento na rede pública.

Profilaxia Pré-Exposição

No congresso também foi lançado o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) de risco à infecção pelo vírus. A medida de prevenção reduz o risco da infecção antes da exposição, por meio do uso de medicamentos antirretrovirais (tenofovir associado à entricitabina) em pessoas não infectadas e que mantêm relações de risco com maior frequência.

Entre o público-alvo da medida estão homens que fazem sexo com homens, gays, travestis, transexuais, profissionais do sexo e casais soro diferentes. Entretanto, o fato de fazer parte desses grupos não é suficiente para caracterizar indivíduos com exposição frequente à doença.

Porém, a profilaxia não previne outras infecções sexualmente transmissíveis, ou seja, não dispensa o uso de preservativo.

De acordo com o ministério, o Brasil é o primeiro país da América Latina a oferecer a PrEP no sistema público de saúde. A implantação ocorrerá de forma gradual, a partir de dezembro deste ano, em 22 cidades de todo o país: Manaus (AM), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Juiz de Fora (MG), Uberaba (MG), Passos (MG), Recife (PE), Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ), Niterói (RJ), Duque de Caxias (RJ), Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS), São Paulo (SP), São Bernardo do Campo(SP), Ribeirão Preto (SP), São Jose Rio Preto (SP), Campinas (SP), Santos (SP), Piracicaba (SP).

Aplicativos

Também foram lançados aplicativos para ajudar profissionais de saúde e população na atenção à saúde das pessoas vivendo com HIV e Aids. Eles estarão disponíveis a partir deste sábado (30). O aplicativo Viva Bem funcionará como um diário para esses cidadãos, onde será possível inserir lembretes de medicamentos, acompanhar exames, tirar dúvidas sobre esquemas dos medicamentos e monitorar CD4 e carga viral.

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*Com informações da Agência Brasil

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