Homens devem enxugar o pênis após urinar

Ensinadas desde cedo a limpar a região íntima, as meninas crescem sabendo quais cuidados ter ao terminar de urinar, após uma relação sexual e também ao tomar banho. O reflexo disso está nas prateleiras do mercado: existem inúmeros sabonetes específicos para essa parte do corpo feminino e até mulheres que usam esses sabonetes desnecessariamente, buscando muitas vezes uma assepsia extrema, chegando a tirar os odores naturais dessa região. Por outro lado, vemos que os cuidados masculinos com o órgão sexual não têm o mesmo nível — e em alguns casos são até inexistentes. Será que há uma justificativa médica para diferença no cuidado?

Veja também: Higiene íntima masculina requer cuidados que muitos não têm

Segundo o doutor Sidney Glina, urologista do Hospital Israelita Albert Einstein, não. “É uma questão de higiene e saúde. Há uma educação maior quando se trata do sexo feminino em relação à região íntima, mas tanto homens quanto mulheres devem olhar com atenção especial para os cuidados com essa parte do corpo.” Homens que têm o prepúcio longo (pele que recobre a glande), por exemplo, devem secar o pênis após urinar, assim como as mulheres sempre fazem com a vagina. Mesmo os homens circuncidados que não terminem a micção completamente também devem ter esse cuidado. “O que geralmente ocorre é que, com a pressa em terminar de urinar, um pouco da urina fica ainda na uretra, extravasa e deixa o pênis e a roupa úmidos”, alerta o doutor Newton Soares de Sá Filho do São Camilo, urologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. O líquido em contato constante com a pele pode ser uma fonte de inflamações e até infecções.

A higiene não para por aí: durante o banho, a limpeza correta deve ser feita trazendo o prepúcio para trás e lavando todo o pênis com a água e o sabão do próprio banho. Depois, o órgão deve ser seco. Novamente, o prepúcio deve ser “puxado”, seco e só depois pode ser levado de volta à posição original. Após as relações sexuais, o procedimento deve ser o mesmo.

É importante ressaltar que caso a região íntima não seja corretamente limpa, as consequências podem ser severas. “O problema mais comum é a balanite, que consiste na inflamação da pele que recobre a glande. O mais grave é o câncer de pênis. Ambos são associados à inadequada higiene peniana”, alerta Soares de Sá Filho. E engana-se quem pensa que o câncer de pênis é incomum. De acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer), em 2009 surgiram 4637 novos casos de tumor peniano. “No Maranhão, por exemplo, há mais casos de câncer de pênis do que de próstata”, avisa Glina. Lá, um caso surge a cada 16 dias, e muitos chegam à amputação.

“O homem deve ter o hábito de observar o próprio corpo e ir ao médico ao menor sinal de alteração. Qualquer lesão é importante, porque uma ferida pequena pode evoluir para algo maior e mais difícil de tratar”, diz Glina. Nada melhor, portanto, que ensinar desde cedo os meninos a cuidarem de si mesmos, não é? Se é de pequeno que se torce o pepino, que de pequeno se lave o pepino também.

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Dr. Drauzio Varella

Novo remédio para diabetes reduz 38% do risco de morte por doenças do coração

Elioenai Paes

Estudo de eficácia e segurança mostrou que além dos efeitos sobre a glicose, o medicamento protege o sistema cardiovascular de pacientes em alto risco

O diabetes é uma doença endocrinológica grave que, se não controlada adequadamente, pode danificar muitos órgãos do corpo e levar à morte. De oito a dez milhões de brasileiros sofrem com a doença e uma das maiores causas de morte em decorrência dela são as complicações cardiovasculares.

Um remédio lançado este ano com o objetivo principal de eliminar a glicose do sangue de diabéticos tipo 2 também se mostrou eficaz ao reduzir em 38% o risco de problemas cardíacos como infarto, AVC e insuficiência cardíaca, diz uma pesquisa publicada no periódico científico New England Journal of Medicine.

Glicose alta afeta os vasos sanguíneos, pode alterar os lipídios e favorecer o depósito de gorduras nas artérias, aumentando o risco cardiovascular

Glicose alta afeta os vasos sanguíneos, pode alterar os lipídios e favorecer o depósito de gorduras nas artérias, aumentando o risco cardiovascular

Foto: Thinkstock/Getty Images

O organismo sofre uma série de alterações metabólicas com o diabetes, explica o coordenador do estudo no Brasil e doutor em cardiologia pelo Instituto do Coração da USP (Incor), Francisco Kerr Saraiva.

“Essas alterações estão associadas à inflamação no organismo e a outros problemas relacionados a alterações de lipídios. A própria glicose alta causa reações agressivas nos vasos e aumenta a chance da pessoa vir a desenvolver aterosclerose (depósito gorduroso nas artérias)”, diz ele.

Além de doenças coronarianas o diabetes pode danificar o rim e provocar o AVC. “Durante décadas a comunidade científica vem buscando algo que pudesse proteger a população diabética contra o infarto, além de controlar a glicose”, conta o médico. “Alguns remédios para diabetes inclusive aumentavam os problemas cardiovasculares.”

O objetivo dos cientistas aparentemente foi encontrado: segundo o estudo, o medicamento (empagliflozina) conseguiu reduzir em 38% as mortes por doenças cardiovasculares em pacientes de alto risco e que já haviam sofrido alguma intercorrência cardíaca. “É uma redução gigantesca, um grande avanço e um grande marco. Pela primeira vez conseguimos mostrar esse efeito.”

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A empagliflozina atua de forma diferente da maioria dos outros medicamentos contra o diabetes tipo dois. “Há várias classes de medicamentos que aumentam a secreção de insulina pelo pâncreas, outros que aumentam a sensibilidade da insulina pelo organismo, outros que fazem a reposição desse hormônio”, conta o médico.

Esse medicamento, no entanto, atua inibindo a reabsorção de glicose pelos rins. O corpo entende que a glicose é energia e não quer perdê-la, mas o remédio consegue fazer com que essa glicose seja eliminada na urina, diminuindo a circulação dela no sangue. Com isso, reduz o diabetes.

A descoberta que a empagliflozina poderia reduzir 38% das mortes por problemas cardiovasculares em pacientes diabéticos veio por acaso.

“Esse estudo foi exigido pelo Food and Drug Administration (FDA) porque já houve casos de remédios para diabetes que aumentavam o risco cardiovascular. Agora todo medicamento tem que passar por esse teste, para ver se não traz malefícios ou ao menos não munda em nada”, conta o médico. “Nesse estudo de segurança e eficácia, aconteceu essa surpresa”, conta Saraiva.

Esse medicamento, portanto, pode beneficiar a população diabética de alto risco, que já tiveram algum problema cardiovascular em decorrência da doença. Somente um médico, no entanto, é quem avalia e pode indicar esse medicamento.

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Saúde: bem-estar, dicas de alimentação, dieta e exercícios – iG

Vamos nos permitir

Culpa. Quem nunca sentiu culpa por ter comido demais? E não, essa culpa não tem nada a ver com a nossa herança judaíco-cristã ou com o pecado capital da gula. E, infelizmente, nem sempre tem a ver com a sensação de estar forçando demais o corpo e a saúde. Essa culpa que a gente sente diante de uma comida que a gente gosta, e que não é uma “folha de alface”, vem do patrulhamento da magreza, do policiamento do corpo e do “politicamente saudável”. O nosso prazer de comer vai ficando cerceado pela culpa.

Diante de um bolo de chocolate, com aquela calda deliciosa caindo pelas bordas, somos todos culpados! Sim, nós nos rendemos, e como já fracassamos por ter comido o primeiro pedaço, por que não comer mais um, e mais um? E agora que o bolo de chocolate já foi, por que não atacar aquele sorvete que estava na clausura congelante do freezer? E agora que já está tudo perdido mesmo, por que não comer pizza no jantar? E como já é quinta-feira, por que não se entregar à insaciante loucura bipolar de comer tudo o que der vontade, intercalada com momentos de profundo sentimento de fracasso e culpa, até segunda-feira quando prometemos voltar ao auto-flagela com a folha de alface e as abdominais?

“A “folha de alface” é a metáfora do castigo
e o caminho para a redenção depois que metemos o pé na jaca”

E assim é a relação que vamos vivendo com a comida. Tentação, entrega, negação, culpa, auto-flagelo, redenção. Parece que estamos sempre tentando nos redimir por ter comido o que não devíamos. Por ter caído em tentação, vem o castigo da “folha de alface”: Ah, agora é uma semana comendo só folha de alface!

Aí vem um efeito emocional terrível: aquilo que é saboroso, mas que às vezes precisa ser redescoberto pelo nosso paladar, ganha o estigma da “comida saudável”, “comida da dieta”, de “castigo”… e parece que fica chato e perde todo o sex appeal gustativo.

Quando estamos na mood “dieta”, a “folha de alface” é o demônio, é aquilo que nós odiamos e que nos afasta do que desejamos. Mas quando estamos com o pé mergulhado na jaca, a mesma “folha de alface” de repente se torna a nossa redenção. Tão maluco isso, não é?! Gente, é só comida! Não precisamos sofrer tanto! Podemos e devemos relaxar, sentir prazer com o ato de comer, quebrar tabus, deixar o maniqueísmo alimentar de lado. Precisamos nos reconciliar com a comida, com o nosso corpo.

Não há nada melhor do que sentir que estamos no controle da situação. Ter consciência do que comemos é a melhor forma de nos livrarmos da culpa. Saber que estamos comendo algo que está nutrindo corpo e alma é reconfortante e muito prazeroso.

Vamos deixar a culpa de lado? Vamos nos permitir? Vamos nos libertar? Vamos libertar a coitada da “folha de alface” desse estigma? Sem ansiedade, sem arrependimento. Você pode sim comer o seu desejado bolo de chocolate. Mas esse bolo de chocolate vai ter um sabor muito mais especial se você souber que ele foi feito da melhor forma que pode ser feito, com tudo de bom que o seu corpo merece.

Coma devagar, coma com prazer, coma com um sorriso no rosto, coma com leveza, coma com equilíbrio, coma de modo consciente, nutra o seu corpo e a sua alma com aquilo que come. Sentir isso é um prazer sem culpa. E tudo é uma questão de escolha.

Vamos nos permitir?!

Beijos,
Carol :*

PS.: Ah, e para você não passar vontade, toma aqui essa receita de… mousse de chocolate rsss. Mas a receita de bolo de chocolate fica prometida 😉

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Fale com a Nutricionista

OMS alerta sobre envelhecimento da população

A OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgou n semana do dia 28/09/2015 o relatório Mundial sobre o envelhecimento da população. A organização revela que o número de pessoas com 60 anos no mundo dobrará até 2050. Nos próximos 35 anos haverá 64 milhões de pessoas, ou seja, 30% da população do planeta terá mais de 60 anos. No Brasil, a situação não será diferente, já que temos atualmente 23 milhões de idosos, o que representa cerca de 12% da população. Em tese, em poucos anos seremos uma nação de idosos (classificação dada aos países com mais de 14% da população constituída por pessoas da terceira idade).

Veja mais
– Para retardar o envelhecimento

Assista
– Idosos e atividade física

Para se ter uma ideia, uma criança nascida hoje no Brasil vai viver 20 anos mais do que as que nasceram há cinco décadas. A questão é: o Brasil está preparado? Segundo Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional para Longevidade Brasil e membro da Rede Global de Cidades e Comunidades Amigáveis aos Idosos da OMS, o país está envelhecendo antes de se tornar rico, e isso é um problema.

Na verdade, enquanto países como o Canadá, que têm a metade do número de idosos do Brasil, já estão com políticas públicas e de infraestrutura preparadas, aqui o processo ainda está caminhando e com muitos gargalos estruturais. “O Brasil está entrando num buraco sem fundo. Atualmente, a expectativa de vida da população é de 75 anos. Entretanto, sabemos que os últimos 10 anos, na maioria das vezes, são vividos de maneira muito precária por conta de enfermidades. O idoso não se torna autossuficiente. Doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, que são as grandes causas de morte na terceira idade, começam a dar sinais cedo e poderiam ser controladas. A falta de informação, acesso a dietas mais saudáveis e colocar atividade física como prioridade influenciam diretamente nessa questão. Por isso a necessidade da prevenção. As consequências, portanto, são péssimas, já que teremos idosos doentes. O resultado é que o país terá que destinar verbas de outros setores para a saúde”, esclarece.

O documento da OMS explica que, enquanto algumas pessoas estão de fato vivendo mais e mais saudáveis, elas geralmente pertencem a classes mais ricas da sociedade. O chefe do departamento de Idosos da OMS, John Beard, afirmou que “as pessoas dos países mais pobres e com menos oportunidades e recursos são as que apresentam as condições de saúde mais frágeis”.

No relatório, eles destacam algumas medidas fundamentais para que os países não sejam surpreendidos pela demanda de idosos, como desenvolver sistemas de cuidados de longo prazo — que devem ser iniciados antes de a pessoa idosa perder alguma de suas capacidades, e não quando o processo de degradação da saúde já está ativado, além de um alinhamento real dos sistemas de saúde às necessidades das pessoas mais velhas.

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Dr. Drauzio Varella

Doença rara e feminina, LAM tem difícil diagnóstico e não tem cura

Agência Brasil

“Eu sentia um cansaço sem fim, mas pensava que era estresse”; doença atinge principalmente mulheres entre 20 e 30 anos

Uma doença rara e basicamente feminina, a linfangioleiomiomatose, mais conhecida como LAM, não é facilmente diagnosticada e tem sintomas muito parecidos com os de outras doenças pulmonares, como asma, bronquite e enfisema. Segundo o pneumologista Bruno Baldi, do Hospital das Clínicas, em São Paulo, até seus colegas de especialidade muitas vezes têm dificuldade para perceber o quadro.

Doença rara causa falta de ar, dor no tórax e muito cansaço

Doença rara causa falta de ar, dor no tórax e muito cansaço

Foto: Thinkstock/Getty Images

No ano passado, quando foi diagnosticada com a doença aos 39 anos, a bióloga Verônica Borges disse que toda a família ficou assustada. “Ficamos todos em choque. Descobrir que se tem uma doença progressiva e sem cura não é fácil, ainda mais tendo filho de nove anos”, lembrou.

“Eu sentia um cansaço sem fim, mas pensava que era estresse”, contou Verônica. Ela só buscou ajuda médica quando começou a sentir dores abdominais, fez uma tomografia que pegou parte dos pulmões e o especialista viu que havia algo errado. Geralmente, a pessoa com LAM procura ajuda médica quando sente falta de ar, dor no tórax ou nas costas.

O diagnóstico é feito por tomografia computadorizada do tórax e biópsia do tecido pulmonar. “Ela pode não sentir nada, às vezes vai fazer uma radiografia, tomografia de tórax por qualquer motivo e descobre que tem lesões características no pulmão”, disse Baldi.

Ele explicou que a LAM é um tumor de multiplicação lenta, que atinge principalmente mulheres na faixa etária de 20 a 30 anos. “Em quem tem LAM ocorre uma multiplicação de células diferentes, que leva à obstrução e lesão do pulmão e, eventualmente, pode estar associada a lesões em outros órgãos.

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O especialista disse que a estimativa é que de 400 e 500 mulheres tenham a doença no Brasil. Em alguns casos, a paciente só precisa fazer o controle, com exames a cada seis meses. Não se sabe ao certo o que causa a LAM e não existe cura mas, em algumas mulheres, a progressão é muito lenta.

Em outras, no entanto, a doença inabilita até para atividades rotineiras, como tomar banho. Segundo Baldi, referência no tratamento, cerca de 30% das pacientes precisam de medicação, as demais apenas fazem controle semestral.

A recomendação da Associação LAM do Brasil (Alambra) para as pacientes é seguir o mesmo estilo de vida saudável recomendado a todos, inclusive praticar exercícios físicos. Não é recomendado viajar para lugares onde não há ajuda médica por perto ou para regiões muito altas, onde as bolhas do pulmão tendem a se expandir, podendo provocar a ruptura.

Verônica, que também é vice-presidenta da Alambra, disse que as pacientes que precisam de medicamentos muitas vezes não conseguem pela rede pública, já que a doença não tem protocolo específico. Segundo a bióloga, em muitos casos é preciso entrar na Justiça para conseguir o remédio  sirolimus, que na rede pública é destinado a pacientes transplantados e que nas farmácias custa cerca de R$ 2 mil por mês de tratamento.

O Ministério da Saúde informou, em nota, que o medicamento precisa ter a eficácia comprovada para o tratamento da LAM, antes de ser disponibilizado para o tratamento da doença e que essa avaliação deve ser feita pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde, o que não foi feito nesse caso.

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Por que voltamos a ganhar peso?

quadrado incial

Por Mark Sisson

É uma história milenar. As pessoas tem uma enorme quantidade de peso a perder e se livrar através de uma combinação de dieta, exercícios e modificações de estilo de vida. E elas se sentem fantásticas. Elas têm energia durante dias, a pele brilha, elas exalam confiança recém descoberta e elas experimentam outros milagres pequenos. Muitos de vocês viveram isso. Mas então algo acontece: a perda de peso para, ou pior, ela inverte. Elas podem manter o peso sob controle desde que a sua dieta seja inflexível sem pular nenhuma treino, mas assim que escorregar, mesmo que seja apenas um pouco, elas ganham peso. E quando ganham, elas parecem ganhá-lo mais rápido e mais facilmente do que deveria ser normal. Isso simplesmente não parece justo.

O que esta acontecendo aqui?

mark porque engordamos

Tudo se resume a forma de como ganhamos e perdemos peso como seres humanos.

Veja, há dois tipos de ganho de gordura: hipertrófica e hiperplásica. Hipertrofia do tecido adiposo é quando as células de gordura existentes ficam maiores. Hiperplasia do tecido adiposo é quando novas células de gordura são criadas.

A grande maioria das células de gordura são criadas e estabelecidas durante a infância e adolescência. Durante a primeira infância e de idades de 9 a 13 parecem ser especialmente fases cruciais para hiperplasia adiposa. Após a adolescência, você está preso com o número de células de gordura que seu corpo fez. Existem algumas diferenças regionais em como os adultos ganham gordura corporal, com a superalimentação e criação de novas células de gordura na parte inferior do corpo, mas não gordura corporal superior, porém a maior parte do número de células de gordura que uma pessoa tem é fixa durante a adolescência e apenas aumenta em adultos com obesidade. Se as células de gordura existentes estão cheias até o limite e não há outro lugar para colocar a energia nova, o corpo irá criar novas células.

Na verdade, a hiperplasia adiposa em um adulto é um recurso de segurança. Por mais que eu odeie a idéia de adicionar inteiramente novas células de gordura em nosso corpo, elas são depósitos para o excesso de energia. Se você não tem as células de gordura extra, você vai começar a depositar gordura no fígado e em torno dos outros órgãos – basicamente, qualquer lugar. Isso pode ter efeitos desastrosos sobre a nossa saúde. Os estudos em animais mostram que a indução da hiperplasia do tecido adiposo para o excesso de energia alivia os sintomas da diabetes tipo 2 em ratos obesos, enquanto a obesidade hipertrófica (células de gordura maiores) está associada com a diabetes de tipo 2. A esse respeito, hiperplasia atrasa o desenvolvimento da esteatose hepática, diabetes e outras doenças decorrentes do acúmulo de nutrientes severamente excessivo, fornecendo um lugar para colocar os nutrientes.

A perda de peso não remove essas células de gordura, no entanto. Ela suga a gordura a partir das células adiposas já existentes, deixando as células vazias para trás. Uma pessoa obesa que anteriormente fez dieta e exercícios e chegou até 15% de gordura corporal ainda tem o mesmo número de células de gordura que ela tinha quando estava com 35% de gordura corporal. A gordura é apenas mais espalhada entre as células, o que faz com que a recuperação do peso seja comum. Por quê?

Está relacionado com hormônio da saciedade, a leptina.

Muitos dizem que a leptina reflete a massa gorda. Isso é verdade, mas não é a história completa. Os níveis de leptina refletem a massa de gordura e o tamanho de cada uma das células de gordura. Isto significa que tecido adiposo total (a gordura corporal em todo o corpo) e o tamanho das células de gordura individuais afetam a secreção de leptina, com pequenas células de gordura (das quais os ex-obesos têm em abundância) secretam cerca de 1/7 mais leptina que uma célula de gordura maior. Se você estiver andando por aí com uma tonelada de células de gordura minúsculas, quase vazia após a perda de peso, você vai secretar muito menos leptina do que uma pessoa perpetuamente magra, que sempre teve mais ou menos à mesma percentagem de gordura corporal. Isto tem vários efeitos que predispõem o ex-obeso a recuperação do peso:

  • Seu gasto calórico cai. A leptina regula a quantidade de energia que é queimada (e quanta atividade física foi feita). Se os níveis de leptina são baixos, a pessoa não vai querer fazer exercícios como gostaria caso não fosse ex-obesa e ela queima menos energia fazendo isso. 
  • Seu apetite aumenta. Em uma pessoa que sempre foi magra cujas células de gordura são maiores e menos numerosas, a leptina adequada mantém a homeostase do apetite regulado. Se os receptores de leptina em seu hipotálamo (cérebro) não estão recebendo muita ativação, no entanto, o cérebro assume que você está morrendo de fome e precisa de mais alimentos. Os efeitos dos hormônios da saciedade pós-prandial são inibidos (de modo a sentir mais fome mais rápidamente após as refeições) e a sinalização do apetite é ativada (para você ficar realmente com fome). Os mecanismos corporals de recuperação do peso perdido são desencadeados.
  •  Os tecidos periféricos ficarão preparados para armazenar, em vez de queimar nutrientes. As células de gordura pequenas têm uma espécie de “memória de gordura.” Uma vez estabelecidas, estas células de gordura novas são mais prováveis de recuperar o peso perdido na presença do excesso de energia (que, como você se lembra, os seus níveis de leptina estão induziem seu consumo).

Isso torna as coisas mais difíceis para o ex-obesos ou com ex-sobrepeso. Mesmo se elas perderem 50 kg e jogando para baixo a porcentagem de gordura corporal para um nívei ideal, elas ainda mantem todas estas células de gordura que “querem ganhar peso”, aumentar a fome e impedir que haja muito gasto calórico.

Existe algum método para abater as células de gordura “extra”? Existem métodos que funcionam, mas são provavelmente inviável ou têm efeitos colaterais indesejáveis:

Adipotide é uma droga experimental de perda de peso que mata as células de gordura, cortando seu suprimento sanguíneo. Isso causa a perda de peso rápida em macacos e os testes em humanos estão em andamento. Algumas cobaias humanas já se submeteram ao teste, é claro, mas os seus resultados preliminares não parecem muito promissores, a menos que você goste de danos nos rins, hipoglicemia, urina turva, controle da bexiga problemático e dor constante. Eu faria uma longa espera para ver se um dia a droga se mostra segura.

A leptina pode programar a morte celular nas células de gordura. Claro, uma vez que as células de gordura em sua maior parte vazias secretam muito pouca leptina, o ex-obeso não conta com seu tecido adiposo fornecendo leptina suficiente como nas outras pessoas. A terapia com leptina funciona bem para matar células de gordura, mas é muito cara (algo tipo 600 mil por ano).

A suplementação de ácido linoleico conjugado de alta dose pode induzir apoptose de células de gordura em ratos com excesso de peso, mas também causa diabetes lipodistrófica, resistência à insulina, hiperinsulinemia e inchaço do fígado. Estes não são efeitos colaterais da eliminação das células de gordura. Eles são características. Melhor obter seu ALA através de carnes ou produtos lácteos alimentados com capim.

Há uma série de compostos de plantas que funcionam em animais como os extratos de chá verde e o resveratrol. Será que beber chá verde matcha e malbec chileno destroi suas células de gordura? Provavelmente não, mas não pode doi tentar e eles certamente podem ser adições saudáveis ​​a uma dieta.

 Lipoaspiração remove células gordas em regiões desejadas, embora a viabilidade da manutenção a longo prazo destas perdas não esteja claro. Os estudos em animais indicam que a remoção cirúrgica de células de gordura redireciona o ganho de gordura subsequente para diferentes partes do corpo. Em um estudo recente, os indivíduos que fizeram a lipoaspiração recuperaran seu peso perdido dentro de um ano, tudo isso vai de barriga ao estoque visceral.

Algo que funciona bem é termogênese fria (cold thermogenesis). Converte as células brancas existentes em células marrons. Infelizmente, as pessoas teriam que fazer todo ano e dificilmente alguem estaria disposto a fazer isso, a não ser que viva no Alaska. 

Não há respostas fáceis, infelizmente. É um fato simples que o ex-obeso tem que trabalhar mais , exercer mais força de vontade e ser mais exigente com suas dietas para evitar a recuperação do peso. Mas isso pode ser feito e até que tenhamos segurança, métodos  eficazes e de longa duração para remover ou causar a morte limpa de células de gordura não desejadas, ou até que a terapia de leptina se torne rentável, espero que aqueles de vocês que perderam peso e querem evitar seu ganho novamente tenham sucesso na sua nova jornada de vida saudável.

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