Entidades repudiam abordagem sobre diabetes em vídeo do Portas dos Fundos

iG São Paulo

Esquete mostra um youtuber injetando 25 mililitros de insulina como uma “brincadeira”; Sociedade Brasileira de Diabetes pede a exclusão do conteúdo

Em vídeo%2C personagem que representa um youtuber aborda diabetes de maneira irresponsável%2C segundo entidades

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Foto: Reprodução/YouTube Porta dos Fundos

Um vídeo publicado pelo canal de humor Porta dos Fundos nesta quinta-feira (9) não agradou entidades que atuam para a conscientização e prevenção da diabetes. No esquete, Gregório Duvivier ironiza o comportamento de youtubers interpretando um deles, mas foi criticado pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e ADJ Diabetes Brasil.

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No esquete, um youtuber decide lançar um desafio de tomar injeções de insulina – hormônio usado para controlar os níveis de açúcar no sangue em pessoas com diabetes -, depois de ter comido diversos alimentos calóricos. Em tom de deboche, ele diz que vai injetar 25 mililitros de insulina no organismo e acaba morrendo.

“No intuito de fazer uma crítica a outros ‘youtubers’, [o vídeo] retrata o diabetes de uma forma errônea. Diabetes é uma doença crônica e um dos grandes problemas de saúde pública no nosso país. Além de transmitir informações infundadas sobre a doença, nota-se no vídeo a ridicularização do profissional de enfermagem e do uso indiscriminado da insulina, que pode acarretar sérios problemas de saúde, inclusive induzir ao coma ou até mesmo ao óbito”, escreveu a ADJ Diabetes Brasil em comunicado.

A SBD ressalta a seriedade da doença, que acomete aproximadamente 13 milhões de pessoas no Brasil e cuja “desinformação a respeito da condição ainda é grande”.

“Para se ter uma ideia do ainda grande desconhecimento acerca da doença, dados do levantamento destacam que apenas 5% dos brasileiros julgam necessário seguir orientações médicas para controlar o diabetes. Dessa forma, vídeos como o produzido pelo Porta dos Fundos reforçam a disseminação de informações equivocadas e que podem causar, direta e indiretamente, danos à saúde da população”, declarou a SBD em nota.

A entidade ainda solicitou ao canal Porta dos Fundos que exclua o conteúdo e pediu ainda uma retratação pública “às pessoas com diabetes, às suas famílias, aos profissionais que lutam pela educação em diabetes e a vigília diária para controlar os efeitos da doença”.

Veja a nota da SBD na íntegra:

“A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) repudia, com indignação e veemência, o vídeo do Canal Porta dos Fundos intitulado “YouTuber”, divulgado em 9 de agosto de 2018. Na tentativa de criticar outros produtores de conteúdo do youtube, o personagem diz que vai injetar 25 mililitros de insulina no organismo, enaltecendo o uso indiscriminado e totalmente errado do hormônio, além de ridicularizar pessoas com diabetes e profissionais de saúde envolvidos no cuidado do paciente.

Longe de ser considerada uma brincadeira, o diabetes é uma doença crônica, que acomete aproximadamente 13 milhões de pessoas no Brasil e cuja desinformação a respeito da condição ainda é grande, como apontou recente pesquisa Datafolha lançada recentemente pela Coalizão Para Sobreviver, da qual a SBD faz parte juntamente com associações de pessoas com diabetes. Para se ter uma ideia do ainda grande desconhecimento acerca da doença, dados do levantamento destacam que apenas 5% dos brasileiros julgam necessário seguir orientações médicas para controlar o diabetes. Dessa forma, vídeos como o produzido pelo Porta dos Fundos reforçam a disseminação de informações equivocadas e que podem causar, direta e indiretamente, danos à saúde da população.

É importante destacar outros dados mundiais da International Diabetes Federation (IDF), que evidenciam os riscos do mau controle do diabetes: a cada 20 segundos, uma pessoa tem amputação de membros graças à doença; a condição é a maior causa de cegueira; a cada seis segundos uma pessoa morre por causa do diabetes e 80% das mortes decorrem de complicações como infartos e AVC (derrame).

É preciso que a sociedade se mobilize para que esse tipo de desinformação não tenha propagação. Diabetes é uma doença grave e se complica quando não controlada e exclui e marca a vida com lutas diárias.

Solicitamos, publicamente, ao Canal Porta dos Fundos a exclusão do conteúdo e uma retratação imediata às pessoas com diabetes, às suas famílias, aos profissionais que lutam pela educação em diabetes e a vigília diária para controlar os efeitos da doença. Os ativos de comunicação, como o site www.diabetes.org.br, com o vasto arsenal de informações, são uma fonte adequada e responsável. 

SBD convida os representantes do Canal Porta dos Fundos para uma visita aos seus ativos e até mesmo à sede,  para que possam conhecer dados e esclarecer quaisquer dúvidas. Isso reforça o compromisso com a educação e informação. A SBD, portanto, está à disposição para colaborar na produção de conteúdos relacionados ao diabetes.”

Desinformação colabora para falta de diagnóstico de diabetes

Diabetes acomete aproximadamente 13 milhões de pessoas no Brasil , segundo SBD

Diabetes acomete aproximadamente 13 milhões de pessoas no Brasil , segundo SBD

Foto: shutterstock

Apesar dos perigos, a detecção precoce e o controle adequado da condição pode ajudar a evitar todas essas complicações. Porém, o maior desafio está na falta de diagnóstico de diabetes: estima-se que metade dessas pessoas com diabetes não sabe que tem a doença.

“É uma doença totalmente silenciosa, não há sintoma. Então, a pessoa precisa fazer exames para ter certeza se tem”, afirmou o diretor da SBD Márcio Krakauer. A falta de acesso à atendimento de qualidade e rápido também ajuda a diminuir os cuidados com a saúde o que, consequentemente, influencia na falta de controle da doença.

A endocrinologista Cassandra Pauperio afirma que a dificuldade de conseguir atendimento especializado de qualidade colabora para que a identificação da doença seja inibida. “Nem todo mundo tem acesso fácil ao sistema de saúde para a realização de exames que podem identificar a condição. Quem não tem plano de saúde depende do SUS, e por conta da demora para conseguir ser atendido, o paciente acaba recorrendo ao médico apenas em casos emergenciais. Aí não dá para fazer a prevenção.”

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A maioria dos sintomas de diabetes aparecem tardiamente, quando a situação já está avançada – o que compromete o tratamento. “Quando a glicose está alta por muitos anos, podem aparecer alguns poucos sintomas, como excesso de sede, aumento do apetite, perda de peso, infecções urinárias”, completou Krakauer.

Saúde: bem-estar, dicas de alimentação, dieta e exercícios – iG

Como a tecnologia pode ajudar a empoderar  pessoas com diabetes

Gabriela Brito

Não só os aparelhos de medição da glicose ou bombas de insulina ajudam a dar maior autonomia aos diabéticos: a internet também pode ser essencial para as pessoas conseguirem aceitar a doença e encontrar outros pacientes

Diogo e seu cachorro Luke – o nome é uma homenagem ao personagem Luke Skywalker da franquia Star Wars

Diogo e seu cachorro Luke – o nome é uma homenagem ao personagem Luke Skywalker da franquia Star Wars

Foto: Arquivo pessoal

Foram quase duas semanas fazendo muito xixi e sofrendo muita sede. Os pais de Diogo, com apenas quatro anos na época, estranharam e acharam melhor fazer um teste para avaliar o nível de glicemia do filho. Estava tão alta que nem mesmo aparecia no aparelho. Resultado: o menino tinha um diabetes ainda desconhecido.

Logo depois da descoberta, Diogo iniciou tratamento do diabetes com insulina. Como ele ainda era pequeno, ficava difícil ajustar a dose certa na caneta de aplicação, o que aumentava o risco de hipoglicemia. Por isso, começou a usar a bomba de insulina.

Normalmente, o aparelho é usado por pessoas que precisam de múltiplas injeções ao longo do dia. A técnica é mais precisa, já que considera o nível de glicose no sangue e a quantidade de carboidratos que a pessoa comeu. Desse modo, o dispositivo funciona mais ou menos como o pâncreas, que precisa liberar mais insulina quando a pessoa se alimenta, por exemplo.

O hormônio da insulina é responsável por pegar o açúcar que está no sangue e colocá-lo dentro das células, para gerar energia.

Diogo, hoje com oito anos, gosta de jogar vídeogame, de brincar com seu cachorro Luke e entende que precisa comer e tomar água direitinho. “Diabetes é só uma condição. Quando meus amigos (também diabéticos) ficam com medo da bomba, eu explico que não precisa ter medo de colocar o cateter, porque por ele só vai entrar insulina. Às vezes, dá uma queimadinha, mas é da insulina, faz parte.”

Além de o aparelho dar mais autonomia para o menino poder brincar, comer o que tem vontade e ficar mais tranquilo em relação ao risco de hipoglicemia, a sinceridade dos pais em relação à doença também foi de extrema importância. A mãe dele, a jornalista Viviane Bianconi, de 35 anos, explica que ela e o marido sempre conversaram muito com o filho sobre sua condição.

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Após passar pelo susto inicial com a criança, ela decidiu criar, junto com o menino, a página no Facebook “Di de Diabetes”. Pelo canal, a jornalista conseguiu ter contato com outros pais que também estavam se descobrindo inseridos neste universo das doenças crônicas. “Algumas mães acabam até me ligando. O que eu tenho a falar é que é preciso ter muito amor, paciência e coragem. É, realmente, fazer o papel de mãe a fundo. Vai ter dias ruins sim, mas outros muito bons”, afirma Viviane.

Pela página, Diogo também consegue gravar vídeos incentivando seus amigos a praticar exercícios, ter uma alimentação equilibrada e a não ter medo da doença e do tratamento.

Internet pode ser um ótimo meio para que as pessoas se informem sobre o diabetes, mas é preciso tomar cuidado

Internet pode ser um ótimo meio para que as pessoas se informem sobre o diabetes, mas é preciso tomar cuidado

Foto: Pexels


Empoderamento

De acordo com Dr. Mauro Scharf, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, é preciso dar empoderamento ao paciente para que ele consiga viver sem a barreira da doença.

Os especialistas envolvidos no tratamento devem oferecer a educação em diabetes, o conhecimento nutricional, as informações sobre atividades físicas, motivando o paciente, já que a doença acaba gerando ciclos de negação e afirmação da condição. Para tanto, a internet pode auxiliar a pessoa a conhecer melhor o problema. Assim como em relação a outros temas, é preciso estar atento à fonte da informação, já que há muitos boatos online como “a cura do diabetes”.

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Maior conhecimento e motivação pode ajudar a acabar com o fato de que mais de 80% dos pacientes não controlam sua glicose da forma correta. Aqui no Brasil, já existem aplicativos como o “StarBem Mais”, que servem como um canal de comunicação entre paciente e médico. Por ele, é possível acompanhar os cuidados que as pessoas têm no dia a dia e ainda receber informações sobre o diabetes.

“Há também os grupos de diabéticos no Facebook. Eles são ótimos, mas também temíveis – por causa da circulação de informações erradas. Mas, ajudam no acolhimento de novos pacientes e fazem com que eles possam entender melhor a doença”, afirmou o especialista.

Eric descobriu o diabetes aos 12 e, hoje, tem um blog sobre o assunto, uma página no Facebook e já pensa no YouTube

Eric descobriu o diabetes aos 12 e, hoje, tem um blog sobre o assunto, uma página no Facebook e já pensa no YouTube

Foto: Reprodução/ YouTube


Diabético intergalático

Foi o próprio Facebook que incentivou o jornalista Eric Luiz Porto, de 23 anos, a escrever para um público que, muitas vezes, tem dificuldade em aceitar o diabetes: os jovens.

A plataforma oferece um canal de fácil alcance, e Eric pode ajudar pessoas que estão tendo problemas para controlar a doença, assim como ocorreu com ele.

O diagnóstico foi dado quando tinha 12 anos, após passar mal ao fazer um exame de sangue. O nível de glicemia estava acima dos 500. Foi tudo muito rápido: internação, aprender a aplicar a insulina, ter noção de que se sofria de uma enfermidade sem cura. Para família também foi um choque, ainda mais porque não há histórico familiar.

O jornalista acredita que é muito importante ter contato com outras pessoas com a mesma condição neste momento, ter alguém para tirar dúvidas, conversar, especialmente aquelas com a mesma idade.  A família também deve se colocar presente e entender que o diabetes requer uma vida regrada.

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Diferente de Diogo, Eric aplica sua insulina com canetas. São ao menos quatro aplicações por dia, dividindo as doses entre a de ação rápida e a lenta. Após sofrer, até mesmo com dificuldades para dormir, com medo de “não acordar mais” após uma hipoglicemia, o jornalista passou a entender que o trabalho do diabético é “full time”, sem interrupções.

“Não minta para você mesmo (em relação aos níveis de glicose e cuidados com o diabetes). Aceite a doença. Nada é melhor que o acompanhamento médico e nutricional”, conclui. 

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TRIBO FORTE #035 – VEGETARIANISMO E LOWCARB, DEPRESSÃO, TRATAMENTO PARA DIABETES

Bem vindo(a) hoje a mais um episódio do podcast oficial da Tribo Forte!

Os podcasts são 100% gratuitos e episódios novos saem todas as terças-feiras.

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No Episódio De Hoje:

Neste episódio de hoje iremos falar principalmente sobre 3 temas que podem ser do teu interesse:

  • Vegetarianismo e uma alimentação LCHF (low carb high fat). É possível? Quais os pros e contras?
  • Uma nova teoria sobre depressão e como ela pode estar mais ligado ao nosso estilo de vida do que imaginávamos.
  • Novos estudos provando que o tratamento padrão para diabetes tipo 2 tende a não ter eficácia nenhuma no médio e longo prazo.
  • O que comemos na última refeição.

Lembrando: Você é MEMBRO VIP da Tribo Forte ou ainda está de fora? Tenha acesso a receitas simples e deliciosas diariamente, artigos internacionais traduzidos diariamente, fórum de discussão, documentários legendados e MUITO mais! Não fique de fora e se junte a este movimento agora mesmo, clicando AQUI!

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Ouça o Episódio De Hoje:

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Referências do Episódio

Nova pesquisa descobre que depressão pode ser uma reação alérgica

Meta-análise sobre o tratamento corrente para diabetes tipo 2

 

Transcrição do Episódio

Rodrigo Polesso: Bom dia, boa tarde e boa noite para você que está ouvindo esse episódio de número 33 do podcast oficial da Tribo Forte. Você está ouvindo o podcast oficial da Tribo Forte, com o Rodrigo Polesso e o Dr. José Carlos Souto. Assuntos como emagrecimento, saúde, alimentação e estilo de vida são tratados de forma imparcial doa a quem doer. Para se tornar um membro da Tribo Forte, entre em TriboForte.com.br. Olá, bem-vindo ao episódio número 35 do podcast oficial da Tribo Forte. Esse é o podcast número 1 no Brasil em saúde. Um dos assuntos de hoje será o diabetes tipo 2 – falaremos sobre o tratamento corrente desse mal, o que está errado, o que está certo. Temos uma epidemia mundial desse mal. Depois, daremos nossa opinião sobre veganismo e vegetarianismo, por causa de uma pergunta da comunidade. Também falaremos sobre outro grande mal do mundo moderno, que é a depressão, e como ela pode estar ligada aos nossos hábitos alimentares. Esses são os três tópicos de hoje. O episódio está quente. Boa tarde, Dr. Souto, tudo bem?

Dr. Souto: Bom dia, tudo bom? Aliás… boa tarde.

Rodrigo Polesso: Ótimo. Vamos em frente. Vamos começar com uma pergunta da comunidade para já quebrar o gelo. A pergunta de hoje vem da Joice Duda: “Ouço o podcast de vocês toda semana. Gostaria de pedir a gentileza, se for possível, de vocês abordarem a low carb para vegetarianos. Gostaria que vocês pudessem elucidar se é possível ser vegetariano com os benefícios da low carb. Estou propensa a me tornar vegetariana por motivos religiosos. Porém, tenho medo de faltar alguns nutrientes e vitaminas só encontrados nas carnes. Poderiam dizer o que é mito e o que é verdade sobre essa questão? Gratidão pelo trabalho lindo seu e do Dr. Souto.” Nunca tratamos muito essa questão do vegetarianismo. Não vamos tratar hoje. Só daremos uma resposta para essa pergunta. A Joice, por motivos religiosos, quer tentar um estilo de vida saudável, mas está preocupada com a questão de nutrientes. O que você tem a dizer?

Dr. Souto: A primeira coisa é que não me cabe questionar os motivos da Joice. Isso a gente respeita. Vamos falar o que pode ser feito para aproximar uma dieta vegetariana de uma dieta que consideramos mais adequada. O primeiro problema que eu vejo com alguns vegetarianos (já atendi alguns em consultório) é que muitas das coisas que fazem muito mal para a saúde têm uma origem vegetal. Muitas das coisas que fazem muito bem para a saúde também têm origem vegetal… Mas veja bem… Pão é vegetal; todo e qualquer tipo de açúcar vem de vegetais. Numa dieta vegetariana, se eu quiser consumir muita porcaria, muito junk food, em geral, eu posso. Eu posso comer um hambúrguer vegetariano com batatas fritas (fritas em óleo vegetal). Coca-Cola é vegetal… açúcar, noz de cola e água. Então, se eu quiser fazer uma dieta vegetariana muito ruim, é possível. Mas é claro que também é possível fazê-la muito melhor. Como eu disse, eu já atendi alguns pacientes vegetarianos com problemas de obesidade e diabetes tipo 2. Estava muito claro que essas pessoas viviam à base de massa, pão, biscoito, batata, batata frita… afinal, esses são os alimentos calóricos que encontramos no mundo vegetal com facilidade. Então, a primeira coisa é que o fato de ser vegetal não significa que será bom se for junk food, um carboidrato refinado, um monte de açúcar, amido de absorção muito rápida… Por outro lado, nós temos no mundo vegetal vários alimentos que fazem muito bem para a saúde. Aí podemos citar todas as foliosas e vegetais de baixo amido (abobrinha, beringela, pimentão, brócolis, couve-flor). O problema dessa turma é que ela quase não tem calorias. Talvez algumas pessoas falem que isso seja uma vantagem – mas as pessoas precisam consumir uma quantidade mínima de calorias por dia. Se as pessoas comerem somente os vegetais de baixo amido e foliosas, a pessoa ficará com anorexia. Ela pode acabar morrendo por falta de comida. O grande dilema é conseguir uma dieta vegetariana com calorias, mas sem que elas venham primariamente de açúcar e amido. Existem alguns alimentos vegetais que são mais ricos em gordura. Nós temos as oleaginosas (nozes, castanhas, amêndoas, macadâmias, pistaches), abacate, azeitonas, coco… Com esses alimentos, nós conseguimos colocar calorias dentro da dieta com gorduras universalmente reconhecidas como gorduras boas, sem que elas venham de açúcar e de tanto amido. Se a nossa ouvinte pretende ser vegetariana ovolactovegetariana (consumindo ovos e laticínios)… Existem vertentes que dizem que a galinha colocará o ovo todos os meses mesmo que a gente não pegue esses ovos. Então, não estaríamos matando um animal para comer o ovo. Da mesma forma quanto os lacticínios – a vaca vai dar leite suficiente para tudo. Enfim, se a pessoa segue essa linha de ovolactovegetariano fica muito mais fácil. Aí podemos introduzir os queijos, o iogurte, os ovos… com dieta rica em vegetais de baixo amido, rica em foliosas e tendo ovos e lacticínios, não faltará nenhum nutrientes nem vitaminas. Terá vitamina B12 no ovo. A pessoa ficará bem. Se por ventura ela decidir ser vegana, o ideal seria ter o acompanhamento do profissional para ajudar na suplementação. Nesses casos, eu acho que não tem como ser tão low carb assim. As calorias vão ter que vir de algum lugar. Eu sugeriria que essas calorias viessem das leguminosas (feijão, lentilha, grão de bico, ervilhas). Esses são carboidratos de absorção mais lenta, que darão um pico muito menor na glicemia e insulina. Ao mesmo tempo, eles contêm uma quantidade de proteína maior, já que a proteína passa a ser uma preocupação nesse tipo de dieta.

Rodrigo Polesso: Esse é exatamente o ponto: as proteínas. Se a pessoa não come ovos ou laticínios… quais seriam as opções de proteína que elas têm à disposição? Algumas pessoas podem falar das proteínas completas de origem vegetal… Outras pessoas falam que essas proteínas não são tão completas como deveriam ser. O que você tem a dizer sobre isso?

Dr. Souto: Alguns autores veganos são convincentes em fazer um grande malabarismo nutricional… é possível atingir um perfil de aminoácidos completos. Se ela optar por esse caminho… com ovos e lacticínios, eu me preocuparia menos. Se ela for exclusivamente vegana, seria bom ter um acompanhamento profissional de quem sabe o que está fazendo. Eu não tenho como defender mais do que já estou tentando. É algo que, no fundo, não sou favorável. Para mim, a solução seria muito simples: coma um peixe três vezes por semana e está tudo resolvido. Existem algumas vertentes de vegetarianos que aceitam isso – uma dieta semi-vegetariana com peixe. Não sei exatamente qual é a questão ética e religiosa a qual ela se refere. Mas, se for possível ter alguma coisa de origem animal (ovos, leite, peixe), as coisas ficam mais simples e talvez seja até possível fazer de uma forma saudável.

Rodrigo Polesso: Existe um estudo de Oxford que comparou o tamanho do cérebro de pessoas carnívoras (ou onívoras), veganos e vegetarianos. Eles observaram que os vegetarianos tinham cérebros menores do que as pessoas onívoras. Inclusive, o maior cérebro vegetariano era menor que o menor dos onívoros. Ou seja, uma associação forte entre o tamanho do cérebro e o tipo de alimentação. Como Dr. Souto falou, não estamos aqui para julgar a decisão de ninguém. Respeitamos qualquer decisão. Mas é importante ter acesso às informações para tomar suas próprias decisões. As primeiras ferramentas desenvolvidas pelo ser humano, há 500 mil anos antes de Cristo, eram ferramentas para lidar com carcaças de animais. O problema é que, dependendo do que você lê, você se convence. O pessoal do vegetarianos e veganismo consegue fazer o caso deles assim como o outro lado. O fato indiscutível é que não existe fonte de vitamina D em vegetais, assim como é difícil achar a vitamina B12. Ambas são essenciais para o corpo humano. Ao meu ver, isso é uma dica da natureza de que a gente talvez sobreviva melhor comendo animais.

Dr. Souto: Não deve ser surpresa para quem me conhece… Eu parto do pressuposto de que uma dieta onívora é superior pela questão evolutiva. Ela é a dieta com a qual o ser humano evoluiu. A B12 pode faltar, mas basta suplementar – então, se ela tiver um acompanhamento profissional, o profissional vai suplementar a B12. Mas por que o ser humano não fabrica a B12? Obviamente, durante esses 2,5 milhões de anos sempre havia B12 na dieta. Então, algum precursor nosso teve uma mutação que o impedia de fabricar a B12. Essa mutação persiste na espécie. A capacidade de fabricar B12 era desnecessária em uma espécie que consumia B12 na dieta todos os dias. Essa é uma evidência fortíssima de um passado onívoro – um nutriente disponível somente na carne não é fabricado pelos nossos corpos. Em nenhum momento da história da evolução humana houve um momento vegano. O veganismo só se tornou possível com a tecnologia, com a suplementação, com agricultura em larga escala. Mas no estou julgando a opção. E, realmente, no século 21, é possível fazer uma dieta vegana saudável, desde que tenha suplementação e desde que a pessoa tome os cuidados para não ficar comendo tanto açúcar e amido, já que essas são as principais fontes de calorias disponíveis nos vegetais. É importante focar nos vegetais com mais gorduras e proteínas (oleaginosas, abacate, azeitonas, coco e leguminosas como feijão, lentilha, grão de bico). Jogando com isso, com o auxílio de alguém, fazendo exames para saber que não está anêmica… Com acompanhamento dá para fazer. Mas é muito mais fácil se a pessoa comer um peixe.

Rodrigo Polesso: Com certeza. A gente defende muito a questão evolutiva e ancestral. Quando vemos por esse paradigma, vemos que o ser humano é um ser vivo que se baseou em alimentos animais. Inclusive, para quem acredita que viemos dos macacos… Os macacos têm um sistema digestivo muito grande e o cérebro bem pequeno. O sistema digestivo e grande para que ele possa processar e absorver os nutrientes de plantas, que são muito baixas em densidade nutricional. Os estudos também dizem que o cérebro humano só começou a crescer quando o ser humano começou a cozinhar e a usar alimentos vindos de animais – afinal, eles são mais nutritivamente densos. Com isso diminuímos nosso intestino e o cérebro cresceu também. Com essa perspectiva ancestral, defender o veganismo e o vegetarianismo é difícil. Mesmo assim, as pessoas conseguem, já que hoje em dia temos tecnologia e suplementos. Com um bom acompanhamento, é possível de se fazer. Mas a nossa opinião a respeito disso está bem clara. Acho que podemos colaborar com informações úteis para nossa ouvinte. Vamos agora falar sobre a questão da depressão para depois falar da diabetes, que é o foco desse episódio. Nunca falamos muito sobre a depressão aqui, mas cada vez mais os pesquisadores começaram a associar problemas neurológicos e psicológicos com alimentação, intestino e estilo de vida das pessoas. Tenho um artigo aqui sobre isso e vou postar o link depois no EmagrecerDeVez.com. O título diz o seguinte: “Nova pesquisa descobre que depressão é uma reação alérgica à inflamação.” Vou ler dois parágrafos: “Nova pesquisa revela que muitas das causas da depressão vêm de uma reação alérgica à inflamação. A inflamação é uma resposta natural do nosso sistema imunológico à lesões, infecções e outras coisas. Quando são acionadas, o corpo joga células e proteínas para local dessa lesão através da corrente sanguínea, incluindo as citocinas, que facilitam a comunicação celular.” Eles notaram que pessoas sofrendo de depressão estão lotadas de citocinas. “A inflamação é causada por obesidade, alto açúcar na dieta, gorduras trans, dietas não saudáveis e outras causas.” Eu acho que a inflamação é mais uma consequência da obesidade. O Eleonor Morgan, da Vice, que é a revista que publicou esse artigo completa dizendo o seguinte: “Essas citocinas explodem em grande quantidade durante um episódio depressivo nas pessoas. Aqueles que têm problemas de bipolaridade têm uma ausência de citocina quando estão em remissão (quando esses episódios não acontecem). O fato que pessoas normais podem se tornar temporariamente ansiosas e depressivas depois de tomar uma vacina inflamatória (tifoide) adiciona mais lenha na fogueira. Isso para mim é muito interessante. É um campo de pesquisa muito novo. Tem gente que vai além. Um professor Stonebrooks University tem uma teoria diferente. Ele diz que depressão não é uma doença neurológica, mas sim uma doença infecciosa, causada por bactérias, fungos ou parasitas. Essas duas estratégias devem se interligar em algum momento. Mas veja que interessante essa relação entre inflamação e depressão. Sabemos que o que causa nossa inflamação é o nosso estilo de vida moderno.

Dr. Souto: Hoje é o dia da pegadinha. O Rodrigo me apresentou um monte de artigos que ele não me mandou antes. Mas eu já tinha conversado há alguns anos atrás sobre esse assunto – não é um negócio tão novo – com um psiquiatra e pesquisador que eu respeito muito. Ele estuda muito psicofarmacologia. Ele já tinha me falado que o grande campo futuro de pesquisa dentro dos transtornos de humor (depressão, transtorno bipolar) é a relação com inflamação do sistema nervoso central. Existem várias linhas de evidência. Citocinas são mediadoras químicas da inflamação do corpo. Esse psiquiatra também me disse que existem ensaios clínicos pequenos sugerindo os benefícios do uso de suplementação com Omega 3 em pacientes com transtorno de humor. Isso faz sentido quando falamos que a inflamação está por trás disso tudo – como os ouvintes já devem saber, o Omega 3 tem efeitos anti-inflamatórios. É claro que ainda não temos um nível de evidência para usar a linguagem causal. Isso provavelmente é um equívoco do jornalista que escreveu o artigo. Para dizer que algo causa alguma coisa, é um caminho longo em termos de ensaios clínicos randomizados e etc. Porém, existe uma série de hipóteses interessantes que podemos levantar. Será que essa desregulação violenta entre Omega 3 e Omega 6 que temos na alimentação ocidental não é um dos motivos da epidemia de depressão? Afinal, o Omega 3 presente principalmente em animais alimentados com pasto e frutos do mar são coisas que as pessoas consomem proporcionalmente pouco. Omega 6 são os óleos vegetais extraídos de sementes – eles estão presentes em praticamente todos os alimentos processados… As pessoas ainda por cima colocam isso na panela e cozinham com isso. Nas populações de estilo de vida tradicional (caçadores-coletores) a proporção é mais ou menos 1 para 1 de Omega 3 e Omega 6. Nas populações ocidentalizadas é de 20 a 30 para 1 – o predomínio de gordura inflamatória é muito grande. Além disso, existe o consumo de carboidratos refinados, farináceos… A obesidade… tudo isso gera e está associado à inflamação. Nós não podemos afirmar que está provado, mas eu acredito que sim… Acho que boa parte da epidemia de depressão tem a ver com inflamação, que, por sua vez, tem a ver com a alimentação.

Rodrigo Polesso: Quero dar uma pitada sobre a teoria do Turhan Canli. Ele mencionou uma bactéria ou um fungo que vive dentro de um grilo. Essa bactéria interfere no cérebro desse grilo, fazendo com que ele se mate na água. O grilo não gosta de água, mas essa bactéria consegue influenciar o cérebro desse grilo fazendo com que ele pule na água. Essa bactéria consegue se reproduzir na água… Ela achou um jeito de interferir no cérebro do grilo para se liberar na água e se reproduzir. Existe outra teoria (não lembro o nome) sobre gatos. Existe um parasita que vive no intestino dos gatos. Os ovos do parasita fica nas fezes do gato. Como a próxima geração de parasitas encontra o caminho para o próximo gato? Os ratos estão no meio dessa história. Os ratos entram em contato com as fezes dos gatos, são contaminados pelos parasitas e se tornam kamikazes – eles se tornam atraídos pelas urinas dos gatos. Esses ratos são mortos pelos gatos, infectam os gatos e fecham o ciclo da vida. Veja como um parasita no intestino pode afetar o cérebro desse tanto. Não dá para eliminar essa teoria. Deve ter uma conexão de alguma forma.

Dr. Souto: Não dá pra eliminar. Mas devemos deixar claro que, por hora, é só teoria.

Rodrigo Polesso: É só teoria. Mas a teoria que está caindo rápido é a de que essa é uma doença puramente neurológica. Não existe prova para sustentar isso. Vamos fechar esse capítulo. O próximo assunto é diabetes. Existem bastantes estudos rolando no mundo da internet sobre isso. Muitos pilares do tratamento atual da diabetes estão caindo. Sempre falamos que os ensaios clínicos randomizados são um alto nível de evidência, fazendo uma relação de causa. Agora saiu uma metanálise de ensaios clínicos randomizados – ou seja, um nível acima. Eles analisaram vários ensaios clínicos randomizados nessa metanálise que é chamada de “Eficácia de Segurança de Insulina no Diabetes Tipo 2 – Uma Metanálise”. Foi publicado nesse ano de 2016. Vai ter o link dele no artigo também. A conclusão foi: “Não existe evidência significativa de eficácia de longo prazo do tratamento de insulina em qualquer desfecho do diabetes tipo 2. Entretanto, existe um sinal de efeitos adversos como hipoglicemia e ganho peso com esse tratamento. O único benefício do tratamento de insulina para diabéticos é a redução, no curto prazo, da hiperglicemia no sangue – mas isso precisa ser confirmado com estudos adicionais.” Hoje, o Dr. Asseem Malhotra (um cardiologista britânico) postou no Twitter sobre outro estudo que saiu: “Novo estudo questiona o tratamento do diabetes tipo 2. Não existe evidência que drogas que abaixam a glicose ajudam a melhorar qualquer desfecho de longo prazo dessa doença.” O Dr. Asseem Malhotra escreveu: “Também é dubiamente ético não contar para os pacientes que essas drogas para o diabetes tipo 2 não melhoram os desfechos da doença.” O tratamento atual da diabetes – de acordo com as evidências científicas – não parece melhorar o desfecho de longo prazo da doença. Dr. Souto, podemos falar sobre o desfecho de curto e longo prazo e sobre o porquê da norma continuar tratando a doença com o próprio veneno que a causa.

Dr. Souto: Um problema grave nisso é a confusão entre desfechos duros ou desfechos substitutos (surogates endpoints). Desfecho duro é aquele grave (morte) – no caso da diabetes é hemodiálise, cegueira, amputações… Desfecho mole ou desfecho substitutos seria baixar a glicose. Ninguém se preocuparia em baixar a glicose se a pessoa não tivesse preocupada com os desfechos duros. Imagine que ficar com uma glicose de 200 não desse problema algum – ninguém se preocuparia em baixar a glicose. Na verdade, o objetivo do tratamento não é baixar a glicose, mas sim não ficar cego, não entrar em hemodiálise… Então, baixar a glicose é um desfecho substituto. Se usa esse desfecho substituto por ele ser fácil e rápido de se medir. Se eu quero fazer um estudo para saber se um novo remédio é bom para o diabetes, eu posso usar o desfecho substituto. Eu pego um certo número de diabéticos e faço um ensaio clínico randomizado. Eu sorteio metade para tomar meu remédio novo e a outra metade para tomar uma pílula sem nada dentro. Ao final de 12 semanas, eu verifico como está o açúcar no sangue desses dois grupos. Se o remédio baixou o açúcar no sangue eu digo que “esse remédio é bom para o diabetes”. Mas isso está errado. Eu não provei que esse remédio é bom para o diabetes, mas sim que ele baixa a glicose. Para provar que ele é útil e bom para o diabetes, eu preciso que as pessoas que tomam esse remédio morram menos do coração, fiquem menos cegas, tenham menos amputações… menos desfechos duros da diabetes. O problema é que a grande maioria dos remédios para diabetes nos dias de hoje foram (e continuam sendo) aprovados com base exclusivamente no desfecho substituto – ou seja, só na sua capacidade de baixar a glicose. Então, o que esses estudos estão começando a mostrar é que, mesmo a gente conseguindo baixar a glicose com remédios, isso não tem efeito algum sobre os desfechos duros – que é o que realmente importa. O Dr. Jason Fung, do qual eu e o Rodrigo somos fãs, fez um twit há uns meses atrás: “É claro que vai ser assim. Estamos tratando com remédios uma doença nutricional.” Muito provavelmente a própria insulina alta no sangue é responsável por vários dos problemas do diabetes. A insulina alta esta relacionada à alta coagulabilidade do sangue, à inflamação, ganho de peso (que, por sua vez, está associado a uma série de problemas). Então, se os remédios que são usados para baixar o açúcar no sangue fazem isso com o aumento da insulina, seria como piorar a doença. Vamos relembrar o que é o diabetes tipo 2. No tipo 1, o pâncreas não fabrica insulina e se a pessoa não usar insulina ela morre – não estamos falando disso. Estamos do diabetes tipo 2, que é uma doença de resistência à insulina – uma doença adquirida. Vamos usar uma analogia. Imagine que várias pessoas estão em uma parada de ônibus, que representa a nossa corrente sanguínea (as pessoas são a glicose). O ônibus chega – ele é a célula. As pessoas entram no ônibus… a glicose sai da corrente sanguínea e entra no ônibus. Mas vai chegando cada vez mais pessoas na parada. A pessoa está comendo muita glicose. A parada está ficando cheia. Com isso, os ônibus estão ficando lotados.

Rodrigo Polesso: Igual à São Paulo na hora do rush.

Dr. Souto: Isso. O que acontece quando o ônibus está bem cheio? A galera que está dentro não deixa mais ninguém entrar. Isso é resistência à insulina. As células já estão cheias de glicose, então passam a se revoltar. É como a revolta do pessoal dentro do ônibus lotado. Elas se recusam a obedecer a ordem da insulina de que entre mais glicose. Quando usamos um remédio que aumenta a insulina, seria como enviar as pessoas pela janela para dentro do ônibus. Sim, isso diminuiria o número de pessoas na parada de ônibus… A glicose no sangue vai baixar. Mas é como botar o problema para baixo do tapete. O excesso de glicose, ao invés de ficar na parada, fica dentro das células. Quando esse ônibus (que agora está superlotado) parar na próxima parada, ele com certeza não aceitará mais ninguém – a resistência à insulina terá piorado. É um ciclo vicioso. Quanto mais insulina eu uso, mais resistência à insulina eu produzo. Por esse motivo, nos livros está escrito que a diabetes tipo 2 é progressiva e incurável. Sim, se o tratamento for aumentar cada vez mais a insulina, sem resolver o problema de excesso de pessoas na parada do ônibus… O ônibus não tem condições ilimitadas de abrigar pessoas… A glicose no sangue vai ficar alta. Qual é a solução óbvia? Parar de comer glicose – evitar que tanta gente se acumule na parada de ônibus. Então, se a pessoa parar de colocar uma quantidade contínua de glicose na corrente sanguínea (maior do que a que o corpo necessita), os ônibus começam a ficar mais vazios. Com isso, não será necessária tanta insulina para obrigar as pessoas a entrarem no ônibus lotado. Então, uma estratégia nutricional é melhor para uma doença de origem nutricional (diabete tipo 2). Não estamos dizendo que não existe lutar para a medicação no tipo 2 – é evidente que existe. O erro é que 99% das vezes as pessoas são tratadas primeiramente com remédio e nem se quer falam em dieta. Quando as pessoas não falam em dieta, é uma sorte, na verdade. Quando elas falam em dieta, falam em comer pão integral de 3 em 3 horas, suco de laranja, cereal matinal, arroz, batata e evitar gordura, carne e ovos. Eu pego uma pessoa que tem excesso de glicose no sangue, têm resistência à insulina, suas células já estão cheias de glicogênio e não tem mais onde enfiar glicose… e eu digo para ela comer glicose de 3 em 3 horas. Então, sortudas são as pessoas que não são orientadas sobre dieta por gente que não tem noção do que está orientando. O que deveria ser orientado? O óbvio! Retirar a glicose. Eu já devo ter falado isso em outros podcasts, mas não consigo deixar de falar. O que devo fazer se eu tenho um paciente alérgico a camarão? Eu digo para ele não comer camarão. O que seria o equivalente do tratamento contemporâneo do diabetes para uma pessoa que tem alergia ao camarão? “Você vai usar um corticoide potente três vezes ao dia e vai carregar com você essa injeção de adrenalina caso você tenha um choque anafilático… mas você pode comer todo camarão que você quiser.” É isso que nós estamos fazendo com os diabéticos. É por isso que esses estudos estão mostrando que esses desfechos duros não mudam. Não estamos tratando a doença. A doença não é glicose alterada no sangue – isso é o sintoma. Se a pessoa tem uma pneumonia, a febre não é a doença. A doença é a pneumonia. A febre é um sintoma. Glicose elevada no sangue é um sintoma no diabetes tipo 2… Diabetes tipo 1 também tem glicose alterada, mas é outra doença. A diabetes tipo 2 tem como sintoma a glicose alterada no sangue, mas a doença se chama resistência à insulina. Como devemos tratar isso? Tornando a insulina menos necessária… fazendo o pâncreas na pessoa descansar, sem que precise ficar secretando a cada 3 horas quando ela come uma barra de cereal. Deixe o pâncreas quieto… diminua a quantidade de glicose introduzida no sistema via alimentação… assim, um corpo resistente à insulina e intolerante à glicose consegue ter uma vida mais normal. O interessante é que existem alguns medicamentos que estão associados em melhoras em desfechos duros. Um deles é a metformina. Mas a metformina não aumenta a insulina. A metformina diminui a insulina. Ela atua de várias formas, mas a principal é diminuindo a produção de glicose pelo fígado – isso torna necessária uma quantidade menor de insulina. Então, os poucos remédios que realmente ajudam são remédios que atuam diminuindo a quantidade necessária de insulina, e não aumentando. Isso, na minha opinião, é uma dica muito forte de que o que está sendo observado nessas metanálises é que a insulina alta, em si, é um problema – então, tratar aumentando a insulina é outro problema.

Rodrigo Polesso: A única medicação que dá um desfecho duro melhor é a que emula medicamentosamente uma mudança de estilo de vida e alimentação. É uma doença de resistência à insulina, que assim como a resistência a antibióticos, é causada pelo excesso dessa substância. No tratamento atual as pessoas chegam a ter que injetar insulina no sangue. É uma resistência de excesso de insulina e você injeta a insulina no sangue.

Dr. Souto: Você viu que a metanálise fala que o uso de insulina provoca ganho de peso. Espero que isso não seja uma surpresa para quem está nos ouvindo.

Rodrigo Polesso: A hiperinsulinemia está ligada ao ganho de peso (obviamente), doença de Alzheimer, câncer, hipertensão, hipoglicemia, diabetes, dislipidemia, obesidade, inflamação crônica… Então, o paciente diabético já está com a insulina alta e recebe mais insulina ainda. O efeito sinérgico disso é catastrófico.

Dr. Souto: O diabético tipo 2, que usa uma dose grande de insulina (40 unidades, por exemplo)… A dieta desse paciente tem uma quantidade absurda de carboidratos. Ele precisa comer uma quantidade grande de carboidratos para não ter uma hipoglicemia com aquela dose grande de insulina que ele está usando. Isso é uma insanidade muito grande. Seria muito mais simples reduzir com o acompanhamento de um profissional de saúde (não faça isso em casa) – se uma pessoa está tomando uma dose alta de insulina e reduz subitamente os carboidratos, pode ter uma hipoglicemia grave. A redução tem que ser gradual e concomitante. Vai diminuindo a quantidade de insulina, de carboidratos… vai medindo várias vezes por dia com o glicosímetro… vai falando com seu profissional de saúde para poder fazer esse ajuste. Uma vez feito esse ajuste, a pessoa pode não precisar usar insulina injetável por não estar consumindo uma grande quantidade de carboidrato. O tratamento atual seria como um alérgico a amendoim usar um corticoide e uma injeção de adrenalina para poder comer amendoim. Não seria mais fácil parar de comer amendoim? Se você gosta de comer amendoim, paciência… A pessoa pode se adaptar.

Rodrigo Polesso: A Associação Americana de Diabetes acredita que a diabetes é uma doença progressiva e não tem cura. Mas, olhando os estudos, dá para ver que é uma doença reversível. Quem tem diabetes tipo 2 pode voltar ao funcionamento normal do organismo. Você não estará fadado à injeção de insulina e regulação extrema de glicose para o resto da vida. É uma esperança, mas não está disseminada para a maior parte da população. Como a Associação Brasileira de Diabetes entende isso?

Dr. Souto: Te confesso que não sei. Suspeito que continuem achando que seja algo progressivo. A diabetes ser reversível ou não gera uma discussão semântica bizantina. Alguns dizem: “Não é reversível. Reversível seria a pessoa voltar a comer batata, sorvete e pão.” Se esse for o critério, não é reversível. Agora, se “reversível” for viver sem injetar insulina, sem medicamentos e ter a glicose normal… sim, isso é possível em muitos casos. Eu acho que o pessoal perde muito tempo na discussão semântica… se isso é cura ou remissão… se é remissão ou melhora… tanto faz! O importante é que têm pessoas diabéticas que estavam injetando insulina e agora, com dieta de baixo carboidrato, estão sem insulina, sem medicamentos orais ou usando apenas metformina. Eu devo publicar brevemente uma postagem no blog na qual eu vou pinçar um detalhe interessante. Comentamos num podcast passado que o USDA eliminou o limite de consumo de gordura, mas que a maioria das pessoas não sabem disso por estar escondido no meio de um documento. A maioria das pessoas não sabe também que a Associação Americana de Diabetes já aceita a dieta low carb como alternativa.

Rodrigo Polesso: Mas também não escancarou.

Dr. Souto: A última vez que eles publicaram as diretrizes de diabetes foi em 2013. Nesse artigo, publicado na revista da Associação Americana de Diabetes em 2013, eles mostraram as alternativas de manejo dietético do diabetes. Eles mostram várias, mas uma delas é a dieta de baixo carboidrato. Então, hoje em dia, quem propõe uma dieta de baixo carboidrato para diabetes não está indo contra as diretrizes. Mas a maioria das pessoas não sabem disso porque isso foi admitido com essa certa vergonha… um parágrafo perdido dentro de um texto de muitas páginas. Então, as coisas estão mudando. Mas estão mudando com aquele constrangimento de quem viu que fez bobagem por algumas décadas e não quer anunciar a mudança de posição.

Rodrigo Polesso: Muitas coisas boas acontecem no nosso corpo quando nossos hormônios estão funcionando normalmente, principalmente a insulina e a glicose. Para quebrar a resistência à insulina, uma das coisas mais eficientes é a prática correta do jejum intermitente. Se tiver menos pessoas na parada do ônibus, os ônibus vão passando até que a densidade de pessoas dentro dos ônibus fique pouca, porque não tem mais pessoas entrando. Quando você para totalmente de colocar pessoas para pegar ônibus, esse é o jejum intermitente. A primeira fase do Programa Código Emagrecer de Vez é uma alimentação forte low carb. Essa fase também começa a implementar o jejum intermitente. Essa é uma estratégia que funciona muito bem sinergicamente. Isso evolui com as outras fases. É um estilo de vida baseado em alimentação real e com períodos de pausa para o nosso organismo. Assim, você começa a regular naturalmente para viver como uma pessoa saudável pelo resto da vida – mantendo a insulina sob controle.

Dr. Souto: Para quem lê inglês, vamos avisar que saiu o novo livro do Dr. Jason Fung, junto com o Jimmy Moore: “The Definitive Guide To Fasting”. Começamos a ler o livro e me parece um livro espetacular. É um excelente ponto de partida para quem deseja manejar o diabete tipo 2. Leia o livro e discuta o livro com seu profissional de saúde. Veja se é possível adotar essa abordagem no seu caso. Nada será tão eficiente como retirar o estímulo por um certo período de tempo. Lembrando que os carboidratos aumentam a insulina, mas as proteínas também aumentam. Então, se realmente queremos deixar o pâncreas descansar por um tempo, parando de bombardear as células com insulina, fazendo com que elas fiquem menos resistentes à insulina, a melhor estratégia é provavelmente o jejum intermitente. Temos um ensaio clínico randomizado de um jejum modificado – se não me engano, o nome do autor é Mosley. É um jejum modificado com cerca de 500 a 800 calorias por dia. Em 60 dias, um número significativo de pacientes reverteu o diabetes. Isso está publicado em literatura peer review. É um estudo com nível de evidência. Se isso é possível com um quase jejum, imagine com um jejum de verdade, que é o que o Jason Fung propõe. Aí está a dica para quem lê inglês. Compre o livro do Dr. Fung. Se você é diabético tipo 2, discuta essa alternativa com seu médico.

Rodrigo Polesso: Fiquei feliz que ele se tornou um dos mais bem vendidos na Amazon bem rapidamente. O pessoal está pegando essa tendência. Dr. Souto, vamos fechar o podcast de hoje com a questão da alimentação. Vamos falar sobre as últimas refeições.

Dr. Souto: Bife de frango… ovo frito em cima do bife… vegetais refogados… é isso aí. Como eu já falei, não vario muito meu almoço.

Rodrigo Polesso: Hoje eu fiz outro experimento. Comprei uma costela de carneio alimento com pasto. É bem caro. Mas é o mais saudável possível. Comprei e fiz na frigideira. Ficou uma delícia.

Dr. Souto: Estou rindo porque se você vier ao Rio Grande do Sul e falar que comeu um “carneiro alimentado com pasto” as pessoas iriam perguntar: “E ele seria alimentado com o que?” Nem passa alimentar o carneio com outra coisa. Quando tem uma terra muito ruim para agricultura, as pessoas colocam ovelhas lá. A ovelha pasta até mesmo em grama baixa.

Rodrigo Polesso: Tem gente que fala que temos que conhecer como o fazendeiro cria as vacas. Alguns bifes vêm escrito que foram criados a pasto. Só que alguns colocam as toxinas alguns dias antes de abater o animal. Então, alguns estragam o perfil lipídico do animal dos últimos dias. Então, existem várias nuâncias sobre isso. Não sei como está indo isso no Brasil. Mas na América do Norte, isso está feio.

Dr. Souto: No Brasil, depende da região. Aqui no Sul a criação com pasto é disparada a mais comum. Quem comprar carne no açougue aqui estará comprando gado alimentado com pasto, mas é possível que tenha sido terminado com ração para engordar. Já no centro-oeste, existe mais confinamento. É interessante termos uma noção disso. Eu prefiro comprar no açougue do que comprar de uma marca famosa no supermercado que deve ter vindo de outro estado. Mas a carne mais alimentada com ração ainda será melhor do que o pão mais integral.

Rodrigo Polesso: Por mais integral que seja!

Dr. Souto: O trigo benzido pelas virgens do Himalaia não será melhor do que a carne mais comercial que você encontrar.

Rodrigo Polesso: Exatamente.

Dr. Souto: Isso dá uma ideia do que eu penso sobre o veganismo.

Rodrigo Polesso: Ficou bem claro. Quem ainda não é Membro VIP da Tribo Forte, entre em TriboForte.com.br. Se junte à nossa família. Tem muito conteúdo de ótima qualidade dentro do portal diariamente. Você terá acesso ao fórum, onde o pessoal compartilha diariamente os resultados. O pessoal se ajuda compartilhando receitas e notícias la dentro. Essa comunidade é muito interessante. O nosso evento ao vivo está chegando em algumas semanas. Será sensacional. Quem for membro da Tribo Forte terá uma vantagem especial depois do evento. Entre em TriboForte.com.br. Espero que esse episódio tenha sido útil para todo mundo. Com isso a gente fecha. Obrigado, Dr. Souto. Até o próximo episódio.

Dr. Souto: Obrigado. Um abraço.

Rodrigo Polesso: Até mais.

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Emagrecer de Vez

TRIBO FORTE #031 – AÇÚCAR CAUSA DIABETES E O MAIOR EXPERIMENTO NA SAÚDE PÚBLICA

Bem vindo(a) hoje a mais um episódio do podcast oficial da Tribo Forte!

Os podcasts são 100% gratuitos e episódios novos saem todas as terças-feiras.

Certifique-se de colocar seu email aqui em cima do site para ser avisado das novidades e de futuros podcasts.

No Episódio De Hoje:

No episódio de hoje vamos compartilhar contigo:

  • A descoberta de um novo mecanismo interessante no quebra-cabeças do metabolismo do açúcar (frutose) no corpo e quem vem para fortalecer a idéia de que açúcar causa, sim, diabetes.
  • O maior experimento feito na saúde humana de todos os tempos, seus resultados e o caminho a seguir.
  • Pergunta “Posso adoçar meu café? meu chá? Se sim, com que?”

Lembrando: Você é MEMBRO VIP da Tribo Forte ou ainda está de fora? Tenha acesso a receitas simples e deliciosas diariamente, artigos internacionais traduzidos diariamente, fórum de discussão, documentários legendados e MUITO mais! Não fique de fora e se junte a este movimento agora mesmo, clicando AQUI!

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Ouça o Episódio De Hoje:

Quer se juntar ao grande movimento e fazer parte da familia de membros VIP da Tribo Forte e ganhar acesso ao portal exclusivo e privilegiado e ao fórum para membros? Clique AQUI.

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Quer Emagrecer De Vez? Conheça o programa Código Emagrecer De Vez

Logo-Banner-quadrado1Abaixo eu coloco alguns dos resultados enviados pra mim por pessoas que estão seguindo as fases do Código Emagrecer De Vez, o novo programa de emagrecimento de 3 fases que é o mais poderoso da atualidade para se emagrecer de vez e montar um estilo de vida alimentar sensacional para a vida inteira.

Este programa é também endossado pelo Dr. Souto e é 100% baseado na melhor ciência nutricional disponível hoje no mundo.

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Alguns dos resultados REAIS de membros que estão finalizando os primeiros 30 dias do programa Código Emagrecer De Vez.

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Quer seguir o Código Emagrecer De Vez você também? Clique AQUI e comece HOJE!

Referências do Episódio

 

Artigo no JAMA do David Ludwig

Artigo sobre o novo mecanismo do metabolismo da frutose

Transcrição Completa Do Episódio

Rodrigo Polesso: Você está ouvindo o podcast oficial da Tribo Forte, com o Rodrigo Polesso e o Dr. José Carlos Souto. Assuntos como emagrecimento, saúde, alimentação e estilo de vida são tratados de forma imparcial doa a quem doer. Para se tornar um membro da Tribo Forte, entre em TriboForte.com.br. Olá, pessoal, bem-vindos ao podcast número 31 da Tribo Forte – o podcast número 1 do Brasil na área de saúde e qualidade de vida. Hoje temos 2 assuntos bem legais para falar. O Dr. Souto já voltou da viagem dele. Ele ainda está com o ritmo italiano, então está com bom humor.

Dr. Souto: Muito.

Rodrigo Polesso: Muito bom humor e bem alimentado. Falaremos sobre 2 assuntos bastante impactantes e extremamente recentes. Os dois foram publicados nos últimos dias. Vamos comentar sobre isso aí. Você já se tornou um Membro VIP da Tribo Forte? Lá você encontrará receitas quase diariamente, artigos, documentários legendados, um fórum sensacional e muito mais. Além disso, depois do evento Tribo Forte Ao Vivo, teremos uma surpresa especial somente para quem for membro da Tribo. Então, seja um Membro da Tribo e faça parte desse movimento. Nosso evento será daqui um mês, no começo de novembro de 2016. Temos poucos ingressos sobrando. Estou muito feliz que quase todos os ingressos já foram comprados. A sala estará lotada. Estamos com sete palestrantes incríveis. Você pode ver todos os detalhes em TriboForte.com.br/AoVivo. Isso vai ser um marco da saúde brasileira. Acho que é um movimento que está começando agora. Conto com a presença de todo mundo lá. Convido novamente para você fazer parte da Tribo Forte. Terá uma surpresinha para quem for membro. O Dr. Souto já deu um “oi” para o pessoal. Vou fazer uma pergunta da comunidade agora. Antes, vou adiantar os assuntos que serão falados: o maior experimento de saúde pública na história da humanidade, os seus resultados e direção para se seguir em frente. Quem está puxando a orelha do pessoal é o David Ludwig, de Harvard. Ele publicou um artigo há dois dias atrás no JAMA. É um artigo muito legal e eu colocarei o link aqui para vocês lerem depois no EmagrecerDeVez.com. Esse artigo precisa ser espalhado. O segundo assunto é um estudo que foi publicado agora nos últimos dias que mostra mais evidências que o consumo de açúcares causa diabetes. Ele mostra um novo mecanismo, que é uma peça que faltava no quebra-cabeça necessária para entender isso. Vai ser legal comentar sobre esse mecanismo. A Pri perguntou o seguinte na nossa comunidade: “Olá, boa tarde. Comecei ontem a seguir os planos alimentares, mas tenho dúvidas principalmente em relação aos queijos. Também quero saber qual é a dica que vocês têm para adoçar um café ou um chá. Obrigado.” Eu vou responder a primeira, que é a respeito do queijo: ouça o podcast número 19. Nele, eu e o Dr. Souto focamos inteiramente na questão do laticínios. Dr. Souto, qual é a sua opinião sobre essa dica para adoçar o café ou chá?

Dr. Souto: Primeiramente, eu acho que o café e o chá não precisam ser adoçados. Eu entendo que a pessoa está vindo de um hábito de utilizar açúcar. Mas é interessante ter um objetivo de ir adoçando cada vez menos até consumir sem adoçar. Eu acho que para o café ser apreciado da forma como deve ser, ele deve ser consumido ser açúcar – caso contrário, perdemos parte do prazer do consumo. Nós fizemos um podcast tratando somente dos vários tipos de adoçantes, então podemos referir nossa leitora para esse episódio. Provavelmente, o ideal é utilizar um adoçante não calórico. Pode ser um adoçante não calórico natural, que é a stevia. Pode ser os adoçantes não calóricos artificiais, como ciclamatos sacarinas e sucralose. Muitas vezes as pessoas podem escolher de acordo com o paladar. Alguns podem ser amargos e outros não. Eu repito o que eu disse durante aquele podcast. Uma sobremesa foi feita para ser doce, então eu posso usar um pouco de adoçante nela. Mas o café não foi feito para ser doce. O ideal é que a pessoa use um adoçante como alguém que usa um adesivo de nicotina. O objetivo é sair do vício. A pessoa usa o adesivo de nicotina para parar de fumar e não para ficar usando o adesivo de nicotina o resto da vida. O objetivo é parar de fumar e parar de usar o adesivo. O objetivo é parar de usar o açúcar no café, mas um dia parar de usar o adoçante também e ficar só no café ou só no chá. A minha sugestão para a leitora é fazer aos poucos. Se ela acha que precisa de 5 gotas para adoçar o chá, ela pode começar a usar 4. Depois que 4 estiver bom, ela pode começar a usar 3. Vai chegar um momento que ela não precisará de nenhuma gota.

Rodrigo Polesso: Outro problema dessa questão é: quantas vezes ela toma café ou chá por dia? Se toda vez que ela toma várias vezes por dia, terá o gosto doce estimulando o cérebro várias vezes por dia estimulando o cérebro. Sabemos que esse hábito não é saudável, e dessa forma fica difícil de quebra-lo. O episódio sobre adoçantes é o número 13. Chegando num ponto que podemos referenciar episódios no passado.

Dr. Souto: Já temos episódios sobre tudo.

Rodrigo Polesso: Exatamente. Vamos fazer uso desse conhecimento que já foi compartilhado. O episódio sobre laticínios é o 19, e o episódio sobre adoçantes é o de número 13. Já que respondemos a pergunta, vamos para o primeiro tópico. É um artigo que puxa a orelha do governo dos Estados Unidos. O autor é o David Ludwig, de Harvard. Ele diz: “Já sabemos que o que vocês têm falado nos últimos 40 anos está errado. Mas ninguém veio dizer que está errado. Ninguém veio avaliar as novas evidências científicas e assumir que está errado.” Isso é, basicamente, uma puxada de orelha. Vou ler dois parágrafos rápidos para introduzir esse assunto.

Dr. Souto: Só para salientar para quem está nos ouvindo: esse artigo foi publicado no JAMA (The Journal of the American Medical Association). Essa é uma das revistas médicas mais importantes. É a revista oficial da Associação Médica dos Estados Unidos.

Rodrigo Polesso: É um jornal grande e está na vitrine para todo mundo ver. Vou fazer uma tradução simultânea de dois parágrafos rápidos. Não tivemos tempo de traduzir antes. Ele começa assim: “A recente revelação de que a indústria do açúcar tentou manipular a ciência na década de 60 (escute o episódio anterior sobre isso) novamente fez que focássemos a atenção no nível de qualidade de evidência científica no campo da nutrição, e como podemos prevenir doenças relacionadas à dieta alimentar. Começando na década de 70, o governo dos Estados Unidos e as grandes organizações nutricionais recomendaram que a população dos Estados Unidos comesse uma dieta baixa em gorduras e alta em carboidratos. Isso começou o maior experimento público da história humana (já que não havia evidência). Depois desses 40 anos, a prevalência de obesidade e diabetes aumentou várias vezes, ao mesmo tempo que a ingestão de gordura diminuiu em 25% no mesmo período. Reconhecendo as novas evidências sobre o consumo de carboidratos refinados (como pão, açúcar, batatas, cookies, bebidas adoçadas) e não culpando a gordura, as novas diretrizes alimentares de 2015 do USDA eliminou o limite máximo de ingestão de gordura. Mas ainda falta um exame completo desse enorme erro referente à saúde pública. Ninguém veio dizer que estava tudo errado. Ninguém veio pedir desculpas.” O David Ludwig fez esse artigo no JAMA. Dr. Souto, o que vai acontecer agora? Quem que vai colocar a mão para a paulada? Quem vai dar a cara a tapa?

Dr. Souto: Quem vai fazer isso, eu não sei. Mas nós – e outros como nós – vamos ficar puxando a orelha do pessoal, incomodando e fazendo barulho para evidenciar isso. No fundo, o que o Ludwig está dizendo é o seguinte: a ciência já está bem clara no sentindo de que o problema não é a gordura na dieta, mas sim os carboidratos refinados. Isso já está admitido pelo próprio Departamento Americano de Agricultura (USDA), que publica as diretrizes alimentares a cada 5 anos. As últimas diretrizes (de 2015) eliminaram o limite do consumo de gordura. Quem tiver tempo de ler o documento de quase 500 páginas do UDSA publicado em 2015 sobre as diretrizes alimentares verá que não consta um limite na quantidade de gordura que a pessoa deve comer por dia. Muitos que estão nos ouvindo devem estar surpresos. As pessoas estão surpresas porque isso foi feito na calada da noite. Isso está escondido em alguns parágrafos no meio de um documento de 500 páginas. Então, o Ludwig está dizendo que não basta simplesmente fazer essa transição de uma forma imperceptível. Na realidade, da forma como está sendo feita, todo mundo continua achando que gordura faz mal. As pessoas continuam odiando a gordura na dieta e, portanto, continuam comendo muito carboidrato. No final desse parágrafo ele diz que o dano consequente continua havendo, já que a dieta de baixa gordura permanece enraizada na consciência pública e na política alimentar. Por que ela continua enraizada? Porque ninguém veio a público dizer: “Pessoal, foi mal. Nós erramos. Estávamos errados nesses últimos 40 anos. Precisamos mudar. A gordura não é o problema. Voltem-se para o problema real – o carboidrato refinado.” Isso não foi feito. As diretrizes estão mudando na calada da noite com linguagem altamente técnica em parágrafos escondidos em documentos no meio de centenas de páginas.

Rodrigo Polesso: Exatamente. É uma estratégia planejada fazer dessa forma. Eles perceberam que existem muitas evidências e que estavam errados por 40 anos. Milhões de pessoas morreram por causa dessas diretrizes. Essa forma foi a maneira que eles encontraram para evitar dizer que estavam errados. E agora estamos esperando que alguém venha falar algo, como o David Ludwig disse. Mas agora chegamos num ponto sem volta. A inércia da verdade tomou força. Uma hora vai acontecer, de um jeito ou de outro.

Dr. Souto: Exatamente. Como tudo o que o Ludwig escreve, esse editorial é muito bom. Ele comenta o tipo de evidências nas quais foram baseadas as diretrizes vigentes, mostrando como as evidências eram fracas e observacionais. Ele mostra também que as evidências que embasam a nova postura são evidências fortes de ensaios clínicos randomizados de metanálises. Depois ele menciona novamente que as novas diretrizes já retiraram o limite de gordura na dieta, mas que está tão entranhado na cultura de que a gordura faz mal que nos Estados Unidos a alimentação das crianças nas escolas públicas proíbe o leite integral, mas libera o achocolatado adoçado com açúcar (com leite desnatado). Então, uma criança americana pode tomar um Nescau com leite desnatado e bastante açúcar, porque não tem gordura. Mas leite de vaca, integral, com gordura, não pode. Então, o Ludwig está dando um puxão de orelha: “Pessoal, vamos tomar vergonha na cara e admitir em bom e alto som que nós (establishment nutricional) estávamos errados. Se não deixarmos claro que a gordura na dieta não é o problema, e sim os carboidratos refinados, a cultura não mudará.” Na cabeça de todo mundo, ainda prevalece a cultura antiga. Isso não é uma surpresa para quem está nos escutando. Estamos no trigésimo primeiro episódio falando basicamente a mesma mensagem. Mas é bonito ver um editorial desses numa das revistas médicas mais importantes do mundo (e revista oficial da Sociedade Americana de Medicina) puxando a orelha e chamando a atenção para como eram fracas as evidências nas quais se baseiam as diretrizes vigentes. As pessoas devem sair da sombra e assumir o erro.

Rodrigo Polesso: Exato. Nós somos vistos como verdade e medicina alternativa e não como a principal. O governo tem muita força de disseminar informação. Nós tentamos fazer o que podemos, mas não conseguimos. Então, as pessoas sempre terão acesso às informações que serão divulgadas em massa pelo governo. O governo terá que tomar uma atitude e refazer essa mudança. O pessoal vem falando desse problema há décadas. Mas você acha que sua vizinha acha que a margarina é pior do que a manteiga? Ela não sabe e continua comprando margarina! Mesmo existindo evidências que comprovam o que falamos. Então, se o governo não falar em massa, abrindo o jogo e contando a verdade, vai demorar muito tempo até que essa verdade “alternativa” se torne uma verdade predominante.

Dr. Souto: Já mostramos que o fato do sujeito ser importante, ser médico, ser professor universitário não é o principal. O principal é o nível da evidência científica na qual se baseia sua afirmação. Mas o fato é que as pessoas caem na falácia de autoridade. O Ludwig está dizendo que as entidades precisam falar que estavam erradas e que estão mudando as diretrizes. Não adianta fazer a mudança na camufla, num parágrafo escondido num texto de 500 páginas, para que nós descobríssemos e publicamos num blog. As pessoas não vão acreditar num blog, mas sim num médico de avental branco na televisão ou no Ministério da Saúde. As pessoas se dobram muito à autoridade. Então, está na hora da autoridade tomar vergonha na cara e admitir em alto e bom som que as diretrizes estavam erradas. O JAMA não é uma revista médica alternativa. O David Ludwig não é um médico alternativo. A instituição na qual ele trabalha (Harvard) não é uma instituição alternativa. Está na hora da coisa mudar de cima para baixo.

Rodrigo Polesso: Está começando. Está no ar o nosso puxão de orelha também. Vamos em frente para o segundo assunto, que é bastante interessante, principalmente você entende um pouco da questão de insulina, carboidratos, hormônios, fígado com gordura, triglicerídeos e etc. Vou começar com uma frase que o Dr. Souto que falou antes: o motivo principal da elevação da glicemia em pessoas que têm diabetes tipo 2, é a secreção de glicose pelo fígado, que não é inibida pela insulina. Vou ler uns parágrafos desse artigo, que foi publicado há 2 dias atrás, para introduzir o assunto: “De acordo com esse estudo, a causa da resistência à insulina pode ter pouco a ver com defeitos nos sinais da insulina e pode, na verdade, ser causada por um mecanismo separado desencadeado por excesso de açúcar no fígado que ativa um fator molecular conhecido como carbohydrate-responsive element-binding protein (CHREBP).” Essa proteína é encontrada em diversos órgãos metabólicos em ratos, humanos e outros mamíferos. No fígado, ela é ativada pela frutose que é ingerida. A frutose é uma forma de açúcar que naturalmente está presente nos legumes, frutas e açúcar de mesa. Ela também é adicionada em vários alimentos processados, como refrigerantes. O estudo descobriu que essa frutose inicia um processo que faz com que o fígado continue fabricando glicose e aumentando os níveis de glicose no sangue mesmo se a insulina está lá para tentar evitar esse processo. Esse mecanismo todo acontece por causa de um problema no fígado. É por isso que o pessoal que tem resistência à insulina fabrica muita glicose. Mas eles descobriram que não importa quanta insulina o pâncreas fabrique para tentar inibir essa fabricação de glicose, ele não consegue falar mais alto do que essa proteína nova que descobriram (CHREBP). No final das contas, isso vai aumentar os níveis de açúcar e também de insulina no sangue. Com o tempo, isso leva a um quadro de resistência à insulina. Essa proteína que foi descoberta é uma peça muito grande. O motivo principal da diabete tipo 2 é a secreção de glicose pelo fígado nessas pessoas, já que ela não é inibida pela fabricação de insulina, independentemente da quantidade de insulina que é fabricada. Dr. Souto, anteriormente você me passou vários passos, de como acontece esse processo. Acho que seria bem legal para o pessoal entender o processo.

Dr. Souto: A coisa é um pouco complicada, especialmente para quem não é da área médica. Vamos entender como é o normal; como o sistema funciona bem em quem não é doente. Se você está comendo uma fruta, por exemplo, a frutose (glicose) entra no organismo e o corpo a utiliza como fonte de energia. Essa glicose faz com que o pâncreas fabrique insulina. A insulina vai reduzir o valor da glicose no sangue e também bloqueia completamente a produção de glicose pelo fígado – o que é bom, já que se a pessoa comeu glicose, o fígado não precisa fabricar mais glicose ainda. Então, a mesma insulina que é produzida quando você come açúcar faz com que o fígado pare de fabricar açúcar. Por que que quando a pessoa está em jejum a glicose não cai perigosamente (hipoglicemia)? Porque quando a glicose baixa, isso desbloqueia a produção de glicose pelo fígado. Então, o fígado passa a produzir glicose no momento em que os níveis de insulina se reduzem – e isso é bom, porque daí a glicose se mantêm estável mesmo que a pessoa esteja comendo nada. O podcast número 11 fala sobre jejum intermitente. Se a pessoa ficar 24, 48 ou 72 sem comer, ela não ficará sem glicose para o cérebro porque o fígado fabrica glicose. Por que o fígado fabrica glicose? Porque a insulina está baixa, já que a pessoa não está comendo. Isso é o normal. No diabetes tipo 2, o fígado está resistente à insulina. Então, a glicose no sangue está alta e a insulina está alta também, já que está tentando fazer essa glicose baixar. Como a insulina está alta, o fígado não deveria fabricar glicose, já que a insulina está alta. Mas o fígado continua fabricando glicose no diabetes tipo 2. Então, a pessoa está com a insulina e com a glicose altas no sangue, e o fígado ao invés de parar de jogar mais glicose no sangue, ele continua jogando. O mecanismo através do qual isso ocorria era desconhecido. Havia uma suposição de que o fígado não respondia à insulina, como um problema do efeito da insulina no fígado. O que esses pesquisadores descobriram é que existe uma proteína (CHREBP) que faz com que o fígado comece a secretar glicose independentemente da insulina. Mas qual é a importância disso? Por que estamos falando desse assunto que parece ser tão técnico? É que essa proteína (carbohydrate-responsive element-binding protein) tem seu efeito desencadeado por carboidratos. Mas não é um carboidrato qualquer, é pela frutose. Então, a exposição crônica à quantidades grandes de frutose vai fazer com que esse proteína fique ativa e que o fígado pare de responder à insulina. Essa basicamente é a descoberta do link principal de ciência básica que explica porque o açúcar causa diabetes tipo 2. Eu aprendi na minha faculdade que o açúcar não causava diabetes, embora isso seja uma coisa absurdamente contra intuitiva. O Dr. Lustig, que tem o famoso vídeo “A Verdade Amarga do Açúcar”, já explicava em detalhes como o açúcar estava envolvido da gênese do diabetes. Mas ele não sabia – e ninguém sabia – o mecanismo molecular através do qual isso acontece. Mas ele já havia demonstrado, num estudo epidemiológico conduzido mais em mais de uma centena de países, que o açúcar tinha muito mais relação com o diabetes do que as calorias como um todo oriundas de outros alimentos. Ou seja, não eram calorias em geral, não eram carboidratos em geral, era especificamente o açúcar que estava envolvido com o risco de desenvolver diabetes. Agora nós sabemos porquê. Qual é a diferença entre um carboidrato de uma batata doce e um açúcar? A batata é amido, que é glicose. O açúcar é 50% frutose. A frutose que é responsável pela ativação dessa proteína que vai fazer com que o fígado comece a produzir açúcar independentemente do efeito da insulina. Aí alguém pode perguntar: “Então não posso comer nenhuma fruta?” Não é isso! São níveis suprafisiológicos de frutose. É a exposição crônica a níveis de frutose que jamais seriam atingidos comendo uma fruta de vez em quando. Ou seja, é a exposição ao açúcar, aos alimentos processados, a coisas como ketchup, sucos de fruta, suco de caixinha, refrigerantes. Essa proteína talvez não seja a única coisa. Esse é um estudo super recente, que tem que ser corroborado. Mas é muito interessante, já que é mais uma peça do quebra-cabeça que se encaixa, mostrando que o problema que o problema não é engordar, fazendo que a pessoa acumule gordura no fígado, fazendo com que o fígado fique com resistência à insulina e a pessoa fica diabética. Não! O que o estudo está mostrando é o seguinte: o açúcar que faz com que uma determinada proteína no fígado se desregule, tornando o fígado resistente à insulina, fazendo os níveis de glicose e insulina aumentarem, causando a resistência à insulina no resto do corpo e que leva ao acúmulo de gordura no fígado (que é uma consequência do processo e não causa). A gordura no fígado é um marcador, que indica que a pessoa está desenvolvendo resistência à insulina no fígado. Mas a causa é o açúcar. É o excesso de frutose. É o excesso de carboidrato especificamente de açúcar e carboidrato processado.

Rodrigo Polesso: Muita gente talvez pense que não pode comer mais frutas. Mas não podemos nos esquecer que nós, seres humanos, fomos feitos para viver bem na Terra. Então, existem populações que comem muito carboidratos de batatas ou populações que não comem carboidrato (vivem de peixe e gordura). Essas duas populações são saudáveis. A Terra nos fornece os alimentos que precisamos. Os problemas começam a acontecer quando paramos de comer alimentos de verdade e começamos a comer substâncias comestíveis. Eu acho de “substâncias comestíveis” tudo isso que é refinado, processado e artificialmente modificado. São coisas criadas pela indústria e que você não encontraria na natureza de forma alguma. O maior desses vilões é o açúcar de mesa, que é 50% glicose e 50% frutose. Nos Estados Unidos é pior ainda, já que lá tem o high-fructose corn syrup, que é 55% frutose 45% glicose. Ele é muito mais barato que o açúcar e o pessoal usa em tudo lá. Ele faz muito mais mal para o fígado, já que ativa essa proteína. Quando começamos a comer carboidratos refinados, processados e artificiais, eles são os verdadeiros vilões. Estamos começando a entender os mecanismos através dos quais isso acontece. Temos que nos lembrar de que alimentos de verdade são uma coisa e substâncias comestíveis são outra. Aí sim estaremos no caminho certo de sermos mais saudáveis.

Dr. Souto: Nós comentamos no podcast sobre adoçantes que o néctar agave é uma péssima escolha. Agora deve estar claro para vocês o porquê. O agave tem um índice glicêmico muito baixo porque ele é 90% frutose. Isso é a pior coisa que a pessoa pode consumir! A frutose é o que causa o diabetes. Não a frutose diluída em um monte de água e fibra como existe nas frutas, mas uma frutose purificada e extraída do cacto (agave). O néctar de agave é uma calda de frutose pura. O açúcar de coco também tem um índice glicêmico mais baixo. É a mesma coisa. Açúcar de uma forma geral é uma coisa ruim. Outra coisa que esse estudo ajuda a entender… Nós temos pacientes com diabetes tipo 2 que comem muita glicose, açúcar, amido. Quando essas pessoas adotam uma dieta low carb, a glicemia delas melhora muito. Elas param de consumir grandes quantidades de carboidrato. Mas tem pessoas que fazem uma dieta baixa em carboidrato bem direitinho, são diabéticas e a glicose não cai, mesmo que sejam pessoas que produzam insulina. Isso acontece justamente por causa da CHREDP que faz com que o fígado da pessoa produza grande quantidade de glicose, embora a insulina esteja alta. Ou seja, a insulina alta deveria fazer com que o fígado não produze glicose alguma. Mas o fígado se recusa a obedecer a insulina. Isso foi causado por anos de exposição ao açúcar. Se isso é completamente reversível ou não, ninguém sabe. O Dr. Jason Fung tende a acreditar que jejuns prolongados podem ser o que falta para restaurar a sensibilidade do fígado à insulina, provavelmente revertendo a ação dessa proteína. Se é o jejum prolongado ou simplesmente o fato de se permanecer por um período bastante longo sem exposição a carboidratos são coisas que ainda devem ser estudadas. É importante que as pessoas entendam que, mesmo elas fazendo tudo certo, o diabete tipo 2 onde haja bastante gordura do fígado e resistência à insulina pode ser algo desafiador. Às vezes não é tão fácil. Provavelmente, esse estudo ajuda a explicar parte do mecanismo.

Rodrigo Polesso: Agora temos mais detalhes sobre o mecanismo: como reverter, quanto tempo demora para isso acontecer. Mas tem muita coisa para acontecer ainda. Acho interessante mencionar que jejum é o melhor de todos os remédios, como dizia Paracelso há muito tempo atrás. Tem um panfleto muito interessante de um Doutor chamado McEachen. Ele publicou esse panfleto em 1956. Ele seguiu 614 pacientes por 10 anos e curou todos os tipos de doenças que você pode imaginar: cânceres benignos, malignos, problemas de pele… todos os problemas que você pode imaginar. Somente 14 pessoas não foram curadas pela intervenção dele, que era basicamente o jejum. O jejum tem poderes que nem imaginamos. Esse é só um parêntese.

Dr. Souto: Vou abrir um outro parêntese. Li uma reportagem sobre esse estudo do qual estamos falando agora. Os cientistas falam que foi fascinante a descoberta dessa proteína, que explica o mecanismo de secreção da glicose independente da insulina. Em seguida, eles falam qual é a grande alegria deles: “agora terá um alvo para desenvolver novas medicações”. A primeira coisa que me veio à cabeça foi que temos mais um argumento para que as pessoas não comam açúcar. O que estudo mostrou é que a frutose – que é o marcador do consumo de açúcar – é o que desencadeia a desregulação dessa proteína que fará com que o fígado passe a fabricar glicose independentemente da insulina. A implicação disso é que devemos comer o mínimo de açúcar possível. Mas, obviamente, o pessoal já começa a falar no próximo remédio.

Rodrigo Polesso: É o que dá dinheiro, não adianta. O pessoal não quer saber de mudar os hábitos, eles querem tomar uma pílula, encher a cara de McDonald’s e ficar com um six pack. O pessoal quer o mais fácil possível sempre. Vamos falar sobre nossos almoços agora. Você não está mais na Itália, então, posso saber o que você comeu hoje no seu almoço?

Dr. Souto: Agora o almoço voltou a ser uma coisa mais normal. Eu comi um bife acebolado, uma salada… foi isso.

Rodrigo Polesso: Está bom o suficiente. Ontem eu fiz uma coisa que nunca tinha feito em casa, mas minha mãe fazia muito na infância: moela de frango. Tem gente que nem sabe o que significa isso.

Dr. Souto: A Patrícia Ayres, nossa colaboradora, é fã de moela.

Rodrigo Polesso: É bem diferente. Com isso, eu comi brotos de brócolis. Ele contém o antioxidante mais poderoso conhecido até hoje. Eles estão levando isso para as pessoas na China, que vivem naquela poluição. Eles fazem sucos com brotos de brócolis para ver como essas pessoas eliminam as toxinas do corpo. É incrível o poder que esses antioxidantes do broto de brócolis têm. É uma coisa muito fácil de se fazer em casa. Comprando semente de brócolis você pode germiná-los em casa. Estou experimentando porque gosto de variar no meu dia a dia. Espero que essa informação seja útil. Dr. Souto, foi sensacional esse episódio. Foi um pouco mais técnico que o normal, mas é sempre bom equilibrar o mais técnico com o menos técnico. O importante é trazer uma conclusão fácil para todo mundo entender. Eu tenho certeza que isso tenha sido útil para o pessoal. São informações bem novas, que acabarem de sair. Continue nos seguindo semanalmente. Sempre traremos as informações mais atuais para te ajudar uma vida mais saudável, mais em forma e com a melhor qualidade de vida. Com isso, me despeço. Um bom dia para todo mundo. Dr. Souto, até o próximo e obrigado pela participação.

Dr. Souto: Um abraço. Um abraço aos ouvintes. Até a próxima.

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Emagrecer de Vez

Novo remédio para diabetes reduz 38% do risco de morte por doenças do coração

Elioenai Paes

Estudo de eficácia e segurança mostrou que além dos efeitos sobre a glicose, o medicamento protege o sistema cardiovascular de pacientes em alto risco

O diabetes é uma doença endocrinológica grave que, se não controlada adequadamente, pode danificar muitos órgãos do corpo e levar à morte. De oito a dez milhões de brasileiros sofrem com a doença e uma das maiores causas de morte em decorrência dela são as complicações cardiovasculares.

Um remédio lançado este ano com o objetivo principal de eliminar a glicose do sangue de diabéticos tipo 2 também se mostrou eficaz ao reduzir em 38% o risco de problemas cardíacos como infarto, AVC e insuficiência cardíaca, diz uma pesquisa publicada no periódico científico New England Journal of Medicine.

Glicose alta afeta os vasos sanguíneos, pode alterar os lipídios e favorecer o depósito de gorduras nas artérias, aumentando o risco cardiovascular

Glicose alta afeta os vasos sanguíneos, pode alterar os lipídios e favorecer o depósito de gorduras nas artérias, aumentando o risco cardiovascular

Foto: Thinkstock/Getty Images

O organismo sofre uma série de alterações metabólicas com o diabetes, explica o coordenador do estudo no Brasil e doutor em cardiologia pelo Instituto do Coração da USP (Incor), Francisco Kerr Saraiva.

“Essas alterações estão associadas à inflamação no organismo e a outros problemas relacionados a alterações de lipídios. A própria glicose alta causa reações agressivas nos vasos e aumenta a chance da pessoa vir a desenvolver aterosclerose (depósito gorduroso nas artérias)”, diz ele.

Além de doenças coronarianas o diabetes pode danificar o rim e provocar o AVC. “Durante décadas a comunidade científica vem buscando algo que pudesse proteger a população diabética contra o infarto, além de controlar a glicose”, conta o médico. “Alguns remédios para diabetes inclusive aumentavam os problemas cardiovasculares.”

O objetivo dos cientistas aparentemente foi encontrado: segundo o estudo, o medicamento (empagliflozina) conseguiu reduzir em 38% as mortes por doenças cardiovasculares em pacientes de alto risco e que já haviam sofrido alguma intercorrência cardíaca. “É uma redução gigantesca, um grande avanço e um grande marco. Pela primeira vez conseguimos mostrar esse efeito.”

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A empagliflozina atua de forma diferente da maioria dos outros medicamentos contra o diabetes tipo dois. “Há várias classes de medicamentos que aumentam a secreção de insulina pelo pâncreas, outros que aumentam a sensibilidade da insulina pelo organismo, outros que fazem a reposição desse hormônio”, conta o médico.

Esse medicamento, no entanto, atua inibindo a reabsorção de glicose pelos rins. O corpo entende que a glicose é energia e não quer perdê-la, mas o remédio consegue fazer com que essa glicose seja eliminada na urina, diminuindo a circulação dela no sangue. Com isso, reduz o diabetes.

A descoberta que a empagliflozina poderia reduzir 38% das mortes por problemas cardiovasculares em pacientes diabéticos veio por acaso.

“Esse estudo foi exigido pelo Food and Drug Administration (FDA) porque já houve casos de remédios para diabetes que aumentavam o risco cardiovascular. Agora todo medicamento tem que passar por esse teste, para ver se não traz malefícios ou ao menos não munda em nada”, conta o médico. “Nesse estudo de segurança e eficácia, aconteceu essa surpresa”, conta Saraiva.

Esse medicamento, portanto, pode beneficiar a população diabética de alto risco, que já tiveram algum problema cardiovascular em decorrência da doença. Somente um médico, no entanto, é quem avalia e pode indicar esse medicamento.

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Dieta low-carb e diabetes

Saiu uma nova matéria na revista americana Men’s health entitulada “A Cura Para Diabetes”: E se a Associação Americana do Coração suportasse a dieta da gordura trans? Seria um problema, certo?  Veja com o que a Associação Americana de Diabetes está alimentando os diabéticos: Açúcar. Sem problemas: Temos a solução aqui. Esta matéria da Men’s Health foi traduzida para português na íntegra por Antônio Carlos Junior, Hilton Sousa e eu, como uma sugestão do Dr. Souto e você pode lê-la clicando na imagem abaixo ou aqui.
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A crítica se deve ao fato da Associação Americana de Diabetes estar recomendando uma dieta alta em carboidratos para diabéticos, mesmo em luz de um grande corpo de evidências sugerindo o oposto, ou seja, uma dieta baixa em carboidratos para a cura da diabetes.

Similarmente, de acordo com a ADA, a Associação Americana de Diabetes, o consumo de doces não é uma preocupação, uma vez que a sacarose, ou açúcar de mesa, aumenta o açúcar sanguíneo do mesmo modo que o amido dos alimentos. Logo, de acordo com esta lógica, carboidratos são bons para diabéticos como são para qualquer indivíduo, e portanto, o açúcar é bom para todos também. Errado! Isto não é o que a ciência mostra, ponto final. O artigo elucida este contraste das recomendações vigentes e com o que as evidências sugerem para diabéticos e para indivídos com transtornos metabólicos.

Enfatiza que uma série de estudos publicados desde 2003 demostram que a dieta low-carb reduz o risco de doenças cardiovasculares, incluindo diabetes mais do que outras dietas. Verdade, a restrição de carboidratos favorece a queima de gordura e a melhora dos biomarcadores de saúde.

O problema com a ADA é que ela não apoia estudos com menos de 3 anos de duração como evidência, entretanto, isto está limitando totalmente o campo de visão e compreensão da ciência por trás do tratamento da diabetes, uma vez que estudos clinicos e randomizados são relativamente curtos por natureza, com relação a estudos prospectivos, tanto é que são aceitos pela comunidade científica como sendo o maior grau de evidência científica. Temos um grande problema aqui, vocês percebem? A ADA não aceita como evidência o que representa o maior grau de evidência científica!  Este é um grande paradoxo que limita a própria credibilidade da instiuição.

Outros pontos importantes da matéria:

  • “Em 2003, pesquisadores da Universidade Duke foram designados para testar as descobertas do Dra. Mary Vernon, presidente da Sociedade Americana de Médicos Bariátricos, em um ambiente de laboratório. Os resultados de seu estudo de 16 semanas: 17 dos 21 pacientes diabéticos que participaram foram capazes de reduzir significativamente a sua medicação ou eliminá-la por completo.”
  • “Em uma pesquisa com mais de 2.000 pessoas seguindo a dieta low-carb, Richard Feinman, Ph.D., diretor da Sociedade de Nutrição e metabolismo dos EUA e professor de bioquímica do centro médico SUNY Downstate, em Nova York, descobriu que 80 por cento realmente consomem maiores quantidades de vegetais, em relação ao que consumiam antes de adotaram a abordagem.
  • Diversos médicos como Dra. Mary Vernon são simples e diretos em suas recomendações. Nas palavras da Dra. Vernon:

Minha primeira linha de tratamento é prescrever uma dieta baixa em carboidratos.”

Isto geralmente é tudo que é necessário para reverter seus sintomas”

Simples! A low-carb reverte boa parte dos sintomas da maioria dos pacientes.

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