A ligação chocante entre açúcar e Alzheimer

Por: Olga Khazan

foto churros açúcar

Uma dieta rica em carboidratos e a alta dose de açúcar no sangue, estão associadas ao declínio cognitivo.

Nos últimos anos, a doença de Alzheimer foi constantemente referida como diabetes tipo 3. Afinal, a diabetes tipo 2 é uma doença crônica causada pela má dieta e o mesmo pode se dizer para a doença de Alzheimer. Parece cada vez mais que o Mal de Alzheimer é outro efeito colateral potencial de uma dieta cheia de açúcar do estilo ocidental.

Um estudo longitudinal, publicado quinta-feira na revista Diabetologia, seguiu 5,189 pessoas ao longo de 10 anos e descobriu que as pessoas com altos níveis de açúcar no sangue apresentavam uma taxa de declínio cognitivo mais rápida do que aquelas com açúcar no nível normal – seja ou não o nível de açúcar no sangue que caracteriza tecnicamente o diabetes. Em outras palavras, quanto maior o açúcar no sangue, mais rápido é o declínio cognitivo, mesmo que o açúcar no sangue ainda não esteja a nível diabético

“A demência é uma das condições psiquiátricas fortemente associadas à má qualidade da vida”, disse o autor principal, Wuxiang Xie na Faculdade Imperial de Londres, por e-mail.

Melissa Schilling, professora da Universidade de Nova York, realizou sua própria revisão de estudos que ligam diabetes à doença de Alzheimer em 2016. Ela procurou conciliar duas tendências confusas. As pessoas que têm diabetes tipo 2 são mais de duas vezes mais propensas a contrair a doença de Alzheimer e as pessoas que sofrem de diabetes e são tratadas com insulina também são mais propensas a contrair a doença de Alzheimer, sugerindo que a insulina elevada desempenha um papel na doença de Alzheimer. Na verdade, muitos estudos descobriram que a insulina elevada, ou “hiperinsulinemia”, aumenta significativamente seu risco de doença de Alzheimer. Por outro lado, as pessoas com diabetes tipo 1, que não usam insulina, também tem maior risco de Alzheimer. Como esses dois fatos podem ser verdadeiros?

Schilling postula que isso acontece por causa da enzima degradante da insulina, um subproduto da insulina que degrada a insulina e proteínas amiloides no cérebro – as mesmas proteínas que aglomeram e levam à doença de Alzheimer. Pessoas que usam insulina para tratar sua diabetes acabam com um excesso de insulina e a maior parte dessa enzima é usada para quebrar essa insulina, causando assim insuficiência desta enzima para degradar esses grupos de células amiloides que caracterizam o Mal de Alzheimer.

De acordo com Schilling, isso pode acontecer mesmo em pessoas que ainda não têm diabetes – que estão em um estado conhecido como “pré-diabetes” que junto com a diabetes acomete 50% da população americana. Isso simplesmente significa que o açúcar no sangue destas pessoas é alto.


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Rosebud Roberts, professor de epidemiologia e neurologia da Clinica Mayo concordou com sua interpretação.

Em um estudo de 2012, Roberts separou cerca de 1.000 pessoas em quatro grupos com base na quantidade de carboidratos proveniente em suas dietas. O grupo que comeu a maior quantidade de carboidratos teve uma probabilidade 80% maior de desenvolver comprometimento cognitivo leve – uma disparada em direção a demência – do que aqueles que comeram a menor quantidade de carboidratos. Pessoas com deficiência cognitiva leve podem se vestir e se alimentar, mas têm problemas com tarefas mais complexas. Intervir na dieta pode ajudar muito a prevenir a demência.

Rebecca Gottesman, professora de neurologia da Johns Hopkins, diz que existem várias teorias para explicar a conexão entre alto nível de açúcar no sangue e demência. Diabetes também pode enfraquecer os vasos sanguíneos, o que aumenta a probabilidade de transportar nutrientes para o cérebro, causando várias formas de demência. Uma alta ingestão de carboidratos pode fazer com que as células, incluindo as do cérebro, fiquem resistentes à insulina, o que poderia causar a morte das células cerebrais. Enquanto isso, comer carboidratos demais em geral pode causar obesidade. A gordura extra em pessoas obesas libera citocinas, ou seja, proteínas inflamatórias que também podem contribuir para a deterioração cognitiva disse Roberts. Em um estudo de Rebecca Gottesman, a obesidade dobrou o risco das pessoas possuírem proteínas amilóide elevadas em seus cérebros na idade avançada.

Roberts disse que as pessoas com diabetes tipo 1 estão principalmente em risco se a insulina não for bem controlada ao ponto de haver episódios hipoglicêmicos. Mas mesmo as pessoas que não têm nenhum tipo de diabetes devem observar a ingestão de açúcar, disse ela.

“Só porque você não tem diabetes tipo 2 não significa que você pode comer qualquer porcaria que você quiser”, disse ela. “Especialmente se você não está fisicamente ativo”. O que comemos, acrescentou, é “um fator importante na manutenção do controle do nosso destino”. Roberts disse que este novo estudo de Wuxiang Xie é interessante porque também mostra uma associação entre açúcar no sangue elevado e declínio cognitivo .

Esse é um ponto importante que muitas vezes se esquece nas discussões sobre a doença de Alzheimer. É uma doença tão horrível que pode ser tentador dizer que ela é inevitável. Mas, como estes e outros pesquisadores apontam, as decisões que tomamos sobre os alimentos são extremamente importantes e este é um fator de risco que podemos controlar. E os estudos estão mostrando que as decisões que tomamos enquanto ainda somos relativamente jovens podem afetar nossa futura saúde cognitiva.

“A doença de Alzheimer é como um incêndio lento que você não vê quando começa”, disse Schilling. Leva tempo para que os aglomerados se formem e para que a cognição comece a deteriorar-se. “Quando você percebe os sinais, já começa a ficar tarde para apagar o fogo”.

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Remédio estende vida de jovens com câncer mais comum entre os 15 e os 30 anos

Elioenai Paes

Com menos efeitos colaterais do que a quimioterapia, medicamento brentuximabe é aconselhado especialmente àqueles pacientes que não respondem a tratamentos comuns

Agência Nacional de Vigilância Sanitária liberou uso frequente do brentuximabe em janeiro

Agência Nacional de Vigilância Sanitária liberou uso frequente do brentuximabe em janeiro

Foto: BBC

Um dos maiores problemas que os pacientes enfrentam quando se tratam contra um câncer é quando aquele remédio usado na primeira linha do tratamento não funciona ou funciona muito pouco, levando-os a buscar outras drogas para exterminar a doença.

No caso do Linfoma de Hodgkin – aumento dos gânglios linfáticos e tipo de câncer mais comum em pessoas com entre 15 e 30 anos –, o remédio que representava a última esperança e só podia ser usado uma vez agora passa a poder ser aplicado quantas vezes forem necessárias pelos pacientes.

A novidade vem graças a uma aprovação recente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do brentuximabe, medicamento usado para estender a vida da pessoa que tem a doença nos glânglios linfáticos.

Virose ou câncer?
Fadiga, inflamações nos gânglios, febre esporádica, sudorese noturna, coceira no corpo, perda de peso… Apesar de serem confundidos com viroses, esses sintomas podem muito bem ser uma pista para um câncer linfático, que, se diagnosticado, leva à quimioterapia e, às vezes, radioterapia. De acordo com Otávio Baiocchi, hematologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), 80% dos pacientes são curados com esses tratamentos.

No entanto, aqueles 20% que não respondem à quimioterapia precisam de outras opções, como o transplante de medula alogênico – quando a medula do próprio paciente é retirada, para ser inserida posteriormente, e são ministradas altas doses de quimioterapia para suprimir o câncer – e, no auge, a brentuximabe.

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Desde 2015, o remédio em forma de anticorpo que consegue se ligar diretamente às células cancerosas para tentar diminuir proliferação do câncer tem encontrado barreiras, já que seu uso era aprovado somente para uma aplicação – ou seja, se o paciente melhorasse mas voltasse a ter uma recaída, ele não poderia usá-lo novamente.

Com aprovação da Anvisa para usos repetidos, tratar pacientes refratários aos outros tratamentos contra o linfoma de Hodgkin ficou menos complicado para os médicos. “Antes, de 10 a 15% dos jovens estariam vivos em cinco anos depois do tratamento. Hoje, o número saltou para ao menos 60%”, comemora Baiocchi. Além disso, os efeitos colaterais do remédio são mais amenos do que os da quimioterapia. 

Oncologista clínico do Hospital A. C. Camargo Cancer Center, Vladmir Cordeiro de Lima explica que, com a aprovação da Anvisa, é mais fácil pedir a autorização para uso a operadoras de saúde. Não há previsão, no entanto, de a droga ser disponibilizada no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Um paciente idoso ou uma pessoa com muitos outros problemas de saúde não aguentaria passar por um transplante de medula, já que é um tratamento mais agressivo. Então, essas pessoas também são candidatas para o uso do brentuximabe”, explica Lima. “Não é um tratamento curativo, mas tem uma taxa de resposta muito alta e controla a doença por um bom tempo.”

O tempo médio de um reaparecimento do linfoma de Hodgkin é de dez meses.

Veja algumas coisas que podem causar o câncer:

Radiação solar

Radiação solar

Foto: Getty Images

A benzina, que é derivada do petróleo, também provoca câncer

A benzina, que é derivada do petróleo, também provoca câncer

Foto: Reprodução/Youtube

Arsênico na água

Arsênico na água

Foto: Getty Images

Trabalhar na produção de alumínio

Trabalhar na produção de alumínio

Foto: Reprodução/site Albrás

Trabalhar como pintor

Trabalhar como pintor

Foto: Wikipedia

Silício

Silício

Foto: Wikimedia Commons

Esquistossomose

Esquistossomose

Foto: Wikipedia

Bactéria estomacal H. Pylori

Bactéria estomacal H. Pylori

Foto: Wikimedia Commons

Presunto, linguiça e alimentos embutidos

Presunto, linguiça e alimentos embutidos

Foto: Getty Images

Bacon

Bacon

Foto: Thinkstock/Getty Images

fumaça de carvão

fumaça de carvão

Foto: Thinkstock/Getty Images

Raio X, Y e Gama

Raio X, Y e Gama

Foto: Simonnet, NASA E/PO

HIV

HIV

Foto: Getty Images

Radiação

Radiação

Foto: Reprodução

HPV

HPV

Foto: VACINA HPV

Formaldeído

Formaldeído

Foto: Thinkstock Photos

Etanol

Etanol

Foto: ANDRE FOSSATI – 5.1.2006

Terapia de reposição hormonal

Terapia de reposição hormonal

Foto: Thinkstock Photos

Vírus de Epstein-Barr

Vírus de Epstein-Barr

Foto: Fifa/Divulgação

Carne processada

Carne processada

Foto: BBC

Pó de serra

Pó de serra

Foto: Amana Salles/Fotoarena

Anticoncepcional oral

Anticoncepcional oral

Foto: Reprodução/Pinterest/Tina Bishop

Anticoncepcional hormonal

Anticoncepcional hormonal

Foto: Thinkstock Photos

Fumaça de diesel

Fumaça de diesel

Foto: ESTADÃO CONTEÚDO

Bebidas com álcool

Bebidas com álcool

Foto: Getty Images

Pavimentar as vias com piche

Pavimentar as vias com piche

Foto: GUSTAVO BAXTER – 04.04.2014

Limpeza de chaminé, por causa da poeira inalada

Limpeza de chaminé, por causa da poeira inalada

Foto: AP

Poluição

Poluição

Foto: Rafael Neddemeyer/Fotos Públicas

Bronzeamento artificial com lâmpadas UV

Bronzeamento artificial com lâmpadas UV

Foto: RODRIGO CLEMENTE

Cigarro

Cigarro

Foto: Thinkstock


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