Belo Horizonte confirma terceira morte por febre amarela; estado soma 25 óbitos

iG São Paulo

O governo de Minas Gerais decretou, no sábado da semana passada, situação de emergência na saúde pública em 94 municípios, entre eles a capital BH

Ao menos 134 mil pessoas foram vacinadas em BH, deixando 88% da população imunizada contra a febre amarela

Ao menos 134 mil pessoas foram vacinadas em BH, deixando 88% da população imunizada contra a febre amarela

Foto: Divulgação/Fiocruz

A Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte confirmou na noite da sexta-feira (26) a morte da terceira vítima da febre amarela na cidade, que teria falecido na última segunda-feira (22) em um hospital público. O homem de 42 anos foi contaminado em um sítio, fora da área urbana da capital mineira, próximo de um município da região metropolitana.

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As três mortes por febre amarela em Belo Horizonte aconteceram no período entre julho do ano passado e janeiro deste ano. Além dos falecimentos na capital, foram confirmados 47 casos da doença e ao menos 25 mortes em todo o estado. O governo de Minas Gerais decretou, no sábado (20) da semana passada, situação de emergência na saúde pública em 94 municípios do estado por causa do alto número de ocorrências registradas.

Com o decreto, que terá duração de seis meses, as regiões de Itabira (central), de Ponte Nova (Zona da Mata) e da capital terão a aplicação de vacinas em todos os postos de saúde, além de medidas administrativas, tais como a aquisição de insumos e contratação de serviços de atendimento.

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Desde o último sábado, pelo menos 134 mil pessoas foram vacinadas em Belo Horizonte, deixando a cidade com 88% da população imunizada. As doses de vacina estão disponíveis em 152 centros de saúde da capital mineira, que podem ser procurados de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.

A febre no País

O Ministério da Saúde divulgou nesta semana que já foram registrados 35 casos da doença no País desde o segundo semestre de 2017 até o início deste ano. A situação levou a Organização Mundial da Saúde (OMS), órgão ligado às Nações Unidas, a recomendar vacinação contra a febre amarela para todos os viajantes com planos de viajar a 13 estados brasileiros: São Paulo, Minas Gerais e Maranhão, além de todos os das regiões Norte e Centro-Oeste (bem como o Distrito Federal).

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 *Com informações da Agência Brasil

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Cuidado paliativo pode antecipar a morte de uma pessoa?

Gabriela Brito

Presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos diz o que mudou desde o reconhecimento da prática pelo Conselho Federal de Medicina

Objetivo do cuidado paliativo é melhorar a qualidade de vida do paciente diante de uma doença que ameace a vida

Objetivo do cuidado paliativo é melhorar a qualidade de vida do paciente diante de uma doença que ameace a vida

Foto: Shuttersock

“Na fase terminal de enfermidades graves e incuráveis é permitido ao médico limitar ou suspender procedimentos e tratamentos que prolonguem a vida do doente, garantindo-lhe os cuidados necessários para aliviar os sintomas que levam ao sofrimento, na perspectiva de uma assistência integral, respeitada a vontade do paciente ou de seu representante legal.”

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A resolução acima foi publicada há exatos dez anos pelo Conselho Federal De Medicina. Na época, o texto gerou polêmica por reconhecer a prática dos cuidados paliativos, que ainda hoje é visto por algumas pessoas como algo que pode antecipar a morte.

“Existe ainda muita má informação. Tem gente que pensa que o cuidado paliativo só é usado nas últimas horas de vida, que vai abreviar a vida, que a gente vai somente sedar o doente; e isso é acreditado mesmo entre os profissionais de saúde e em alguns hospitais”, afirmou a presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos, Dra. Maria Goretti Maciel.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a prática consiste “na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida”. Frequentemente relacionado ao câncer, esse tipo de cuidado também pode ser usado em casos de doenças crônicas, como as cardíacas ou o diabetes, que acabam deteriorando a saúde do paciente após um longo período.

Mesmo com os problemas que ainda encontra no dia a dia do trabalho, Dra. Goretti acredita que os últimos dez anos foram revolucionários em relação à prática. “Ainda estamos longe do que queremos alcançar, que é ter o cuidado paliativo em todos os hospitais, qualificado, mas nunca se falou tanto em cuidado paliativo.”

Dificuldade em lidar com a morte

Apenas uma coisa é certa ao nascermos: um dia, todos nós vamos morrer. Ainda assim, o tema ainda é um tabu na sociedade e causa medo em muitas pessoas. Em relação aos profissionais de saúde, por exemplo, existe também o medo de uma possível frustração com o paciente.

“Existe um receio em lidar com a pessoa que vai morrer, um sentimento de impotência muito grande e uma sensação de que não vai dar conta daquilo. Por outro lado, também vemos uma banalização e coisas terríveis, como profissionais que acreditam que não há mais nada para se fazer com a pessoa, mas os cuidados paliativos vêm como uma resposta. Há muito o que se fazer.”

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Muitas pessoas acreditam que a médica só vê sofrimento em seu trabalho, mas Dra. Goretti e sua equipe conseguem, na maioria das vezes, proporcionar um conforto físico e emocional para o paciente e também à família. O cuidado paliativo envolve diversos profissionais, como médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas e até mesmo líderes espirituais em alguns casos.

O objetivo principal não é prolongar a vida do paciente, já que ele já está no fim da vida, mas alguns estudos mostram que este cuidado diferenciado acaba até mesmo dando um maior tempo de vida, e com qualidade, à pessoa. “Eu continuo com a missão de proteger da morte e da doença.”

A diferença é que os profissionais palitivistas procuram usar a menor quantidade de medicação possível e até mesmo evitam alguns exames, fazendo uma análise mais clínica do paciente para não expor a pessoa. No caso da morfina, analgésico do grupo dos opioides e muito usado, a utilização é feita com muito cuidado e com doses muito baixas, para não causar prejuízos.

Sistemas de saúde

A capacitação dos profissionais ainda é um problema, mas já existem cursos de aperfeiçoamento e especialização em São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza, Salvador e Recife, segundo Dra. Goretti. Por conta disso e a questão do preconceito que ainda existe, o trabalho paliativo nos sistema de saúde público e privado ainda estão muito no começo Brasil na visão da especialista.

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Ela lembra que no Índice de Qualidade de Morte de 2015, levantamento feito pela consultoria britânica Economist Intelligence Unit, dos 80 países avaliados, o Brasil ficou apenas na 42ª posição. Considerando só a América, o País fica atrás dos Estados Unidos, Canadá, Chile, Costa Rica, Panamá, Argentina, Cuba, Uruguai e Equador.

Quando avaliada a capacidade de oferecer o cuidado paliativo, apenas 0,3% dos pacientes que morreram no último tiveram acesso ao serviço. É o mesmo índice do Iraque e de Gana e pior que países como Malaui, Uganda e Quênia.

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Novo remédio para diabetes reduz 38% do risco de morte por doenças do coração

Elioenai Paes

Estudo de eficácia e segurança mostrou que além dos efeitos sobre a glicose, o medicamento protege o sistema cardiovascular de pacientes em alto risco

O diabetes é uma doença endocrinológica grave que, se não controlada adequadamente, pode danificar muitos órgãos do corpo e levar à morte. De oito a dez milhões de brasileiros sofrem com a doença e uma das maiores causas de morte em decorrência dela são as complicações cardiovasculares.

Um remédio lançado este ano com o objetivo principal de eliminar a glicose do sangue de diabéticos tipo 2 também se mostrou eficaz ao reduzir em 38% o risco de problemas cardíacos como infarto, AVC e insuficiência cardíaca, diz uma pesquisa publicada no periódico científico New England Journal of Medicine.

Glicose alta afeta os vasos sanguíneos, pode alterar os lipídios e favorecer o depósito de gorduras nas artérias, aumentando o risco cardiovascular

Glicose alta afeta os vasos sanguíneos, pode alterar os lipídios e favorecer o depósito de gorduras nas artérias, aumentando o risco cardiovascular

Foto: Thinkstock/Getty Images

O organismo sofre uma série de alterações metabólicas com o diabetes, explica o coordenador do estudo no Brasil e doutor em cardiologia pelo Instituto do Coração da USP (Incor), Francisco Kerr Saraiva.

“Essas alterações estão associadas à inflamação no organismo e a outros problemas relacionados a alterações de lipídios. A própria glicose alta causa reações agressivas nos vasos e aumenta a chance da pessoa vir a desenvolver aterosclerose (depósito gorduroso nas artérias)”, diz ele.

Além de doenças coronarianas o diabetes pode danificar o rim e provocar o AVC. “Durante décadas a comunidade científica vem buscando algo que pudesse proteger a população diabética contra o infarto, além de controlar a glicose”, conta o médico. “Alguns remédios para diabetes inclusive aumentavam os problemas cardiovasculares.”

O objetivo dos cientistas aparentemente foi encontrado: segundo o estudo, o medicamento (empagliflozina) conseguiu reduzir em 38% as mortes por doenças cardiovasculares em pacientes de alto risco e que já haviam sofrido alguma intercorrência cardíaca. “É uma redução gigantesca, um grande avanço e um grande marco. Pela primeira vez conseguimos mostrar esse efeito.”

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A empagliflozina atua de forma diferente da maioria dos outros medicamentos contra o diabetes tipo dois. “Há várias classes de medicamentos que aumentam a secreção de insulina pelo pâncreas, outros que aumentam a sensibilidade da insulina pelo organismo, outros que fazem a reposição desse hormônio”, conta o médico.

Esse medicamento, no entanto, atua inibindo a reabsorção de glicose pelos rins. O corpo entende que a glicose é energia e não quer perdê-la, mas o remédio consegue fazer com que essa glicose seja eliminada na urina, diminuindo a circulação dela no sangue. Com isso, reduz o diabetes.

A descoberta que a empagliflozina poderia reduzir 38% das mortes por problemas cardiovasculares em pacientes diabéticos veio por acaso.

“Esse estudo foi exigido pelo Food and Drug Administration (FDA) porque já houve casos de remédios para diabetes que aumentavam o risco cardiovascular. Agora todo medicamento tem que passar por esse teste, para ver se não traz malefícios ou ao menos não munda em nada”, conta o médico. “Nesse estudo de segurança e eficácia, aconteceu essa surpresa”, conta Saraiva.

Esse medicamento, portanto, pode beneficiar a população diabética de alto risco, que já tiveram algum problema cardiovascular em decorrência da doença. Somente um médico, no entanto, é quem avalia e pode indicar esse medicamento.

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