Mais de 40% dos idosos no Brasil não têm nenhum dente

Saúde bucal da população brasileira é extremamente desigual. Enquanto ricos já não têm mais cáries, pobres ainda perdem os dentes precocemente.

 

A saúde bucal dos brasileiros já foi pior, mas ainda estamos longe dos índices considerados desejáveis pelas principais organizações internacionais de saúde, principalmente entre adultos e idosos. Afinal, mais de 40% da população acima de 60 anos já perderam todos os dentes, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNA) feita pelo IBGE em 2013, a pedido do Ministério da Saúde.

Apesar de dizer respeito à saúde de todos os brasileiros, a odontologia muitas vezes não é tratada pelo meio médico nem pelos que elaboram políticas como uma área de interesse da saúde pública. Mesmo trabalhando com jornalismo de saúde há anos e conhecendo as dificuldades que as pessoas têm para acessar serviços que contem com dentistas, confesso que, ao pesquisar para realizar esta matéria, me surpreendi com a dimensão dos problemas de saúde bucal do país.

Veja também: Ouça nosso podcast “Por que dói?” sobre dor de dente

A última Pesquisa Nacional de Saúde Bucal foi feita em 2010 e traz dados que ilustram bem nossa desigualdade socioeconômica, que implica em uma diferença enorme d acesso a serviços de saúde. O levantamento, feito com 37.519 pessoas de todas as regiões do país, mostrou que as populações do Sul e do Sudeste apresentam saúde bucal bem melhor que a dos moradores do Norte, Nordeste e Centro-Oeste em relação à prevalência de cárie, uso de prótese dentária, condição periodontal (gengivas), entre outros.

Crianças, adolescentes, adultos e idosos das áreas mais pobres do Brasil passam por problemas e situações que os mais ricos deixaram de vivenciar há décadas.

 

Prótese dentária

 

Arrancar todos os dentes é a solução apresentada para muitas pessoas que poderiam ter tido acompanhamento odontológico adequado que evitasse esse desfecho. Como aconteceu com Antônio,* de 68 anos, morador do interior do Ceará que perdeu os últimos dentes que lhe restavam antes dos 55 anos. “A primeira vez que fui ao dentista eu já era adulto, tinha me mudado para São Paulo e já tinha perdido vários dentes, porque onde eu morava não tinha dentista. A solução que a gente tinha para um dente que ficava podre e doía era arrancar”, conta o ajudante de pedreiro.

Segundo a pesquisa do IBGE, 11% dos brasileiros, quase 16 milhões de pessoas, não têm nenhum dente. Já a Pesquisa de Saúde Bucal encontrou 15,4% dos entrevistados com próteses dentárias nos dois maxilares. A diferença entre as regiões brasileiras é enorme: enquanto na região Sul 6,9% dos avaliados não tinham nenhum dente, no Norte esse índice chegou a 17,6%.

O professor dr. Antônio Carlos Frias, da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FAOUSP), destaca também a diferença entre as faixas etárias. “Políticas públicas demoram um tempo para alcançar resultados visíveis. Embora tenha havido melhora nos índices de saúde bucal nos últimos anos, eles ainda não são observáveis entre os mais velhos, que não tiveram acesso a serviços odontológicos na infância e na juventude, o que justificaria o alto número de pessoas com mais de 60 anos com próteses totais.”

 

Dor de dente e desigualdade social

 

A desigualdade social refletida nos dentes dos brasileiros chamou a atenção da antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, professora de desenvolvimento internacional da University of Bath, na Inglaterra. Há cerca de dez anos, enquanto fazia uma pesquisa sobre consumo na periferia de Porto Alegre (RS), Rosana observou a enorme quantidade de pessoas com dor de dente. “As pessoas das classes populares estão sempre com dor de dente. Elas vivem em sofrimento e quase ninguém fala disso. Dor de dente é um drama e um tabu entre os brasileiros”, conta.

A incidência de cárie dentária vem diminuindo e hoje o número de pessoas com o problema é cerca de 1/3 menor que no início dos anos 90. Mesmo assim, apenas 46,6% das crianças de 5 anos e 0,9% dos adultos de 35 a 44 anos não têm cárie, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde Bucal.

Uma das perguntas da pesquisa foi: “você teve dor de dente nos 6 meses anteriores à entrevista?”. Os números impressionam, principalmente se considerarmos que a dor de dente é uma dor incapacitante: quase 25% das crianças de 12 anos relataram terem sentido dor de dente no período mencionado, a maioria por cárie. Esse número sobe para 75,2% entre a população de 35 a 44 anos.

Dentistas que atendem as populações A e B em consultórios privados costumam dizer que quase não tratam mais cáries. Muitos se concentram em tratar problemas ortodônticos e estéticos. É comum vermos crianças de aparelho e de sorriso perfeito nas salas de aula das escolas particulares. Nas populações mais carentes, porém, a cárie ainda é um problema comum. De acordo com o dr. Frias, o problema tem influência de alguns fatores culturais, como o fato de muitos pais acharem que dentes de leite não requerem escovação porque não são definitivos, ou por simplesmente não terem o hábito de escovar os dentes. Essa população também consome mais açúcar e refrigerantes, o que aumenta o risco de desenvolver cárie.

A falta de acesso a água fluroetada (que ajudou muito a reduzir a prevalência de cáries no país) e a serviços de saúde que auxiliem na prevenção e tratamento de problemas bucais são fatores agravantes.

Sem tratamento adequado, as pessoas fazem qualquer coisa para se livrar da dor. Rosana conta que ouviu inúmeros relatos: “As pessoas viram seus pais e avós sentindo dor e aprendem a lidar com a dor . Lidar com a dor vira um saber quase tradicional. Elas usam diversos recursos, como colocar álcool, perfume e arrancar os dentes das maneiras mais terríveis.”

 

Média de dentes cariados dos brasileiros de acordo com a idade.

Pesquisa Nacional de Saúde Bucal 2010.

 

Brasil Sorridente e má distribuição de profissionais

 

O Brasil Sorridente é uma política do governo federal com o objetivo de ampliar o atendimento e melhorar as condições de saúde bucal da população brasileira. Implementada em  2004 pelo então governo Lula, seu intuito é organizar o sistema de atendimento odontológico no país. Essa foi a primeira política nacional de saúde bucal da história do Brasil. “O programa ajudou a instaurar um sistema de saúde no país inteiro, com serviços que cobrem 40% da população, incluindo 33 centros que atendem a população indígena”, relata o dr. Frias.

No entanto, ainda enfrentamos uma das maiores dificuldades para de fato fornecer acesso a atendimento odontológico de qualidade: a má distribuição geográfica de profissionais. O Conselho Federal de Odontologia (CFO) afirma que em 2018 o país contava com 578.306 dentistas, mas 59% se localizavam na região Sudeste (que tem 38% da população do país). Para deixar mais clara a diferença de concentração de profissionais, havia 147.209 dentistas em São Paulo em 2018, enquanto o Piauí tinha 6.612 profissionais e o Acre, 2.073, de acordo com o CFO. “Uma boa saída seria inserir profissionais de odontologia nas equipes de estratégia de saúde da família, que já contam com estrutura de atendimento. Criar programas de contratos provisórios para que os profissionais mudem para o interior também pode ser uma alternativa”, explica o dr. Frias.

A educação básica também é apontada pelo professor como aliada fundamental para a prevenção de problemas bucais. A população precisa ter acesso serviços odontológicos de qualidade, mas uma educação voltada para cuidados de higiene e alimentação adequadas pode contribuir para reduzir os índices de cáries.

Houve avanços nas políticas públicas de acesso aos tratamentos odontológicos, que também evoluíram muito nas últimas décadas. No entanto, ainda permitimos que milhões de brasileiros sofram de dor e percam os dentes devido a problemas bucais que, na maioria das vezes, poderiam ser atenuados ou evitados com políticas de prevenção e atendimento qualificado a que os mais ricos têm acesso. Não é exagero afirmar, portanto, que podemos medir a dimensão da desigualdade social brasileira pela boca da população.

 

* O entrevistado não quis revelar seu nome verdadeiro.

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Drauzio Varella

Por que ainda não acabamos com a sífilis congênita?

A sífilis congênita é uma doença grave, que pode causar abortamento espontâneo e sequelas ou a morte de recém-nascidos.

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que haja cerca de 300 mil mortes fetais e neonatais (logo após o nascimento) por ano no mundo por causa da sífilis congênita (SC). No Brasil, a doença foi detectada em 24.668 crianças com menos de 1 ano em 2017.

A sífilis, também chamada de lues, é uma doença infecto-contagiosa causada pelo Treponema pallidum, que ocasiona lesões cutâneas e pode comprometer outros tecidos, em especial os sistemas cardiovascular e nervoso.

Veja também: Entrevista do dr. Drauzio com o infectologista Esper Kallás sobre IST

É considerada uma infecção sexualmente transmissível, mas também pode ser transmitida verticalmente (de mãe para feto) ou pelo contato com o sangue contaminado.

Quando a doença atinge o feto é chamada de sífilis congênita, doença muito grave, que pode causar má-formação do feto, aborto espontâneo e morte fetal. Na maioria das vezes, porém, os seguintes sintomas aparecem nos primeiros meses de vida: pneumonia, feridas no corpo, alterações nos ossos e órgãos dos sentidos (causando cegueira, por exemplo), além de comprometimento do desenvolvimento mental.

Pode ser dividida em recente (SCR), em que os sinais e sintomas aparecem nos primeiros dias ou meses de vida, e tardia (SCT), quando a doença se manifesta mais tarde e seus sintomas são equivalentes aos da sífilis adquirida secundária ou terciária.

 

Números da sífilis congênita

 

Desde 1986, a doença é de notificação compulsória no Brasil, o que significa que agentes de saúde são obrigados a registrar todos os casos da doença no Sistema de Agravos de Notificação (Sinan).

Em 1993, o Ministério da Saúde lançou um projeto de eliminação da sífilis congênita como um problema de saúde pública, em consonância com a proposta de controle do agravo nas Américas, formulado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e pela OMS. A meta era reduzir a incidência da doença a valores menores ou iguais a 1 caso por 1000 nascidos vivos até o ano de 2000.

O objetivo não foi atingido: em 2011, o Brasil apresentou uma taxa de 3,3 casos por 1000 nascidos vivos, principalmente nas regiões Nordeste (3,8 casos/1000 nascidos vivos) e Sudeste (3,6 nascidos casos/1000 nascidos vivos).

Entre 1998 e junho de 2012, foram notificados no Sinan 80.041 casos de sífilis congênita em menores de 1 ano de idade no país. A região Sudeste registrou 45,9% desses casos, seguida do Nordeste (31,4%), do Norte (8,7%) do Sul (7,7%) e do Centro-Oeste (6,3%).

Em 2017, foram notificados no Sinan quase 119.800 mil casos de sífilis adquirida; 49.028 casos de sífilis em gestantes; 24.668 casos de sífilis congênita, com 206 óbitos.

Dados do Boletim Epidemiológico de Sífilis 2018, publicado em novembro de 2018 pelo Ministério da Saúde, apontam aumento no número de casos da doença no Brasil em todos os cenários da infecção. Em comparação com o ano de 2016, houve aumento de 28,5% na taxa de detecção em gestantes, 16,4% na incidência de sífilis congênita e 31,8% na incidência de sífilis adquirida.

 

 

Dermatologia sanitária

 

O Centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza, localizado na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), possui um serviço de dermatologia sanitária que atende gratuitamente casos de IST, câncer de pele, hanseníase e dermatoses ocupacionais. O prof. dr. Luiz Jorge Fagundes é diretor clínico do serviço e lembra que entre 2014 e 2017 houve falta de penicilina, antibiótico utilizado para tratar a sífilis, o que fez disparar os casos de SC em vários países, incluindo o Brasil.

“A penicilina é um medicamento barato, usado para tratar uma doença que em geral atinge a população mais socialmente vulnerável, os laboratórios não têm interesse em produzi-la”, conta o médico. A situação se agravou ainda mais porque outros antibióticos usados para substituir a penicilina em casos de sífilis não servem para tratar os bebês com a doença.

O aumento do número de casos também pode ser atribuído, em parte, ao aprimoramento do sistema de vigilância e à ampliação da utilização de testes rápidos. Em 2017, alguns critérios de notificação da SC foram modificados para diminuir as subnotificações. Ficou definido, por exemplo, que todas as mulheres diagnosticadas com sífilis durante o pré-natal, parto e/ou puerpério devem ser notificadas como caso de sífilis em gestantes, e não como sífilis adquirida. “Certamente esses números são mais altos. Existe muita subnotificação porque muitas mulheres não vão ao médico durante a gravidez”, revela o dr. Fagundes.

 

Mulheres negras

 

No Brasil, a população mais afetada pela sífilis são as mulheres, principalmente as negras e jovens, na faixa etária de 20 a 29 anos, sem curso superior. Esse grupo representa 14,4% de todos os casos de sífilis adquirida e em gestantes notificados em 2018. Na comparação por sexo, as mulheres de 20 a 29 anos alcançam 26,2% do total de casos notificados, enquanto os homens nessa mesma faixa etária representam apenas 13,6%.

Homens evitam buscar tratamento, o que justifica os casos de reinfecção das parceiras sexuais. Muitas mulheres só descobrem a doença no momento do parto. Esses dois fatores ajudam a explicar a maior incidência em mulheres.

 

Importância do pré-natal

 

O Ministério da Saúde recomenda que todas as gestantes realizem ao menos dois testes para detecção da sífilis, um no início da gravidez e outro no terceiro semestre de gestação. Isso porque a gestante pode se contaminar em qualquer momento da gravidez. “Tratar a gestante com sífilis é simples, a dificuldade está em detectarmos os casos, pois muitas mulheres, em especial as com menos recursos socioeconômicos, não fazem o pré-natal”, explica o dr. Fagundes.

Veja também: Quais exames pré-natais as grávidas devem realizar?

Para o médico, ainda há muito preconceito em relação às infecções sexualmente transmissíveis e poucas ações de prevenção. “Ninguém quer falar no assunto. Como os pacientes irão reconhecer os sintomas se não podemos falar nem mostrar imagens que os ajudem?”, indaga.

A dificuldade para identificar os sinais e sintomas da doença atinge os próprios profissionais de saúde que, segundo o dr. Fagundes, muitas vezes não recebem formação adequada. “Não há serviços de dermatologia sanitária na maior parte do país”, constata.

O tratamento da doença é simples e barato, mas graças à escassez de campanhas de prevenção e educação sexual, falta de assistência médica que garanta que grávidas sejam testadas e tratadas com rapidez e eficiência e produção de penicilina centrada em poucas empresas estrangeiras  fazem com que uma doença que deveria estar praticamente erradicada ainda atinja tantos bebês no Brasil.

 

Sinais e sintomas da sífilis

 

A sífilis se manifesta em três estágios diferentes:

  • Primária: Surge uma ferida, geralmente única, no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca ou outros locais da pele), que aparece entre 10 a 90 dias após o contágio. Essa lesão é rica em bactérias e em geral não dói, não coça, não arde e não tem pus, podendo estar acompanhada de ínguas (caroços) na virilha. Quase sempre a ferida desaparece espontaneamente, sem deixar sinais.
  • Secundária:  Os sinais e sintomas surgem entre seis semanas e seis meses do aparecimento e cicatrização da ferida inicial. Podem aparecer manchas no corpo, que geralmente não coçam, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés. Essas lesões são ricas em bactérias. Também podem ocorrer febre, mal-estar, dor de cabeça e ínguas pelo corpo.
  • Terciária: Pode surgir de dois a 40 anos depois do início da infecção. Costuma apresentar sinais e sintomas, principalmente lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte.

A doença, entretanto, pode não causar sintomas ou eles podem passar despercebidos. Assim, é recomendável que pessoas com vida sexual ativa usem preservativo em todas as relações sexuais e façam testagem anual para detectar a doença. Se tratada logo no início, a sífilis não deixa sequelas.

Se estiver grávida, exija que o médico que acompanha seu pré-natal peça dois exames de sífilis durante a gestação.

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Drauzio Varella

Por que o café da manhã não é a refeição mais importante do dia (para todos)

Por: Mark Sisson

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Por que o café da manhã não é a refeição mais importante do dia? Se você está lendo este blog há muito tempo, sabe que estou sempre interessado em explorar esses conselhos testados pelo tempo, a sabedoria transmitida geração após geração, porque geralmente estão certos ou pelo menos contêm um núcleo de verdade. E se um pedaço da sabedoria popular convencional acaba sendo errado ou equivocado, entender por que ela perdurou por tantos anos é um exercício divertido e geralmente revela outras mensagens e verdades.

Hoje, estou analisando a importância (ou a falta de importância) do café da manhã. Durante anos, você ouviu o quão importante é o café da manhã. Sua avó diz isso. Seu médico que não entende nada de jejum provavelmente o repreende se você não estiver comendo. Todos nós crescemos tendo esse “fato” – o café da manhã é a refeição mais importante do dia – perfurado em nosso subconsciente. Até as pessoas que simplesmente não sentem fome de manhã se sentem culpadas por isso e são obrigadas a colocar algo em seus pratos.

Está é certo ou errado?

O café da manhã logo ao acordar não está presente em muitas culturas tradicionais primitivas.

Eu pessoalmente sigo uma janela de refeições comprimida, das 12/13h às 19h. Em um dia típico, eu acordo e pego uma caneca de café com um pouco de creme de leite e um pouco de estévia em pó. E é isso até o almoço, minha maior refeição do dia. Como sou um queimador de gordura muito eficaz, essa programação claramente funciona para mim. Eu experimento energia equilibrada em uma base consistente. Minha produtividade é alta, estou feliz com meu desempenho físico e capacidade de me recuperar e não me estresso com a comida porque simplesmente não estou com fome. Isso facilita as coisas em geral. Além disso eu me apego a uma janela de alimentação comprimida para promover a autofagia (manutenção celular) e proteger contra o envelhecimento e a neurodegeneração (se essas coisas acontecerem!). Com base no que ouvi de milhares de leitores, não estou sozinho nisso. Mas uma única anedota, ou uma coleção de milhares, não prova muito. Precisamos olhar mais fundo.

Bem, o que os proponentes do café da manhã realmente reivindicam? Vamos examinar algumas das reivindicações e ver o que as evidências dizem.

Crença popular: o café da manhã faz você emagrecer e pular o café da manhã faz você engordar

Com base em epidemiologia pular, ela certamente parece conferir uma conexão entre pular o café da manhã e a obesidade:

Em uma coorte de adultos japoneses, pular o café da manhã estava relacionado ao maior peso corporal e tamanho da cintura.

Entre os jovens adultos americanos, os que pulam o café da manhã pesam mais, têm mais obesidade abdominal e um perfil de risco cardiometabólico elevado.

Em adolescentes americanas brancas e negras, o café da manhã está associado a uma maior ingestão de cálcio e fibras e a um menor peso corporal.

Mas esses são estudos observacionais e os estudos observacionais não podem estabelecer causalidade. Na maioria das vezes não provam nada.

Então o que está acontecendo aqui? Algumas coisas.

Viés de confirmação do usuário: como ignorar o café da manhã é amplamente considerado prejudicial, as pessoas que pulam o café da manhã podem não ser saudáveis ​​em outras áreas. Eles comem mais e se exercitam menos e têm maior probabilidade de beber mais álcool e fumar mais cigarros. As crianças iranianas, por exemplo, que pulam o café da manhã são mais pesadas com cinturas maiores do que os que comem café da manhã, mas também comem mais fast-food e porcarias como suco de frutas, lanches salgados e refrigerante açucarado do que os que tomam café da manhã, que preferem frutas, legumes, verduras e leite. A menos que você consiga estabelecer que pular o café da manhã causa essas diferenças de estilo de vida, não é possível dizer que pular o café da manhã desempenha um papel causal.

Viés do seguidor da dieta: as pessoas que pulam o café da manhã podem estar fazendo dieta ativamente mais do que os que não pulam, porque têm mais peso a perder.

O efeito a priori: quando você presume que o café da manhã é importante, todas as suas pesquisas e resultados devem fluir dessa suposição. Pesquisadores tendenciosos geralmente fazem isso.

E alguns anos atrás, um grupo de pesquisadores examinou atentamente as evidências que outros pesquisadores estavam usando para provar o “elo casual” entre obesidade e pular o café da manhã. Eles não ficaram muito impressionados ao descobrir que:

A maioria dos pesquisadores sofria de viés de confirmação, descartando ou desconsiderando evidências em contrário e enfatizando evidências que sustentavam seus pontos de vista. Eles eram a favor de estudos observacionais mostrando um link e ignoravam os ensaios clínicos controlados que não mostravam efeito.

Eles usaram “termos casuais” ao discutir seu trabalho e o trabalho de outros cientistas que pesquisavam a questão do café da manhã/ obesidade quando nenhuma causalidade havia sido estabelecida.

Em vez de estudos observacionais, existem alguns estudos de intervenção (onde a causalidade pode ser examinada) que, nestes casos, vale a pena examinar.

Em um estudo realizado no final dos anos 90, mulheres acima do peso foram randomizadas para tomar café da manhã grande (com jantares menores) ou jantares grandes (com café da manhã menor). Aqueles no grupo de café da manhã grande perderam mais peso, mas também perderam mais massa magra. O grupo do grande jantar, que não pulou o café da manhã, mas comeu um pouco, perdeu mais massa gorda e preservou mais massa magra. Como sempre pergunto, que tipo de peso você está tentando perder? Gordura ou músculo?

Em 2014, os pesquisadores dividiram aleatoriamente um grupo de adultos em dieta em dois grupos. Um grupo foi instruído a tomar café da manhã, o outro foi instruído a ignorá-lo. Após 16 semanas, a perda de peso foi basicamente idêntica nos dois grupos. Nem pular o café da manhã nem comê-lo teve qualquer efeito discernível ou único na perda de peso.

Outros estudos indicaram que pular o café da manhã pode realmente reduzir a quantidade total de calorias que uma pessoa come ao longo do dia. Uma redução espontânea nas calorias ingeridas geralmente é um caminho para a perda de peso. Este na minha opinião é o ponto chave.

Crença popular: o café da manhã oferece energia para o dia

“Energia” é difícil de medir objetivamente. Não há exame de sangue para “chi” ou “força vital”, por isso precisamos confiar em relatórios subjetivos de coisas como “alerta” e extrapolar a partir de marcadores objetivos relacionados. O gasto de energia é um marcador decente de quanta energia você possui. Se você está queimando mais energia, seu corpo obviamente tem “o suficiente” para poupar. Outro é o controle da glicose no sangue. Se o açúcar no sangue der uma descida muito forte, isso geralmente se manifesta como fome e sonolência.

“Café da manhã” não nos diz muito. Alguns cafés da manhã fornecem energia melhor do que outros tipos de café da manhã. Um café da manhã com proteínas mais altas e menos carboidratos tende a aumentar o gasto de energia e a melhorar o “bem-estar pós-prandial” (comparado com o café da manhã baixo em proteínas e alto em carboidratos) Se você ingerir um pouco de gordura com a proteína, pode até melhorar a tolerância à glicose de um diabético tipo 2 ao longo do dia, o que corresponde a níveis de energia mais constantes.

Enquanto isso, os cafés da manhã ricos em carboidratos fazem o oposto: eles tornam as pessoas mais famintas mais cedo, causam maiores elevações de insulina e uma queda subsequente do açúcar no sangue de 3 a 4 horas após o café da manhã. A saciedade reduzida, os altos picos de insulina e o baixo nível de açúcar no sangue combinam-se para deixar as pessoas com “fome”, com sono e suscetíveis a comer rosquinhas para aliviar a tensão (ou qualquer outro carboidrato refinado)

É verdade que alguns estudos encontram conexões entre pular o café da manhã e um estado de alerta subjetivo baixo ou desempenho cognitivo ou físico. Mas esses estudos são observacionais, conduzidos usando indivíduos comuns queimadores de açúcar (em oposição a indivíduos adaptados à gordura – processo que leva semanas e meses), ou dizem respeito a crianças e adolescentes (um subconjunto da humanidade que consome mais energia para crescer e para quem o ato de pular o café da manhã geralmente não é consensual, desnecessário e contraproducente). E aqueles que encontram uma relação positiva entre os adolescentes, o café da manhã e a função cognitiva, subsequente encontram o maior benefício com o café da manhã com baixo índice glicêmico (baixo carboidrato, mais gordura e proteína).

Crença: pular o café da manhã destrói seu metabolismo

Se pular o café da manhã ocasional é suficiente para levá-lo ao modo de inanição, certamente o jejum total por 72 horas o levará? Não levará? Quando humanos saudáveis ​​são instruídos a jejuar por três dias e seus biomarcadores são monitorados, descobrimos que a taxa metabólica em repouso cai apenas 8%. 8% é 8%, claro, mas são 72 horas sem comida. Ignorar o café da manhã nem se compara.

Crença errada: Pular o café da manhã pode fazer você comer demais

Parece que as pessoas comem demais no almoço, mas não o suficiente para compensar o café da manhã ignorado. Em um estudo com adultos de no dia a dia, pular o café da manhã levou a almoços mais cedo e maiores. Apesar do aumento da fome um pouco antes do almoço e de almoços maiores, os participantes que pularam o café da manhã ainda ingeriam menos calorias por dia do que os que tomavam café da manhã. Isso é consistente com estudos anteriores que mostram que pular o café da manhã não leva à ingestão compensatória de alimentos no almoço e jantar e, de fato, pode reduzir o balanço calórico em mais de 400 calorias por dia! Você pode sentir mais fome logo antes do almoço, mas no final do dia você acaba com um déficit de energia e, portanto, emagrecendo mais.

Então, todos podem pular o café da manhã com segurança?

Não exatamente. Não se você é um queimador de carboidrato.

Se você está comendo uma dieta alta em carboidratos ou moderada, o café da manhã pode ser o melhor momento para consumir carboidratos. A sensibilidade à insulina segue um ritmo circadiano. A sensibilidade à insulina muscular é mais alta de manhã e mais baixa à noite – o que significa que seus músculos estão preparados para aceitar e armazenar glicose como glicogênio com o mínimo de insulina -, portanto, o café da manhã é um bom momento para ingerir carboidratos neste caso. Mas pular o café da manhã e depois comer um almoço rico em carboidratos agrava o pico de insulina e açúcar no sangue que você normalmente recebe. Comer um café da manhã com carboidratos “prepara” seu corpo para a carga de carboidratos no almoço.

Mas na prática pouquíssimas pessoas comem carboidratos de manhã e depois evitam completamente no resto do dia, por isso a melhor opção você já sabe.

Nota: A sensibilidade circadiana da tolerância aos carboidratos pode ser superada com treinamento e atividade física, pois o exercício restaura a sensibilidade à insulina independentemente da fase circadiana. Portanto, se você for comer um pouco de carboidratos durante uma fase de resistência à insulina circadiana, certifique-se de treinar antes.

Se você competir ou treinar muito pela manhã, um pequeno café da manhã pode ser uma boa ideia. Aos sábados e domingos, quando faço exercícios mais longos, tomo um pequeno café da manhã com meu café com proteínas.

Se você é criança ou adolescente, provavelmente deve tomar café da manhã. Você está crescendo. E os estudos observacionais que encontraram ligações entre pular o café da manhã e excesso de peso tendem a se concentrar em crianças e adolescentes. Só por segurança, dê ao seus filhos um pouco de proteínas de manhã.

Se você é diabético tipo 2 e segue uma dieta rica em carboidratos, deve tomar café da manhã (dê preferência à base de ovos). Um estudo recente em diabéticos descobriu que pular o café da manhã aumentou drasticamente os picos de glicose que ocorreram após o almoço e o jantar. No entanto, o almoço e o jantar eram ricos em carboidratos e com pouca gordura (20% de gordura, 54% de carboidratos, 26% de proteína, 700 calorias cada), o que é uma péssima combinação para os diabéticos tipo 2.

Nota: isso pressupõe que o diabético tipo 2 em questão esteja insistindo em seguir uma dieta rica em carboidratos, o que é uma péssima ideia. Quando você lhes dá refeições mais saudáveis, com menos carboidratos – salmão, nozes, carnes, verduras, azeitonas, alho, tomate, pepino, etc – os diabéticos podem realmente pular o café da manhã e obter números de glicose mais favoráveis ​​no almoço. Se você é diabético do tipo 2 e segue a dieta Primal para se curar, comer refeições com pouco carboidrato e alto teor de gordura não provocam esses tipos de picos de glicose – com café da manhã ou sem café da manhã.

Se você é uma mulher, pode se sair melhor com o café da manhã atrasado. Em geral, as mulheres funcionam pior pulando as refeições. Eu já cobri isso antes; jejuns longos e constantes não parece funcionar tão bem para as mulheres. Dito isto, um café da manhã um pouco mais tarde – digamos, às 10 ou 11 da manhã em vez das 8 da manhã – pode ser um bom compromisso para as mulheres que desejam tentar pular o café da manhã.

Tudo isso dito, há uma enorme variável de confusão nos ensaios controlados que aclamam: “o café da manhã é incrível” nunca são responsáveis: quase todo mundo selecionado nestes estudos toma café da manhã habitualmente. Os “normais”, pelo menos. Portanto, o participante típico do estudo é um consumidor habitual de café da manhã cujo corpo espera e provavelmente funciona melhor (pelo menos como queimador de glicose) com a ingestão regular de café da manhã. Você reúne um grupo deles, fica sem café da manhã e vê resultados terríveis. Enormes picos de insulina, quedas de glicose, fadiga, mal-estar geral. É como rastrear rapidamente a gripe low-carb e distorcer seus resultados. As pessoas se habituam aos horários de alimentação que seguem. Se você é um “pulador de café da manhã” habitual, pular o café da manhã não terá o mesmo efeito em você. Muito pelo contrário, lhe tornará um queimador de gordura mais ávido.

Em um estudo recente, os autores realmente testaram isso, separando mulheres com sobrepeso que pulam o café da manhã e comedores habituais de café da manhã e depois fizeram com que elas pulassem ou tomassem café da manhã.

Comedores de café da manhã habituais que pularam o café da manhã experimentaram muito mais fome no almoço. Eles tinham piores lipídios no sangue e a insulina disparou. Os “puladores de café da manhã” habituais que pularam o café da manhã não apresentaram nenhum desses efeitos deletérios.

Comedores de café da manhã habituais que tomavam café da manhã ficavam mais saciados no almoço. Eles tinham melhores lipídios no sangue e níveis de insulina razoavelmente normais. Os participantes comedores de café da manhã habituais que jejuaram estavam com tanta fome no almoço que a refeição extra no almoço não diminuiu o apetite destas pessoas. Resumindo: não seja mais um queimador glicose e vire um queimador de gordura para não sentir fome. E ponto final.

Obrigado pela leitura.

Primal Brasil

7 alimentos que fazem parte da dieta cetogênica (mas você pode pensar que não!)

Por Mark Sisson

 

Eu não gosto que me digam o que fazer. É por isso que eu não sou fã de regras rígidas para a abordagem alimentar. Não me entenda mal, isso não significa que eu acredito que todos os alimentos são criados iguais. Existem alimentos que não promovem a saúde em nenhum contexto (pensou na margarina ou no óleo de soja?). No entanto, fico incrédulo quando as pessoas sugerem que não estão “autorizadas” a comer determinados alimentos em uma dieta Primal ou cetogênica.

Claro, nós que seguimos a dieta paleo escolhemos centralizar nossas dietas em torno dos alimentos na pirâmide alimentar dos nossos ancestrais. E uma vez que você começa a seguir a cetogênica, alimentos com mais alto teor de carboidratos são mais difíceis de se encaixar em sua rotina diária (talvez na janela pós treino apenas), se ficar em cetose é importante para você. No entanto, descobri que as pessoas na cetogênica são excessivamente propensas a policiar as escolhas alimentares umas das outras com base em suas noções da cetogênica que muitas vezes não se aplica a outra (ex: sedentários vs esportistas)

Contexto é importante. Como uma pessoa metabolicamente saudável, reconheço que posso me dar ao luxo de comer mais carboidratos do que alguém que é resistente à insulina e que luta para regular a glicose no sangue. Eu também tenho a liberdade de entrar e sair da cetose de uma forma que alguém fazendo uma dieta cetônica terapêutica para curar Alzheimer ou epilepsia talvez não.

Dependendo de suas circunstâncias, as “regras” da cetogênica podem ser diferentes para você do que para mim. Meu receio é que pessoas insistam que todos devam aderir à versão mais estrita possível de menos de 35g de carboidratos por dia da cetogênica, independentemente do contexto, ou que incriminem “carboidratos” como se isso fosse um grupo alimentar que deva ser totalmente excluído sempre.

Diferentes alimentos fornecem benefícios diferentes, então eu prefiro incorporar uma grande variedade de alimentos na medida do possível. Além disso, a variedade me ajuda a aproveitar mais minha dieta.

Eu não quero excluir alimentos só porque eles não funcionam para outra pessoa – ou por causa de alguma noção arbitrária de que eles “não são cetôgênicos”. Na verdade, aqui está uma lista de alimentos que as pessoas genuinamente me disseram. Não posso comer na cetogênica, presumivelmente porque eles são muito ricos em carboidratos (e, sim, eu como todos esses alimentos, mesmo quando estou em cetose).

Disclaimer: É claro que não estou sugerindo que você tenha que comê-los apenas porque eu como. Isso é simplesmente um lembrete de que você não precisa ouvir a polícia cetôgênica em certos contextos. Você pode e deve encontrar uma maneira de comer que combina com seu perfil metabólico e com você pessoalmente.

(Nota: as contagens de carboidratos refletem as porções que eu estou acostumado a comer para me manter me cetose)

1) Beterraba

Eu amo beterraba, então a culpa e a vergonha em torno das beterrabas enquanto sigo a cetogênica não me afeta, ainda mais por ser um excelente alimento. É claro, por ser uma raiz eles são mais ricos em carboidratos do que vegetais que crescem acima do solo. No entanto, a ½ xícara de beterraba cozida em cubos que acrescento à minha salada não chega a 8 gramas de carboidratos.

Para mim, isso é ótimo especialmente considerando os benefícios para a saúde das beterrabas. Ela é uma fantástica fonte de folato, manganês, potássio e outros nutrientes. A betaína encontrada na beterraba tem sido estudada extensivamente como um composto anti-inflamatório e antioxidante com uma variedade de potenciais aplicações médicas. A beterraba também é rica em nitratos, que podem ser cardioprotetores, melhorar o fluxo sanguíneo para o cérebro e, de interesse especial para mim, melhorar a resistência cardiorrespiratória em atletas (embora as pesquisas enfoque principalmente o suco de beterraba ou o concentrado, a ingestão de beterrabas inteiras também parece funcionar).

Vou manter minha beterraba junto com os legumes verdes.

2) Berries

Você verá muitas reclamações de seguidores da dieta cetogênica criticando as frutas, o que faz sentido, mas muitas vezes acaba extrapolando para outras frutas low-carb como as frutas vermelhas, limão e o maracujá, entre outras.

É surpreendente, porque as frutas vermelhas são geralmente consideradas como OK para a dieta cetogênica. No entanto, há uma abundância de pessoas proclamando que os mirtilos são muito ricos em carboidratos para a cetogênica, o que pode ser verdade se você consumir mais de 70 gramas aproximadamente.

Dê uma olhada nos carboidratos dessas frutas vermelhas comuns:

  • Mirtilos/ Blueberry (1/3 xícara): 7 gramas
  • Amoras (1/3 xícara): 5 gramas
  • Framboesas (1/3 xícara): 5 gramas
  • Morangos (1/3 xícara): 4 gramas

Como você pode ver, os mirtilos realmente fornecem a maioria dos carboidratos entre essas opções, mas sua contagem de carboidratos ainda é bem modesta se você consumir em moderação apenas.

De qualquer forma, as frutas silvestres são saudáveis ​​e deliciosas. Todas elas têm uma boa pontuação nas tabelas de antioxidantes, mas as amoras e as framboesas têm valores de antioxidante ORAC ligeiramente superiores. As frutas vermelhas também têm uma pontuação baixa no índice glicêmico (IG) e na carga glicêmica (GL), embora os mirtilos estejam na faixa intermediária do IG.

Em suma: se seu orçamento de carboidratos está apertado (até 35g/dia), com certeza tente morangos em vez de blueberry, mas blueberries dificilmente são um alimento “não cetogênico”.

3) Cenouras

Há uma piada no grupo do Facebook sobre cenouras. Juntamente com as beterrabas, as cenouras tendem a ser metaforicamente arrancadas da sua mão se você admitir que as come em alguns dos outros grupos cetogênicos online.

Eu conheço pessoas da cetogênica que escolhem a cenoura desfiada com salada de brócolis ou qualquer outra salada. A verdade é, se você conseguir escolher cuidadosamente ¼ xícara de cenoura picada de sua salada, todo o esforço meticuloso poupa menos de 3 gramas de carboidratos. (Não vale a pena se você me perguntar) Mesmo uma cenoura grande contém apenas 7 gramas de carboidratos – e carboidratos de baixa carga glicêmica.

Eu não sei de onde esse medo surgiu. Talvez seja porque as cenouras são vegetais de raiz, e uma das regras da polícia cetogênica é que os vegetais de raiz não são cetônicos. Embora faça sentido que a maior parte de sua ingestão de vegetais deva ser na forma de vegetais acima do solo, isso não exige que você evite todos os pedaços (literalmente) de vegetais de raiz saudáveis.

4) Castanha de Caju

Para falar a verdade eu não como castanhas com tanta frequência. Com 10 gramas de carboidratos em 60g de alimento, eles contem mais carboidratos do que qualquer outra castanha que eu coma regularmente, e sem nenhum benefício especial para a saúde. Confira o guia definitivo das castanhas e oleaginosas para saber como as diferentes variedades se comparam.

Uma aplicação que eu aprecio é o creme de caju para receitas sem leite. Pessoalmente, não tenho nenhum problema com produtos lácteos (tirando o leite, desnatados ou integrais com adição de açúcar) mas para pessoas com sensibilidade alimentar, esta pode ser uma boa opção.

5) Laranja e toranja

Eu costumava ter uma árvore de laranja no meu quintal, e eu gostava de incorporá-las frescas em saladas de verão de vez em quando. Rúcula, erva-doce, abacate e toranja raspados é uma combinação saborosa.

Advertência: Não estou falando do suco de laranja que é uma BOMBA de açúcar, portanto péssimo para a saúde exatamente como refrigerantes com açúcar.

Este é provavelmente o maior limite para pessoas que ainda estão lutando com a regulação da insulina e glicose, chupar laranja e toranja ou coloca-las na salada.

Metade de uma toranja – o suficiente para duas porções da salada de rúcula supracitadas – carregar menos de 10 gramas de carboidratos. Se você está em uma situação onde você está pronto para testar sua flexibilidade metabólica e ver como você responde à introdução de algumas frutas em quantidades moderadas, chupar meia laranja ou toranja pode ser uma delas.

6) Abóbora

Um quarto de xícara de abóbora cozida caseira tem 3 gramas de carboidratos (abóbora sem açúcar enlatada tem 5 gramas).

São  7  gramas em 100g de alimento

Então, vá em frente e prepare um Latte caseiro adoçado com estévia. No meu livro existem várias receitas de abóbora, incluindo instruções para fazer seu próprio purê.

7) Tomates

Tomates são mais um daqueles “têm gosto um pouco doce, então eles devem ser ruins como alimentos cetogênicos”. Não é na verdade. Eu estou desfrutando de uma salada Caprese com tomates cereja todos os dias. Os dez tomates cerejas da minha salada têm menos de 7 gramas de carboidratos. Uma fatia espessa de tomate em seu hambúrguer cetogênico embrulhado em alface vem com 1 grama de carboidratos (que problema!)

Os ketchup, por outro lado, são açucarado, mas com todos os alimentos desta lista, a quantidade é importante. 1 colher de chá de ketchup tradicional fornece menos de 1,5 gramas de carboidratos, ou seja, nada. Mas se colocar 3 colheres de sopa já pode passar de 8 gramas de açúcar.

 

Finalmente, eu mencionei que o contexto é importante?

 

Se você está olhando para esta lista, dizendo: “Não há como incluir estes alimentos na minha dieta de menos de 25g de carboidratos por dia. E porque você está se limitando a estas  20 ou 30 gramas de carboidratos por dia? Se sim, existe um motivo específico? A dieta cetogênica que recomendo é de em torno de 50 gramas de carboidratos por dia. (Se você está fazendo uma dieta cetônica terapêutica, ou se você é altamente resistente à insulina, ai sim você pode ficar melhor com menos de 30 gramas por dia.)

Com qualquer um desses alimentos, se você não tiver certeza de que eles te ajudam, pense em experimentá-los. Eu não sou um grande defensor de medir e avaliar tudo, mas neste caso um medidor contínuo de glicose ou seus exames podem oferecer informações úteis.

Você também pode comer a comida que você deseja incluir, depois testar sua glicose e cetonas no sangue duas horas depois. Por exemplo, se você quiser adicionar um punhado de blueberries na sua salada, experimente e veja como o seu corpo responde.

Naturalmente, isso só funciona se você conhece a glicemia e as cetonas no sangue, por isso recomendo que você compre as tiras de glicose na farmácia, o medidor contínuo de glicose ou um medidor de cetose de hálito (não de urina que é inútil).

Ou você não precisa ser tão sistemático sobre isso. Tirando o cenário de uma necessidade médica de estar em cetose o tempo todo, você pode se basear apenas no teor de carboidratos dos alimentos.

Finalmente, se você estiver trabalhando com um orçamento limitado de carboidratos e quiser expandir seu repertório de vegetais (e até de frutas), considere direcionar sua ingestão desses alimentos ao redor dos exercícios para sua glicose não subir e a cetose se manter.

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Primal Brasil

Tortura não é um método, é uma aberração | Adriano Diogo

O militante Adriano Diogo e o texto "tortura nega a condição de ser humano".

Violar direitos básicos era prática corrente durante a ditadura militar. Assista ao depoimento de uma vítima de tortura.

 

Minha memória não falha. Senti na pele o ditado “Deus, Pátria e Família”.

Em março de 1973, os militares invadiram minha casa, me sequestraram e me levaram para a OBAN (Operação Bandeirante). Fui torturado pelos militares durante 90 dias: fiquei 90 dias sem sol, estava verde, meus olhos eram completamente amarelos, vomitava biles pelo ralo da solitária, tinha notícias de que meus companheiros estavam sendo presos e mortos. Me tranquei e me mantive na minha integridade mental.

Da OBAN fui pro DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), fiquei durante 45 dias. Conheci o torturador Fleury e seus asseclas. Todo fim de semana era uma loucura, e muita tortura. Fomos para o presídio da Rua do Hipódromo e lá permaneci preso por mais um ano e meio.

A tortura possui um elevado potencial de corrupção que não se limita apenas a provocar o sofrimento do prisioneiro. Ela nega sua condição de ser humano, seja ele preso da justiça comum ou preso político.

Todo fim de semana o Esquadrão da Morte tirava os presos das celas para levar para fuzilar nas imediações do Brás, da Vila Formosa. Era o mesmo Fleury que comandava os presídios e as execuções.

A tortura possui um elevado potencial de corrupção que não se limita apenas a provocar o sofrimento do prisioneiro. Ela nega sua condição de ser humano, seja ele preso da justiça comum ou preso político. A tortura não é um método, é uma aberração.

A maioria das pessoas é de boa índole, contra qualquer forma de violência e opressão. Esse é o caminho da humanidade, não a disseminação do ódio. Nesse momento tão difícil que o nosso país está vivendo, a democracia é fundamental. A democracia é como o ar que a gente respira: Pode ser impuro, imperfeito mas é a melhor [opção] de convivência civilizada para todos os seres humanos.

 

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Portal Drauzio Varella

Homem com tatuagem “não ressuscite” deixa médicos em conflito ético

iG São Paulo

Paciente estava desacordado e mensagem no corpo dizia para que ele não fosse reanimado; médicos seguiram orientações do conselho de ética

Tatuagem pedia que o paciente não fosse reanimado%3A

Tatuagem pedia que o paciente não fosse reanimado%3A “não ressuscite”%2C com ênfase no “não”

Foto: Divulgação/Universidade de Miami

Um homem de 70 anos chegou à emergência do hospital da Universidade de Miami, na Flórida, Estados Unidos, desacordado pelo consumo excessivo de álcool. Os médicos perceberam o estado grave de saúde do paciente e iriam começar a agir para que o quadro fosse amenizado. No entanto, uma frase de pedindo para que ele não fosse reanimado, escrita no peito do idoso, chamou a atenção e fez com que os profissionais entrassem em um conflito ético.

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O paciente tinha histórico de doenças no coração e pulmão, o que poderia influenciar na progressão do quadro clínico. Diante do dilema e sem saber o que fazer, a equipe médica decidiu, inicialmente, ignorar o aviso “Do not resuscitate” (“não ressuscite”, em português), e agiram para salvar o americano. Ele foi tratado com antibióticos, recebeu fluído por via intravenosa para reanimar e foi mantido respirando por aparelhos.

No entanto, ao consultar o conselho de ética, os médicos foram orientados a acatar o pedido da tatuagem. Um documento foi elaborado e enviado para o Departamento de Saúde da Flórida formalizando a situação e a decisão médica.

Depois disso, o estado de saúde do paciente piorou e ele acabou morrendo na mesma noite em que foi internado, sem nenhuma interferência médica. O caso foi publicado na revista científica “The New England Journal of Medicine”, na quinta-feira (30).

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Caso anterior

Essa não é a primeira vez que uma equipe médica americana passa por essa situação. Em 2012, um caso semelhante, de um homem com a sigla “DNR” que deu entrada em um hospital desacordado, foi noticiado no Journal of General International Medicine. Apesar do aviso, na ocasião, os médicos resolveram ignorar a mensagem e salvaram a vida do paciente diabético que precisava ter a perna amputada com urgência.

Anos depois, em entrevista ao jornal “The Washington Post”, o responsável pela equipe de saúde, o médico Gregory Holt, afirmou que o homem morava em uma casa de repouso e que foi encontrado bêbado na rua, sem nenhum documento que informasse dados de familiares e amigos.

“Tínhamos um homem com quem eu não conseguia falar”, disse Holt. “Queria conversar com ele para saber se a tatuagem realmente refletia seus desejos para o final da vida”, afirmou.

Ao ser tratado, quando acordou o paciente agradeceu os médicos e declarou que preferia ter sido salvo. Segundo ele, a tatuagem era resultado de uma partida de pôquer em que ele perdeu.

Ética

Casos de tatuagens de identificação médica não costumam ser raros. Muitos pacientes usam a mensagem no corpo para informar que têm restrições ou precisam de cuidados especiais, como os diabéticos ou alérgicos a medicações.

Apesar da decisão de respeitar o “pedido” do paciente, na Flórida, as tatuagens não valem como “documentos oficiais” de “não ressuscitação” de pacientes (DNR, como são conhecidas na sigla em inglês) que são protegidas pela privacidade médica. Pessoas com doenças crônicas costumam recorrer a esse recurso.

Porém, como não há como saber quantas pessoas assinaram o documento solicitando a não interferência médica em casos emergenciais, os médicos foram alertados a acatarem o pedido da frase pelo conselho ético de medicina.

Saúde: bem-estar, dicas de alimentação, dieta e exercícios – iG