7 alimentos que fazem parte da dieta cetogênica (mas você pode pensar que não!)

Por Mark Sisson

 

Eu não gosto que me digam o que fazer. É por isso que eu não sou fã de regras rígidas para a abordagem alimentar. Não me entenda mal, isso não significa que eu acredito que todos os alimentos são criados iguais. Existem alimentos que não promovem a saúde em nenhum contexto (pensou na margarina ou no óleo de soja?). No entanto, fico incrédulo quando as pessoas sugerem que não estão “autorizadas” a comer determinados alimentos em uma dieta Primal ou cetogênica.

Claro, nós que seguimos a dieta paleo escolhemos centralizar nossas dietas em torno dos alimentos na pirâmide alimentar dos nossos ancestrais. E uma vez que você começa a seguir a cetogênica, alimentos com mais alto teor de carboidratos são mais difíceis de se encaixar em sua rotina diária (talvez na janela pós treino apenas), se ficar em cetose é importante para você. No entanto, descobri que as pessoas na cetogênica são excessivamente propensas a policiar as escolhas alimentares umas das outras com base em suas noções da cetogênica que muitas vezes não se aplica a outra (ex: sedentários vs esportistas)

Contexto é importante. Como uma pessoa metabolicamente saudável, reconheço que posso me dar ao luxo de comer mais carboidratos do que alguém que é resistente à insulina e que luta para regular a glicose no sangue. Eu também tenho a liberdade de entrar e sair da cetose de uma forma que alguém fazendo uma dieta cetônica terapêutica para curar Alzheimer ou epilepsia talvez não.

Dependendo de suas circunstâncias, as “regras” da cetogênica podem ser diferentes para você do que para mim. Meu receio é que pessoas insistam que todos devam aderir à versão mais estrita possível de menos de 35g de carboidratos por dia da cetogênica, independentemente do contexto, ou que incriminem “carboidratos” como se isso fosse um grupo alimentar que deva ser totalmente excluído sempre.

Diferentes alimentos fornecem benefícios diferentes, então eu prefiro incorporar uma grande variedade de alimentos na medida do possível. Além disso, a variedade me ajuda a aproveitar mais minha dieta.

Eu não quero excluir alimentos só porque eles não funcionam para outra pessoa – ou por causa de alguma noção arbitrária de que eles “não são cetôgênicos”. Na verdade, aqui está uma lista de alimentos que as pessoas genuinamente me disseram. Não posso comer na cetogênica, presumivelmente porque eles são muito ricos em carboidratos (e, sim, eu como todos esses alimentos, mesmo quando estou em cetose).

Disclaimer: É claro que não estou sugerindo que você tenha que comê-los apenas porque eu como. Isso é simplesmente um lembrete de que você não precisa ouvir a polícia cetôgênica em certos contextos. Você pode e deve encontrar uma maneira de comer que combina com seu perfil metabólico e com você pessoalmente.

(Nota: as contagens de carboidratos refletem as porções que eu estou acostumado a comer para me manter me cetose)

1) Beterraba

Eu amo beterraba, então a culpa e a vergonha em torno das beterrabas enquanto sigo a cetogênica não me afeta, ainda mais por ser um excelente alimento. É claro, por ser uma raiz eles são mais ricos em carboidratos do que vegetais que crescem acima do solo. No entanto, a ½ xícara de beterraba cozida em cubos que acrescento à minha salada não chega a 8 gramas de carboidratos.

Para mim, isso é ótimo especialmente considerando os benefícios para a saúde das beterrabas. Ela é uma fantástica fonte de folato, manganês, potássio e outros nutrientes. A betaína encontrada na beterraba tem sido estudada extensivamente como um composto anti-inflamatório e antioxidante com uma variedade de potenciais aplicações médicas. A beterraba também é rica em nitratos, que podem ser cardioprotetores, melhorar o fluxo sanguíneo para o cérebro e, de interesse especial para mim, melhorar a resistência cardiorrespiratória em atletas (embora as pesquisas enfoque principalmente o suco de beterraba ou o concentrado, a ingestão de beterrabas inteiras também parece funcionar).

Vou manter minha beterraba junto com os legumes verdes.

2) Berries

Você verá muitas reclamações de seguidores da dieta cetogênica criticando as frutas, o que faz sentido, mas muitas vezes acaba extrapolando para outras frutas low-carb como as frutas vermelhas, limão e o maracujá, entre outras.

É surpreendente, porque as frutas vermelhas são geralmente consideradas como OK para a dieta cetogênica. No entanto, há uma abundância de pessoas proclamando que os mirtilos são muito ricos em carboidratos para a cetogênica, o que pode ser verdade se você consumir mais de 70 gramas aproximadamente.

Dê uma olhada nos carboidratos dessas frutas vermelhas comuns:

  • Mirtilos/ Blueberry (1/3 xícara): 7 gramas
  • Amoras (1/3 xícara): 5 gramas
  • Framboesas (1/3 xícara): 5 gramas
  • Morangos (1/3 xícara): 4 gramas

Como você pode ver, os mirtilos realmente fornecem a maioria dos carboidratos entre essas opções, mas sua contagem de carboidratos ainda é bem modesta se você consumir em moderação apenas.

De qualquer forma, as frutas silvestres são saudáveis ​​e deliciosas. Todas elas têm uma boa pontuação nas tabelas de antioxidantes, mas as amoras e as framboesas têm valores de antioxidante ORAC ligeiramente superiores. As frutas vermelhas também têm uma pontuação baixa no índice glicêmico (IG) e na carga glicêmica (GL), embora os mirtilos estejam na faixa intermediária do IG.

Em suma: se seu orçamento de carboidratos está apertado (até 35g/dia), com certeza tente morangos em vez de blueberry, mas blueberries dificilmente são um alimento “não cetogênico”.

3) Cenouras

Há uma piada no grupo do Facebook sobre cenouras. Juntamente com as beterrabas, as cenouras tendem a ser metaforicamente arrancadas da sua mão se você admitir que as come em alguns dos outros grupos cetogênicos online.

Eu conheço pessoas da cetogênica que escolhem a cenoura desfiada com salada de brócolis ou qualquer outra salada. A verdade é, se você conseguir escolher cuidadosamente ¼ xícara de cenoura picada de sua salada, todo o esforço meticuloso poupa menos de 3 gramas de carboidratos. (Não vale a pena se você me perguntar) Mesmo uma cenoura grande contém apenas 7 gramas de carboidratos – e carboidratos de baixa carga glicêmica.

Eu não sei de onde esse medo surgiu. Talvez seja porque as cenouras são vegetais de raiz, e uma das regras da polícia cetogênica é que os vegetais de raiz não são cetônicos. Embora faça sentido que a maior parte de sua ingestão de vegetais deva ser na forma de vegetais acima do solo, isso não exige que você evite todos os pedaços (literalmente) de vegetais de raiz saudáveis.

4) Castanha de Caju

Para falar a verdade eu não como castanhas com tanta frequência. Com 10 gramas de carboidratos em 60g de alimento, eles contem mais carboidratos do que qualquer outra castanha que eu coma regularmente, e sem nenhum benefício especial para a saúde. Confira o guia definitivo das castanhas e oleaginosas para saber como as diferentes variedades se comparam.

Uma aplicação que eu aprecio é o creme de caju para receitas sem leite. Pessoalmente, não tenho nenhum problema com produtos lácteos (tirando o leite, desnatados ou integrais com adição de açúcar) mas para pessoas com sensibilidade alimentar, esta pode ser uma boa opção.

5) Laranja e toranja

Eu costumava ter uma árvore de laranja no meu quintal, e eu gostava de incorporá-las frescas em saladas de verão de vez em quando. Rúcula, erva-doce, abacate e toranja raspados é uma combinação saborosa.

Advertência: Não estou falando do suco de laranja que é uma BOMBA de açúcar, portanto péssimo para a saúde exatamente como refrigerantes com açúcar.

Este é provavelmente o maior limite para pessoas que ainda estão lutando com a regulação da insulina e glicose, chupar laranja e toranja ou coloca-las na salada.

Metade de uma toranja – o suficiente para duas porções da salada de rúcula supracitadas – carregar menos de 10 gramas de carboidratos. Se você está em uma situação onde você está pronto para testar sua flexibilidade metabólica e ver como você responde à introdução de algumas frutas em quantidades moderadas, chupar meia laranja ou toranja pode ser uma delas.

6) Abóbora

Um quarto de xícara de abóbora cozida caseira tem 3 gramas de carboidratos (abóbora sem açúcar enlatada tem 5 gramas).

São  7  gramas em 100g de alimento

Então, vá em frente e prepare um Latte caseiro adoçado com estévia. No meu livro existem várias receitas de abóbora, incluindo instruções para fazer seu próprio purê.

7) Tomates

Tomates são mais um daqueles “têm gosto um pouco doce, então eles devem ser ruins como alimentos cetogênicos”. Não é na verdade. Eu estou desfrutando de uma salada Caprese com tomates cereja todos os dias. Os dez tomates cerejas da minha salada têm menos de 7 gramas de carboidratos. Uma fatia espessa de tomate em seu hambúrguer cetogênico embrulhado em alface vem com 1 grama de carboidratos (que problema!)

Os ketchup, por outro lado, são açucarado, mas com todos os alimentos desta lista, a quantidade é importante. 1 colher de chá de ketchup tradicional fornece menos de 1,5 gramas de carboidratos, ou seja, nada. Mas se colocar 3 colheres de sopa já pode passar de 8 gramas de açúcar.

 

Finalmente, eu mencionei que o contexto é importante?

 

Se você está olhando para esta lista, dizendo: “Não há como incluir estes alimentos na minha dieta de menos de 25g de carboidratos por dia. E porque você está se limitando a estas  20 ou 30 gramas de carboidratos por dia? Se sim, existe um motivo específico? A dieta cetogênica que recomendo é de em torno de 50 gramas de carboidratos por dia. (Se você está fazendo uma dieta cetônica terapêutica, ou se você é altamente resistente à insulina, ai sim você pode ficar melhor com menos de 30 gramas por dia.)

Com qualquer um desses alimentos, se você não tiver certeza de que eles te ajudam, pense em experimentá-los. Eu não sou um grande defensor de medir e avaliar tudo, mas neste caso um medidor contínuo de glicose ou seus exames podem oferecer informações úteis.

Você também pode comer a comida que você deseja incluir, depois testar sua glicose e cetonas no sangue duas horas depois. Por exemplo, se você quiser adicionar um punhado de blueberries na sua salada, experimente e veja como o seu corpo responde.

Naturalmente, isso só funciona se você conhece a glicemia e as cetonas no sangue, por isso recomendo que você compre as tiras de glicose na farmácia, o medidor contínuo de glicose ou um medidor de cetose de hálito (não de urina que é inútil).

Ou você não precisa ser tão sistemático sobre isso. Tirando o cenário de uma necessidade médica de estar em cetose o tempo todo, você pode se basear apenas no teor de carboidratos dos alimentos.

Finalmente, se você estiver trabalhando com um orçamento limitado de carboidratos e quiser expandir seu repertório de vegetais (e até de frutas), considere direcionar sua ingestão desses alimentos ao redor dos exercícios para sua glicose não subir e a cetose se manter.

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Primal Brasil

Tortura não é um método, é uma aberração | Adriano Diogo

O militante Adriano Diogo e o texto "tortura nega a condição de ser humano".

Violar direitos básicos era prática corrente durante a ditadura militar. Assista ao depoimento de uma vítima de tortura.

 

Minha memória não falha. Senti na pele o ditado “Deus, Pátria e Família”.

Em março de 1973, os militares invadiram minha casa, me sequestraram e me levaram para a OBAN (Operação Bandeirante). Fui torturado pelos militares durante 90 dias: fiquei 90 dias sem sol, estava verde, meus olhos eram completamente amarelos, vomitava biles pelo ralo da solitária, tinha notícias de que meus companheiros estavam sendo presos e mortos. Me tranquei e me mantive na minha integridade mental.

Da OBAN fui pro DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), fiquei durante 45 dias. Conheci o torturador Fleury e seus asseclas. Todo fim de semana era uma loucura, e muita tortura. Fomos para o presídio da Rua do Hipódromo e lá permaneci preso por mais um ano e meio.

A tortura possui um elevado potencial de corrupção que não se limita apenas a provocar o sofrimento do prisioneiro. Ela nega sua condição de ser humano, seja ele preso da justiça comum ou preso político.

Todo fim de semana o Esquadrão da Morte tirava os presos das celas para levar para fuzilar nas imediações do Brás, da Vila Formosa. Era o mesmo Fleury que comandava os presídios e as execuções.

A tortura possui um elevado potencial de corrupção que não se limita apenas a provocar o sofrimento do prisioneiro. Ela nega sua condição de ser humano, seja ele preso da justiça comum ou preso político. A tortura não é um método, é uma aberração.

A maioria das pessoas é de boa índole, contra qualquer forma de violência e opressão. Esse é o caminho da humanidade, não a disseminação do ódio. Nesse momento tão difícil que o nosso país está vivendo, a democracia é fundamental. A democracia é como o ar que a gente respira: Pode ser impuro, imperfeito mas é a melhor [opção] de convivência civilizada para todos os seres humanos.

 

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Portal Drauzio Varella

Homem com tatuagem “não ressuscite” deixa médicos em conflito ético

iG São Paulo

Paciente estava desacordado e mensagem no corpo dizia para que ele não fosse reanimado; médicos seguiram orientações do conselho de ética

Tatuagem pedia que o paciente não fosse reanimado%3A

Tatuagem pedia que o paciente não fosse reanimado%3A “não ressuscite”%2C com ênfase no “não”

Foto: Divulgação/Universidade de Miami

Um homem de 70 anos chegou à emergência do hospital da Universidade de Miami, na Flórida, Estados Unidos, desacordado pelo consumo excessivo de álcool. Os médicos perceberam o estado grave de saúde do paciente e iriam começar a agir para que o quadro fosse amenizado. No entanto, uma frase de pedindo para que ele não fosse reanimado, escrita no peito do idoso, chamou a atenção e fez com que os profissionais entrassem em um conflito ético.

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O paciente tinha histórico de doenças no coração e pulmão, o que poderia influenciar na progressão do quadro clínico. Diante do dilema e sem saber o que fazer, a equipe médica decidiu, inicialmente, ignorar o aviso “Do not resuscitate” (“não ressuscite”, em português), e agiram para salvar o americano. Ele foi tratado com antibióticos, recebeu fluído por via intravenosa para reanimar e foi mantido respirando por aparelhos.

No entanto, ao consultar o conselho de ética, os médicos foram orientados a acatar o pedido da tatuagem. Um documento foi elaborado e enviado para o Departamento de Saúde da Flórida formalizando a situação e a decisão médica.

Depois disso, o estado de saúde do paciente piorou e ele acabou morrendo na mesma noite em que foi internado, sem nenhuma interferência médica. O caso foi publicado na revista científica “The New England Journal of Medicine”, na quinta-feira (30).

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Caso anterior

Essa não é a primeira vez que uma equipe médica americana passa por essa situação. Em 2012, um caso semelhante, de um homem com a sigla “DNR” que deu entrada em um hospital desacordado, foi noticiado no Journal of General International Medicine. Apesar do aviso, na ocasião, os médicos resolveram ignorar a mensagem e salvaram a vida do paciente diabético que precisava ter a perna amputada com urgência.

Anos depois, em entrevista ao jornal “The Washington Post”, o responsável pela equipe de saúde, o médico Gregory Holt, afirmou que o homem morava em uma casa de repouso e que foi encontrado bêbado na rua, sem nenhum documento que informasse dados de familiares e amigos.

“Tínhamos um homem com quem eu não conseguia falar”, disse Holt. “Queria conversar com ele para saber se a tatuagem realmente refletia seus desejos para o final da vida”, afirmou.

Ao ser tratado, quando acordou o paciente agradeceu os médicos e declarou que preferia ter sido salvo. Segundo ele, a tatuagem era resultado de uma partida de pôquer em que ele perdeu.

Ética

Casos de tatuagens de identificação médica não costumam ser raros. Muitos pacientes usam a mensagem no corpo para informar que têm restrições ou precisam de cuidados especiais, como os diabéticos ou alérgicos a medicações.

Apesar da decisão de respeitar o “pedido” do paciente, na Flórida, as tatuagens não valem como “documentos oficiais” de “não ressuscitação” de pacientes (DNR, como são conhecidas na sigla em inglês) que são protegidas pela privacidade médica. Pessoas com doenças crônicas costumam recorrer a esse recurso.

Porém, como não há como saber quantas pessoas assinaram o documento solicitando a não interferência médica em casos emergenciais, os médicos foram alertados a acatarem o pedido da frase pelo conselho ético de medicina.

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Nova droga para artrite reumatoide ajuda quem não responde a remédio tradicional

Marina Teodoro

Aprovado em toda Europa, medicamento ainda não tem previsão de chegada ao Brasil; entenda como a doença reumatologica afeta as articulações

Mais de 2 milhões de pessoas sofrem com artrite reumatoide no Brasil%2C de acordo com o Ministério da Saúde

Mais de 2 milhões de pessoas sofrem com artrite reumatoide no Brasil%2C de acordo com o Ministério da Saúde

Foto: Pixabay

Dores nas articulações, inchaço – principalmente nas mãos e pés -, nódulos, vermelhidão e deformidade nos membros afetados: essa é a vida dos mais de 2 milhões de brasileiros que convivem com artrite reumatoide (AR).

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Considerada uma das principais condições reumáticas ao lado da artrose, a artrite reumatoide também é lembrada no Dia Nacional da Luta Contra o Reumatismo, celebrado nesta segunda-feira (30), pelas novidades em seu tratamento que teve resultado positivo considerável para quem sofre com a doença.

No último mês, o 34º Congresso Brasileiro de Reumatologia, que aconteceu em Florianópolis, apresentou uma nova droga, o baricitinib, que demonstrou avanços significativos relacionados à melhora dos pacientes com a condição.

Trata-se de um medicamento de uso oral, o que já é considerado um ponto bastante positivo para facilitar o tratamento dos pacientes. Essa é a grande novidade na área da reumatologia, conforme declarou um dos principais especialistas de AR da atualidade, Josef Smolen, professor da Universidade Médica de Viena, na Áustria.

Josef Smolen%2C reumatologia

Josef Smolen%2C reumatologia

Foto: Divulgação

“Desde 2009 não temos novas drogas e novos tratamentos. Agora, neste ano, surgiram três novas drogas, entre elas o baricitinib, inibidor que age na estrutura da célula e serve para qualquer problema reumatológico”, analisa o professor.   

A substância está presente em um remédio chamado Olumiant, fabricado pelo laboratório farmacêutico Eli Lilly, que está disponível na Europa, mas ainda não tem data para chegada no Brasil.

O medicamento é indicado para o tratamento de AR ativa nos estágios moderado e grave em adultos que não tiveram resposta adequada aos tratamentos tradicionais da doença, os antirreumatismais modificadores da doença.

Smolen explica que as chances de respostas positivas dos pacientes aos remédios comuns são de 20% a 30%, usando qualquer droga. ”Quando esses tratamentos falham, a eficácia vai ser apenas de 10 a 15%. Por isso, qualquer nova medicação é uma oportunidade para tratar mais pessoas”, afirma.

Um estudo recente, e apresentado durante o congresso, apontou que com o uso de baricitinib a resposta positiva dos pacientes que participaram da pesquisa chegou até 60%. 

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‘Tratamento não pode esperar’

A novidade é bastante aguardada pela comunidade médica e de pacientes no Brasil. Apesar de não haver cura, medicamentos especializados e fisioterapia fazem toda a diferença para a qualidade de vida do paciente com a condição. Sem ajuda médica, 20 a 30% das pessoas acometidas pela enfermidade podem ficar permanentemente incapazes de realizar suas atividades após três anos do diagnóstico.

Até que a nova droga seja aprovada em território nacional, Lívia Gonçalves, gerente médica autoimune do laboratório farmacêutico Eli Lilly, garante que a cobertura de medicamentos no Brasil é ampla e atende às necessidades da população.

“Há uma série de medicações disponibilizadas tanto no SUS quanto no setor privado. O sistema público é abastecido por todos os remédios orais, conhecidos como modificadores da doença, que são drogas sintéticas usadas para evitar o edema nas articulações, dor, limitação do movimento e degeneração óssea associada à doença. Quando os pacientes perdem a resposta e esse tipo de medicamento, podem progredir para os biológicos, que também são disponibilizados”, ressaltou Lívia.

Artrite é uma doença sem cura, mas que pode ser controlada com o uso de medicamentos e melhorada com o diagnóstico precoce

Artrite é uma doença sem cura, mas que pode ser controlada com o uso de medicamentos e melhorada com o diagnóstico precoce

Foto: Getty Images

O diagnostico precoce é outro artifício que pode ajudar no controle da doença. “A artrite reumatoide pode começar em qualquer idade. Pode atingir um bebê de dois meses ou um senhor de 90 anos. Mas o importante é tratar a doença assim que diagnosticada, e não esperar pois essa é uma doença que se modifica”, alertou o professor Smolen.

Converse com seu médico 

Autoimune, inflamatória, sistêmica e crônica, a doença é mais presente entre as mulheres e a incidência aumenta com a idade. O maior pico é entre os 30 e 50 anos. A artrite reumatoide provoca uma inflamação nas articulações, afetando seus revestimentos e provocando dores desconfortáveis e até impedindo a movimentação.

Apesar de comum, ainda falta informação à população sobre a AR. Uma das principais dúvidas é como ela ocorre. “A doença provoca uma reação no sistema imunológico, fazendo com que ele ataque os próprios tecidos e articulações do organismo”, explicou Lívia Gonçalves.

O reumatologista da Universidade Médica de Viena, na Áustria chama a atenção para uma medida importante, que deve ser tomada por quem recebe o diagnostico de artrite reumatoide além de fazer o tratamento. “Converse com o seu médico. Esteja preparado para fazer perguntas e só saia do consultório quando as dúvidas estiverem sanadas”, alerta Smolen, que reconhece o diálogo entre médico e paciente fundamental.

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TRIBO FORTE #048 – TOMAR OU NÃO CAFÉ DA MANHÃ?

Bem vindo(a) hoje a mais um episódio do podcast oficial da Tribo Forte!

Os podcasts são 100% gratuitos e episódios novos saem todas as terças-feiras.

Certifique-se de colocar seu email aqui em cima do site para ser avisado das novidades e de futuros podcasts.

No Episódio De Hoje:

Neste episódio nós tocamos em 3 assuntos principais:

  • Afinal, comer ou não algo no café da manhã?
  • Qual a diferença entre uma dieta no estilo “paleo” e uma dieta padrão no tratamento de diabetes tipo 2?
  • Hipotiroidismo e exercícios, etc.

Espero que aproveite este episódio 🙂

Lembrando: Você é MEMBRO VIP da Tribo Forte ou ainda está de fora? Tenha acesso a receitas simples e deliciosas diariamente, artigos internacionais traduzidos diariamente, fórum de discussão, documentários legendados e MUITO mais! Não fique de fora e se junte a este movimento agora mesmo, clicando AQUI!

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Ouça o Episódio De Hoje:

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Para baixar este episódio, clique aqui com o botão direito e escolha “Salva Como…”

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Referências do Episódio

Artigo postado no Daily Mail sobre pular o café da manhã

Ótimo artido da Zoe Harbombe analisando o artigo acima

O estudo sobre o café da manhã (que na verdade é sobre regularidade alimentar)

Estudo comparando dieta paleo a dieta padrão para tratamento do diabetes tipo 2

Transcrição do Episódio

Rodrigo Polesso: Olá, olá! Bem-vindo ao episódio de número 48 do podcast oficial da Tribo Forte – o podcast número 1 do Brasil na categoria saúde. Dr. Souto teve um dia super cheio. Mas estamos aqui para gravar porque promessa é dívida. Todas as semanas temos que estar com um podcast novinho, inédito para você. Hoje falaremos sobre dois assuntos principalmente. O primeiro é recente: comer ou não comer o café da manhã. Saiu na mídia por aí. Será que pular o café da manhã é mesmo ruim para nossa saúde? Veremos um pouco por trás das manchetes da mídia e por trás do estudo que motivou isso aí. Também veremos uma comparação entre a dieta paleo e a dieta oficial da American Heart Association para o tratamento de pessoas com diabetes tipo 2. Fora isso, veremos a pergunta da comunidade também. Estou em Tampa, na Flórida, para uma conferência chamada Metabolic Therapeutics, que será quinta, sexta e sábado. Teremos pessoas legais falando, como o Eric Westman , Richard Feinman, Thomas Seyfried (que eu entrevistei sobre câncer). Tudo isso faz parte do meu trabalho. De uma forma ou de outra você ficará sabendo das atualizações. Sempre cobriremos tudo que sair de novo. Boa noite, Dr. Souto. Longo dia?

Dr. Souto: Boa noite. Um dia longo, mas como você disse, vamos manter a tradição.

Rodrigo Polesso: É isso mesmo. Custe o que custar. Vamos partir para a pergunta da comunidade, antes de partirmos para a questão do café manhã… Acho que temos que falar um pouco mais sobre isso para as pessoas se protegerem um pouco. É um assunto antigo, mas nunca paramos de nos surpreender com o que sai sobre esse assunto. A pergunta que tenho hoje vem da Natália: “Eu tenho problema na tireoide. Eu faço controle com remédio. Já fiz academia e dieta, mas mesmo assim é muito difícil perder peso. Mas se eu paro de me exercitar, engordo muito mais rapidamente. Será que essa filosofia alimentar funciona para mim?” Dr. Souto, vou passar a bola para você nesse caso.

Dr. Souto: Essa questão que ela falou sobre a atividade física e ganho de peso é um negócio interessante. Já comentamos várias vezes aqui que a atividade física não é o principal fator na perda de peso. Na perda de peso a dieta predomina. A atividade física com certeza não atrapalha, mas não promovo (isoladamente) a perda de peso. Ela tem que estar pelo menos associada com a dieta, e a dieta é o principal. No entanto, existem estudos bem feitos que sugerem que a atividade física ajuda a prevenir o ganho de peso. São coisas diferentes. Uma coisa é “exercício faz você perder peso isoladamente, sem dieta” – provavelmente não. Mas o exercício é útil sim em diminuir a chance da pessoa que perdeu peso ganhar o peso de novo. Então, essa observação dela eu acho que procede – quando ela para o exercício, ela tende a ganhar peso. Se isso é o exercício em si, ou se o exercício motiva a pessoa a cuidar da sua dieta, não está bem claro. Mas não interessa. O fato é que o exercício ajuda. Ela citou o hipotireoidismo. Eu acho (minha opinião), que o hipotireoidismo tratado… Normalmente trata-se do hipotireoidismo subclínico… Aquele que foi identificado porque o TSH estava alto… Aí a pessoa começa a repor o hormônio tiroideu até o TSH voltar ao normal. O hipotireoidismo normalmente não vai ser o responsável pela pessoa não conseguir perder peso, desde que esse hipotireoidismo esteja tratado. Se ela está usando a medicação… Se o TSH, o T4 livre, o T3 livre… Se está tudo ok, se ela está usando a dose adequada, não é isso que vai impedi-la de perder peso. Se essa dieta é a mais adequada para ela… Vamos colocar da seguinte forma. Pelas evidências, pelos estudos comparativos, pelos ensaios clínicos randomizados, uma dieta de baixo carboidrato costuma ser a alternativa mais eficaz para a perda de peso. Mas como em qualquer coisa que esteja sendo testada… Por exemplo, um estudo comparando uma dieta de baixa caloria tradicional com uma dieta de baixo carboidrato. Um estudo comparando essas duas. Em geral, vamos ter um sucesso maior no grupo da dieta de baixo carboidrato, mas haverá indivíduos em cara um dos grupos que vão ter respostar dispares. Ou seja, eu posso ter alguém que não perdeu peso algum no grupo de baixo carboidrato e posso ter alguém que perdeu bastante peso no grupo de baixa caloria. Nós somos diferentes. Podemos falar em termos de resposta média. Provavelmente, o que estamos propondo tem a maior chance de dar resultado. Então se estou partindo de uma situação de sobrepeso, vou escolher aquilo que tem a maior chance de dar resultado. Minha resposta para ela seria… Com certeza ela tem perspectiva de tempo ou resposta… O fato de ter hipotireoidismo não é um impeditivo, desde que esteja tratado. A atividade física não vai atrapalhar – provavelmente vai ajudar a não ganhar o peso de novo. Depois de feito o experimento, colocado em prática, ela vai saber quanto se beneficia dessa estratégia.

Rodrigo Polesso: Eu concordo plenamente. Acho que muita gente acaba utilizando a questão de ter problema com a tireoide meio como uma desculpa para se conformar… de que talvez para você seja muito mais difícil conseguir atingir seu objetivo de emagrecimento. Talvez eu proporia uma inversão de paradigma e usar isso como talvez uma motivação para você ficar mais saudável e quiçá ter sua tiroide funcionando perfeitamente ou pelo menos melhor do que agora. A questão do exercício é você manter ou talvez aumentar a sensibilidade à insulina nos músculos. É uma forma legal de prevenção de ganho de peso. Isso colabora na prevenção… Não como solução para emagrecimento… Existem estudos mostrando que exercícios como estratégia primordial como ganho de peso não vai dar sucesso. Isso é o que vemos por aí. Mas sim como uma forma de prevenção e manutenção de uma saúde bacana. Eu acho que não tem dúvidas sobre isso. Dr. Souto, vamos pular para esse tema do café da manhã, que é o tema quente de hoje. Vou fazer uma introdução sobre esse assunto e vou passar a bola para você. Saiu no jornal Daily Mail, no Reino Unido, uma manchete: “Não pule o café da manhã! – Uma sugestão oficial avisa que pular o café da manhã pode aumentar seu risco de obesidade, doença cardíaca e diabetes.” Esse é o título que acabou assustando muita gente no Daily Mail. Tem um artigo muito legal da Zoe Harcombe. Ela pegou o que tinha por trás desse artigo e desmiuçou o estudo que deu origem a esse artigo. Ela fez uma análise bastante sóbria. Vamos colocar todos os links aqui para você. Saiu no jornal Circulation dia 31 de janeiro (ontem, estamos gravando dia primeiro de fevereiro). Enquanto as manchetes dos jornais chamam atenção para a questão de pular o café da manhã, o estudo em si não focou nisso somente. Ele ficou em vários aspectos. Na conclusão do próprio sumário do estudo no jornal Circulation, ele diz o seguinte: “A nossa coleção de dados sugere que padrões irregulares de alimentação aparentam ser menos favoráveis para se atingir a melhor saúde cardiometabólica.” Não falaram nada do café da manhã e sim sobre padrões irregulares de alimentação. Continuando: “Se você comer prestando atenção no que está comendo e com uma frequência mais consistente, você pode potencialmente ter um estilo de vida mais saudável e uma melhor saúde cardiometabólica.” Essa foi a conclusão deles. Agora sobre o café da manhã no artigo oficial da American Heart Association, que é Americana do Coração, eles dizem o seguinte sobre o café da manhã, olhe que interessante: “Vários estudos já mostraram o benefício de você comer café da manhã toda manhã. Mas, esses estudos sobre o café da manhã também acabaram recebendo bastante opressão recentemente pela mídia porque grandes produtores da indústria (Kellogg’s e General Mills, as maiores produtoras de cereais matinais dos Estados Unidos) acabaram patrocinando esses estudos. Então, tem um pouco de conflito de interesse aí. Eles concluem assim: “Isso poderia ter influenciado nos resultados positivos sobre o benefício do café da manhã.” É basicamente isso que a American Heart Association diz oficialmente. Antes de partir para discussão, é importante ressaltar que os estudos em questão que foram base para essa questão de pular o café da manhã não são ensaios clínicos randomizados, são estudos prospectivos. Tem vários problemas. O primeiro deles é o estudo em si. O segundo é a postagem da American Heart Association. E depois o pessoal da mídia dar uma ordem dizendo “não pule o café da manhã”. A pessoa só vê essa ordem, mas não vê tudo o que vem antes disso. Então, conflito de interesse, má ciência, estudos prospectivos… Como que a gente se acha no meio de tudo isso?

Dr. Souto: É tanta coisa… A American Heart Association definitivamente não tem uma boa tradição de acertar nas suas recomendações nutricionais. Nós estamos na confusão em que estamos muito por causa deles. A American Heart Association adotou o mantra do low fat high carb (das dietas de baixa gordura, mas liberadas em carboidrato) antes mesmo do USDA adotar isso nas diretrizes oficiais dos Estados Unidos. Então, quando as diretrizes oficiais que deram origem à pirâmide alimentar surgiram, foi sim por muita influência da Associação Americana de Cardiologia. Tenho uma cópia de um panfleto de 1995 da Associação Americana de Cardiologia sugerindo literalmente que as pessoas fizessem lanches com açúcar de modo a comer menos gordura. Vou colocar no blog uma reprodução disso porque isso diz mais do que mil palavras quando eles dizem hoje em dia que eles nunca estimularam. Eles estimularam sim o consumo de açúcar. A Associação Americana de Cardiologia é a mesma que tem aquele selo com um coraçãozinho e colocam o selo na margarina e em cereais matinais cheios de açúcar – único critério é não ter colesterol, não ter gordura. Esta mesma Associação Americana de Cardiologia com todo seu histórico no mundo da nutrição que está agora dizendo que é perigoso não comer café da manhã. Obviamente, temos que olhar com uma certa desconfiança, porque eles têm uma tradição de décadas de realmente dar bola fora dentro da nutrição. Aqui não foi diferente. É um relatório de 20 e poucas páginas baseado em estudos observacionais. Lembre-se daquela promessa, Rodrigo: todos os podcasts temos que falar a expressão “ensaio clínico randomizado”. Foi algum ensaio clínico randomizado que mostrou que as pessoas têm risco maior de sofrer doença do coração se não tomarem café da manhã? Não! Como teria que ser esse ensaio clínico? Eu teria que pegar uma população grande, com milhares de pessoas e recomendar a um dos grupos que tomassem café da manhã todos os dias e dizer para o outro grupo evitar tomar café da manhã todos os dias. Eu acompanho esse grupo, e talvez em 10 anos eu tenha alguma incidência de doenças e eventos para poder fazer alguma comparação. Por que seria importante fazer dessa forma, com sorteio? Porque quando você deixa as pessoas escolherem se elas querem tomar café da manhã ou não, o que temos é o seguinte… Vou ler para vocês uma observação que a Zoe Harcombe tirou de um dos artigos observacionais. “As pessoas que evitam tomar café da manhã tem maior probabilidade de: ser fumantes, trabalhar tempo total em vez de tempo parcial, ser menos fisicamente ativos e beber mais álcool.” Aí ela diz assim: “Estou imaginando aqui na minha cabeça uma pessoa de natureza vespertina, que gosta de ficar acordada até tarde, trabalhando até tarde na sua mesa, comendo, bebendo e fumando até as horas iniciais da manhã… E na minha cabeça eu comparo com outra pessoa que gosta naturalmente de acordar cedo, sai da cama, vai passear com o cachorro e toma seu café da manhã.” Ela fez de uma forma engraçada. É o mesmo problema de sempre, pessoal. Estudos observacionais têm essas variáveis de confusão. No momento em que o café da manhã passa a ser o marcador de pessoas que fumam menos, trabalham menos horas, são mais fisicamente ativas, bebem menos álcool e dormem mais cedo… Será que o café da manhã é realmente o responsável pelos achados?

Rodrigo Polesso: Em defesa da American Heart Association… Só para não deixar tão feio para o lado deles… É claro que a mídia quer cliques, por isso focaram em café da manhã. Mas eles fizeram um estudo avaliando a diferença entre pessoas que têm hábitos alimentares irregulares e pessoas que têm hábitos alimentares regulares. E daí uma associação entre essas primeiras que têm hábitos irregulares com obesidade, diabetes tipo 2 e etc.. Imagine a pessoa que não reserva uma tempo para não comer um café da manhã, sai correndo, tropeçando no cachorro, fumando… É claro que esse tipo de pessoa estará mais associada com obesidade e diabetes tipo 2 – não por pular o café da manhã, mas pelos problemas que não conseguimos mensurar de forma correta com um estudo desse tipo.

Dr. Souto: O mais fantástico é que várias dessas coisas já foram testadas em ensaios clínicos randomizados. Vou admitir que não com morte, doenças vasculares e etc., mas com fatores de risco para doenças cardiovasculares ou com peso. Aliás, nós chegamos a discutir na semana anterior o ensaio clínico randomizado sobre as pessoas que normalmente não tomavam café da manhã e foram randomizadas para tomar café da manhã? Chegamos a falar sobre esse?

Rodrigo Polesso: Não sei se falamos sobre café da manhã no passado.

Dr. Souto: Então vamos falar rapidinho. É um estudo que foi publicado no dia 4 de janeiro de 2017. Quem ouve esse podcast está atualizado. Bem recente, tem um mês. Eles pegaram 49 mulheres que não tinham o hábito de tomar café da manhã e foram randomizadas para tomar café da manhã ou não tomar café da manhã. As pessoas que acreditam nessa lenda urbana… De que se você não tomar café da manhã estará morto de fome na hora do almoço, vai comer um boi inteiro e vai engordar… O que aconteceu foi o contrário. As pessoas que não estão acostumadas a consumir café da manhã e passam a consumir café da manhã consomem 266 calorias a mais por dia e ganharam, no período do estudo (que é relativamente curto), 1 quilo a mais em média. Então, comer café da manhã, se você não está acostumado a comer café da manhã, faz você engordar. Se a pessoa tirar o chapéu do senso comum e botar o chapéu do senso crítico (que é o chapéu que eu prefiro), a pessoa vai dizer que é evidente. Se a pessoa não comia uma refeição e agregou uma refeição a mais, o que vai acontecer? Ela vai engordar, não é óbvio?

Rodrigo Polesso: Mas aí pode falar que ela vai comer menos nas outras refeições.

Dr. Souto: Quando temos essa dúvida, fazemos ciência. Vamos um experimento e testamos. Esse não é o primeiro. Esse é mais um numa grande sequência de ensaios clínicos randomizados que mostram ou que não têm efeito algum, ou que acrescentar café da manhã é prejudicial. Basicamente, os estudos tendem a mostrar o seguinte: se a pessoa está acostumada a tomar café da manhã, não faz diferença comer ou não comer; mas se ela não está acostumada e começar a comer de propósito – porque viu na televisão que precisa – aí ela vai ganhar peso por estar acrescentando uma refeição com a qual não estava acostumada. Essa questão da compensação que você falou não é verdade para nenhum dos lados. Se você tomar café da manhã, a sua tendência é comer menos no almoço, mas não tão menos que compense o que você comeu no café da manhã. No jejum ocorre o contrário. Quando a pessoa faz um jejum de 24 horas, no dia seguinte ela tem mais fome e come mais do que ela comeria normalmente. Mas o que ela come mais não é tão mais a ponto de compensar o que ela comeu na véspera. Quem diz o contrário… Quero ver os ensaios clínicos randomizados. A palavra-chave é: ensaio clínico randomizado. É simples. Eu tenho uma dúvida, eu levanto uma hipótese. Eu texto a hipótese e ela será refutada ou confirmada. Estudos observacionais não estabelecem causa e efeito. O estudo observacional em tela – esse que a Associação Americana de Cardiologia cita – diz que as pessoas que não comem café da manhã tendem a ser mais obesas e mais diabéticas. Ok, estamos vendo um ensaio clínico randomizado em que pessoas que não comem café da manhã ficaram menos obesas. Então, se eu tenho um conflito entre um experimento e um estudo observacional, vale o experimento. Por que tem o conflito? Por que um diz uma coisa e o outro diz outra? Por causa das variáveis de confusão. O pessoal que não toma café da manhã ali não toma porque passa a noite bebendo e fumando… Acorda atrasado, vai para o trabalho. Essas coisas que determinam os desfechos e não o café da manhã. É simples assim, pessoal. O estudo observacional é só uma oportunidade da gente, mais uma vez, em mais uma semana, comentar como ter pensamento crítico, como não cair nessa velha armadilha. Ela se repete todas as semanas.

Rodrigo Polesso: Principalmente se quem tiver fundando os estudos for um grande produtor de cereais matinais, o que é até engraçado. Isso acontece e está nas entrelinhas. Quase ninguém lerá esse detalhe.

Dr. Souto: A quase totalidade desses estudos observacionais foram feitos com fundos da indústria alimentícia que fabrica cerais matinais. Eles vão achar que cereal é ruim? Vamos tirar o chapéu do senso comum e botar o do pensamento crítico.

Rodrigo Polesso: A Zoe Harcombe faz uma pergunta e vou ecoa-la aqui. Lembrando que esse artigo da American Heart Associação avaliou pessoas que tem hábitos irregulares de alimentação e comparou com pessoas que têm hábitos regulares, e viu a o que cada uma está associada. Ela perguntou assim: “Será que ter hábitos irregulares causa a diabetes tipo 2 ou obesidade ou será que os obesos ou diabéticos tipo 2 que tendem a se alimentar de forma irregular?” É a mesma coisa temos falado aqui agora. É uma inversão. É um marcador de tipo de pessoa. Esse tipo de pergunta é sempre boa para mantermos uma mente sóbria ao avaliar esse tipo de coisa. A minha conclusão pessoal é a mesma que a Zoe teve no artigo dela: se você se sente bem comendo café da manhã, ótimo! Se você não se sente, ótimo também – desde que você come (no café, à tarde ou à noite) sejam alimentos de verdade. De resto, eu acredito não ter tanto problema assim. Essa é a opinião pessoal minha. Qual é a sua?

Dr. Souto: É exatamente a mesma opinião. Eu não sou contra o café da manhã. Sou contra a má ciência. Fico irritado quando vejo estudos observacionais dando na manchete fazendo de conta que tem uma relação de causa e efeito que não existe. Eu não fico chateado que ninguém coma café da manhã. Eu às vezes consumo alimentos de manhã e às vezes não. Depende se eu vou ter que trabalhar muito cedo naquele dia. Mas às vezes não tenho fome às 6 da manhã, aí não tomo café da manhã. Agora, se é um dia no qual tenho uma agenda mais tranquila, com uma manhã livre, eu preparo um bolo de caneca com coco, ovo… Faço um café e leio jornal… Para mim é mais uma questão de tempo e horário. Eu conheço pessoas tanto na vida social quanto pacientes em consultório. Tem gente que não concebe sair para a rua sem comer alguma coisa – e essas pessoas devem comer alguma coisa. Como o Rodrigo disse, comam um negócio baseado em comida de verdade, de preferência low carb. E tem pessoas que odeiam comer de manhã e quase me dou um abraço quando eu digo que não precisa. “Quer dizer que não preciso? Que maravilha! Eu me forçava a comer!” É ridículo isso. É uma orientação ridícula baseada em estudos observacionais cheios de fatores de confusão, por uma entidade que tem uma tradição de fazer exatamente isso.

Rodrigo Polesso: Eu me converti… No passado eu costumava comer café da manhã. Eu comia ovos e bacon praticamente todos os dias no café da manhã. Mas há vários anos eu não como mais café da manhã e para mim hoje, é um esforço começar a comer. A minha opinião pessoal a respeito da frequência… Eu acho que no mínimo dar 12 horas de folga para o organismo tende a ser positivo para a maior parte das pessoas. Você pode fazer jejum intermitente ou não, mas dar no mínimo 12 horas de folga para seu organismo no comendo, incluindo as horas de sono, me parece algo sensato a se fazer. Já falamos demais sobre jejum intermitente aqui no podcast.

Dr. Souto: Mesmo que a pessoa queira ter um intervalo de 12 horas sem comer, ela pode jantar às 12 horas e tomar um café da manhã às 8, por exemplo.

Rodrigo Polesso: Sim, também é possível.

Dr. Souto: Tomar café da manhã ou não é uma opção. Não tem um estudo com base de evidência realmente forte que indique que ele seja necessário. E existem estudos com base de evidência forte mostrando que ele pode não apenas não ser necessário, mas que pode ser até interessante não comer se a pessoa já não come. É muito barulho por nada. É um negócio baseado em estudos observacionais no qual não chegamos à conclusão alguma. Quem gosta, coma café da manhã. Quem não gosta, não precisa comer.

Rodrigo Polesso: Batido o martelo. Esses são os fatos, pessoal. Espero que tenha sido útil para vocês. Ganhar uma clareza mental maior sobre esse assunto. O próximo assunto que quero cobrir de forma mais rápida é um estudo publicado no jornal europeu de nutrição clínica em 2015. Eles perguntaram qual seria o melhor tratamento dietético para diabéticos tipo 2 – seria a dieta paleo ou a dieta recomendada pela Associação Americana do Coração? Esse foi um ensaio clínico randomizado com 25 pacientes com diabetes tipo 2 de 50 a 69 anos – pessoas com uma idade mais avançada, obesos e com diabetes tipo 2. Ele não foi um estudo muito bom e vou contar o porquê. Mesmo assim, achei interessante trazer essas informações para vocês. Do que consistiu a dieta paleo segundo eles no estudo? Carne, peixe, frango, ovos, frutas, legumes, nozes, óleo de canola, maionese e mel. Essa a dieta paleo segundo eles. Isso não foi o pior de tudo. A composição dos macronutrientes foi 62% carboidratos (mais ou menos 400 gramas de carboidratos por dia), 15% gordura e 23% proteína. Essa proporção foi basicamente a mesma no outro grupo que fez a dieta recomendada pela Associação Americana de Cardiologia. Ou seja, a dieta paleo que eles usaram para fazer esse estudo está muito longe de ser uma dieta paleo otimizada (na minha opinião) que inclui óleo de canola, maionese e mel, além de ter 62% de carboidrato. Não é low carb nem de longe. A outra dieta que foi utilizada em comparação teve os carboidratos provindos de macarrão, pão, leguminosas, arroz, iogurtes sem gordura, grãos integrais. É aquela dieta “saudável” que os governos tendem a passar para a população. Os grupos fizeram três refeições principais por dia mais três lanches. Ou seja, fizeram 6 refeições – aquela questão de comer de 3 em 3 horas. Por isso que eu digo que é um ensaio clínico randomizado, mas não é de alta qualidade por causa dos defeitos no design dele na minha opinião. As conclusões dele foram as seguintes: “Até mesmo com o consumo de curto prazo de uma dieta do estilo paleolítica, isso mostrou aumentar o controle da glicose no sangue e o perfil lipídico em pessoas com diabetes tipo 2 comparando-se com uma dieta convencional moderada em sal, baixa em gordura e rica em grãos e leguminosas.” É basicamente isso que diz esse estudo. Ele mudou a qualidade da dieta em pessoas em estado crítico, com diabetes tipo 2, com idade mais avançada (de 50 a 69). Eles mudaram a qualidade e tentaram manter a quantidade calórica equivalente para as pessoas não perderem peso só por isso… Melhorarem de perfil lipídico e glicose. Então, tentaram manter a quantidade calórica idêntica. É mais um estudo que mostra que o ideal é modificar a qualidade do que você come, mesmo de forma bem aquém do que eu acharia ser a correta. Você vê que, mesmo em curto prazo, o seu corpo começa a se curar e você vê resultados positivos de controle de glicose e perfil lipídico – mesmo com uma dieta com 62% de carboidratos. É interessante, Dr. Souto, apesar dessa definição de dieta paleo meio bizarra.

Dr. Souto: O segredo de você mostrar que uma coisa funciona é escolher bem o grupo controle. Quando o grupo controle é a pior dieta possível, seja lá o que for que a gente compare ficará bom. Um exemplo clássico disso é um estudo muito mais bem feito, que é o Predimed. Foi um estudo publicado no New England há uns anos atrás. Foi um estudo com 7500 pacientes randomizados para dieta mediterrânea com mais gordura ou dieta de baixa gordura. A intervenção da dieta mediterrânea foi “fraca”. Não era low carb, era simplesmente as pessoas consumirem mais azeite de oliva, mais nozes e castanhas, tomar um vinho. Para ser pior que o grupo de controle low fat só se tivesse um grupo com plutônio na dieta. É um negócio cheio de pães, cheio de grãos, cheio de coisa low fat, margarinas e etc.. É evidente que esse grupo vai morrer mais. Eu não estou com o estudo na frente, o Rodrigo me pregou uma peça. Ele leu o estudo e não me mandou. Sacanagem. Veja como mesmo modificações pequenas podem ter impacto. Isso ajuda a referendar aquela coisa que sempre falamos aqui: o ótimo não pode ser inimigo do bom. O negócio deu um resultado mesmo com canola…

Rodrigo Polesso: Maionese, mel e 62% carboidrato.

Dr. Souto: Só de tirar pão, farináceos, açúcar, refrigerante… Já teve resultado. Com as mesmas calorias. As vezes o pessoal fica muito preocupado… “Não tem como fazer essa dieta, porque não consigo comprar um salmão que não seja do Alasca”. Mesmo com canola, mel, 62% de carboidrato e mantendo a calorias teve benefício. O que nós estamos propondo, que é muito superior a isso em termos de qualidade e potência da intervenção, tem tudo para dar certo – mesmo que o frango seja o normal do supermercado ou o peixe tenha vindo de piscicultura. Não podemos nos perder em todos os detalhes. As intervenções são benéficas mesmo quando não são perfeitas. Mesmo quando elas bastante imperfeitas, conforme esse estudo mostrou.

Rodrigo Polesso: É bom enfatizar isso o que você falou da questão do “eu não consigo comprar orgânicos”, “esse salmão selvagem é caríssimo no Brasil”. O menor passo que você der na direção certa faz diferença. Cada pequeno passo que você dá acaba tendo um efeito de bola de neve. O efeito no final é muito maior do que você pode imaginar. Parar de comer aquele biscoitinho que você come depois do almoço pode ajudar. Qualquer passo que você dá na direção certa pode ser positivo para você. Em vez de ficar chorando, o que você consegue melhorar com base no que você está fazendo agora? Qual é o menor passo que você consegue melhorar? Faça isso primeiro, depois passe para o próximo. O importante é a tendência, a direção em que você está indo e não pular para a última página do livro direto. Acho que essa é uma mensagem importante para passar para as pessoas também. Dr. Souto você lembra o que você comeu de almoço? Você deve estar com fome para jantar já…

Dr. Souto: É interessante. Agora são 9:15. A última coisa que eu comi foi 12:30. Eu confesso que lá pelas 8 eu estava com um pouco de fome. Agora, se eu não comece nada e fosse dormir… Talvez eu faça isso. Nesse momento é um jejum involuntário. Eu não estava fazendo jejum intermitente, é só porque trabalhei até mais tarde. Mas a fome costuma vir nos horários em que estamos acostumados a comer. Depois ela passa. Essa é a experiência de todo mundo que já fez um jejum intermitente. Enfim, hoje eu almocei fora. Almocei num restaurante de buffet, que tem aqui perto do meu consultório. Eu comi um monte salada, porque ali tem saladas muito boas e variadas. Eu comi um pedaço de peixe, um pedaço de frango e foi isso aí meu almoço. Frango, peixe e um monte de salada.

Rodrigo Polesso: Legal. Na semana passada eu falei sobre a questão de fome e gula – fome fisiológica e fome emocional. Uma das características da fome fisiológica… Normalmente vem nos horários nos quais você está acostumado. Outra coisa importante é que ela vem em ondas. É uma onda que vem lenta e depois passa se você não comer. Não é aquela coisa que te deixa de mal humor, radical, impactante como uma gula ou fome emocional, que surge do nada. A fome natural vem devagar, sinalizando que poderia ser um horário bom para comer e depois vai embora se você não comer. Talvez você nem perceba que não está mais com fome. É uma diferença interessante entre gula e fome fisiológica.

Dr. Souto: A fome desesperada é um negócio que faz muito tempo que não conheço. Eu comeria alguma coisa agora, mas se não tivesse comida em casa, eu diria, “amanhã eu vejo.” Estou mais cansado do que com fome. No passado, (pré low carb) jamais isso aconteceria. Isso muda. Não há dúvida. Para mim, é uma experiência muito interessante.

Rodrigo Polesso: Eu acho que as pessoas acabam se induzindo a se sentirem fracas e mal… “Estou sem comer desde o almoço”… Nem é seu corpo que está fraco, mas você tem esse pensamento de que precisa comer de 3 em 3 horas e acaba induzindo uma sensação de cansaço e fome.

Dr. Souto: É o efeito Nocebo. É o primo malvado do Placebo. Eu acredito que algo vai fazer mal e aí me sinto mal porque acredito. Uma vez que derrubamos o mito, entende e estuda, aí não nos sentimos mal se tivermos que fazer uma atividade física… Não vai ficar tonto. Já sabemos que isso é mito.

Rodrigo Polesso: Mais o mais importante a respeito de Nocebo e Placebo é o “sebo”, que é saudável. Eu também comi fora. Eu comi uma ripa de costelinha de porco. Ponto negativo e positivo ao mesmo tempo. Positivo psicologicamente e negativo para meu corpo. Tinha um molho barbecue que sabe Deus do que foi feito. Mas estava uma delícia, com brócolis.

Dr. Souto: Se o pessoal do ensaio clínico teve bons resultados comendo mel e 60% de carboidratos, acho que esse açúcar no seu molho barbecue está desculpado porque é só hoje.

Rodrigo Polesso: Exato. Não faz parte da minha janta diária. É isso aí, pessoal. Fechamos o podcast de hoje. Esperamos que tenha sido útil para você, como sempre. Quer se juntar à Tribo Forte? Entre em TriboForte.com.br e tenha acesso àquele mar de informação que tem lá dentro. É atualizado sempre. E também acesso ao fórum para fazer parte da nossa família da Tribo Forte. É isso aí. Dr. Souto, um grande abraço para você. A gente se vê na próxima semana.

Dr. Souto: Abraço. Abraço a todos.

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