Por que pra algumas pessoas o vírus é leve? | Coronavírus #37

Apesar de não sabermos o porquê de alguns casos do coronavírus serem mais graves, é possível analisar os grupos de risco e reforçar as medidas de prevenção.

 

Por que alguns infectados pelo coronavírus têm uma doença grave e outros têm uma doença bem mais benigna? A gente não sabe essa resposta. A gente sabe estatisticamente: os mais velhos, aqueles com doenças crônicas de base, aqueles com problemas imunológicos têm mais risco de ter doença grave.

Mas nós não sabemos explicar por que alguns jovens têm uma doença muito tranquila, não passa de um mal-estar, um pouco de tosse, uma febrícula e em alguns dias se sentem muito melhor. Enquanto outros têm uma doença mais pesada. Mesmo o fato de você ser jovem não quer dizer que você vai ter uma doencinha de nada. Não, isso não. Quer dizer que você corre um risco muito menor de ter uma doença muito grave e de morrer.

Veja também: Qual o tratamento para coronavírus? | Coronavírus #17

Mas a condição física não garante a benignidade da doença, isso é muito importante. Nós temos atletas competitivos aí, gente em nível de disputar olimpíada que adquiriram o vírus e tiveram uma doença que castigou, deixaram eles meio quebrados por alguns dias e tudo.

Então, é por isso que não pode dizer “não, isso aí é uma doença que só mata velho”. Não, não é verdade. É preciso tomar cuidado e tomar as medidas porque ninguém vai gostar de ter uma doença que, embora não te faça correr risco de morte, te joga na cama por vários dias.

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Drauzio Varella

Muitas pessoas respondem menos aos exercícios

Por: Kevin Loria

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Todos nós respondemos ao exercício de forma diferente – se você pegar dez pessoas e colocá-las na mesma rotina de treino por três semanas, algumas melhorarão dramaticamente, mas outras talvez não pareçam ter mudado fisiologicamente. Em alguns casos, algumas pessoas podem até parecer menos aptas.

Anteriormente, isso levou os pesquisadores a pensar que algumas pessoas são “não respondentes”, o que significa que o exercício simplesmente não funciona para elas.

Mas cada vez mais pesquisas estão começando a indicar que toda a ideia de “não respondedores”  terem muito mais dificuldade de perder peso, ou desenvolver certa capacidade física é verdadeira, no entanto, é algo contornável. Ou seja, há como encontrar a modalidades mais ideais para cada um destes indivíduos, ou como aumentar a intensidade dos treinos para alcançar os resultados desejados… Não é tão fácil para estes “não respondentes” mas é bem possível fisiologicamente.

Um estudo recente descobriu que as pessoas que não ficam mais fortes ou mais aptas em um tipo de treinamento responderam a outros tipos de exercícios – algumas pessoas respondem melhor aos exercícios de resistência, outros a sprints – mas, todos responderam a algo, principalmente a exercícios de força.

Agora, um novo estudo acrescenta ainda mais à imagem, embora este venha com alguns conselhos difíceis.

Todos respondem ao treinamento, de acordo com pesquisas recentemente publicadas no Journal of Physiology. Algumas pessoas só precisam trabalhar muito mais para ver os resultados.

Este estudo particular levou 78 adultos saudáveis ​​e os dividiu em cinco grupos, cada um passando por um, dois, três, quatro ou cinco exercícios de 60 minutos a cada semana durante seis semanas. A maioria das pessoas que fizeram apenas um treino a cada semana não se tornou mais apta por causa do treinamento, mas também apareceram “não respondentes” nos grupos que trabalharam duas a três vezes por semana.

Então, os pesquisadores levaram todos esses “não respondedores” e os colocaram em outro programa de seis semanas que envolveu dois exercícios adicionais a cada semana. Então, as pessoas que inicialmente estavam fazendo um treino de 60 minutos a cada semana passaram para três exercícios de 60 minutos (ou três horas de total de exercícios) a cada semana, e as pessoas que estavam fazendo três horas de exercício a cada semana foram levadas a fazer cinco. A potência máxima de todos e a aptidão cardiovascular melhoraram.

Isso indicou, os pesquisadores escreveram, que o exercício é “dependente da dose”, o que significa que, se seu corpo não está respondendo ao treinamento, você provavelmente precisará fazer mais.

Por mais difícil que isso possa parecer, estas são conclusões encorajadoras, de acordo com o Dr. Michael Joyner, um médico e pesquisador da Mayo Clinic, que é um dos melhores especialistas mundiais em fitness e performance humana, que escreveu um comentário para acompanhar o estudo no Journal of Physiology. Isso ocorre porque mesmo os níveis modestos de fitness proporcionam “proteção impressionante” para a saúde e a mortalidade, ele conta.

Ainda assim, em seu comentário, Joyner ressalta que muitas pessoas já têm dificuldade em atingir a quantidade recomendada de exercício, que é pelo menos 150 minutos de atividade por semana. Mesmo que as pessoas saibam que mais 2 dias na semana malhando pode fazer uma grande diferença, isso pode não ser suficiente para encorajá-los a fazê-lo.

Mas o fato de que estamos aprendendo mais sobre isso é útil. Em alguns casos, isso pode encorajar as pessoas a desenvolverem mais atividades em seus trajetos (como andar de bicicleta ou caminhar para trabalhar em vez de dirigir). “Eu acho que precisamos construir toda a atividade física na rotina possível”, diz Joyner.

Em outros casos, as pessoas podem apenas querer colocar o tempo extra na academia. E, é claro, como outras pesquisas mostraram, o melhor truque de fitness para superar a falta de resposta, é treinar exercícios de força mais frequentemente.

Essa é uma das razões pelas quais a maioria dos treinadores dizem que não há uma rotina de exercícios para todos – em vez disso, encontre algo que funcione para você e que você goste de continuar fazendo. Quando você olha os muitos benefícios do exercício, desde a saúde cardiovascular melhorada até a redução do estresse e efeitos impulsionadores do humor, vale a pena.

“Eu acho que a maioria das pessoas precisa fazer uma coleção mista de várias atividades com exercícios de força e de alta intensidade, se possível e o ideal é simplesmente fazer algo quase todos os dias”, diz Joyner.

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Primal Brasil

Como a tecnologia pode ajudar a empoderar  pessoas com diabetes

Gabriela Brito

Não só os aparelhos de medição da glicose ou bombas de insulina ajudam a dar maior autonomia aos diabéticos: a internet também pode ser essencial para as pessoas conseguirem aceitar a doença e encontrar outros pacientes

Diogo e seu cachorro Luke – o nome é uma homenagem ao personagem Luke Skywalker da franquia Star Wars

Diogo e seu cachorro Luke – o nome é uma homenagem ao personagem Luke Skywalker da franquia Star Wars

Foto: Arquivo pessoal

Foram quase duas semanas fazendo muito xixi e sofrendo muita sede. Os pais de Diogo, com apenas quatro anos na época, estranharam e acharam melhor fazer um teste para avaliar o nível de glicemia do filho. Estava tão alta que nem mesmo aparecia no aparelho. Resultado: o menino tinha um diabetes ainda desconhecido.

Logo depois da descoberta, Diogo iniciou tratamento do diabetes com insulina. Como ele ainda era pequeno, ficava difícil ajustar a dose certa na caneta de aplicação, o que aumentava o risco de hipoglicemia. Por isso, começou a usar a bomba de insulina.

Normalmente, o aparelho é usado por pessoas que precisam de múltiplas injeções ao longo do dia. A técnica é mais precisa, já que considera o nível de glicose no sangue e a quantidade de carboidratos que a pessoa comeu. Desse modo, o dispositivo funciona mais ou menos como o pâncreas, que precisa liberar mais insulina quando a pessoa se alimenta, por exemplo.

O hormônio da insulina é responsável por pegar o açúcar que está no sangue e colocá-lo dentro das células, para gerar energia.

Diogo, hoje com oito anos, gosta de jogar vídeogame, de brincar com seu cachorro Luke e entende que precisa comer e tomar água direitinho. “Diabetes é só uma condição. Quando meus amigos (também diabéticos) ficam com medo da bomba, eu explico que não precisa ter medo de colocar o cateter, porque por ele só vai entrar insulina. Às vezes, dá uma queimadinha, mas é da insulina, faz parte.”

Além de o aparelho dar mais autonomia para o menino poder brincar, comer o que tem vontade e ficar mais tranquilo em relação ao risco de hipoglicemia, a sinceridade dos pais em relação à doença também foi de extrema importância. A mãe dele, a jornalista Viviane Bianconi, de 35 anos, explica que ela e o marido sempre conversaram muito com o filho sobre sua condição.

LEIA MAIS: Especialistas alertam para aumento global de diabetes infantil

Após passar pelo susto inicial com a criança, ela decidiu criar, junto com o menino, a página no Facebook “Di de Diabetes”. Pelo canal, a jornalista conseguiu ter contato com outros pais que também estavam se descobrindo inseridos neste universo das doenças crônicas. “Algumas mães acabam até me ligando. O que eu tenho a falar é que é preciso ter muito amor, paciência e coragem. É, realmente, fazer o papel de mãe a fundo. Vai ter dias ruins sim, mas outros muito bons”, afirma Viviane.

Pela página, Diogo também consegue gravar vídeos incentivando seus amigos a praticar exercícios, ter uma alimentação equilibrada e a não ter medo da doença e do tratamento.

Internet pode ser um ótimo meio para que as pessoas se informem sobre o diabetes, mas é preciso tomar cuidado

Internet pode ser um ótimo meio para que as pessoas se informem sobre o diabetes, mas é preciso tomar cuidado

Foto: Pexels


Empoderamento

De acordo com Dr. Mauro Scharf, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, é preciso dar empoderamento ao paciente para que ele consiga viver sem a barreira da doença.

Os especialistas envolvidos no tratamento devem oferecer a educação em diabetes, o conhecimento nutricional, as informações sobre atividades físicas, motivando o paciente, já que a doença acaba gerando ciclos de negação e afirmação da condição. Para tanto, a internet pode auxiliar a pessoa a conhecer melhor o problema. Assim como em relação a outros temas, é preciso estar atento à fonte da informação, já que há muitos boatos online como “a cura do diabetes”.

LEIA MAIS: Diabéticos conhecem bem a doença, mas aderem pouco ao tratamento

Maior conhecimento e motivação pode ajudar a acabar com o fato de que mais de 80% dos pacientes não controlam sua glicose da forma correta. Aqui no Brasil, já existem aplicativos como o “StarBem Mais”, que servem como um canal de comunicação entre paciente e médico. Por ele, é possível acompanhar os cuidados que as pessoas têm no dia a dia e ainda receber informações sobre o diabetes.

“Há também os grupos de diabéticos no Facebook. Eles são ótimos, mas também temíveis – por causa da circulação de informações erradas. Mas, ajudam no acolhimento de novos pacientes e fazem com que eles possam entender melhor a doença”, afirmou o especialista.

Eric descobriu o diabetes aos 12 e, hoje, tem um blog sobre o assunto, uma página no Facebook e já pensa no YouTube

Eric descobriu o diabetes aos 12 e, hoje, tem um blog sobre o assunto, uma página no Facebook e já pensa no YouTube

Foto: Reprodução/ YouTube


Diabético intergalático

Foi o próprio Facebook que incentivou o jornalista Eric Luiz Porto, de 23 anos, a escrever para um público que, muitas vezes, tem dificuldade em aceitar o diabetes: os jovens.

A plataforma oferece um canal de fácil alcance, e Eric pode ajudar pessoas que estão tendo problemas para controlar a doença, assim como ocorreu com ele.

O diagnóstico foi dado quando tinha 12 anos, após passar mal ao fazer um exame de sangue. O nível de glicemia estava acima dos 500. Foi tudo muito rápido: internação, aprender a aplicar a insulina, ter noção de que se sofria de uma enfermidade sem cura. Para família também foi um choque, ainda mais porque não há histórico familiar.

O jornalista acredita que é muito importante ter contato com outras pessoas com a mesma condição neste momento, ter alguém para tirar dúvidas, conversar, especialmente aquelas com a mesma idade.  A família também deve se colocar presente e entender que o diabetes requer uma vida regrada.

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Diferente de Diogo, Eric aplica sua insulina com canetas. São ao menos quatro aplicações por dia, dividindo as doses entre a de ação rápida e a lenta. Após sofrer, até mesmo com dificuldades para dormir, com medo de “não acordar mais” após uma hipoglicemia, o jornalista passou a entender que o trabalho do diabético é “full time”, sem interrupções.

“Não minta para você mesmo (em relação aos níveis de glicose e cuidados com o diabetes). Aceite a doença. Nada é melhor que o acompanhamento médico e nutricional”, conclui. 

Saúde: bem-estar, dicas de alimentação, dieta e exercícios – iG