Entidades debatem modelos para rótulos de alimentos com alertas de alto teor

Novos rótulos de alimentos devem trazer de forma clara alertas de alto teor de açúcar, sódio e gordura saturada. Conheça os principais modelos defendidos.

 

Não faltam ações de prevenção da obesidade, mas é interessante notar que grande parte delas se dirige para o consumidor, enquanto existem outras duas pontas que podem fazer muito por essa questão: o poder público e a indústria. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estão, desde 2014, em um debate sobre novas regras de rotulagem de alimentos que podem ter impacto direto no cenário do sobrepeso e obesidade no Brasil.

A disponibilização de informações nutricionais em rótulos de alimentos e bebidas é regulamentada no país desde 2001, com ajustes ao longo dos anos. Atualmente, fabricantes precisam informar valor energético e quantidades de carboidratos, proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas, gorduras trans, fibra alimentar e sódio. A discussão agora gira em torno de como fazer a presença de excessos prejudiciais à saúde ficar mais clara para quem vai consumir, principalmente quando se trata de alimentos ultraprocessados, como biscoitos recheados, salgadinhos e refrigerantes.

Veja também: Animação sobre rótulos de alimentos

O Idec propõe um modelo de alertas. Quando um produto tiver excesso de um determinado nutriente, como sódio, a parte da frente do rótulo deve conter um triângulo preto e a inscrição “alto em sódio”. “O triângulo foi escolhido por ser uma imagem que simboliza atenção de uma forma simples, direta, em formato geométrico de fácil visualização inclusive em tamanhos reduzidos”, explica Ana Paula Bortoletto, nutricionista e líder do Programa de Alimentos do Idec. O modelo é inspirado na experiência chilena, que utiliza um octógono preto como alerta.

 

Rótulos frontais propostos pelo Idec.

Modelo proposto pelo Idec usa triângulos pretos para indicar cada excesso de nutrientes. | Idec

 

Já a ABIA, que lidera outras entidades ligadas à indústria de alimentos e bebidas na discussão, propõe um modelo de semáforo. Cada produto receberia selos com as cores verde, amarelo ou vermelho, de acordo com a quantidade baixa, média ou alta de determinado nutriente. Por meio de nota enviada ao Portal DV, a associação defendeu que a proposta de alertas, como a do Idec, “é um modelo que não auxilia o consumidor e só tem o propósito de vilanizar o alimento industrializado. O que contribui para uma dieta equilibrada é a informação. Ao contrário de apenas um alerta ‘alto em’, o modelo informativo traz o ‘alto’, junto com a referência da cor e o percentual de VD [valor diário recomendado], para que a pessoa saiba quão alta, média ou baixa é a presença daquele nutriente na porção do alimento ou bebida”.

 

Rótulos frontais propostos pela ABIA.

Modelo proposto pela ABIA usa cores de semáforo para indicar níveis de nutrientes. | ABIA

 

Embora informar mais soe positivamente, Ana Paula defende que nem sempre é o caso. “O semáforo não é tão bom quanto parece porque, quando se colocam várias cores diferentes na embalagem, expõem-se informações contraditórias para o consumidor, e não se permite que ele faça uma ideia real. Se você tem uma cor amarela, duas verdes e uma vermelha, não diz muito. O semáforo funciona bem no trânsito porque uma cor acende de cada vez. Quando acendem várias ao mesmo tempo, nós já temos problemas.” A nutricionista ressalta ainda que o modelo da ABIA abre espaço para que produtos deem uma falsa impressão de que são saudáveis. “Um refrigerante zero, por exemplo, teria selos verdes por ser baixo em gordura, baixo em açúcares e baixo em sódio, quando na verdade sabemos que não é um alimento tão saudável assim”, explica.

 

A experiência do Chile com rótulos de alimentos

 

A experiência do Chile com selos de advertência é uma das primeiras no mundo. Foi implementada em meados de 2016 para combater principalmente o sobrepeso e a obesidade, que têm prevalência ainda maior que no Brasil. A medida ainda é muito recente para uma conclusão definitiva, mas já existem avaliações elogiosas e críticas.

Na última quinzena de dezembro de 2016, cerca de 6 meses após a implementação da lei de novos rótulos de alimentos, o Ministério da Saúde do Chile realizou uma pesquisa com 1.067 pessoas. Mais de 90% dos entrevistados afirmaram reconhecer os selos. A maioria, 56,2% afirma não comparar selos ao comprar um produto (maiores de 46 anos são os que mais comparam; jovens entre 18 e 29 anos são os que menos comparam). Entre os que comparam, 67,8% apontam que optam por produtos com menos selos; 9,7% não compram alimentos que contenham selos; e 14,1% compram menos do que comprariam se não existissem selos. Cerca de 8,4% dizem que suas compras não são afetadas pelos selos.

Segundo a pesquisa, os selos despertam impressões na maioria dos entrevistados. Cerca de 78,5% afirmam que, ao ver um produto com selos, pensam que deveriam deixar de consumi-lo, consumi-lo menos vezes ou em menor quantidade que um alimento sem selos. Aproximadamente 47,3% dizem que consideram saudável um produto que não leva selos.

Em uma conferência da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) de 2018 sobre os impactos da lei chilena, o Ministério da Saúde do Chile informou que 20% da indústria reformulou seus produtos, 90% dos consumidores afirmaram que agora liam o rótulo para decidir se compravam ou não um produto e 68% disseram ter mudado hábitos de compra.

O jornal chileno “El Mercúrio”, porém, publicou em setembro de 2019 uma matéria que levanta indícios de um possível “desgaste” da lei de rótulos de alimentos. O conteúdo relata casos de algumas empresas que decidiram retornar à receita original de alguns produtos após queda nas vendas, mesmo às custas de ter de estampar os selos em suas embalagens. O atual ministro da Saúde do país, Jaime Mañalich — que não ocupava o cargo na época de implementação da lei –, avaliou também que “a população está se tornando insensível aos rótulos, em parte porque os selos são tão massivos, no sentido de que tudo no supermercado tem selos, que já não se obtém efeito de diferenciação para o consumidor”.

 

Proposta da Anvisa para um modelo brasileiro de rótulos frontais

 

Após receber pareceres e contribuições de entidades e especialistas, a Anvisa elaborou seu modelo de rotulagem a partir de estudos realizados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pela Universidade de Brasília (UnB). Ele consiste em uma lupa como selo de advertência, acompanhada do texto “alto em” e uma lista dos nutrientes que existirem em excesso, contemplando açúcares, gordura saturada e sódio. Os limites de cada um seriam os seguintes em porções de 100 g ou 100 ml:

  • Açúcar: 10 g para sólidos e 5 g para líquidos;
  • Gordura saturada: 4 g para para sólidos e 2 g para líquidos;
  • Sódio: 400 mg para sólidos e 200 g para líquidos.

 

Rótulos frontais de lupa propostos pela Anvisa.

Modelo proposto pela Anvisa usa ícone de lupa e lista de nutrientes em excesso. | Anvisa

 

Embora se assemelhe mais ao modelo do Idec, a entidade de defesa do consumidor tem críticas à proposta do governo. “Apesar de avançar na questão do excesso de informação, consideramos que a lupa não tem um bom desempenho, pois mesmo que um produto tenha vários nutrientes em excesso, o selo vai ser um só”, afirma Ana Paula Bortoletto. A lupa é criticada também pela ABIA. Em nota, a associação defendeu que seu “modelo informativo de rotulagem nutricional, que, ao contrário do modelo de advertência apresentado pela Anvisa, é o que melhor oferece ao consumidor brasileiro as informações de que necessita para fazer escolhas alimentares com autonomia e consciência, de acordo com suas características, preferências individuais e no contexto de uma dieta equilibrada”.

O Idec também questiona o prazo proposto pela Anvisa para adequação completa das novas normas. A agência sugeriu que, após a definição do modelo, todos os produtos no mercado brasileiros deverão estar adaptados à novas regras em até 42 meses. “É um prazo absurdo. Já estamos há 5 anos nesse debate, não tem por que esperar mais. As empresas mudam seus rótulos para promoções sazonais a todo momento. É menos complexo que colocar informações sobre alergênicos, que exige um estudo da cadeia de produção e análise dos produtos. Eles só terão que mudar a embalagem”, afirma a nutricionista do Idec.

A ABIA, por outro lado, entende que o prazo é necessário. “O processo de implementação de uma nova padronização de rotulagem nutricional é complexo e envolve diversos setores da cadeia produtiva e fornecedores de insumos. As etapas envolvem processos de embalagem, aprovação de registro no âmbito do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, especificações que deverão passar por atualizações, ou seja, é um processo técnico rigoroso”, afirmou em nota.

 

Você pode se manifestar sobre o modelo proposto pela Anvisa

 

Os impactos desse tipo de políticas públicas demoram para se fazer presentes, daí a importância de se implementar o melhor modelo possível, baseado em evidências. A Anvisa abriu as consultas públicas nº 707 e 708/2019 para receber manifestações sobre o tema. O formulário é direcionado principalmente para receber insumos técnico-científicos, mas qualquer pessoa pode opinar. Além do esforço pessoal para combater a obesidade, que tal atuar também na formulação de políticas públicas em Saúde?

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Drauzio Varella

Governo alerta sobre alto risco de surto de poliomielite em 312 municípios

iG São Paulo

Maioria das cidades estão localizadas na Bahia, porém, apenas Rondônia, Espírito Santo e Distrito Federal não têm regiões sob risco elevado

Vacinação contra poliomielite deve ser administrada aos 2, 4 e 6 meses de vida

Vacinação contra poliomielite deve ser administrada aos 2, 4 e 6 meses de vida

Foto: Gabriel Rosa/SMCS

Todos os locais com cobertura vacinal contra poliomielite abaixo de 95% estão sob ameaça de surto da doença, informou o MInistério da Saúde. No entanto, a pasta chama atenção para 312 municípios no país, especialmente na Bahia, onde a situação está mais crítica e a vacinação contra poliomielite não chegou a atingir 50% da população.

Leia também: Campanha de vacinação contra poliomielite deve começar em agosto, diz ministério

Há 28 anos o Brasil não registra casos da doença, considerada erradicada das Américas desde 1994, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, o risco de novos casos voltarem a aparecer é grande por causa da resistência de pais e mães à vacinação contra poliomielite nos filhos.

“Uma cidade com esses indicadores tem todas as condições de voltar a transmitir a doença em nosso País. Será um desastre para a saúde como um todo”, declarou a coordenadora do Programa de Imunização, Carla Domingues, durante a reunião com secretários estaduais e municipais de saúde.

Das cidades onde a situação é mais grave, 15% ficam localizados na Bahia, seguido por Maranhão, com 14,29%. Em São Paulo, 44 municípios estão sob alerta. De todos os estados brasileiros, apenas Rondônia, Espírito Santo e Distrito Federal não têm cidades sob risco elevado.

Em 2017, durante a campanha de vacinação contra a doença, 22 unidades da federação não atingiram a cobertura considerada ideal. No ano passado, pelo menos 800 mil crianças ficaram sem o esquema vacinal completo, que compreende três doses do imunizante.

O Ministério da Saúde orienta os gestores locais a organizar as redes de prevenção, inclusive com a possibilidade de readequação de horários mais compatíveis com a rotina da população brasileira. A pasta também recomenda o reforço das parcerias com creches e escolas, ambientes que potencializam a mobilização sobre a vacina por envolverem as famílias.

Leia também: Governo recomenda vacinação contra poliomielite para evitar importação da doença

Apenas 1% pode desenvolver forma paralítica

Causada por um vírus que vive no intestino, o poliovírus, a poliomelite, ou paralisia infantil, como é chamada popularmente, geralmente atinge crianças com menos de 4 anos, mas também pode contaminar adultos.

A maior parte das infecções apresenta poucos sintomas e há semelhanças com as infecções respiratórias com febre e dor de garganta, além das gastrointestinais, náusea, vômito e prisão de ventre.

Cerca de 1% dos infectados pelo vírus pode desenvolver a forma paralítica da doença, que pode causar sequelas permanentes, insuficiência respiratória e, em alguns casos, levar à morte.

Entenda a importância da vacinação contra poliomielite

A poliomielite não tem tratamento específico. A transmissão pode ocorrer de uma pessoa para outra por meio de saliva e fezes, assim como água e alimentos contaminados.

No entanto, a doença deve ser prevenida por meio da vacinação. A vacina é aplicada nos postos da rede pública de saúde. Há ainda as campanhas nacionais.

Leia também: Casos de poliomielite diminuem, mas Brasil ainda sofre com síndrome pós-pólio

O esquema de vacinação contra a poliomielite oral trivalente deve ser administrada aos 2, 4 e 6 meses de vida. O primeiro reforço é feito aos 15 meses e o outro entre 4 e 6 anos de idade. Também é necessário vacinar-se em todas as campanhas. A próxima Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite ocorrerá de 6 a 31 de agosto.

*Com informações da Agência Brasil

Saúde: bem-estar, dicas de alimentação, dieta e exercícios – iG

Colesterol alto: um problema?

Escrito por Dr. Malcolm Kendrick 

Tirando o chapéu para os japoneses

 

Por muitos anos, eu disse para qualquer um que queira escutar que se você tiver um nível do colesterol alto, você viverá mais. Igualmente, se você tiver um nível baixo do colesterol, você morrerá mais novo estatisticamente falando. Este, senhoras e senhores, é um fato estatístico. Quando mais velho você se torna, mais benéfico se torna ter um nível do colesterol mais alto.

Este fato tornou-se mais difícil de demonstrar recentemente, enquanto muitas pessoas foram colocadas sob estatinas, alterando a associação entre níveis de colesterol e mortalidade, sendo esta associação dobrada e violentada nas formas mais estranhas imagináveis. Entretanto, o Japão fornece alguns dados muito interessantes. O Japão sempre teve uma taxa muito baixa de doenças do coração, uma expectativa de vida invejável, e… níveis geralmente baixos do colesterol. Aha!, certamente isto significa que os níveis baixos do colesterol são bons para você? Bem….

Bem, aqui a introdução à uma revisão de 116 páginas da hipótese do colesterol, publicada no jornal “Annals of Nutrition and Metabolism”. Foi publicado em 30 de abril de 2015. Eu apenas terminei de lê-lo pela primeira vez. Eu pensei em compartilhar a introdução, completa:

Os níveis elevados do colesterol são reconhecidos como uma causa principal da aterosclerose. Entretanto, por mais da metade do século alguns desafiaram esta noção. Mas que lado está correto, e por que não podemos chegar a uma conclusão definitiva após todo este tempo e com mais dados científicos disponíveis? Nós acreditamos que a resposta é muito simples: para o lado que defende esta assim chamada teoria do colesterol (teoria lídica), a quantidade de dinheiro em jogo é demasiada para se darem ao luxo de perderem a luta.

A questão do colesterol é um dos maiores problemas na medicina, onde a lei da economia governa. Além disso, os defensores da teoria tem a noção de ser um simples, irrefutável “fato” e autoexplicativo. Eles podem muito bem pensar que aqueles que argumentam contra a teoria do colesterol – na verdade, a ‘hipótese’ do colesterol – são meros excêntricos.

Nós, como aqueles no lado que opõe a hipótese, compreendemos seus argumentos muito bem. Na verdade, o primeiro autor desta edição suplementar (TH) havia sido um crente muito forte e defensor da hipótese do colesterol até alguns anos após o estudo escandinavo “Scandinavian Simvastatin Survival Study (4S)” que relatou os benefícios da terapia com estatinas no jornal Britânico “The Lancet”, em 1994. Para ser honesto com os leitores, ele persuadia as pessoas com níveis elevados de colesterol altos a tomar estatinas. Ele até deu uma palestra ou duas para clínicos gerais que promoveu os benefícios das estatinas. Terríveis erros imperdoáveis dado o que conhecemos e claramente sabemos agora.

atherosclerosis

Aterosclerose formada através da inflamação causada pela oxidação de lipoproteínas LDL (colesterol LDL) padrão B (Apo B) , não devido ao colesterol total elevado com a noção antiga.

Nesta edição suplementar, vamos explorar a base da hipótese do colesterol, utilizando dados obtidos principalmente do Japão, o país onde as campanhas da teoria anticolesterol podem ser conduzidas mais facilmente do que em quaisquer outros países. Mas por que isso? Será que é porque os pesquisadores japoneses que defendem a hipótese recebem menos apoio das empresas farmacêuticas que os pesquisadores no exterior? De modo nenhum. Por que os pesquisadores japoneses são indolentes e fracos? Não, claro que não. Por que o público japonês é cético sobre os benefícios da terapia médica? Não, eles geralmente aceitam tudo o que os médicos dizem. Infelizmente, isso também é complicado pelo fato de que os médicos não têm tempo suficiente para estudar a questão do colesterol por si mesmos, deixando-os simplesmente a aceitar as informações fornecidas pela indústria farmacêutica.

Lendo através desta edição suplementar, ficará claro por que o Japão pode ser o ponto de partida para a campanha da teoria anticolesterol. A relação entre a mortalidade por todas as causas e os níveis de colesterol no Japão é muito interessante: a mortalidade, na verdade, vai para baixo com os níveis mais elevados de colesterol, das lipoproteínas totais ou de baixa densidade (LDL), como relatado pela maioria dos estudos epidemiológicos japoneses da população em geral. Esta relação não pode ser observada com a mesma facilidade em outros países, exceto em populações idosas onde existe a mesma relação em todo o mundo.

A mortalidade por doença coronária no Japão foi responsável por cerca de apenas 7% da mortalidade por qualquer causa durante décadas; uma taxa muito mais baixa do que a observada nos países ocidentais. A teoria de que quanto menores os níveis de colesterol são, melhor, é completamente errada no caso do Japão, de fato, o oposto é verdadeiro. Porque o Japão é único em termos de fenomenos relacionados com o colesterol, é fácil de encontrar falhas na hipótese do colesterol.

Com base em dados provenientes do Japão, propomos uma nova direção no uso de medicamentos de colesterol para promoção da saúde mundial; ou seja, reconhecer que o colesterol é um fator de risco negativo para a mortalidade e reexaminar o uso de medicamentos de colesterol, de acordo por todas as causas. Isso, acreditamos, marca o ponto para uma mudança de paradigma, não só na forma como entendemos o papel do colesterol na saúde, mas também como nós fornecemos o tratamento do colesterol.

As diretrizes para o colesterol são, portanto, outra área de grande importância. Na verdade, a maior parte desta questão suplementar (a partir do capítulo 4 em diante) é dada para a nossa análise pormenorizada e crítica das diretrizes publicadas pela Sociedade de Arteriosclerose do Japão. Dedicamos uma grande parte deste trabalho a estas orientações porque elas são geralmente bem respeitadas no Japão, e a administração de saúde pública do país está de acordo com elas, sem dúvida. Os médicos também tendem a simplesmente obedecer às orientações; suas cargas de trabalho muitas vezes não lhes permitem explorar a questão de forma rigorosa o suficiente para aprender a verdade por trás e eles têm medo de litígios, se não seguirem as orientações na prática diária.

Estes capítulos descrevem claramente algumas das falhas nas orientações – falhas que são tão graves que torna-se claro que os tempos devem mudar e as orientações devem ser atualizadas. Nosso objetivo ao escrever esta edição suplementar é ajudar todos a compreender o problema do colesterol melhor do que antes, e nós esperamos que colocando para fora o caso do porquê uma mudança de paradigma no tratamento do colesterol é necessária, e mais cedo do que mais tarde. Gostaríamos de deixar claro que não recebemos nenhum financiamento em apoio para escrever ou publicar esta edição complementar e as nossas declarações de conflitos de interesse são dados na íntegra no final.

Aqui está a introdução ao capítulo sobre o colesterol e mortalidade:

 

Todas as causas de mortalidade é o resultado mais adequado para usar quando fatores de risco para doenças fatais é investigado. A seção 1 discute a mortalidade por todas as causas de acordo com os níveis de colesterol, como determinado por grandes estudos epidemiológicos no Japão. No geral, uma tendência inversa é encontrada entre a mortalidade por todas as causas e total (ou lipoproteína de baixa densidade [LDL]) dos níveis de colesterol: A mortalidade é mais elevada no grupo colesterol mais baixo, sem exceção. Se limitado a pessoas idosas, esta tendência é universal. Como discutido na Seção 2, idosos com os mais altos níveis de colesterol têm as mais altas taxas de sobrevivência, independentemente de onde eles vivem no mundo.

Eu não acho que eu realmente precise dizer mais nada, a não ser para repetir esse fato. Se você tem um alto nível de colesterol (LDL), você vai viver mais tempo. Isto é especialmente verdadeiro para os idosos.

Ann Nutr Metab 2015; 66 (suppl 4): 1-116 DOI:

“Venho a esclarecer que esse site não serve de consultas, portanto não pretende substituir as recomendações do seu médico e/ou outro profissional de saúde”

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