Cabelos brancos antes dos 30: por que isso ocorre?

Os fios brancos não são necessariamente um sinal de envelhecimento, mas é preciso investigar suas origens.

 

Os cabelos brancos, também chamados de canice, são resultado de um processo natural do organismo, o qual geralmente acontece após os 25 ou 30 anos. É nessa faixa etária em que os melanócitos, células responsáveis pela produção de pigmento no bulbo capilar, começam a perder a capacidade de produzir melanina. 

Mas, talvez, você já deve ter observado muitos jovens e até crianças com cabelos brancos e grisalhos. Só para se ter uma ideia, de acordo com um estudo publicado em 2012 na British Journal of Dermatology, de 6% a 23% da população mundial terá metade dos cabelos brancos até os 50 anos. 

“A canice está muito relacionada a fatores genéticos. Se o pai ou a mãe tiveram cabelos brancos precocemente, é provável que o filho também vá ter”, explica dr. Rafael Soares, médico pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) com título de especialista em dermatologia pela Associação Médica Brasileira (AMB) e Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Outra explicação tem a ver com o estresse. Em situações de estresse prolongado, o hormônio cortisol é liberado no organismo e a sua permanência pode levar a uma inflamação, resultando no estresse oxidativo e, consequentemente, na morte dos melanócitos.

“É o que acontece, por exemplo, com os presidentes da República. O candidato tem cabelos coloridos durante a campanha, mas, depois de eleito, começa a apresentar branqueamento. O nível de estresse que ele passa diariamente favorece esse processo”, ilustra dr. Rafael.

Doenças autoimunes e doenças do couro cabeludo também podem provocar a canice precoce, como é o caso de infecções, alopecia areata e tinea capitis ou “tinha da cabeça”.

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É possível reverter?

Infelizmente, o processo de branqueamento dos cabelos é progressivo, mas há maneiras de, pelo menos, prevenir seu avanço logo nos primeiros sinais. Ainda segundo o dr. Rafael, existem ativos naturais com ação antioxidante e anti-inflamatória que podem ser ingeridos ou passados no couro cabeludo, como picnogenol, catalase, pseudocatalase, pirroloquinolina quinona (PQQ), coenzima Q10 e até melatonina. “Esses ativos reduzem a velocidade de surgimento de novos fios brancos em até 40% e melhoram em 20% a 30% aqueles que já perderam a cor. Por isso a importância de procurar um médico especialista se isso realmente começar a incomodar.” 

Na verdade, a questão dos cabelos brancos aborrece mais os pais do que as crianças e adolescentes. “Eles chegam aqui em meu consultório e não se importam muito, pois consideram uma forma de se diferenciar dos colegas. É mais uma questão dos pais, que acreditam que o filho está envelhecendo mais rápido que deveria, o que não é verdade”, afirma dr. Rafael. 

 

Mitos do cabelo branco

Diferentemente do que muitos acreditam, pintar o cabelo não provoca nem piora a canice. “Se a pessoa faz uma pintura atrás da outra, sem grandes intervalos, o branqueamento continua naturalmente, mas está coberto pela tinta. Quando ela para de pintar, a impressão é de que houve uma piora absurda nos fios brancos, mas eles só estavam disfarçados”, comenta.

Segundo dr. Rafael, a tinta pode até ser benéfica, já que fortalece os fios brancos, geralmente mais frágeis e porosos. O ato de descolorir, no entanto, prejudica a vitalidade do cabelo. Inclusive, é preciso tomar cuidados com shampoos, cremes e outros produtos nos cabelos brancos, devido à tendência desses fios de absorver outras cores – o recomendado são produtos incolores ou específicos para cabelos despigmentados.

A máxima de que se arrancar um fio de cabelo branco nascem mais três ou quatro no lugar também é mentira, tendo em vista que de cada saída folicular nascem até quatro fios. Quando um deles é arrancado, os outros já estavam em processo de crescimento com a mesma cor. 

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Como funciona o desmame de medicamentos antidepressivos?

Interromper o tratamento com antidepressivos de forma abrupta pode fazer mal à saúde. Conheça as recomendações sobre desmame de antidepressivos e ansiolíticos, antes de descontinuar o uso desses medicamentos.

 

É grande o número de pessoas que fazem uso de medicamentos antidepressivos e ansiolíticos no país, para tratar transtornos de ansiedade, fobias e depressão, problemas muito comuns hoje. 

Para quem está iniciando o tratamento, é esperado que nos primeiros 15 dias o paciente sinta alguns incômodos, como enjoo, sonolência, falta ou aumento de apetite, boca seca, etc. A tendência é que após essa fase de adaptação os efeitos adversos se amenizem e até sumam.

O problema é que muitos pacientes acabam se sentindo desestimulados por causa desses efeitos adversos e interrompem abruptamente o tratamento, sem consultar o médico especialista.

O que pouca gente sabe é que essa classe de medicamentos demora, em geral, de 4 a 6 semanas para começar a fazer efeito. Não é de um dia para o outro, como se você estivesse tomando um analgésico para dor de cabeça

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Por isso, se você está iniciando o uso dessas medicações ou então já as toma há um certo tempo, algumas recomendações importantes:

  • Não interrompa o tratamento de forma abrupta, de uma hora para outra. 
  • Se for preciso trocar a medicação ou parar por qualquer outro motivo, você tem que descontinuar o uso, reduzir a dose da medicação até conseguir parar de tomá-la sem sentir tantos efeitos desagradáveis. 

Essa descontinuação deve ser feita lentamente, por conta da farmacologia dessas medicações, já que essas são drogas que têm uma meia-vida muito curta, ou seja, elas permanecem no organismo por um tempo inferior a 24 horas. Assim, se você para a medicação de repente, os níveis da droga no organismo caem depressa, causando efeitos indesejáveis. 

No geral, as diretrizes psiquiátricas recomendam que a descontinuação seja feita de forma gradual, num período de 2 a 4 semanas, nas quais se reduz devagar a dose terapêutica mínima. Por exemplo: se a dose recomendada era de 20 mg, o paciente pode tomar 15 mg por duas semanas, depois 10 mg e assim por diante. Até parar.

Mais uma vez: nunca pare de maneira abrupta. Você pode passar mal. Sempre converse com o médico que fez a indicação. 

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