Alumínio presente em vacinas causa autismo?

foto de uma seringa. alumínio presente em vacinas não causa autismo

A associação entre o alumínio presente em vacinas e autismo não foi comprovada pela ciência baseada em evidências.

 

Grupos de pessoas contrárias à vacinação de crianças e adultos divulgam, de tempos em tempos, uma série de boatos envolvendo as vacinas. O mais recente afirma que o alumínio presente nas vacinas causa autismo.

 

QUEM DISSE? Site “Coletividade Evolutiva”1

O QUE DISSE? “Estudo confirma que alumínio nas vacinas causa autismo”

QUANDO DISSE? 12/03/2019

CHECAGEM: FALSO

 

Veja também: Não existe vacina contra o diabetes

 

CONTEXTO

 

Mesmo estando diante de uma das maiores descobertas do século 20, o movimento antivacina não se intimida e continua angariando adeptos. Nos últimos anos, o Brasil começou a sentir seus reflexos.

O próprio dr. Drauzio Varella foi um dos profissionais que se manifestou sobre o assunto em sua coluna da Folha de Sao Paulo do dia 29 de maio de 2017 2Os argumentos para justificar suas crenças (dos adeptos aos movimentos antivacinas) contradizem as evidências científicas mais elementares (…)”.

Dentro desse cenário, uma das justificativas usadas pelos adeptos da não vacinação é que substâncias presentes nas vacinas teriam o potencial de causar autismo. Muitos são os sites, blogs e posts em redes sociais que defendem esse posicionamento. Mas será que é verdade? DROPS checou.

 

O QUE DIZ A CIÊNCIA

 

As vacinas possuem entre seus componentes, além do antígeno (partícula ou molécula que ativa o sistema imune), diversos ingredientes que têm a função de melhorar sua eficiência ou conservá-la.

Em 1998, foi publicado na renomada revista científica “Lancet”um artigo em que o médico britânico Andrew Wakefield afirmava ter encontrado relação entre o mercúrio utilizado na vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e o autismo. Mais tarde, descobriu-se que o artigo era uma farsa e o autor foi criminalmente responsabilizado, teve o registro médico cassado e o artigo foi retirado dos arquivos da revista onde fora publicado.

O artigo de Wakefield abriu um precedente para o surgimento de diversos outros mitos relacionados a supostos efeitos prejudiciais das vacinas, como por exemplo os efeitos do uso de alumínio empregado como adjuvante em vacinas. Em uma recente publicação, o site de noticias “Coletividade Evolutiva” (que se descreve como uma mídia independente e pluralista, porque damos espaço a todas as correntes de pensamento e grupos sociais”) afirma que uma nova pesquisa da Universidade de Keele encontrou uma ligação entre inoculações contendo alumínio e autismo”. 1

O site justifica sua afirmação usando como base o artigo científico Aluminium in brain tissue in autism,3 publicado pelo controverso cientista inglês Chris Exley. A publicação de Exley enfureceu a comunidade cientifica e fez com que ele fosse proibido de obter patrocínio para suas pesquisas futuras.4 Em tempo, a análise criteriosa deste artigo aponta diversas falhas no método científicos que impedem que seus resultados sejam conclusivos.

O alumínio é empregado em vacinas como um adjuvante que tem a função de melhorar a resposta do sistema imunológico aos antígenos que estão sendo combatidos. Segundo o FDA (Food and Drug Administration),5 o CDC (Center for Desease Control,6  e a OMS (Organização Mundial da Saúde)7 a quantidade de alumínio utilizada em vacinas é controlada a fim de garantir a segurança dos pacientes.

Todas as substâncias químicas podem oferecer risco à saúde humana, entretanto esse risco depende diretamente do modo como as pessoas são expostas às substâncias e da sua quantidade. Dessa forma, dizer que vacinas possuem aditivos perigosos à saúde é uma afirmação que, apesar de verdadeira, necessita de contextualização e complementação.

No que diz respeito ao autismo, a fundação americana Autism Science Foundation 8 é categórica ao dizer que não há nenhuma evidência científica que o associe a qualquer tipo de substância presente nas vacinas.

 

REFERÊNCIAS

 

¹ https://www.coletividade-evolutiva.com.br/2019/03/estudo-confirma-o-aluminio-nas-vacinas-causa-autismo.html

² http://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarella/2017/05/1887700-sabios-antivacinais.shtml#_=_

³ https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0946672X17308763#tbl0005

⁴ https://www.thetimes.co.uk/article/funding-halted-for-professor-chris-exley-linking-vaccines-to-autism-8xvwp0g8p

⁵ https://www.fda.gov/BiologicsBloodVaccines/SafetyAvailability/VaccineSafety/ucm187810.htm

⁶ https://www.cdc.gov/vaccinesafety/concerns/adjuvants.html

⁷ http://www.who.int/vaccine_safety/committee/reports/Jun_2012/en/

⁸ http://autismsciencefoundation.org/what-is-autism/autism-and-vaccines/

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Governo de Minas Gerais decreta estado de emergência por causa da febre amarela

iG São Paulo

Estado já tem 110 casos suspeitos da doença, cuja transmissão ocorre por picada de mosquito; secretaria recomenda que a população tome as vacinas

Orientação do governo de Minas Gerais é para que a população fique atenta ao calendário de vacinação contra a doença

Orientação do governo de Minas Gerais é para que a população fique atenta ao calendário de vacinação contra a doença

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil – 27.1.2008

O governo de Minas Gerais decretou estado de emergência em saúde pública nas áreas de abrangência das unidades regionais de Coronel Fabriciano, Governador Valadares, Manhumirim e Teófilo Otoni. O motivo é o registro de casos de febre amarela nesses locais. O decreto foi publicado nesta sexta-feira (13) pelo governador Fernando Pimentel (PT). Ao todo, são 152 municípios afetados.

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O decreto assinado pelo governo de Minas Gerais autoriza a adoção de medidas administrativas com o objetivo de conter a doença, além de agilizar processos para aquisição pública de insumos e materiais necessários para a execução das ações de profilaxia. Permite também contratar serviços considerados necessários – em alguns casos, sem licitação. Fica liberada ainda a contratação de funcionários temporários.

O texto publicado no Diário Oficial considera que “a febre amarela é uma doença de potencial epidêmico e elevada letalidade”. Em boletim epidemiológico divulgado na última quinta-feira (12), a secretaria de Saúde informou que o número de casos suspeitos em 2017 no Estado chega a 110.

Desse total, 20 são tratados como casos prováveis, cujos pacientes apresentaram exame laboratorial preliminar positivo. Entretanto, a confirmação final depende da investigação de outros fatores. Os outros 90 episódios ainda estão sendo analisados. O governo mineiro também informou que, dos 30 óbitos suspeitos, dez já são considerados prováveis.

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O decreto também cria uma sala para monitoramento das ações administrativas. Além da secretaria de Saúde, participarão desses trabalhos outros órgãos, como a secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil.

Imunização

A secretaria de Saúde orienta a população para que mantenha em dia a vacinação contra febre amarela, disponibilizada gratuitamente nos postos de saúde por meio do SUS (Sistema Único de Saúde). A aplicação ocorre em dose única, mas deve ser reforçada após dez anos.

No caso de recém-nascidos, é administrada uma dose aos 9 meses e um reforço aos 4 anos. Nas regiões afetadas, entretanto, como se trata de uma situação atípica e que inspira cuidados, bebês com 6 meses estão recebendo duas doses com intervalo de 30 dias.

A doença é causada por um vírus da família Flaviviridae e ocorre em alguns países da América do Sul, da América Central e da África. No meio rural e silvestre, é transmitida pelo mosquito Haemagogus. Já em área urbana, o vetor é o Aedes aegypti, o mesmo da dengue, zika e febre chikungunya.

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De acordo com o Ministério da Saúde, a transmissão da febre amarela no Brasil não ocorre em áreas urbanas desde 1942. Até o momento, todos os casos suspeitos em Minas Gerais são considerados de transmissão silvestre.

* Com informações da Agência Brasil

Saúde: bem-estar, dicas de alimentação, dieta e exercícios – iG

Carne vermelha causa doença cardiovascular?

 

Por: Steven Hamley

carne-vermelha

Após surgir a teoria de que carne vermelha aumenta o risco de doença cardiovascular (DCV) * investigadores têm investigado os possíveis mecanismos. A atenção recentemente virou-se para carnitina (e colina, mas este post vai se concentrar na carnitina) como um dos componentes na carne vermelha responsáveis ​​pela carne vermelha, supostamente aumentar o risco cardíaco CVD [1]

Essencialmente, o argumento é que a carnitina e colina aumentam um químico chamado TMAO (N-óxido de trimetilamina) no sangue, o qual está associado com doenças cardiovasculares em quantidades elevadas em ratinhos geneticamente susceptíveis [1].

Isso soa bastante como os argumentos reducionistas contra gorduras saturadas, com a única base do argumento sendo a seguinte lógica falha – gordura saturada = mais LDL-C (um tipo de colesterol para os leigos) = mais eventos de doenças do coração.

* Mesmo que uma recente revisão sistemática e meta-análise (2010)  tenha concluído que “não há ensaios clínicos indicando efeitos do consumo de carne vermelha, processadas ou total no aumento de eventos cardiovasculares ou diabetes ” e em estudos prospectivos de coorte ” o consumo de carne vermelha não foi associado com doenças do coração CHD “[2], o que é consistente com os dados da pesquisa NHANES III [3]

O que é Carnitina?

 

A carnitina é um composto que encontra-se quase exclusivamente nas carnes (por isso ‘carn-‘) e podem ser sintetizados por seres humanos a partir dos aminoácidos metionina e lisina utilizando enzimas dependentes de vitamina C [4]

A principal função da carnitina é o transporte de ácidos graxos para a matriz mitocondrial das células para ser metabolizado*. Carnitina também funciona como um antioxidante e suporta a função mitocondrial.

Há evidências dos efeitos da suplementação de carnitina e parece que a carnitina é um composto benéfico em uma variedade de contextos [5]. Por exemplo, a carnitina reduz a pressão sanguínea [5], melhora a sensibilidade insulina [5] e reduz o declínio cognitivo em idosos [5]  

* Devido a esta função, a carnitina tem sido promovida como um suplemento “queimador de gordura”. No entanto, não parece aumentar a oxidação de gordura a menos que o consumo de carnitina diário seja inadequado. [5]

Será que a carnitina causa doenças cardiovasculares?

 

O mecanismo proposto da carnitina, de que ela “aumenta o químico TMAO e logo deve aumentar o risco cardíaco”  foi exaustivamente criticado pelo pesquisador Chris Masterjohn [6]. Outras pessoas também criticaram o estudo (embora não tão bem como Chris Masterjohn), mas quase todas essas críticas centraram-se na concepção do estudo e/ ou nos mecanismos, com muito pouca atenção dada à questão real: “a carnitina aumenta o risco de DCV? “Felizmente, temos boas evidências para nos ajudar a responder essa pergunta.

Uma revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos (13 ensaios, N = 3629) foi realizado em 2012, olhando para os efeitos da suplementação de carnitina em eventos cardiovasculares e mortalidade total na prevenção secundária (pessoas que tiveram um ataque cardíaco) [7] . Constatou-se que a carnitina está associado com:

  • “Uma redução significativa de 27% na mortalidade por qualquer causa (Odds ratio, 0,73; IC 95%, 0,54-0,99; P = 0,05; risk ratio [RR], 0,78; IC 95%, 0,60-1,00; P = 0,05) “
  • “uma redução altamente significativa de 65% de arritmias ventriculares (RR, 0,35; IC 95%, 0,21-0,58; P <0,0001) “
  • “Uma redução significativa de 40% no desenvolvimento da angina (RR, 0,60; IC 95%, 0,50-0,72; P <0,00001) “
  • “Não há redução no desenvolvimento de insuficiência cardíaca (RR, 0,85; IC 95%, 0,67-1,09; P = 0,21) ou re-enfarte do miocárdio * (RR, 0,78; IC 95%, 0,41-1,48; P = 0,45) “

Estes resultados são superiores aos das drogas redutoras de colesterol, as estatinas e ao contrário das estatinas (que aumentam o risco de diabetes tipo 2 [8] e pode prejudicar a função cognitiva), carnitina parece melhorar a função cognitiva e a resistência à insulina [5].

Suplementos de carnitina são relativamente baratos, então eu não vejo muita razão para que eles não sejam prescritos para pessoas que tiveram um ataque cardíaco

Estou falando da prevenção secundária, por isso é desconhecido se a carnitina terá um efeito benéfico similar na prevenção primária (pessoas que não tiveram um ataque cardíaco). No entanto, com base nesses resultados e efeitos globais da carnitina (ver o artigo número 5 da Examine) é provável que a carnitina seja benéfica para a prevenção primária também. No mínimo, seria surpreendente se algo que é benéfico para a prevenção secundária fosse prejudicial para a prevenção primária

A limitação dos Mecanismos

 

A moral da história é que os mecanismos biológicos são apenas hipóteses para o que acontece no mundo real. Muita gente a maioria dos mecanismos para  “A  pode causar B que pode causar C “, ou seja Carnitina causa TMAO ( N-óxido de trimetilamina) que causa doenças do coração – ou mesmo o argumento errado de que gordura saturada causa o aumento de LDL-C (tipo de colesterol para os leigos) que causa doenças do coração.

 Este é raramente o caso em biologia, já que os sistemas biológicos são altamente interligado e compostos biologicamente ativos tem muitos efeitos no corpo.

**. Neste caso, apesar da carnitina poder ter algum efeito negativo, ao aumentar o TMAO, a carnitina também tem muitos efeitos benéficos, resultando num efeito positivo líquido para eventos cardiovasculares e mortalidade total em prevenção secundária. A única maneira de testar isso é fazendo ensaios clínicos.

* Além disso, quando consumirmos carnitina a partir de carne também estamos ingerindo muitos outros nutrientes e vários compostos da carne, todos os quais têm seus próprios efeitos biológicos. Com isto em mente, no pensamento teórico, a redução  de um determinado alimento (ou grupo de alimentos) para um nutriente (ou vários) ignora o efeito biológico líquido de todos os nutrientes e compostos de um determinado alimento, sem contar todas as interações de nutrientes.

Um bom exemplo disto é demonizar frutos, reduzindo-os a açúcar, ou ovo reduzindo a colesterol.

Resumo:

 

  • Não houve ensaios clínicos examinando o efeito da carne vermelha nas doenças cardiovasculares DCV
  • A carne vermelha não está associada a doenças cardiovasculares em estudos observacionais, exceto como correlações inconclusivas em meio a variáveis de conflito.
  • A carnitina é um nutriente benéfico numa variedade de contextos
  • Carnitina reduz eventos cardiovasculares e mortalidade total na prevenção secundária.
  • Só porque A pode causar B e B pode causar C não significa A irá causar C.

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TRIBO FORTE #031 – AÇÚCAR CAUSA DIABETES E O MAIOR EXPERIMENTO NA SAÚDE PÚBLICA

Bem vindo(a) hoje a mais um episódio do podcast oficial da Tribo Forte!

Os podcasts são 100% gratuitos e episódios novos saem todas as terças-feiras.

Certifique-se de colocar seu email aqui em cima do site para ser avisado das novidades e de futuros podcasts.

No Episódio De Hoje:

No episódio de hoje vamos compartilhar contigo:

  • A descoberta de um novo mecanismo interessante no quebra-cabeças do metabolismo do açúcar (frutose) no corpo e quem vem para fortalecer a idéia de que açúcar causa, sim, diabetes.
  • O maior experimento feito na saúde humana de todos os tempos, seus resultados e o caminho a seguir.
  • Pergunta “Posso adoçar meu café? meu chá? Se sim, com que?”

Lembrando: Você é MEMBRO VIP da Tribo Forte ou ainda está de fora? Tenha acesso a receitas simples e deliciosas diariamente, artigos internacionais traduzidos diariamente, fórum de discussão, documentários legendados e MUITO mais! Não fique de fora e se junte a este movimento agora mesmo, clicando AQUI!

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Ouça o Episódio De Hoje:

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Para baixar este episódio, clique aqui com o botão direito e escolha “Salva Como…”

Quer Emagrecer De Vez? Conheça o programa Código Emagrecer De Vez

Logo-Banner-quadrado1Abaixo eu coloco alguns dos resultados enviados pra mim por pessoas que estão seguindo as fases do Código Emagrecer De Vez, o novo programa de emagrecimento de 3 fases que é o mais poderoso da atualidade para se emagrecer de vez e montar um estilo de vida alimentar sensacional para a vida inteira.

Este programa é também endossado pelo Dr. Souto e é 100% baseado na melhor ciência nutricional disponível hoje no mundo.

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Quer seguir o Código Emagrecer De Vez você também? Clique AQUI e comece HOJE!

Referências do Episódio

 

Artigo no JAMA do David Ludwig

Artigo sobre o novo mecanismo do metabolismo da frutose

Transcrição Completa Do Episódio

Rodrigo Polesso: Você está ouvindo o podcast oficial da Tribo Forte, com o Rodrigo Polesso e o Dr. José Carlos Souto. Assuntos como emagrecimento, saúde, alimentação e estilo de vida são tratados de forma imparcial doa a quem doer. Para se tornar um membro da Tribo Forte, entre em TriboForte.com.br. Olá, pessoal, bem-vindos ao podcast número 31 da Tribo Forte – o podcast número 1 do Brasil na área de saúde e qualidade de vida. Hoje temos 2 assuntos bem legais para falar. O Dr. Souto já voltou da viagem dele. Ele ainda está com o ritmo italiano, então está com bom humor.

Dr. Souto: Muito.

Rodrigo Polesso: Muito bom humor e bem alimentado. Falaremos sobre 2 assuntos bastante impactantes e extremamente recentes. Os dois foram publicados nos últimos dias. Vamos comentar sobre isso aí. Você já se tornou um Membro VIP da Tribo Forte? Lá você encontrará receitas quase diariamente, artigos, documentários legendados, um fórum sensacional e muito mais. Além disso, depois do evento Tribo Forte Ao Vivo, teremos uma surpresa especial somente para quem for membro da Tribo. Então, seja um Membro da Tribo e faça parte desse movimento. Nosso evento será daqui um mês, no começo de novembro de 2016. Temos poucos ingressos sobrando. Estou muito feliz que quase todos os ingressos já foram comprados. A sala estará lotada. Estamos com sete palestrantes incríveis. Você pode ver todos os detalhes em TriboForte.com.br/AoVivo. Isso vai ser um marco da saúde brasileira. Acho que é um movimento que está começando agora. Conto com a presença de todo mundo lá. Convido novamente para você fazer parte da Tribo Forte. Terá uma surpresinha para quem for membro. O Dr. Souto já deu um “oi” para o pessoal. Vou fazer uma pergunta da comunidade agora. Antes, vou adiantar os assuntos que serão falados: o maior experimento de saúde pública na história da humanidade, os seus resultados e direção para se seguir em frente. Quem está puxando a orelha do pessoal é o David Ludwig, de Harvard. Ele publicou um artigo há dois dias atrás no JAMA. É um artigo muito legal e eu colocarei o link aqui para vocês lerem depois no EmagrecerDeVez.com. Esse artigo precisa ser espalhado. O segundo assunto é um estudo que foi publicado agora nos últimos dias que mostra mais evidências que o consumo de açúcares causa diabetes. Ele mostra um novo mecanismo, que é uma peça que faltava no quebra-cabeça necessária para entender isso. Vai ser legal comentar sobre esse mecanismo. A Pri perguntou o seguinte na nossa comunidade: “Olá, boa tarde. Comecei ontem a seguir os planos alimentares, mas tenho dúvidas principalmente em relação aos queijos. Também quero saber qual é a dica que vocês têm para adoçar um café ou um chá. Obrigado.” Eu vou responder a primeira, que é a respeito do queijo: ouça o podcast número 19. Nele, eu e o Dr. Souto focamos inteiramente na questão do laticínios. Dr. Souto, qual é a sua opinião sobre essa dica para adoçar o café ou chá?

Dr. Souto: Primeiramente, eu acho que o café e o chá não precisam ser adoçados. Eu entendo que a pessoa está vindo de um hábito de utilizar açúcar. Mas é interessante ter um objetivo de ir adoçando cada vez menos até consumir sem adoçar. Eu acho que para o café ser apreciado da forma como deve ser, ele deve ser consumido ser açúcar – caso contrário, perdemos parte do prazer do consumo. Nós fizemos um podcast tratando somente dos vários tipos de adoçantes, então podemos referir nossa leitora para esse episódio. Provavelmente, o ideal é utilizar um adoçante não calórico. Pode ser um adoçante não calórico natural, que é a stevia. Pode ser os adoçantes não calóricos artificiais, como ciclamatos sacarinas e sucralose. Muitas vezes as pessoas podem escolher de acordo com o paladar. Alguns podem ser amargos e outros não. Eu repito o que eu disse durante aquele podcast. Uma sobremesa foi feita para ser doce, então eu posso usar um pouco de adoçante nela. Mas o café não foi feito para ser doce. O ideal é que a pessoa use um adoçante como alguém que usa um adesivo de nicotina. O objetivo é sair do vício. A pessoa usa o adesivo de nicotina para parar de fumar e não para ficar usando o adesivo de nicotina o resto da vida. O objetivo é parar de fumar e parar de usar o adesivo. O objetivo é parar de usar o açúcar no café, mas um dia parar de usar o adoçante também e ficar só no café ou só no chá. A minha sugestão para a leitora é fazer aos poucos. Se ela acha que precisa de 5 gotas para adoçar o chá, ela pode começar a usar 4. Depois que 4 estiver bom, ela pode começar a usar 3. Vai chegar um momento que ela não precisará de nenhuma gota.

Rodrigo Polesso: Outro problema dessa questão é: quantas vezes ela toma café ou chá por dia? Se toda vez que ela toma várias vezes por dia, terá o gosto doce estimulando o cérebro várias vezes por dia estimulando o cérebro. Sabemos que esse hábito não é saudável, e dessa forma fica difícil de quebra-lo. O episódio sobre adoçantes é o número 13. Chegando num ponto que podemos referenciar episódios no passado.

Dr. Souto: Já temos episódios sobre tudo.

Rodrigo Polesso: Exatamente. Vamos fazer uso desse conhecimento que já foi compartilhado. O episódio sobre laticínios é o 19, e o episódio sobre adoçantes é o de número 13. Já que respondemos a pergunta, vamos para o primeiro tópico. É um artigo que puxa a orelha do governo dos Estados Unidos. O autor é o David Ludwig, de Harvard. Ele diz: “Já sabemos que o que vocês têm falado nos últimos 40 anos está errado. Mas ninguém veio dizer que está errado. Ninguém veio avaliar as novas evidências científicas e assumir que está errado.” Isso é, basicamente, uma puxada de orelha. Vou ler dois parágrafos rápidos para introduzir esse assunto.

Dr. Souto: Só para salientar para quem está nos ouvindo: esse artigo foi publicado no JAMA (The Journal of the American Medical Association). Essa é uma das revistas médicas mais importantes. É a revista oficial da Associação Médica dos Estados Unidos.

Rodrigo Polesso: É um jornal grande e está na vitrine para todo mundo ver. Vou fazer uma tradução simultânea de dois parágrafos rápidos. Não tivemos tempo de traduzir antes. Ele começa assim: “A recente revelação de que a indústria do açúcar tentou manipular a ciência na década de 60 (escute o episódio anterior sobre isso) novamente fez que focássemos a atenção no nível de qualidade de evidência científica no campo da nutrição, e como podemos prevenir doenças relacionadas à dieta alimentar. Começando na década de 70, o governo dos Estados Unidos e as grandes organizações nutricionais recomendaram que a população dos Estados Unidos comesse uma dieta baixa em gorduras e alta em carboidratos. Isso começou o maior experimento público da história humana (já que não havia evidência). Depois desses 40 anos, a prevalência de obesidade e diabetes aumentou várias vezes, ao mesmo tempo que a ingestão de gordura diminuiu em 25% no mesmo período. Reconhecendo as novas evidências sobre o consumo de carboidratos refinados (como pão, açúcar, batatas, cookies, bebidas adoçadas) e não culpando a gordura, as novas diretrizes alimentares de 2015 do USDA eliminou o limite máximo de ingestão de gordura. Mas ainda falta um exame completo desse enorme erro referente à saúde pública. Ninguém veio dizer que estava tudo errado. Ninguém veio pedir desculpas.” O David Ludwig fez esse artigo no JAMA. Dr. Souto, o que vai acontecer agora? Quem que vai colocar a mão para a paulada? Quem vai dar a cara a tapa?

Dr. Souto: Quem vai fazer isso, eu não sei. Mas nós – e outros como nós – vamos ficar puxando a orelha do pessoal, incomodando e fazendo barulho para evidenciar isso. No fundo, o que o Ludwig está dizendo é o seguinte: a ciência já está bem clara no sentindo de que o problema não é a gordura na dieta, mas sim os carboidratos refinados. Isso já está admitido pelo próprio Departamento Americano de Agricultura (USDA), que publica as diretrizes alimentares a cada 5 anos. As últimas diretrizes (de 2015) eliminaram o limite do consumo de gordura. Quem tiver tempo de ler o documento de quase 500 páginas do UDSA publicado em 2015 sobre as diretrizes alimentares verá que não consta um limite na quantidade de gordura que a pessoa deve comer por dia. Muitos que estão nos ouvindo devem estar surpresos. As pessoas estão surpresas porque isso foi feito na calada da noite. Isso está escondido em alguns parágrafos no meio de um documento de 500 páginas. Então, o Ludwig está dizendo que não basta simplesmente fazer essa transição de uma forma imperceptível. Na realidade, da forma como está sendo feita, todo mundo continua achando que gordura faz mal. As pessoas continuam odiando a gordura na dieta e, portanto, continuam comendo muito carboidrato. No final desse parágrafo ele diz que o dano consequente continua havendo, já que a dieta de baixa gordura permanece enraizada na consciência pública e na política alimentar. Por que ela continua enraizada? Porque ninguém veio a público dizer: “Pessoal, foi mal. Nós erramos. Estávamos errados nesses últimos 40 anos. Precisamos mudar. A gordura não é o problema. Voltem-se para o problema real – o carboidrato refinado.” Isso não foi feito. As diretrizes estão mudando na calada da noite com linguagem altamente técnica em parágrafos escondidos em documentos no meio de centenas de páginas.

Rodrigo Polesso: Exatamente. É uma estratégia planejada fazer dessa forma. Eles perceberam que existem muitas evidências e que estavam errados por 40 anos. Milhões de pessoas morreram por causa dessas diretrizes. Essa forma foi a maneira que eles encontraram para evitar dizer que estavam errados. E agora estamos esperando que alguém venha falar algo, como o David Ludwig disse. Mas agora chegamos num ponto sem volta. A inércia da verdade tomou força. Uma hora vai acontecer, de um jeito ou de outro.

Dr. Souto: Exatamente. Como tudo o que o Ludwig escreve, esse editorial é muito bom. Ele comenta o tipo de evidências nas quais foram baseadas as diretrizes vigentes, mostrando como as evidências eram fracas e observacionais. Ele mostra também que as evidências que embasam a nova postura são evidências fortes de ensaios clínicos randomizados de metanálises. Depois ele menciona novamente que as novas diretrizes já retiraram o limite de gordura na dieta, mas que está tão entranhado na cultura de que a gordura faz mal que nos Estados Unidos a alimentação das crianças nas escolas públicas proíbe o leite integral, mas libera o achocolatado adoçado com açúcar (com leite desnatado). Então, uma criança americana pode tomar um Nescau com leite desnatado e bastante açúcar, porque não tem gordura. Mas leite de vaca, integral, com gordura, não pode. Então, o Ludwig está dando um puxão de orelha: “Pessoal, vamos tomar vergonha na cara e admitir em bom e alto som que nós (establishment nutricional) estávamos errados. Se não deixarmos claro que a gordura na dieta não é o problema, e sim os carboidratos refinados, a cultura não mudará.” Na cabeça de todo mundo, ainda prevalece a cultura antiga. Isso não é uma surpresa para quem está nos escutando. Estamos no trigésimo primeiro episódio falando basicamente a mesma mensagem. Mas é bonito ver um editorial desses numa das revistas médicas mais importantes do mundo (e revista oficial da Sociedade Americana de Medicina) puxando a orelha e chamando a atenção para como eram fracas as evidências nas quais se baseiam as diretrizes vigentes. As pessoas devem sair da sombra e assumir o erro.

Rodrigo Polesso: Exato. Nós somos vistos como verdade e medicina alternativa e não como a principal. O governo tem muita força de disseminar informação. Nós tentamos fazer o que podemos, mas não conseguimos. Então, as pessoas sempre terão acesso às informações que serão divulgadas em massa pelo governo. O governo terá que tomar uma atitude e refazer essa mudança. O pessoal vem falando desse problema há décadas. Mas você acha que sua vizinha acha que a margarina é pior do que a manteiga? Ela não sabe e continua comprando margarina! Mesmo existindo evidências que comprovam o que falamos. Então, se o governo não falar em massa, abrindo o jogo e contando a verdade, vai demorar muito tempo até que essa verdade “alternativa” se torne uma verdade predominante.

Dr. Souto: Já mostramos que o fato do sujeito ser importante, ser médico, ser professor universitário não é o principal. O principal é o nível da evidência científica na qual se baseia sua afirmação. Mas o fato é que as pessoas caem na falácia de autoridade. O Ludwig está dizendo que as entidades precisam falar que estavam erradas e que estão mudando as diretrizes. Não adianta fazer a mudança na camufla, num parágrafo escondido num texto de 500 páginas, para que nós descobríssemos e publicamos num blog. As pessoas não vão acreditar num blog, mas sim num médico de avental branco na televisão ou no Ministério da Saúde. As pessoas se dobram muito à autoridade. Então, está na hora da autoridade tomar vergonha na cara e admitir em alto e bom som que as diretrizes estavam erradas. O JAMA não é uma revista médica alternativa. O David Ludwig não é um médico alternativo. A instituição na qual ele trabalha (Harvard) não é uma instituição alternativa. Está na hora da coisa mudar de cima para baixo.

Rodrigo Polesso: Está começando. Está no ar o nosso puxão de orelha também. Vamos em frente para o segundo assunto, que é bastante interessante, principalmente você entende um pouco da questão de insulina, carboidratos, hormônios, fígado com gordura, triglicerídeos e etc. Vou começar com uma frase que o Dr. Souto que falou antes: o motivo principal da elevação da glicemia em pessoas que têm diabetes tipo 2, é a secreção de glicose pelo fígado, que não é inibida pela insulina. Vou ler uns parágrafos desse artigo, que foi publicado há 2 dias atrás, para introduzir o assunto: “De acordo com esse estudo, a causa da resistência à insulina pode ter pouco a ver com defeitos nos sinais da insulina e pode, na verdade, ser causada por um mecanismo separado desencadeado por excesso de açúcar no fígado que ativa um fator molecular conhecido como carbohydrate-responsive element-binding protein (CHREBP).” Essa proteína é encontrada em diversos órgãos metabólicos em ratos, humanos e outros mamíferos. No fígado, ela é ativada pela frutose que é ingerida. A frutose é uma forma de açúcar que naturalmente está presente nos legumes, frutas e açúcar de mesa. Ela também é adicionada em vários alimentos processados, como refrigerantes. O estudo descobriu que essa frutose inicia um processo que faz com que o fígado continue fabricando glicose e aumentando os níveis de glicose no sangue mesmo se a insulina está lá para tentar evitar esse processo. Esse mecanismo todo acontece por causa de um problema no fígado. É por isso que o pessoal que tem resistência à insulina fabrica muita glicose. Mas eles descobriram que não importa quanta insulina o pâncreas fabrique para tentar inibir essa fabricação de glicose, ele não consegue falar mais alto do que essa proteína nova que descobriram (CHREBP). No final das contas, isso vai aumentar os níveis de açúcar e também de insulina no sangue. Com o tempo, isso leva a um quadro de resistência à insulina. Essa proteína que foi descoberta é uma peça muito grande. O motivo principal da diabete tipo 2 é a secreção de glicose pelo fígado nessas pessoas, já que ela não é inibida pela fabricação de insulina, independentemente da quantidade de insulina que é fabricada. Dr. Souto, anteriormente você me passou vários passos, de como acontece esse processo. Acho que seria bem legal para o pessoal entender o processo.

Dr. Souto: A coisa é um pouco complicada, especialmente para quem não é da área médica. Vamos entender como é o normal; como o sistema funciona bem em quem não é doente. Se você está comendo uma fruta, por exemplo, a frutose (glicose) entra no organismo e o corpo a utiliza como fonte de energia. Essa glicose faz com que o pâncreas fabrique insulina. A insulina vai reduzir o valor da glicose no sangue e também bloqueia completamente a produção de glicose pelo fígado – o que é bom, já que se a pessoa comeu glicose, o fígado não precisa fabricar mais glicose ainda. Então, a mesma insulina que é produzida quando você come açúcar faz com que o fígado pare de fabricar açúcar. Por que que quando a pessoa está em jejum a glicose não cai perigosamente (hipoglicemia)? Porque quando a glicose baixa, isso desbloqueia a produção de glicose pelo fígado. Então, o fígado passa a produzir glicose no momento em que os níveis de insulina se reduzem – e isso é bom, porque daí a glicose se mantêm estável mesmo que a pessoa esteja comendo nada. O podcast número 11 fala sobre jejum intermitente. Se a pessoa ficar 24, 48 ou 72 sem comer, ela não ficará sem glicose para o cérebro porque o fígado fabrica glicose. Por que o fígado fabrica glicose? Porque a insulina está baixa, já que a pessoa não está comendo. Isso é o normal. No diabetes tipo 2, o fígado está resistente à insulina. Então, a glicose no sangue está alta e a insulina está alta também, já que está tentando fazer essa glicose baixar. Como a insulina está alta, o fígado não deveria fabricar glicose, já que a insulina está alta. Mas o fígado continua fabricando glicose no diabetes tipo 2. Então, a pessoa está com a insulina e com a glicose altas no sangue, e o fígado ao invés de parar de jogar mais glicose no sangue, ele continua jogando. O mecanismo através do qual isso ocorria era desconhecido. Havia uma suposição de que o fígado não respondia à insulina, como um problema do efeito da insulina no fígado. O que esses pesquisadores descobriram é que existe uma proteína (CHREBP) que faz com que o fígado comece a secretar glicose independentemente da insulina. Mas qual é a importância disso? Por que estamos falando desse assunto que parece ser tão técnico? É que essa proteína (carbohydrate-responsive element-binding protein) tem seu efeito desencadeado por carboidratos. Mas não é um carboidrato qualquer, é pela frutose. Então, a exposição crônica à quantidades grandes de frutose vai fazer com que esse proteína fique ativa e que o fígado pare de responder à insulina. Essa basicamente é a descoberta do link principal de ciência básica que explica porque o açúcar causa diabetes tipo 2. Eu aprendi na minha faculdade que o açúcar não causava diabetes, embora isso seja uma coisa absurdamente contra intuitiva. O Dr. Lustig, que tem o famoso vídeo “A Verdade Amarga do Açúcar”, já explicava em detalhes como o açúcar estava envolvido da gênese do diabetes. Mas ele não sabia – e ninguém sabia – o mecanismo molecular através do qual isso acontece. Mas ele já havia demonstrado, num estudo epidemiológico conduzido mais em mais de uma centena de países, que o açúcar tinha muito mais relação com o diabetes do que as calorias como um todo oriundas de outros alimentos. Ou seja, não eram calorias em geral, não eram carboidratos em geral, era especificamente o açúcar que estava envolvido com o risco de desenvolver diabetes. Agora nós sabemos porquê. Qual é a diferença entre um carboidrato de uma batata doce e um açúcar? A batata é amido, que é glicose. O açúcar é 50% frutose. A frutose que é responsável pela ativação dessa proteína que vai fazer com que o fígado comece a produzir açúcar independentemente do efeito da insulina. Aí alguém pode perguntar: “Então não posso comer nenhuma fruta?” Não é isso! São níveis suprafisiológicos de frutose. É a exposição crônica a níveis de frutose que jamais seriam atingidos comendo uma fruta de vez em quando. Ou seja, é a exposição ao açúcar, aos alimentos processados, a coisas como ketchup, sucos de fruta, suco de caixinha, refrigerantes. Essa proteína talvez não seja a única coisa. Esse é um estudo super recente, que tem que ser corroborado. Mas é muito interessante, já que é mais uma peça do quebra-cabeça que se encaixa, mostrando que o problema que o problema não é engordar, fazendo que a pessoa acumule gordura no fígado, fazendo com que o fígado fique com resistência à insulina e a pessoa fica diabética. Não! O que o estudo está mostrando é o seguinte: o açúcar que faz com que uma determinada proteína no fígado se desregule, tornando o fígado resistente à insulina, fazendo os níveis de glicose e insulina aumentarem, causando a resistência à insulina no resto do corpo e que leva ao acúmulo de gordura no fígado (que é uma consequência do processo e não causa). A gordura no fígado é um marcador, que indica que a pessoa está desenvolvendo resistência à insulina no fígado. Mas a causa é o açúcar. É o excesso de frutose. É o excesso de carboidrato especificamente de açúcar e carboidrato processado.

Rodrigo Polesso: Muita gente talvez pense que não pode comer mais frutas. Mas não podemos nos esquecer que nós, seres humanos, fomos feitos para viver bem na Terra. Então, existem populações que comem muito carboidratos de batatas ou populações que não comem carboidrato (vivem de peixe e gordura). Essas duas populações são saudáveis. A Terra nos fornece os alimentos que precisamos. Os problemas começam a acontecer quando paramos de comer alimentos de verdade e começamos a comer substâncias comestíveis. Eu acho de “substâncias comestíveis” tudo isso que é refinado, processado e artificialmente modificado. São coisas criadas pela indústria e que você não encontraria na natureza de forma alguma. O maior desses vilões é o açúcar de mesa, que é 50% glicose e 50% frutose. Nos Estados Unidos é pior ainda, já que lá tem o high-fructose corn syrup, que é 55% frutose 45% glicose. Ele é muito mais barato que o açúcar e o pessoal usa em tudo lá. Ele faz muito mais mal para o fígado, já que ativa essa proteína. Quando começamos a comer carboidratos refinados, processados e artificiais, eles são os verdadeiros vilões. Estamos começando a entender os mecanismos através dos quais isso acontece. Temos que nos lembrar de que alimentos de verdade são uma coisa e substâncias comestíveis são outra. Aí sim estaremos no caminho certo de sermos mais saudáveis.

Dr. Souto: Nós comentamos no podcast sobre adoçantes que o néctar agave é uma péssima escolha. Agora deve estar claro para vocês o porquê. O agave tem um índice glicêmico muito baixo porque ele é 90% frutose. Isso é a pior coisa que a pessoa pode consumir! A frutose é o que causa o diabetes. Não a frutose diluída em um monte de água e fibra como existe nas frutas, mas uma frutose purificada e extraída do cacto (agave). O néctar de agave é uma calda de frutose pura. O açúcar de coco também tem um índice glicêmico mais baixo. É a mesma coisa. Açúcar de uma forma geral é uma coisa ruim. Outra coisa que esse estudo ajuda a entender… Nós temos pacientes com diabetes tipo 2 que comem muita glicose, açúcar, amido. Quando essas pessoas adotam uma dieta low carb, a glicemia delas melhora muito. Elas param de consumir grandes quantidades de carboidrato. Mas tem pessoas que fazem uma dieta baixa em carboidrato bem direitinho, são diabéticas e a glicose não cai, mesmo que sejam pessoas que produzam insulina. Isso acontece justamente por causa da CHREDP que faz com que o fígado da pessoa produza grande quantidade de glicose, embora a insulina esteja alta. Ou seja, a insulina alta deveria fazer com que o fígado não produze glicose alguma. Mas o fígado se recusa a obedecer a insulina. Isso foi causado por anos de exposição ao açúcar. Se isso é completamente reversível ou não, ninguém sabe. O Dr. Jason Fung tende a acreditar que jejuns prolongados podem ser o que falta para restaurar a sensibilidade do fígado à insulina, provavelmente revertendo a ação dessa proteína. Se é o jejum prolongado ou simplesmente o fato de se permanecer por um período bastante longo sem exposição a carboidratos são coisas que ainda devem ser estudadas. É importante que as pessoas entendam que, mesmo elas fazendo tudo certo, o diabete tipo 2 onde haja bastante gordura do fígado e resistência à insulina pode ser algo desafiador. Às vezes não é tão fácil. Provavelmente, esse estudo ajuda a explicar parte do mecanismo.

Rodrigo Polesso: Agora temos mais detalhes sobre o mecanismo: como reverter, quanto tempo demora para isso acontecer. Mas tem muita coisa para acontecer ainda. Acho interessante mencionar que jejum é o melhor de todos os remédios, como dizia Paracelso há muito tempo atrás. Tem um panfleto muito interessante de um Doutor chamado McEachen. Ele publicou esse panfleto em 1956. Ele seguiu 614 pacientes por 10 anos e curou todos os tipos de doenças que você pode imaginar: cânceres benignos, malignos, problemas de pele… todos os problemas que você pode imaginar. Somente 14 pessoas não foram curadas pela intervenção dele, que era basicamente o jejum. O jejum tem poderes que nem imaginamos. Esse é só um parêntese.

Dr. Souto: Vou abrir um outro parêntese. Li uma reportagem sobre esse estudo do qual estamos falando agora. Os cientistas falam que foi fascinante a descoberta dessa proteína, que explica o mecanismo de secreção da glicose independente da insulina. Em seguida, eles falam qual é a grande alegria deles: “agora terá um alvo para desenvolver novas medicações”. A primeira coisa que me veio à cabeça foi que temos mais um argumento para que as pessoas não comam açúcar. O que estudo mostrou é que a frutose – que é o marcador do consumo de açúcar – é o que desencadeia a desregulação dessa proteína que fará com que o fígado passe a fabricar glicose independentemente da insulina. A implicação disso é que devemos comer o mínimo de açúcar possível. Mas, obviamente, o pessoal já começa a falar no próximo remédio.

Rodrigo Polesso: É o que dá dinheiro, não adianta. O pessoal não quer saber de mudar os hábitos, eles querem tomar uma pílula, encher a cara de McDonald’s e ficar com um six pack. O pessoal quer o mais fácil possível sempre. Vamos falar sobre nossos almoços agora. Você não está mais na Itália, então, posso saber o que você comeu hoje no seu almoço?

Dr. Souto: Agora o almoço voltou a ser uma coisa mais normal. Eu comi um bife acebolado, uma salada… foi isso.

Rodrigo Polesso: Está bom o suficiente. Ontem eu fiz uma coisa que nunca tinha feito em casa, mas minha mãe fazia muito na infância: moela de frango. Tem gente que nem sabe o que significa isso.

Dr. Souto: A Patrícia Ayres, nossa colaboradora, é fã de moela.

Rodrigo Polesso: É bem diferente. Com isso, eu comi brotos de brócolis. Ele contém o antioxidante mais poderoso conhecido até hoje. Eles estão levando isso para as pessoas na China, que vivem naquela poluição. Eles fazem sucos com brotos de brócolis para ver como essas pessoas eliminam as toxinas do corpo. É incrível o poder que esses antioxidantes do broto de brócolis têm. É uma coisa muito fácil de se fazer em casa. Comprando semente de brócolis você pode germiná-los em casa. Estou experimentando porque gosto de variar no meu dia a dia. Espero que essa informação seja útil. Dr. Souto, foi sensacional esse episódio. Foi um pouco mais técnico que o normal, mas é sempre bom equilibrar o mais técnico com o menos técnico. O importante é trazer uma conclusão fácil para todo mundo entender. Eu tenho certeza que isso tenha sido útil para o pessoal. São informações bem novas, que acabarem de sair. Continue nos seguindo semanalmente. Sempre traremos as informações mais atuais para te ajudar uma vida mais saudável, mais em forma e com a melhor qualidade de vida. Com isso, me despeço. Um bom dia para todo mundo. Dr. Souto, até o próximo e obrigado pela participação.

Dr. Souto: Um abraço. Um abraço aos ouvintes. Até a próxima.

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