Entidades debatem modelos para rótulos de alimentos com alertas de alto teor

Novos rótulos de alimentos devem trazer de forma clara alertas de alto teor de açúcar, sódio e gordura saturada. Conheça os principais modelos defendidos.

 

Não faltam ações de prevenção da obesidade, mas é interessante notar que grande parte delas se dirige para o consumidor, enquanto existem outras duas pontas que podem fazer muito por essa questão: o poder público e a indústria. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estão, desde 2014, em um debate sobre novas regras de rotulagem de alimentos que podem ter impacto direto no cenário do sobrepeso e obesidade no Brasil.

A disponibilização de informações nutricionais em rótulos de alimentos e bebidas é regulamentada no país desde 2001, com ajustes ao longo dos anos. Atualmente, fabricantes precisam informar valor energético e quantidades de carboidratos, proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas, gorduras trans, fibra alimentar e sódio. A discussão agora gira em torno de como fazer a presença de excessos prejudiciais à saúde ficar mais clara para quem vai consumir, principalmente quando se trata de alimentos ultraprocessados, como biscoitos recheados, salgadinhos e refrigerantes.

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O Idec propõe um modelo de alertas. Quando um produto tiver excesso de um determinado nutriente, como sódio, a parte da frente do rótulo deve conter um triângulo preto e a inscrição “alto em sódio”. “O triângulo foi escolhido por ser uma imagem que simboliza atenção de uma forma simples, direta, em formato geométrico de fácil visualização inclusive em tamanhos reduzidos”, explica Ana Paula Bortoletto, nutricionista e líder do Programa de Alimentos do Idec. O modelo é inspirado na experiência chilena, que utiliza um octógono preto como alerta.

 

Rótulos frontais propostos pelo Idec.

Modelo proposto pelo Idec usa triângulos pretos para indicar cada excesso de nutrientes. | Idec

 

Já a ABIA, que lidera outras entidades ligadas à indústria de alimentos e bebidas na discussão, propõe um modelo de semáforo. Cada produto receberia selos com as cores verde, amarelo ou vermelho, de acordo com a quantidade baixa, média ou alta de determinado nutriente. Por meio de nota enviada ao Portal DV, a associação defendeu que a proposta de alertas, como a do Idec, “é um modelo que não auxilia o consumidor e só tem o propósito de vilanizar o alimento industrializado. O que contribui para uma dieta equilibrada é a informação. Ao contrário de apenas um alerta ‘alto em’, o modelo informativo traz o ‘alto’, junto com a referência da cor e o percentual de VD [valor diário recomendado], para que a pessoa saiba quão alta, média ou baixa é a presença daquele nutriente na porção do alimento ou bebida”.

 

Rótulos frontais propostos pela ABIA.

Modelo proposto pela ABIA usa cores de semáforo para indicar níveis de nutrientes. | ABIA

 

Embora informar mais soe positivamente, Ana Paula defende que nem sempre é o caso. “O semáforo não é tão bom quanto parece porque, quando se colocam várias cores diferentes na embalagem, expõem-se informações contraditórias para o consumidor, e não se permite que ele faça uma ideia real. Se você tem uma cor amarela, duas verdes e uma vermelha, não diz muito. O semáforo funciona bem no trânsito porque uma cor acende de cada vez. Quando acendem várias ao mesmo tempo, nós já temos problemas.” A nutricionista ressalta ainda que o modelo da ABIA abre espaço para que produtos deem uma falsa impressão de que são saudáveis. “Um refrigerante zero, por exemplo, teria selos verdes por ser baixo em gordura, baixo em açúcares e baixo em sódio, quando na verdade sabemos que não é um alimento tão saudável assim”, explica.

 

A experiência do Chile com rótulos de alimentos

 

A experiência do Chile com selos de advertência é uma das primeiras no mundo. Foi implementada em meados de 2016 para combater principalmente o sobrepeso e a obesidade, que têm prevalência ainda maior que no Brasil. A medida ainda é muito recente para uma conclusão definitiva, mas já existem avaliações elogiosas e críticas.

Na última quinzena de dezembro de 2016, cerca de 6 meses após a implementação da lei de novos rótulos de alimentos, o Ministério da Saúde do Chile realizou uma pesquisa com 1.067 pessoas. Mais de 90% dos entrevistados afirmaram reconhecer os selos. A maioria, 56,2% afirma não comparar selos ao comprar um produto (maiores de 46 anos são os que mais comparam; jovens entre 18 e 29 anos são os que menos comparam). Entre os que comparam, 67,8% apontam que optam por produtos com menos selos; 9,7% não compram alimentos que contenham selos; e 14,1% compram menos do que comprariam se não existissem selos. Cerca de 8,4% dizem que suas compras não são afetadas pelos selos.

Segundo a pesquisa, os selos despertam impressões na maioria dos entrevistados. Cerca de 78,5% afirmam que, ao ver um produto com selos, pensam que deveriam deixar de consumi-lo, consumi-lo menos vezes ou em menor quantidade que um alimento sem selos. Aproximadamente 47,3% dizem que consideram saudável um produto que não leva selos.

Em uma conferência da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) de 2018 sobre os impactos da lei chilena, o Ministério da Saúde do Chile informou que 20% da indústria reformulou seus produtos, 90% dos consumidores afirmaram que agora liam o rótulo para decidir se compravam ou não um produto e 68% disseram ter mudado hábitos de compra.

O jornal chileno “El Mercúrio”, porém, publicou em setembro de 2019 uma matéria que levanta indícios de um possível “desgaste” da lei de rótulos de alimentos. O conteúdo relata casos de algumas empresas que decidiram retornar à receita original de alguns produtos após queda nas vendas, mesmo às custas de ter de estampar os selos em suas embalagens. O atual ministro da Saúde do país, Jaime Mañalich — que não ocupava o cargo na época de implementação da lei –, avaliou também que “a população está se tornando insensível aos rótulos, em parte porque os selos são tão massivos, no sentido de que tudo no supermercado tem selos, que já não se obtém efeito de diferenciação para o consumidor”.

 

Proposta da Anvisa para um modelo brasileiro de rótulos frontais

 

Após receber pareceres e contribuições de entidades e especialistas, a Anvisa elaborou seu modelo de rotulagem a partir de estudos realizados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pela Universidade de Brasília (UnB). Ele consiste em uma lupa como selo de advertência, acompanhada do texto “alto em” e uma lista dos nutrientes que existirem em excesso, contemplando açúcares, gordura saturada e sódio. Os limites de cada um seriam os seguintes em porções de 100 g ou 100 ml:

  • Açúcar: 10 g para sólidos e 5 g para líquidos;
  • Gordura saturada: 4 g para para sólidos e 2 g para líquidos;
  • Sódio: 400 mg para sólidos e 200 g para líquidos.

 

Rótulos frontais de lupa propostos pela Anvisa.

Modelo proposto pela Anvisa usa ícone de lupa e lista de nutrientes em excesso. | Anvisa

 

Embora se assemelhe mais ao modelo do Idec, a entidade de defesa do consumidor tem críticas à proposta do governo. “Apesar de avançar na questão do excesso de informação, consideramos que a lupa não tem um bom desempenho, pois mesmo que um produto tenha vários nutrientes em excesso, o selo vai ser um só”, afirma Ana Paula Bortoletto. A lupa é criticada também pela ABIA. Em nota, a associação defendeu que seu “modelo informativo de rotulagem nutricional, que, ao contrário do modelo de advertência apresentado pela Anvisa, é o que melhor oferece ao consumidor brasileiro as informações de que necessita para fazer escolhas alimentares com autonomia e consciência, de acordo com suas características, preferências individuais e no contexto de uma dieta equilibrada”.

O Idec também questiona o prazo proposto pela Anvisa para adequação completa das novas normas. A agência sugeriu que, após a definição do modelo, todos os produtos no mercado brasileiros deverão estar adaptados à novas regras em até 42 meses. “É um prazo absurdo. Já estamos há 5 anos nesse debate, não tem por que esperar mais. As empresas mudam seus rótulos para promoções sazonais a todo momento. É menos complexo que colocar informações sobre alergênicos, que exige um estudo da cadeia de produção e análise dos produtos. Eles só terão que mudar a embalagem”, afirma a nutricionista do Idec.

A ABIA, por outro lado, entende que o prazo é necessário. “O processo de implementação de uma nova padronização de rotulagem nutricional é complexo e envolve diversos setores da cadeia produtiva e fornecedores de insumos. As etapas envolvem processos de embalagem, aprovação de registro no âmbito do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, especificações que deverão passar por atualizações, ou seja, é um processo técnico rigoroso”, afirmou em nota.

 

Você pode se manifestar sobre o modelo proposto pela Anvisa

 

Os impactos desse tipo de políticas públicas demoram para se fazer presentes, daí a importância de se implementar o melhor modelo possível, baseado em evidências. A Anvisa abriu as consultas públicas nº 707 e 708/2019 para receber manifestações sobre o tema. O formulário é direcionado principalmente para receber insumos técnico-científicos, mas qualquer pessoa pode opinar. Além do esforço pessoal para combater a obesidade, que tal atuar também na formulação de políticas públicas em Saúde?

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Drauzio Varella

Entidades médicas pedem vacinação obrigatória para crianças

iG São Paulo

Documento sugere que seja obrigatório a apresentação da carteira de vacinação das crianças no momento da matricula escolar; medida visa controlar o risco de reintrodução de doenças já erradicadas no Brasil

Manifesto que pede vacinação obrigatória tem foco no calendário vacinal infantil

Manifesto que pede vacinação obrigatória tem foco no calendário vacinal infantil

Foto: vacina%2C vacinação criança

Entidades médicas elaboraram um manifesto pela vacinação obrigatória no país na tentativa de melhorar a situação das baixas taxas de cobertura vacinal, particularmente em doses do calendário infantil e do risco de reintrodução e recrudescimento de doenças controladas ou já erradicadas no Brasil.

O documento, assinado pela Sociedade Brasileira de Imunizações, Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade de Pediatria de São Paulo, cita a apreensão por parte dos profissionais da saúde e sugere ações que poderiam contribuir para uma mudança de cenário por meio da vacinação obrigatória.

O texto propõe que todos os envolvidos com o ato vacinal, direta ou indiretamente, conheçam, entendam, destaquem e respeitem os aspectos legais, as implicações e as sanções que podem advir nos casos de recusa vacinal, explicando aos indivíduos, pais e responsáveis todos esses aspectos.

Outra ação proposta é que se estabeleçam mecanismos legais que tornem obrigatória a apresentação da carteira de vacinação atualizada de todas as crianças e adolescentes como pré-requisito para matrícula em estabelecimentos que prestem atenção a eles, como berçários, creches e escolas.

Constatada qualquer incompatibilidade entre o documento e o indicado pelo Programa Nacional de Imunizações, o manifesto sugere que pais e responsáveis sejam convocados e encaminhados a um serviço de saúde para que lhes sejam passadas as informações sobre o calendário vacinal, por meio de profissionais capacitados.

De acordo com o manifesto, o ingresso de crianças e adolescentes em estabelecimentos de cuidados e de ensino representa uma importante oportunidade diagnóstica da situação vacinal e ferramenta para correção de falhas e atualização do calendário preconizado pelo Ministério da Saúde, com a possibilidade de se responder a dúvidas e questionamentos dos pais e responsáveis sobre vacinação.

“As sociedades médicas signatárias deste documento entendem que as propostas apresentadas se mostram como ações efetivas na busca de uma melhor saúde pública para todos os brasileiros, particularmente no que se refere ao controle das doenças imunopreveníveis, e se colocam abertos a discussões em busca de caminhos e soluções junto às entidades governamentais competentes”, destacou o documento.

Leia também: Saiba quais são as vacinas que os idosos devem tomar pela rede pública de saúde

Vacina obrigatória tem respaldo da lei

Vacinação obrigatória deve ajudar a manter doenças já erradicas longe do Brasil

Vacinação obrigatória deve ajudar a manter doenças já erradicas longe do Brasil

Foto: Marcelo Camargo/ABr

O texto destaca a existência de dispositivos legais no Brasil que estabelecem a obrigatoriedade da vacinação de crianças, como o Decreto n° 78.231, de 12 de agosto de 1976, que regulamenta o Programa Nacional de Imunizações.

O artigo 29 prevê que “é dever de todo cidadão submeter-se e aos menores dos quais tenha a guarda ou responsabilidade à vacina obrigatória”, enquanto o parágrafo único cita que “só será dispensada da vacinação obrigatória a pessoa que apresentar atestado médico de contraindicação explícita da aplicação da vacina”.

O manifesto também faz referência à Lei n° 8.069, de 13 de julho de 1990, que cria o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e cujo artigo 14 diz que “é obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias”.

O documento destaca ainda o artigo 13, que diz que “casos suspeitos ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao conselho tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais”, e o artigo 249, que prevê multa de três a 20 salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência, para quem “descumprir dolosa ou culposamente os deveres inerentes ao poder familiar ou decorrentes de tutela ou guarda, bem assim, determinação da autoridade judiciária ou conselho tutelar”.

Obrigatoriedade não é novidade

Em alguns estados, a vacinação obrigatória é um requisito para realizar a matrícula de crianças na escola

Em alguns estados, a vacinação obrigatória é um requisito para realizar a matrícula de crianças na escola

Foto: Erasmo Salomão/Ascom/MS

A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabella Ballalai, explica que a proposta é chamar a atenção da população para algo que não é novo – a obrigatoriedade da vacinação no país.

Para ela, os decretos e leis citados no documento podem ter sido esquecidos ao longo do tempo, uma vez que, até a década de 90, era rotina que toda criança apresentasse a carteira de vacinação no ato da matrícula.

“Hoje, a gente tem escolas que fazem, alguns estados que regulamentam isso um pouco mais. E o que a gente está fazendo aqui é trazer isso de novo para discussão, entendendo que não é nossa intenção simplesmente dizer ‘Vamos obrigar’. Isso é o pontapé de um trabalho que pretendemos fazer com outras sociedades, órgãos governamentais e órgãos representativos da educação.”

Isabella citou inquéritos internacionais que sugerem que mais de 70% dos brasileiros acreditam na vacinação, enquanto 20% hesitam em meio a fake news (notícia falsa).

Para ela, a prova de que a população confia nas doses é o índice de 97% de crianças vacinadas contra a poliomielite e o sarampo após campanha em massa feita pelo governo federal.

“Cadê essas pessoas contra a vacina? São poucas. É diferente da Europa e dos Estados Unidos, que precisam obrigar quem é contra a se vacinar. Aqui, a gente precisa criar um movimento que faça com que essas pessoas tenham a proatividade de vacinar seus filhos”, afirma.

A médica pediatra reforçou que a ideia não é embarreirar alunos em instituições de ensino por falta de vacinas. A obrigatoriedade, segundo ela, estaria relacionada apenas à apresentação da carteira de vacinação no ato da matrícula, para que não haja risco de evasão escolar.

“Não podemos ter crianças brasileiras fora da escola porque não estão com a carteira de vacinação em dia. Por isso, volto a dizer: o manifesto é uma forma de colocar o assunto em pauta”, conclui.

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O manifesto que pede vacina obrigatória será encaminhado ao Ministério da Saúde, ao Ministério da Educação, ao Poder Legislativo e a representações e entidades médicas de outras especialidades.

*Com informações da Agência Brasil

Saúde: bem-estar, dicas de alimentação, dieta e exercícios – iG

Entidades repudiam abordagem sobre diabetes em vídeo do Portas dos Fundos

iG São Paulo

Esquete mostra um youtuber injetando 25 mililitros de insulina como uma “brincadeira”; Sociedade Brasileira de Diabetes pede a exclusão do conteúdo

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Foto: Reprodução/YouTube Porta dos Fundos

Um vídeo publicado pelo canal de humor Porta dos Fundos nesta quinta-feira (9) não agradou entidades que atuam para a conscientização e prevenção da diabetes. No esquete, Gregório Duvivier ironiza o comportamento de youtubers interpretando um deles, mas foi criticado pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e ADJ Diabetes Brasil.

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No esquete, um youtuber decide lançar um desafio de tomar injeções de insulina – hormônio usado para controlar os níveis de açúcar no sangue em pessoas com diabetes -, depois de ter comido diversos alimentos calóricos. Em tom de deboche, ele diz que vai injetar 25 mililitros de insulina no organismo e acaba morrendo.

“No intuito de fazer uma crítica a outros ‘youtubers’, [o vídeo] retrata o diabetes de uma forma errônea. Diabetes é uma doença crônica e um dos grandes problemas de saúde pública no nosso país. Além de transmitir informações infundadas sobre a doença, nota-se no vídeo a ridicularização do profissional de enfermagem e do uso indiscriminado da insulina, que pode acarretar sérios problemas de saúde, inclusive induzir ao coma ou até mesmo ao óbito”, escreveu a ADJ Diabetes Brasil em comunicado.

A SBD ressalta a seriedade da doença, que acomete aproximadamente 13 milhões de pessoas no Brasil e cuja “desinformação a respeito da condição ainda é grande”.

“Para se ter uma ideia do ainda grande desconhecimento acerca da doença, dados do levantamento destacam que apenas 5% dos brasileiros julgam necessário seguir orientações médicas para controlar o diabetes. Dessa forma, vídeos como o produzido pelo Porta dos Fundos reforçam a disseminação de informações equivocadas e que podem causar, direta e indiretamente, danos à saúde da população”, declarou a SBD em nota.

A entidade ainda solicitou ao canal Porta dos Fundos que exclua o conteúdo e pediu ainda uma retratação pública “às pessoas com diabetes, às suas famílias, aos profissionais que lutam pela educação em diabetes e a vigília diária para controlar os efeitos da doença”.

Veja a nota da SBD na íntegra:

“A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) repudia, com indignação e veemência, o vídeo do Canal Porta dos Fundos intitulado “YouTuber”, divulgado em 9 de agosto de 2018. Na tentativa de criticar outros produtores de conteúdo do youtube, o personagem diz que vai injetar 25 mililitros de insulina no organismo, enaltecendo o uso indiscriminado e totalmente errado do hormônio, além de ridicularizar pessoas com diabetes e profissionais de saúde envolvidos no cuidado do paciente.

Longe de ser considerada uma brincadeira, o diabetes é uma doença crônica, que acomete aproximadamente 13 milhões de pessoas no Brasil e cuja desinformação a respeito da condição ainda é grande, como apontou recente pesquisa Datafolha lançada recentemente pela Coalizão Para Sobreviver, da qual a SBD faz parte juntamente com associações de pessoas com diabetes. Para se ter uma ideia do ainda grande desconhecimento acerca da doença, dados do levantamento destacam que apenas 5% dos brasileiros julgam necessário seguir orientações médicas para controlar o diabetes. Dessa forma, vídeos como o produzido pelo Porta dos Fundos reforçam a disseminação de informações equivocadas e que podem causar, direta e indiretamente, danos à saúde da população.

É importante destacar outros dados mundiais da International Diabetes Federation (IDF), que evidenciam os riscos do mau controle do diabetes: a cada 20 segundos, uma pessoa tem amputação de membros graças à doença; a condição é a maior causa de cegueira; a cada seis segundos uma pessoa morre por causa do diabetes e 80% das mortes decorrem de complicações como infartos e AVC (derrame).

É preciso que a sociedade se mobilize para que esse tipo de desinformação não tenha propagação. Diabetes é uma doença grave e se complica quando não controlada e exclui e marca a vida com lutas diárias.

Solicitamos, publicamente, ao Canal Porta dos Fundos a exclusão do conteúdo e uma retratação imediata às pessoas com diabetes, às suas famílias, aos profissionais que lutam pela educação em diabetes e a vigília diária para controlar os efeitos da doença. Os ativos de comunicação, como o site www.diabetes.org.br, com o vasto arsenal de informações, são uma fonte adequada e responsável. 

SBD convida os representantes do Canal Porta dos Fundos para uma visita aos seus ativos e até mesmo à sede,  para que possam conhecer dados e esclarecer quaisquer dúvidas. Isso reforça o compromisso com a educação e informação. A SBD, portanto, está à disposição para colaborar na produção de conteúdos relacionados ao diabetes.”

Desinformação colabora para falta de diagnóstico de diabetes

Diabetes acomete aproximadamente 13 milhões de pessoas no Brasil , segundo SBD

Diabetes acomete aproximadamente 13 milhões de pessoas no Brasil , segundo SBD

Foto: shutterstock

Apesar dos perigos, a detecção precoce e o controle adequado da condição pode ajudar a evitar todas essas complicações. Porém, o maior desafio está na falta de diagnóstico de diabetes: estima-se que metade dessas pessoas com diabetes não sabe que tem a doença.

“É uma doença totalmente silenciosa, não há sintoma. Então, a pessoa precisa fazer exames para ter certeza se tem”, afirmou o diretor da SBD Márcio Krakauer. A falta de acesso à atendimento de qualidade e rápido também ajuda a diminuir os cuidados com a saúde o que, consequentemente, influencia na falta de controle da doença.

A endocrinologista Cassandra Pauperio afirma que a dificuldade de conseguir atendimento especializado de qualidade colabora para que a identificação da doença seja inibida. “Nem todo mundo tem acesso fácil ao sistema de saúde para a realização de exames que podem identificar a condição. Quem não tem plano de saúde depende do SUS, e por conta da demora para conseguir ser atendido, o paciente acaba recorrendo ao médico apenas em casos emergenciais. Aí não dá para fazer a prevenção.”

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A maioria dos sintomas de diabetes aparecem tardiamente, quando a situação já está avançada – o que compromete o tratamento. “Quando a glicose está alta por muitos anos, podem aparecer alguns poucos sintomas, como excesso de sede, aumento do apetite, perda de peso, infecções urinárias”, completou Krakauer.

Saúde: bem-estar, dicas de alimentação, dieta e exercícios – iG

Entidades médicas britânicas emitem alerta sobre os perigos da língua bifurcada

iG São Paulo

Prática adotada por adeptos do body modification pode causar infecção, danos nos nervos, problemas na gengiva e dificuldade para engolir e respirar

Língua bifurcada ou tongue splitting é a prática que consiste em cortar a língua ao meio

Língua bifurcada ou tongue splitting é a prática que consiste em cortar a língua ao meio

Foto: CreativeCommons

Especialistas da área da saúde emitiram um alerta sobre os perigos que uma certa prática de modificação corporal pode causar para o organismo. Língua bifurcada, ou tongue splitting, como também é chamado o procedimento, pode deixar as pessoas vulneráveis ​​a sérios riscos de hemorragia, infecção e danos nos nervos, de acordo com os médicos.

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Ter a língua bifurcada envolve cortar a língua de uma pessoa ao meio, deixando-a com a mesma aparência da língua de uma cobra ou lagarto. Com diversas técnicas para realizar o procedimento – utilizando desde laser, bisturi e até fio de nylon -, a prática se tornou um fenômeno global nos últimos anos entre os adeptos da body modification (modificação corporal).

No entanto, apesar de sua popularidade, os especialistas acreditam que muitos que realizam a prática estão alheios aos problemas a longo prazo que a técnica pode causar à saúde.

Pensando nisso, a Faculdade de Cirurgia Dentária, o Royal College of Surgeons e a Associação Britânica de Cirurgiões Plásticos Reconstrutivos e Estéticos emitiram um comunicado que foi publicado nesta sexta-feira (3) para alertar a população.

Perigos da língua bifurcada

Ter a língua bifurcada pode causar prejuízos na hora de engolir e respirar, dizem os especialistas

Ter a língua bifurcada pode causar prejuízos na hora de engolir e respirar, dizem os especialistas

Foto: shutterstock

Selina Master, da Faculdade de Cirurgia Dentária do Royal College of Surgeons, afirmou que os dentistas perceberam algumas “terríveis conseqüências” causadas por esses procedimentos.

“É tão importante que as pessoas percebam que estão se colocando em sério risco de perda significativa de sangue, infecção, danos nos nervos até problemas para respirar ou engolir”, informou Master.

Os especialistas também dizem que a prática pode causar fraturas nos dentes e danos dolorosos nas gengivas.

O presidente da Bapras, David Ward, acrescentou: “Nenhum cirurgião respeitável realizaria esse procedimento, pois ele apresenta altos riscos, tanto no momento do procedimento quanto a longo prazo. Não há razões médicas para fazer isso na Inglaterra, nem no País de Gales”.

Ward ainda falou sobre os cuidados necessários para um procedimento desse tipo, e que, certamente, não estão sendo adotados em todos os casos.

“Pacientes submetidos à cirurgia por razões estéticas passam por uma avaliação pré-operatória completa, muitas vezes incluindo avaliação psicológica. Mas os profissionais que realizam a separação da língua não terão o treinamento e as habilidades necessárias para tais avaliações, colocando seus clientes em risco muito significativo.”

Além disso, eles acrescentam que, após uma recente decisão da Justiça, qualquer pessoa na Inglaterra e no País de Gales que esteja oferecendo tongue splitting provavelmente estará fazendo um ato ilegal.

No entanto, ainda não ficou claro sobre essa situação, uma vez que a prática não é abrangida por qualquer legislação existente em outras partes da Europa. Isso significa que o procedimento invasivo é basicamente não regulamentado.

“Há uma necessidade urgente de que a lei em outras partes do Reino Unido seja esclarecida. FDS e Bapras também estão preocupados que, apesar do debate jurídico, a demanda por procedimentos de separação da língua possa continuar, mas clandestinamente”, afirmou Ward.

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Homem morre por não seguir recomendações de tatuador

Assim como a língua bifurcada, a tatuagem também é uma prática comum, que deve seguir recomendações de higiene

Assim como a língua bifurcada, a tatuagem também é uma prática comum, que deve seguir recomendações de higiene

Foto: Reprodução/Twitter

Ao realizar alguma modificação corporal, ignorar as recomendações de higiene pode prejudicar a saúde e, em alguns casos, ser fatal, até mesmo quando se trata de práticas mais comuns, como uma tatuagem. Depois de ignorar as orientações do seu tatuador, um espanhol que havia acabado de fazer um novo desenho no corpo decidiu entrar no mar e acabou morto. 

O homem, que não teve o nome divulgado, de 31 anos, foi avisado sobre a proibição de entrar no mar ou piscina antes da tatuagem completar duas semanas. Mas, mesmo assim, ele decidiu aproveitar as águas quentes do Golfo do México com apenas cinco dias depois de ter feito um desenho de uma cruz religiosa no tornozelo direito.

Ao fazer a tatuagem, o corpo é ferido, e como reação às agulhadas, o sistema imunológico inicia um processo inflamatório. Por isso, como qualquer outro machucado, o risco de inflamação e contaminação quando a ferida ainda não está cicatrizada é alto.

E foi exatamente isso que aconteceu com o hispânico. Tudo começou com relatos de febre, calafrios e uma erupção vermelha perto do desenho 24 horas após o banho de mar, segundo descreveram os médicos que o atenderam.

A situação foi piorando com o passar dos dias, e ele acabou sendo internado em um hospital, conforme afirmou o jornal britânico Daily Mail. Por conta de problemas com bebidas, o corpo não estava reagindo muito bem às medicações e seus órgãos começaram a falhar.

No entanto, duas semanas depois, mesmo com alguns hematomas roxos, ele foi liberado para casa. Mas sua recuperação estava longe de acontecer. Depois de muitas complicações, era possível ver que uma bactéria contraída no mar começou a “comer” sua carne, rasgando pedaços de sua pele.

Foi então que os especialistas constataram choque séptico, que é quando há falência do sistema circulatório aguda por infecção, geralmente provocada por bactérias, fungos e vírus. Dois meses após o ocorrido o homem morreu.

Cuidados com a pele

Outra forma de body modification, além da língua bifurcada, é a tatuagem

Outra forma de body modification, além da língua bifurcada, é a tatuagem

Foto: shutterstock/Reprodução

Especialistas concluem que não é preciso desistir da tattoo para continuar tendo uma pele saudável. Basta seguir as recomendações dos profissionais e tirar todas as dúvidas antes de marcar a pele.

A tatuadora Stéphanie Camargo explica que a tatuagem funciona como um corte, e que os cuidados devem ser os mesmos de quando se faz um machucado. “A pele fica exposta a todos os tipos de germes, por isso a gente fala para não entrar no mar, porque não é uma água limpa e com a pele ‘aberta’ a pessoa fica mais propícia a se infectar”, explica ela.

Stéphanie esclarece que a mesma regra vale para piscinas e banheiras. “Os produtos químicos usados para limpar a banheira também podem infectar”, alerta. Além disso, há o risco de contato com bactérias e vírus que podem ser trazidos por outras pessoas que usaram a banheira ou estão na piscina. O cloro também é inimigo da pele recém-tatuada.

De acordo com a tatuadora, é recomendável que a pessoa espere pelo menos um mês para entrar no mar ou piscina. “Mas isso depende da cicatrização da pessoa. Tem gente que demora mais. Quem tem problema de cicatrização precisa esperar pelo menos três meses”, conclui ela.

Outro aspecto que deve ser levado em conta após tatuar a pele é a alimentação, produtos condimentados e gordurosos estão fora do cardápio. “Carne de porco, ovo, frutos do mar, ou algo que a pessoa não está acostumada a comer é preciso evitar.”

A exposição ao sol deve ser controlada, pois pode causar inflamações na pele, ressecando a tatuagem e até criando bolhas. “No caso de grávidas e diabéticos é preciso autorização médica para tatuar” finaliza a tatuadora.

Por fim, uma higienização correta da área, o uso de pomadas cicatrizantes próprias para tatuagem, não prolongar o uso do filme plástico, não coçar ou puxar a camada feita por cima do desenho são dicas que garantem uma recuperação completa da pele sem nenhuma complicação.

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Tanto a língua bifurcada quanto a tatuagem são práticas realizadas pelos adeptos da body modification. 

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Menor número de médicos nas UPAs gera revolta de entidades médicas

iG São Paulo

Conselho Federal de Medicina, a Associação Médica Brasileira e a Sociedade Brasileira de Pediatria afirmam que a medida vai sobrecarregar a equipe

“Estou absolutamente seguro de que estamos fazendo o melhor para a saúde”, afirmou o ministro da Saúde, Ricardo Barros

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil 29.12.2016

A decisão do Ministério da Saúde de flexibilizar as regras de funcionamento das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) não agradou entidades médicas. O Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) emitiram notas afirmando que a medida vai sobrecarregar a equipe médica e prejudicar o atendimento aos pacientes.

A partir de agora, o número mínimo de médicos para uma UPA funcionar cairá de quatro para dois – um de dia e outro de noite. A equipe de profissionais também vai variar de acordo com o número de plantonistas. Segundo o ministro da Saúde, Ricardo Barros, a mudança vai estimular prefeitos a entregarem mais unidades.

“Contudo, Senhores Gestores do SUS, não se pode priorizar um cronograma de inaugurações em detrimento da qualidade do atendimento que será oferecido. A redução no número mínimo de médicos constitui um cenário de alto risco para os pacientes e para os profissionais”, diz nota da SBP. “Em lugar de alívio, prevemos estresse e aflição de homens e mulheres que ficarão por incontáveis horas à espera de uma consulta pelo simples fato de que a quantidade de médicos estará subdimensionada.”

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Outra preocupação é sobrecarregar os profissionais que aceitarem trabalhar nestas condições. A SBP alerta para o risco da síndrome de burnout, distúrbio ocasionado por esgotamento físico e mental. “Tudo isso faz com que o atendimento seja desumano e de risco para médicos e pacientes.”

O ministro Ricardo Barros afirmou que a mudança não vai sobrecarregar os médicos porque a capacidade de atendimento da unidade também vai variar de acordo com o número de profissionais. “É melhor dois médicos do que nenhum. O Brasil precisa cair na real. Não temos mais capacidade de contratar pessoal. Os municípios já estão no limite de contratação”, afirmou durante o anúncio da medida.

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O Conselho Federal de Medicina lembra que a Resolução CFM nº 2.079/14, sobre a normatização do funcionamento das UPAs, ressalva aos gestores o dever de garantir qualidade e segurança assistencial ao paciente e ao médico. Tanto o CFM quanto a AMB afirmaram que tomarão as providências cabíveis contra a medida.

Para a SBP, a solução encontrada pelo Ministério da Saúde para aumentar o número de UPAs “não atende às necessidades do Brasil”. A entidade afirmou que “apoiará todas as providências que venham a ser tomadas para assegurar o mínimo ao atendimento digno da população”.

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