Hospitais privados têm insumos para intubação para somente mais 4 dias

A falta de insumos não preocupa somente os gestores dos hospitais privados. Hospitais públicos brasileiros já enfrentam o mesmo problema e vivem colapso.

 

A Associação Nacional de Hospitais Privados (Anaph) divulgou hoje (25.03.2021) que a grande maioria dos hospitais que fazem parte da associação está com seus recursos para intubação em fase crítica. A previsão é que os insumos sejam suficientes somente para os próximos quatro dias.

Segundo o diretor executivo da Anaph, Marco Aurélio Ferreira, os associados já definiram a estratégia de acesso a fornecedores internacionais, por meio de importações extraordinárias dos produtos em falta. Tal possibilidade apenas tornou-se viável pela sensibilidade demonstrada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), ao alterar procedimentos administrativos de modo a permitir as importações no menor tempo possível. “Ainda assim, o tempo médio para os insumos chegarem ao país é de mais de 20 dias”, afirma Ferreira.

A escassez de medicamentos não preocupa somente os gestores dos hospitais particulares. Hospitais públicos e as santa-casas também estão enfrentando dificuldades.

Veja também: Covid é a maior crise sanitária e hospitalar que o país já enfrentou

Recentemente, a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) emitiu, em conjunto com outras entidades médicas, recomendações sobre o manejo de medicamentos analgésicos, sedativos e bloqueadores neuromusculares essenciais para intubação, manutenção de ventilação mecânica e anestesia diante do quadro de escassez. No documento, há estratégias excepcionais que visam possíveis substituições medicamentosas em caso de falta.

Uma médica pneumologista que preferiu não se identificar disse que a situação está crítica nos hospitais de São Paulo. “Está faltando tudo. Não tem dexametasona, estão usando outros corticoides, não tem tocilizumabe, remdesivir, medicamentos importantes para tratar os pacientes graves com covid-19.”

 

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Drauzio Varella

Entenda as fases do ciclo menstrual

O ciclo menstrual pode durar até 35 dias e passa por três fases. Veja como funciona cada uma delas.

 

A menstruação é a descamação do endométrio (tecido que reveste a parede interna do útero) que ocorre quando não há fecundação. Mas o sangramento da menstruação representa apenas uma parte da primeira fase do ciclo menstrual, que dura de 21 a 35 dias. Para saber quantos dias exatos tem o seu ciclo, basta contar desde o primeiro dia de sangramento menstrual até o dia anterior à próxima menstruação. O fluxo menstrual normalmente dura de 3 a 7 dias.

Os ciclos têm início durante a puberdade e se encerram na menopausa, entre 45 e 55 anos. Algumas mulheres podem parar de menstruar antes dos 40 anos, o que é chamado de menopausa precoce. 

Durante o ciclo menstrual, a variação nos níveis de estrogênio e progesterona provoca alterações no endométrio, preparando o corpo para uma possível gestação. Como existem receptores hormonais em outros órgãos, esse processo pode causar diversos sintomas a depender da fase do ciclo.

O ciclo menstrual é dividido em três fases principais. Veja abaixo o que acontece em cada uma delas.

Fase folicular (antes da liberação do óvulo)

A fase folicular começa no primeiro dia do ciclo, ou seja, no primeiro dia de sangramento menstrual. No início dessa fase, a concentração de estrogênio e progesterona é baixa, o que leva à produção do hormônio foliculoestimulante (FSH), que age estimulando o desenvolvimento de folículos nos ovários. Os folículos são as estruturas que contêm os óvulos.

Nesse período, em que a mulher está menstruada, é comum o surgimento de sintomas como cólicas menstruais, dor de cabeça, fadiga, aumento da frequência de urinar, dor ou sensação de peso na parte inferior do abdômen e na região lombar. Crises de enxaqueca também são mais frequentes nessa fase.

 

Fase folicular (antes da liberação do óvulo)

Posteriormente, os folículos começam a aumentar a produção de estrogênio, que chega a seu nível máximo antes da ovulação. O estrogênio estimula a produção de um muco transparente nas glândulas do colo do útero, facilitando a passagem de espermatozóides para a cavidade uterina. A vagina fica mais úmida, de forma que a presença do muco se torna perceptível pela mulher. O estrogênio também faz a espessura do endométrio aumentar, o que cria um ambiente favorável à implantação e nutrição do embrião.

A fase folicular dura em torno de 14 dias, terminando com o aumento drástico do hormônio luteinizante (LH), o que dá início à próxima fase: a ovulação.

Veja também: Aplicativos de ciclo menstrual não devem ser usados para evitar gravidez

Fase ovulatória (liberação do óvulo)

A ovulação começa a partir do aumento súbito do hormônio luteinizante. Esse hormônio estimula o rompimento do folículo ovariano para que o óvulo seja liberado. Essa fase é muito curta (cerca de 16 a 32 horas), mas o período fértil é mais longo, já que os espermatozoides podem ficar viáveis por dias no trato genital da mulher e o óvulo tem uma vida média de 24 horas.
Fase ovulatória (liberação do óvulo)

 

Sendo assim, uma relação sexual que aconteça nos dias anteriores à ovulação pode resultar em gravidez, pois os espermatozoides ainda estarão lá. Em geral, considera-se período fértil cerca de três dias antes até três dias depois da ovulação. 

O rompimento do folículo para liberação do óvulo pode causar dor no abdômen (chamada de “dor do meio”, por ocorrer no meio do ciclo) por causa do contato do fluído folicular com o peritônio que reveste a cavidade abdominal. Mas essa dor, quando ocorre, normalmente é leve e passa rapidamente. 

A fase ovulatória termina após o óvulo ser liberado. 

Fase lútea (após a liberação do óvulo)

Depois da ovulação, começa a fase lútea. O folículo rompido forma um tecido chamado de corpo lúteo que, além de estrogênio, produz maior quantidade de progesterona. A progesterona é responsável por provocar modificações no endométrio que favorecem a manutenção de uma possível gravidez até a placenta se desenvolver. 

Fase lútea (após a liberação do óvulo)

Quando a gestação não acontece, o corpo lúteo regride, interrompe a produção de hormônios e é absorvido. Os níveis de estrogênio e progesterona diminuem e o endométrio, que não consegue mais se manter, se descama, dando início à menstruação. 

No final desse período, ocorre a tensão pré-menstrual (TPM) em muitas mulheres. A TPM pode causar uma série de sintomas desagradáveis, como dores e inchaço nas mamas e no abdômen, dores de cabeça e nas pernas e cansaço, além de sintomas psicológicos, como irritabilidade, ansiedade e tristeza. Podem ocorrer ainda alterações no sono e no apetite e desejos por alimentos específicos. Os sinais da TPM surgem na fase lútea e duram, no máximo, até o 4º dia da menstruação (já na fase folicular). 

A fase lútea dura até 14 dias e termina com o início do sangramento menstrual, que marca o começo de um novo ciclo.

Veja também: Da primeira menstruação à primeira relação sexual | Entrevista 

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Drauzio Varella

Conviver com o coronavírus | Artigo

Pesquisadores alertam para o risco de o novo coronavírus circular de forma endêmica por anos.

 

O futuro a Deus pertence, dizia minha avó. Em relação ao do atual coronavírus, no entanto, os modelos matemáticos permitem fazer previsões.

A revista “Nature”, uma das publicações científicas mais respeitadas, perguntou para 100 pesquisadores nas áreas de epidemiologia, infectologia, virologia e imunologia, se o coronavírus que se dissemina pelos quatro cantos será erradicado.

Veja também: Artigo do dr. Drauzio sobre mutações do Sars-CoV-2

Responderam que o vírus continuará a circular em bolsões espalhados pelo mundo, 89% dos cientistas entrevistados. Segundo eles, o Sars-CoV-2 se tornará endêmico, isto é, sua transmissão persistirá por anos ou décadas em várias regiões do globo.

Quando a pergunta foi se ele será eliminado pelo menos em alguns países, apenas 40 % julgaram provável.

A dificuldade de erradicação, entretanto, não significa que o número de mortes e a necessidade de isolamento continuarão na escala atual. O futuro dependerá de dois fatores cruciais: 1) a duração da imunidade adquirida por infecção natural e pela vacinação, e 2) as características das variantes que emergirão.

Os quatro coronavírus anteriores, causadores de resfriados comuns, e o vírus da gripe (influenza) também são endêmicos, mas convivem com a humanidade sem “lockdowns” e outras medidas restritivas ao convívio social, embora a gripe cause no mundo pelo menos 650 mil mortes anuais.

Certamente, haverá países que chegarão à imunidade coletiva por meio da vacinação da quase totalidade de seus habitantes. Ainda assim, sobrarão pessoas suscetíveis que correrão risco de adoecer, pela reintrodução do vírus trazido por viajantes oriundos de áreas em que a aderência às medidas de prevenção e os índices de vacinação sejam baixos.

É provável que em países como o nosso, daqui a dois ou três anos, passe a existir algum grau de imunidade induzida pela doença ou pelas vacinas, capaz de nos proteger contra casos como os que agora superlotam as UTIs. Quando esses níveis de proteção forem alcançados, o primeiro encontro com o Sars-CoV-2 se dará na infância, fase em que os sintomas da covid são brandos, semelhantes aos dos resfriados comuns.

É difícil prever quando um país como o Brasil, sem disponibilidade de vacinas em número suficiente e com tanta dificuldade em conseguir que a população use máscara e evite aglomerações, atingirá a sonhada imunidade coletiva.

Essa possibilidade faz sentido. Quatro dos outros coronavírus causam resfriados em seres humanos, há centenas de anos; dois dos quais respondem por 15% das infecções respiratórias. A maioria das crianças infectadas por eles antes dos 6 anos de idade, desenvolve imunidade temporária que não evita novos resfriados, mas assegura proteção contra quadros mais graves na vida adulta.

Não é possível prever se a imunidade contra o Sars-CoV-2 seguirá os mesmos passos. Os estudos mostram que os níveis de anticorpos neutralizantes produzidos contra ele, começam a cair depois de seis a oito meses da doença, mas permanecem células de memória capazes de respostas imunológicas mais rápidas, se houver nova infecção. Apesar de ocorrerem reinfecções pela mesma ou por variantes novas, esses casos são relativamente raros.

Ao contrário da situação atual de pandemia, mantida pelo grande número de indivíduos suscetíveis, a fase de endemia será atingida quando o número de novas infecções se mantiver relativamente estável no decorrer de anos, embora possam acontecer surtos esporádicos.

A gripe espanhola de 1918 levou 50 milhões à morte. Desde então, praticamente todas as epidemias de influenza A que se disseminaram pelo mundo foram causadas por variantes descendentes daquela de 1918. Um vírus se torna sazonal, isto é, passa atacar em determinadas épocas do ano, quando a maior parte da população está imune a ele – por contato prévio ou vacinação.

É difícil prever quando um país como o Brasil, sem disponibilidade de vacinas em número suficiente e com tanta dificuldade em conseguir que a população use máscara e evite aglomerações, atingirá a sonhada imunidade coletiva. Quanto tempo levaremos? Um ano ou dois? Os piores dias ainda estão por vir?

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Drauzio Varella

Março, de novo!

Restringir a circulação se torna necessário no momento, para evitar o colapso dos serviços de saúde do país, que estão funcionando além de sua capacidade. 

 

O Brasil vem batendo recordes diários de mortes por coronavírus nas últimas 24 horas. Somente ontem (03.03.2021) foram 1.840 óbitos. 

Temos atualmente 16 estados mais o Distrito Federal com uma média móvel (média de casos novos e óbitos nos últimos 14 dias)  elevada e aumentando rapidamente. 

Para conter o avanço da pandemia, que atinge seu pior momento, vários estados estão adotando medidas de restrição de circulação. No estado de São Paulo, que ontem chegou aos 60 mil óbitos desde o início da pandemia, o governador João Dória colocou todo o estado na fase vermelha, a mais restritiva do Plano São Paulo, por um período de 15 dias. Só poderão funcionar serviços essenciais, como hospitais, farmácias, supermercados, padarias, etc. Escolas seguirão abertas.

Essas medidas, infelizmente, se tornam necessárias para evitar o colapso completo dos serviços de saúde do país, que estão funcionando além de sua capacidade em muitas cidades. 

Veja também: Variantes, vacinas e o fim da epidemia

Só para se ter uma ideia da gravidade da situação, não há mais vagas disponíveis para pacientes de covid-19 em pelo menos 16 hospitais da rede pública da cidade do Rio de Janeiro.

Porto Alegre, por exemplo, já ultrapassou 100% da ocupação nas UTIs e o estado encontra-se em bandeira preta, isto é, com risco altíssimo de contágio. 

O Hospital Moinhos de Vento, o maior da rede privada da cidade, decidiu alugar um contêiner refrigerado para colocar os corpos de pacientes mortos por covid-19. A medida é preventiva, considerando que pode haver atraso nas retiradas dos corpos pelas funerárias, que tem acontecido em outros locais. 

O estado do Ceará está com quase 90% das vagas de UTI ocupadas. Goiás teve recorde de mortes em 24 horas. Foram 169 óbitos em um único dia.

Em Porto Velho, Rondônia, 7 dos 8 hospitais com leitos de UTI para pacientes com covid-19 estão com 100% de ocupação.

A situação é grave, pois não faltarão leitos somente para pacientes com covid, mas também para pacientes acidentados, vítimas de infarto, derrame e outras enfermidades que necessitam de atendimento de urgência. 

Por isso, se possível, fique em casa o máximo de tempo que puder. Vamos passar por períodos turbulentos nas próximas semanas. 

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