Coronavírus: Vacinas eficazes | Artigo

As vacinas contra o novo coronavírus são aguardadas com ansiedade. Nunca nenhuma outra vacina foi desenvolvida com tanta rapidez.

 

Nunca uma vacina foi aguardada com tamanha ansiedade. Por outro lado, nenhuma outra foi desenvolvida com tanta rapidez, quanto a do atual coronavírus, que já ultrapassou a marca de 1 milhão de mortes, pelo mundo.

No Brasil, contamos com duas vacinas em fase final de testes clínicos: uma que será produzida pelo Instituto Butantan em parceria com uma empresa farmacêutica da China; a outra, desenvolvida pela Universidade de Oxford, será produzida pela Fiocruz em parceria com a AstraZeneca.

Veja também: Coluna sobre disputa política pela vacina

Embora os estudos não tenham chegado ao fim, sabemos que, nos dois casos, a eficácia da vacinação foi acima de 90%, resultado bastante animador num mundo em que a Organização Mundial da Saúde admitia que qualquer preparação com mais de 50% de eficácia já seria útil no combate à pandemia.

Dias atrás, a farmacêutica Pfizer anunciou que a vacina desenvolvida em seus laboratórios, com base na tecnologia do RNA mensageiro, também demonstrou mais de 90% de eficácia.

Na esteira dessas notícias boas, uma empresa americana de biotecnologia, a Moderna, divulgou os resultados parciais obtidos com uma vacina também obtida com a tecnologia do RNA mensageiro (mRNA-1273).

Do estudo COVE desenvolvido pela Moderna, participam 30 mil pessoas. Durante o acompanhamento ocorreram 90 casos de covid-19 entre os que receberam placebo, contra apenas 5 dos que foram vacinados – eficácia de 94,5%.

As perspectivas para dispormos de uma ou mais vacinas contra a covid-19 são boas. Mas, imaginar que ficaremos livres assim que começarmos a imunizar a população, é irreal.

Os resultados foram confirmados por um comitê independente escolhido pelo NIH (National Intitutes of Health), órgão do governo americano.

A eficácia também ficou demonstrada na prevenção do agravamento da doença: 11 casos graves entre os que receberam placebo, contra zero entre os vacinados.

A intensidade dos efeitos colaterais foi de leve a moderada: fadiga (9,7% dos casos), dores musculares (8,9%) e dores nas juntas (5,2%).

No estudo, 37% dos participantes faziam parte de grupos étnicos e raciais não brancos; 25% eram adultos com mais de 65 anos; 17% tinham menos de 65 anos, mas apresentavam fatores de risco (hipertensão, obesidade, diabetes) para as formas mais graves da doença.

A apresentação desses resultados levou o diretor do NIH, a dizer: “Esta é uma semana de contrastes dramáticos”. Referia-se ao contraste entre o otimismo pela obtenção de mais uma vacina e a constatação de que os Estados Unidos ultrapassaram 11 milhões de casos e quase 250 mil mortes pela doença.

Enquanto a preparação vacinal anunciada pela Pfizer precisa ser mantida em freezers abaixo de -70º C, a da Moderna pode ficar armazenada em geladeiras comuns, em temperaturas ente 2º C e 8º C.

A intenção da Moderna é produzir 20 milhões de doses até o fim deste ano (2020), produção que deverá ser aumentada rapidamente para chegar de 500 milhões a 1 bilhão de doses, durante o ano de 2021.

As perspectivas para dispormos de uma ou mais vacinas contra a covid-19 são boas. Mas, imaginar que ficaremos livres assim que começarmos a imunizar a população, é irreal. A luta contra o coronavírus será longa.

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Drauzio Varella

Alumínio presente em vacinas causa autismo?

foto de uma seringa. alumínio presente em vacinas não causa autismo

A associação entre o alumínio presente em vacinas e autismo não foi comprovada pela ciência baseada em evidências.

 

Grupos de pessoas contrárias à vacinação de crianças e adultos divulgam, de tempos em tempos, uma série de boatos envolvendo as vacinas. O mais recente afirma que o alumínio presente nas vacinas causa autismo.

 

QUEM DISSE? Site “Coletividade Evolutiva”1

O QUE DISSE? “Estudo confirma que alumínio nas vacinas causa autismo”

QUANDO DISSE? 12/03/2019

CHECAGEM: FALSO

 

Veja também: Não existe vacina contra o diabetes

 

CONTEXTO

 

Mesmo estando diante de uma das maiores descobertas do século 20, o movimento antivacina não se intimida e continua angariando adeptos. Nos últimos anos, o Brasil começou a sentir seus reflexos.

O próprio dr. Drauzio Varella foi um dos profissionais que se manifestou sobre o assunto em sua coluna da Folha de Sao Paulo do dia 29 de maio de 2017 2Os argumentos para justificar suas crenças (dos adeptos aos movimentos antivacinas) contradizem as evidências científicas mais elementares (…)”.

Dentro desse cenário, uma das justificativas usadas pelos adeptos da não vacinação é que substâncias presentes nas vacinas teriam o potencial de causar autismo. Muitos são os sites, blogs e posts em redes sociais que defendem esse posicionamento. Mas será que é verdade? DROPS checou.

 

O QUE DIZ A CIÊNCIA

 

As vacinas possuem entre seus componentes, além do antígeno (partícula ou molécula que ativa o sistema imune), diversos ingredientes que têm a função de melhorar sua eficiência ou conservá-la.

Em 1998, foi publicado na renomada revista científica “Lancet”um artigo em que o médico britânico Andrew Wakefield afirmava ter encontrado relação entre o mercúrio utilizado na vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e o autismo. Mais tarde, descobriu-se que o artigo era uma farsa e o autor foi criminalmente responsabilizado, teve o registro médico cassado e o artigo foi retirado dos arquivos da revista onde fora publicado.

O artigo de Wakefield abriu um precedente para o surgimento de diversos outros mitos relacionados a supostos efeitos prejudiciais das vacinas, como por exemplo os efeitos do uso de alumínio empregado como adjuvante em vacinas. Em uma recente publicação, o site de noticias “Coletividade Evolutiva” (que se descreve como uma mídia independente e pluralista, porque damos espaço a todas as correntes de pensamento e grupos sociais”) afirma que uma nova pesquisa da Universidade de Keele encontrou uma ligação entre inoculações contendo alumínio e autismo”. 1

O site justifica sua afirmação usando como base o artigo científico Aluminium in brain tissue in autism,3 publicado pelo controverso cientista inglês Chris Exley. A publicação de Exley enfureceu a comunidade cientifica e fez com que ele fosse proibido de obter patrocínio para suas pesquisas futuras.4 Em tempo, a análise criteriosa deste artigo aponta diversas falhas no método científicos que impedem que seus resultados sejam conclusivos.

O alumínio é empregado em vacinas como um adjuvante que tem a função de melhorar a resposta do sistema imunológico aos antígenos que estão sendo combatidos. Segundo o FDA (Food and Drug Administration),5 o CDC (Center for Desease Control,6  e a OMS (Organização Mundial da Saúde)7 a quantidade de alumínio utilizada em vacinas é controlada a fim de garantir a segurança dos pacientes.

Todas as substâncias químicas podem oferecer risco à saúde humana, entretanto esse risco depende diretamente do modo como as pessoas são expostas às substâncias e da sua quantidade. Dessa forma, dizer que vacinas possuem aditivos perigosos à saúde é uma afirmação que, apesar de verdadeira, necessita de contextualização e complementação.

No que diz respeito ao autismo, a fundação americana Autism Science Foundation 8 é categórica ao dizer que não há nenhuma evidência científica que o associe a qualquer tipo de substância presente nas vacinas.

 

REFERÊNCIAS

 

¹ https://www.coletividade-evolutiva.com.br/2019/03/estudo-confirma-o-aluminio-nas-vacinas-causa-autismo.html

² http://www1.folha.uol.com.br/colunas/drauziovarella/2017/05/1887700-sabios-antivacinais.shtml#_=_

³ https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0946672X17308763#tbl0005

⁴ https://www.thetimes.co.uk/article/funding-halted-for-professor-chris-exley-linking-vaccines-to-autism-8xvwp0g8p

⁵ https://www.fda.gov/BiologicsBloodVaccines/SafetyAvailability/VaccineSafety/ucm187810.htm

⁶ https://www.cdc.gov/vaccinesafety/concerns/adjuvants.html

⁷ http://www.who.int/vaccine_safety/committee/reports/Jun_2012/en/

⁸ http://autismsciencefoundation.org/what-is-autism/autism-and-vaccines/

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Vacinas não têm relação com casos de microcefalia

As vacinas, muitas vezes, são alvos de boatos que circulam com uma velocidade surpreendente e confundem as pessoas. Nos últimos dias, internautas espalharam que vacinas vencidas contra a rubéola foram aplicadas em gestantes no estado de Pernambuco, ocasionando, por sua vez, os inúmeros casos de microcefalia.

“Essas mensagens são completamente infundadas. No Brasil há mais de 36 mil postos de vacinação e todos seguem critérios rigorosos de armazenamento e refrigeração. Não vejo nenhuma possibilidade de isso ter ocorrido”, explica o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Com o objetivo de esclarecer esse assunto, o médico responde às principais dúvidas sobre o tema. E atenção: evite compartilhar mensagens alarmistas, principalmente se não conseguir comprovar sua fonte.

De onde surgiram os boatos e por que eles são falsos?

Não se sabe de onde surgiram, mas começaram a circular pelas redes sociais diversas mensagens afirmando que mulheres grávidas teriam tomado vacinas contra a rubéola de um lote vencido no Nordeste, o que teria ocasionado os casos de microcefalia. Os boatos, se fossem verdadeiros, isentariam o Zika virus de sua responsabilidade. Não há sentido nenhum nessa afirmação, até porque mulheres gestantes não devem ser vacinadas contra a rubéola.

O calendário nacional de vacinação prevê que a vacina da rubéola seja aplicada aos 12 meses e aos 15 meses (dentro da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola). Esta é uma vacina produzida com vírus vivos e atenuados, que não são capazes de provocar as três doenças. É possível tomar a vacina em outros momentos da vida, mas nunca durante a gestação. As mulheres grávidas que não foram vacinadas antes da gestação devem receber a vacina somente após o parto.

Mas o que acontece se uma mulher grávida tomar a vacina?

Em 2001, aqui no estado de São Paulo, tivemos uma campanha de vacinação contra a rubéola. Em todo o estado foram vacinadas 4.408.844 meninas e mulheres entre 15 a 29 anos de idade, atingindo-se uma cobertura vacinal de 91,16%. E acredite: 6.473 gestantes foram inadvertidamente vacinadas. Acompanhamos e monitoramos essas mulheres de perto e não houve nenhum caso de infecção do bebê por Síndrome da Rubéola Congênita. Trata-se da maior casuística do mundo.

O que eu quero dizer é que o risco é teórico, ou seja, existe, por isso não se deve tomar a vacina durante a gravidez. Mas se isso acontecer, seja por erro ou por desconhecimento da pessoa, não significa que a mulher necessariamente vai ter um filho com má-formação.

E, mesmo sabendo que isso é pouco provável, o que aconteceria se alguém tomasse uma vacina vencida?

A vacina não teria o efeito de proteção, mas não traria malefícios para o indivíduo.

Agora falando do Zika vírus, se uma mulher for contaminada e dois meses depois, por exemplo, engravidar, o bebê terá algum risco?

Não, porque o período em que o vírus circula no organismo é de no máximo sete dias. O que não é recomendado é entrar em contato com o mosquito Aedes aegypti durante a gestação.

Em relação à amamentação, a mulher deve continuar a amamentar mesmo se for contaminada?

Sim. Ainda não há nenhuma evidência de transmissão do vírus pelo leite materno e embora exista um risco teórico de isso ocorrer, o benefício da amamentação é muito superior a ele.

 

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