Qual a relação entre Alzheimer e sono?

Distúrbios do sono, como apneia e insônia, são mais frequentes em pacientes com Alzheimer. Medidas comportamentais podem ajudar.

 

O diagnóstico de Alzheimer traz uma série de impactos para a vida do paciente e de seus familiares. Com o avanço da doença, toda a rotina da pessoa precisa ser repensada e ajustada. E uma alteração frequente nos casos de Alzheimer é o sono.

Primeiramente, é preciso destacar que a privação de sono parece estar relacionada a declínio cognitivo e, consequentemente, maior risco de ter Alzheimer. Segundo a dra. Jerusa Smid, médica neurologista e coordenadora do Departamento Científico de Cognição da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), alguns estudos sugerem que durante o sono ocorre a remoção de uma proteína patogênica do cérebro.

“Essa proteína se chama beta-amiloide e é uma das proteínas depositadas no cérebro na doença de Alzheimer (DA). Portanto, situações que levam à privação de sono fazem com que haja acúmulo dessa proteína no cérebro. Pacientes com síndrome de apneia obstrutiva do sono (Saos), doença comum na população geral, têm maior chance de ter declínio cognitivo e DA, por exemplo”, explica.

Quando falamos em pacientes com diagnóstico de Alzheimer, de acordo com a neurologista, os distúrbios de sono, como a própria apneia do sono, são frequentes. “Além disso, a insônia é um sintoma comum na DA, com maior prevalência em fases mais avançadas da doença. Comportamento noturno, com perambulação e perda do ciclo de sono-vigília, também são sintomas frequentes”, afirma a especialista.

        Veja também: Como lidar com paciente de Alzheimer?

 

Melatonina é uma opção?

A médica explica que a secreção da melatonina – hormônio que ajuda na indução ao sono – parece estar reduzida na doença de Alzheimer. “Pacientes com fases moderada e grave da doença apresentam o que chamamos de fenômeno do pôr do sol: agitação e alteração do comportamento no início da noite, indicando perda do ritmo cronobiológico dia-noite”, afirma.

Contudo, os estudos que tentaram estabelecer a reposição de melatonina como possível tratamento para essas alterações mostram resultados conflitantes. “O uso de melatonina pode ser tentado em pacientes com Alzheimer e distúrbios de sono, porém sem evidência científica robusta que corrobore essa indicação”, completa a dra. Jerusa.

Apesar de a melatonina ter sido liberada para venda no Brasil em forma de suplemento alimentar sem a necessidade de receita, seu uso merece cautela. Existem poucas condições para as quais a reposição de melatonina tem benefícios comprovados.

        Veja também: Melatonina ajuda a regular o sono, mas não trata insônia

 

Medidas para ajudar o sono

Para auxiliar o paciente com Alzheimer que está com problemas para dormir, o primeiro passo é descobrir a causa disso – por exemplo, identificar se a pessoa está com problemas para pegar no sono ou para se manter dormindo.

De acordo com a especialista, existem medicações que podem ser usadas em diversas situações clínicas. Por isso, é importante que os familiares ou cuidadores relatem as queixas para os profissionais que acompanham o caso para receber a orientação adequada.

Além disso, é fundamental a adoção de medidas comportamentais que favorecem uma boa rotina de sono (a chamada higiene do sono):

  • Evitar atividades estimulantes após as 18h;
  • Evitar a ingestão de substâncias estimulantes (como café e outras bebidas com cafeína) após as 18h;
  • Evitar cochilos ao longo do dia;
  • Manter o ambiente claro e iluminado durante o dia (abrir janelas, deixar entrar luz);
  • Praticar atividade física durante o dia;
  • Manter horários regulares para dormir e acordar;
  • Evitar exposição às telas de eletrônicos próximo da hora de ir para a cama.

A recomendação da National Sleep Foundation, entidade dos Estados Unidos especializada em questões relacionadas ao sono, é que uma pessoa idosa durma, em média, de 7 a 8 horas por noite.

        Veja também: Cinco dicas para uma boa noite de sono

 

Prevenção e reserva cognitiva

Segundo a neurologista, as medidas de prevenção para demência e Alzheimer são aquelas que aumentam a chamada reserva cognitiva, e incluem estimular que o indivíduo tenha alta escolaridade; combater e tratar obesidade, hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, sedentarismo, depressão, perda auditiva, uso abusivo de álcool; estimular a interação social; evitar traumas cranioencefálicos.

“Estudos mostram que ganhar novas habilidades, como aprender um novo idioma, tocar um instrumento musical, dançar, entre outras, também aumenta a reserva cognitiva”, completa a médica.

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